quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Polícia Federal - A lei é para todos

O lançamento não poderia ser em data mais simbólica: em um sete de setembro. O filme é muito bem pensado: ao invés de um chato documentário, é um thriller policial muito emocionante. Embora saibamos o que vai acontecer, em muitos dos momentos não conhecemos todos os detalhes e não tem como não ficar "torcendo".
Os atores estão incríveis. E o diretor (Marcelo Antunez) foi muito corajoso. Eu achava que eles fugiriam da polêmica, mas ele vai com tudo bem no ponto mais delicado até o momento: a investigação sobre o ex-presidente. E o diretor também ilustra muito bem os personagens típicos, como os puxa-sacos do ex-presidente, o exército do PT (MST, MTST, CUT) e os jornalistas nada éticos que usam seu espaço para trabalhar para o partido.
É muito interessante entender os momentos, as dúvidas, as pressões e tudo o que esses heróis da lava jato tiveram que enfrentar até agora para fazer a maior investigação do país, a primeira com coragem para prender grandes empresários e políticos muito importantes.
Enfim, é um filme imperdível. Todos precisam ver e incentivar mais e mais brasileiros a assistirem e entenderem o país em que vivemos e a máfia que tomou nosso Estado. Além disso, como cidadãos, é essencial que apoiemos a produtora que teve a coragem de fazer esse filme, embora fique claro que ela não teve todo o apoio que normalmente filmes dessa dimensão tem: não tem o apoio da Ancine, é só dinheiro de investidores. Então, se não enchermos os cinemas, eles não vão conseguir fazer os previstos 2 e 3. Brasileiros: todos ao cinema!





 O trailer é muito legal














E os atores estão fantásticos


Outros bons filmes: 
O jogo da imitação com o pai da computação 
Belo filme: rude, drogado e genial Sebastião
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha 
Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária
Thatcher: uma mulher única
O novo cinema brasileiro (com O homem do futuro) e o Jabor
Roque Santeiro 
A "boa" da terça 
Senna
O discurso do rei
A rede social 
Trapalhões na luta contra a ditadura

E desenhos
O amor e suas lições em Frozen
Um desenho imperdível para gamers: Detona Ralph
Rio
Up


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Diários de um professor: paraninfo

Tem momentos da vida que não podem ser esquecidos. Aqueles momentos que ficam para sempre.
Comecei minha vida dando aulas em uma pequena universidade em uma cidade bastante humilde. Universidade pequena, alunos humildes, mas séria como boa parte das universidades não são. Adorava dar aulas lá, por ver que eu realmente poderia fazer a diferença na vida daqueles jovens, muitos dos quais não tinham muitas expectativas de mudar de vida. Espero ter conseguido, naqueles três anos que por lá estive, ajudar alguns daqueles jovens a ver que poderiam ir muito mais longe.
Eu vim de uma geração que lutou contra os militares, contra a corrupção. Uma geração que acreditava na utopia de um mundo melhor, com pessoas mais íntegras. E ao longo da minha graduação sempre vi a escolha das homenagens nas formaturas ser algo sempre feito com base na história de vida (no caso de patronos) e na competência do professor (no caso do paraninfo e homenageados).
E foi com profundo espanto e decepção que descobri que os alunos daquela universidade sempre escolhiam como patrono algum político da cidade, desde que ele pagasse a festa da formatura deles. Isso, para mim, é corrupção. Jovens venderem a homenagem em troca de uma festa era tudo o que eu não esperava ver em jovens. Sempre acreditei que jovens são a parcela da população que tem a obrigação de ser a referência ética de uma sociedade (porque, infelizmente, com a idade, as pessoas tendem a se tornar mais "flexíveis", tolerantes, pragmáticas). Afinal, se os jovens não forem "melhores" que os mais velhos, qual a esperança do mundo melhorar?
Ao descobrir essa prática, eu sempre mostrava para aqueles jovens a minha indignação por eles se venderem por tão pouco. E foi justamente de uma das últimas turmas para a qual lecionei lá que tive uma grata surpresa. Eu já havia sido homenageado em algumas turmas. Mas os alunos daquela turma, com um ar de satisfação, aquele sorriso de saber que era o correto a ser feito, me convidaram para ser "paraninfo e patrono" da turma deles. Eu ainda questionei: mas eu não tenho dinheiro para ajudá-los na formatura. Mas eles fizeram questão de me manter com os dois.
Esse foi um dos melhores momentos da minha vida como professor. Não pelo ego de ter sido escolhido, embora nunca seja algo ruim ser lembrado pelos alunos. Mas, principalmente, por ter conseguido influenciar aqueles jovens a não vender a opinião deles, por ter conseguido introspectar em pelo menos alguns deles um valor em que realmente acreditava. E no qual ainda acredito.
Ser professor pode não ser a profissão mais bem paga no mundo. E as vezes é bem cansativo. Mas conseguir chegar em casa com a satisfação de ter feito algo de bom para o mundo, para a sociedade, e, principalmente, para jovens, é sempre profundamente motivador!

domingo, 14 de maio de 2017

Exagerada mãe

Minha mãe é um exagero só, em tudo que faz.
Sempre foi exagerada em sentimentos. Carinhosa além da conta, ficava muito muito brava por muito pouco, um ciúme, muitas vezes despropositado, fora do comum. Chorava muito sem motivo ou ficava feliz, inexplicavelmente, cantando a manhã inteira. Para algumas palavras, até certo ponto comuns, reage como se estivesse ouvindo uma ameaça de morte. Para alguns comentários muitas vezes inocentes e sem nenhum outro significado, sempre imagina motivações maquiavélicas. Quando embirra com alguém, fica o tempo todo tentando achar maldades em qualquer ação. Mas para o Roberto Carlos, o rei de belas músicas e muita malícia, sempre devotou um respeito tão exagerado, como se ele fosse um anjo inocente e puro, que diz não ver suas picardias de homem bem sem-vergonha.
O exagero da minha mãe chega ao seu topo com comida. Se ficarmos 1h na casa dela, vamos ter que almoçar (ou jantar, ou café, ou lanche, ou ceia, o que couber no horário). Em 2h, terá uma refeição e algo em seguida. Se ficarmos 10h, serão 10h ininterruptas de comidas, em sequencia: ao sair do café da manhã vem um sem fim de doces e frutas, conectado com uns biscoitos que vem enquanto ela está preparando o almoço, que vai ter 3 carnes diferentes que ela espera que comamos, cada uma, em uma porção que é o dobro do que comemos no total em uma refeição normal, temos que comer o feijão que ela fez especial, o arroz, os 4 tipos de salada e 3 legumes, e por aí vai. Lógico que após o almoço virão as frutas, as 3 sobremesas que ela fez e umas outras 3 que ela comprou. Nem saímos da mesa, já virão os chocolates e doces enquanto ela prepara o lanche da tarde, cheio de pães deliciosos que ela comprou, mas as 18h o jantar já estará a mesa. E se sairmos as 19h, ela ainda vai insistir em levar algo para "se tiver fome" depois dessa maratona gastronômica. E se não provarmos tudo que ela fez ou comprou "com tanto carinho", serei o filho malvado que não dá valor e só fica fazendo charminho para deixá-la triste.
Mas o real grande exagero da minha mãe é seu coração. Cabe tanto amor, tanto afeto, tanta preocupação. Ela se preocupa com todos e tudo, mesmo com aquilo que não precisaria ou com aqueles que não mereceriam. É capaz de perdoar gente que fez coisas que eu jamais perdoaria. É capaz de ser carinhosa com um estranho, com um desconhecido. Com crianças, então, é sempre um total doce, com um tratar tão especial, que não há criança que não se apaixone por ela em seu primeiro contato. Com os filhão aqui, então, nunca deixa de ser a mãe exageradamente zelosa e carinhosa que sempre foi, se preocupando com o que comi, com o que vou fazer, em eu não me meter em confusão e não brigar com gente má, e por aí vai. Quantas vezes não sorrio ao vê-la agindo como se ainda fosse aquele gordinho bobo de 40 anos atrás (ok, ainda sou gordinho e bobo, mas agora já sou velho o suficiente para cuidar das minhas coisas). Ela é uma mãe exagerada até no mundo virtual: muitas vezes, mesmo sem entender nada, curte tudo o que eu escrevo e ainda comenta.
Obrigado, meu Deus, por ter exagerado tanto na escolha daquela que me pôs no mundo e que me acompanha com esse exagerado carinho. Um exagero de obrigado por tudo para minha mãe. E um exageradamente feliz dia das mães para a velhinha da praia. Te adoro, mama, exageradamente.

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quarta-feira, 1 de março de 2017

Carta a um ex-amigo que agora prefere seu partido ao povo



Abaixo repasso o conteúdo de uma carta que repassei com pesar a um ex-amigo. Só mudei alguns trechos porque não quero identificá-lo.

Caro ex-amigo,

     Há semanas venho pensando em escrever esta mensagem. Eu precisava mandar este texto. Porque há anos eu tive um amigo que dizia estar do lado do povo, do lado dos mais humildes, que jurava ter compromisso social. E eu acreditava nele. Mas hoje ele se tornou uma pessoa violenta, elitista e egoísta. Como posso ter me enganado tanto?  

     Ele é violento porque defende pessoas que usam a força para impor sua vontade à maioria que não concorda com suas teses.  Manipula jovens para que batam em professores idosos para apoiar seu lado. Se diz “indignado” quando a maioria pacífica da universidade vaia uma professora que defende em uma carta a violência e o FASCISMO. Sim, porque defender que os “direitos coletivos se sobrepõe aos direitos individuais” é um discurso típico do Mussolini. Imagine que “interessante” seria se o seu direito à vida fosse subordinado ao “interesse coletivo”, interesse esse “definido” pelo governo: há algo mais absurdo e ditatorial que isso? 

   Ele é elitista porque usa tudo o que pode para defender o partido mais elitista que já houve na história desse país. O partido que no último governo:
- foi o que mais privatizou na história, além de ter quebrado todas as empresas públicas que eram dos brasileiros (correios, caixa, Petrobrás, Eletrobrás) e hoje se resumem a dívidas;
- a violência contra a mulher aumentou;
- quebrou os fundos de pensão de todos os trabalhadores públicos, que vão acabar sem aposentadoria no futuro graças a esse governo;
- foi o governo que menos assentou sem terra na nova república;
- só no último governo, depois dos militares, a desigualdade social piorou;
- o desemprego bateu recorde histórico e atinge principalmente os mais humildes;
- mesmo quem está empregado, mas que ganha pouco, não consegue mais nem comprar comida, graças a inflação e ao nível de impostos que só subiram (há algo mais elitista que não reajustar a tabela do IR?);
- só se deu bem neste governo os funcionários públicos estáveis, que ganham salários de 5 dígitos. Quem defende esse governo, defende essa pequena elite e dá uma banana para o povo pobre que está sofrendo com a pior crise nos 517 anos de história do Brasil;
- e nem vamos falar da corrupção desenfreada... 

   Ele é egoísta porque:
- não liga para o povo pobre que sofre graças ao seu partido, incluindo 12 milhões de desempregados; 
- não liga para os jovens, que estão ficando aos montes desempregados graças a política econômica nefasta que seu partido implantou;
- não liga para o conjunto imenso de jovens e trabalhadores que estão deixando o país que amam por absoluta falta de oportunidades;
- não liga nem para os seus ex-colegas, aos montes desempregados, lutando para tentar sustentar suas famílias (ele nem deve saber deles, mas eu conheço vários nessa situação e estou tentando ajudá-los como possível). 
  Ele não liga para esse povo porque ele está preocupado demais com os riquinhos estáveis com salários de 5 dígitos, com os sindicalistas de Hilux, para se preocupar com desempregados...  Ele prefere elogiar políticos desonestos com salários estratosféricos a olhar para o povo morrendo de fome na rua... 
   E seu egoísmo não é apenas por não ligar para quem está sofrendo, mas também por usar de má fé ao explorar entidades sindicais que deveriam ser dos trabalhadores para defender seu partido, sem a mínima ética e sem nenhum preceito democrático e de representatividade, usando chavões batidos e mentiras repetidas à exaustão, para justificar que uma entidade não defenda a quem deveria representar. Como sei que ele é muito inteligente, não dá para acreditar que ele defenda o partido elitista por inocência. Ele o faz para se dar bem, para conseguir fama e prestígio, não se importando se, para isso, for necessário bater em colegas, prejudicar trabalhadores íntegros, estudantes ou mesmo quebrar o país. O importante é ele se dar bem... 

   SE eu pudesse falar com ele, eu daria parabéns por ter sido tão bom ator e ter me feito acreditar que ele era uma pessoa boa. E o aconselharia a seguir os passos que está seguindo. Quem sabe assim ele não acaba em algum cargo comissionado em algum governo do seu partido, que adora “premiar” com cargos e altos salários quem faz qualquer coisa para apoiá-los. Ou quem sabe ele consegue até uma participação em algum petrólão futuro, com uma conta polpuda no exterior: esse deve ser o real interesse dele, concorda?
   Bom, era isso que eu queria dizer. Eu que vim debaixo, filho de feirante... A grande maioria das pessoas que conheço vive com não mais que três ou quatro salários. Tento sempre agradecer ao país que me deu essa oportunidade trabalhando muito, em pesquisas para melhorar a educação de jovens do ensino público, em projetos que buscam dar mais oportunidades para quem vem debaixo. Eu lutei contra os militares, lutei contra a concentração de renda, lutei contra a corrupção do Maluf e de tantos outros e sigo sem mudar minha visão de mundo, sempre lutando pelo povo mais humilde, pelo certo, pelo justo e por governos que ofereçam futuro e oportunidade para todos.  Eu queria muito que meus filhos tivessem um país melhor que o meu, mas os 13 anos do governo anterior acabaram com esse sonho... Enfim, o governo caiu, por seus próprios e infinitos erros, e nem mesmo um STF aparelhado e totalmente submisso ao partido em questão conseguiu impedir tal fato, STF que é o guardião da constituição: mas mesmo assim ainda temos que ouvir falarem em “golpe” em uma pregação tão sem sentido e tão mentirosa que dá asco. 
   Eu tenho grande vergonha de ter tido aulas com pelo menos dois professores que sei que hoje jogam o jogo sujo de defender o seu partido por interesses mesquinhos e egoístas, sempre usando a falácia de ser “a favor do povo”, de ser de “esquerda”: eu sigo admirando a esquerda de verdade, a esquerda democrática (Cristovam Buarque, Eduardo Jorge, Roberto Freire, Gabeira, Hélio Bicudo, etc.), esquerda que não defende o partido em questão. Só segue defendendo quem quer compartilhar as “vantagens do poder”. Mas preciso confessar que tenho profunda vergonha de ter sido amigo de alguém que hoje é um articulador de um jogo sujo, de mentiras e de intrigas, nesse joguinho partidário vergonhoso sem limites, que tenta justificar até violência física... Alguém que transparece ódio pelos olhos ao ver que a maioria que ele deveria representar não vai se submeter aos seus interesses.  Como pude me enganar tanto com alguém? E, fico pensando, como ele tem coragem de acordar de manhã e olhar no espelho? Será que ser “importante” no seu partido o faz esquecer que está manipulando jovens, está pregando violência física, está defendendo o partido que quebrou o país e está fazendo dezenas de milhões sofrer de fome e desesperança?  O “sucesso” partidário o faz ignorar todo o mal que está fazendo ao povo? Ser do partido o faz esquecer que a função de um representante é REPRESENTAR a maioria, e não usar a maioria? 
    Enfim, fecho assim esta nota de pesar. Aqui se encerra uma admiração que eu tive por uma pessoa por mais de uma década. Aqui se encerra a esperança que minha geração tivesse real compromisso com a verdade, com a ética e, principalmente, com o povo mais humilde. Aqui se encerram as ilusões. Há Malufs na minha geração, entre pessoas que foram meus amigos, pessoas com interesse político que só querem se dar bem, mesmo que seja preciso usar a violência contra a oposição...  

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A vitória do Trump nos EUA

É assustador ver o discurso populista de Trump
Muito tem se discutido sobre a vitória do Trump nos EUA. E alguns oportunistas adoram distorcer a verdade para tentar promover o seu lado. Escrevo este texto para tentar dar a minha visão dessa eleição.Primeiro, é importante deixar claro que as regras do jogo sempre foram essas e que ninguém reclamou quando a bola foi colocada no centro do campo. Depois que o juiz apitou, as regras não mudam mais: isso aprendemos desde o futebolzinho de rua. Regra aceita é regra justa e regra não se muda depois que o jogo está em andamento, muito menos depois que se perde a partida. Quem está protestando hoje contra a vitória do Trump mostra um profundo desprezo pela justiça e pelo jogo democrático, mostra que não aceita nada que não seja suas próprias convicções. Eu, pessoalmente, acho errado essa eleição por delegados, mas se a regra era essa e todo mundo concordou antes da eleição, não é aceitável depois que se perde querer virar a mesa!
Depois, vamos parar com essa coisa de colocar o Trump em um paralelo ao impeachment no Brasil. Por favor, parem de tentar ver coisas onde não tem. O Trump não tem nada, mas absolutamente nada, a ver com o Temer. O Trump em sua fala grosseira e arrogante, em seu populismo barato, em sua total desconexão com a lógica e com a factibilidade das suas propostas, em sua tendência ao isolacionismo, em ir contra acordos comerciais, em seu desrespeito à opinião contrária e, principalmente seu desprezo pela democracia, é muito mais próximo da Dilma e do PT que do Temer. O Trump foi apoiado pelo ex-KGB Putin, só para lembrar! O Temer, nascido no berço do velho PSDB, é um cara de centro, conciliador, um político negociador, pouco afeito a ações radicais e a discursos inflamados e populistas. Temer tem uma postura muito mais próxima da Hillary que qualquer PTista. E, por favor, o Trump nada tem a ver com o Bolsonaro: o Bolsonaro tem sua plataforma baseada na religião e em uma rígida conduta militar; o Trump é um empresário que, nem de longe, se notabilizou por questões morais, muito pelo contrário: sempre fez questão de se mostrar com um espertão sem vergonha com muita grana.
O Trump também não é um candidato liberal, da "direita" tradicional. Não é a toa que boa parte dos republicanos de peso se recusaram a apoiá-lo. Os liberais querem um mundo com menos barreiras, mais liberdade de trânsito de pessoas e mercadorias. O Trump diz ser contra imigrantes e diz que vai fechar o mercado americano aos produtos importados. Isolacionismo é anti-liberal, é uma plataforma típica dos partidos de "esquerda".
Eu nunca fui a favor do Trump. Sempre torci pela Hillary, mesmo nas prévias dos democratas, porque sou um cara democrático e sei que tanto um marxista como o Sanders quanto um Trump são um ataque frontal a democracia e ao respeito aos diferentes. Mas o fato é que o Trump foi eleito de forma justa. E o mundo vai ter que conviver com uma incógnita como ele na liderança da maior potência mundial. A vantagem é que o estado americano é muito estruturado e maduro, e controla o governo: nenhum presidente lá conseguiria fazer coisas muito absurdas, porque a estrutura do estado não permitiria.
Tentando entender a vitória do Trump, há várias explicações. Eu dou a minha visão:


1. toda ação tem uma reação: a esquerda não-democrática anda crescendo em todo mundo, inclusive lá (Sanders quase ganhou da Hillary). A reação natural de todos aqueles que não querem ver seu país controlado por ditadores marxistas é radicalizar no lado contrário (só existe Bolsonaro porque existe Jean Wyllys);
Sanders: para mim o radicalismo dele foi um dos maiores
responsáveis pelo crescimento da candidatura Trump

2. já encheu, muito, o saco, essa ditadura do politicamente correto e criminalização do homem heterossexual. Eu defendo o respeito à qualquer opção sexual, mas nesse qualquer também entra homens heteros! Como um cara de mídia, ele fazia cenas, fazia tipos, inclusive do rico cafajeste cercado de modelos de biquinis. É machista? Pode ser. Mas é um apelo populista para os homens heteros, não mais explícito que um sem fim de discursos e cenas feministas e homossexuais que a mídia adora divulgar diariamente. É a cena dele, um ator que representa um papel. Para os militontos de diversidade é inaceitável que um homem demonstre interesse por mulheres lindas que se oferecem para eles porque eles tem muito dinheiro. Mas apesar do chato discurso politicamente correto, para boa parte dos homens esse desejo é algo que faz sentido e é muito bom para eles ver que, enfim, um homem tem coragem de assumir que é homem na TV;

3. é um discurso bonito, e muito fácil, mas pouco realista, dizer que é preconceito barrar imigrantes. Eu sou filho de imigrantes, sou totalmente a favor de abertura à imigração, mas entendo que há limites e que a total liberdade é impraticável. Não tem como receber milhões de imigrantes sem ter como oferecer para eles um início de vida, empregos e dignidade social. Além disso, é lógico que deve-se avaliar se os imigrantes que chegam irão respeitar as leis e tradições do país para onde estão indo e, principalmente, se não são terroristas. Se o discurso racista e contra estrangeiros de Trump chega a dar asco e assustar (eu também abomino), o discurso de portas abertas também é muito hipócrita e impraticável;

4. muito contaminada pelo Sanders, a Hillary vinha usando muito um discurso de coitadismo, de vitimismo, típico de Marxistas. A cultura americana é uma cultura de conquista pelo próprio esforço. O sonho americano (American Dream) é o sonho de se tornar grande com base no seu próprio trabalho. Confesso que fiquei menos assustado quando vi que no discurso de vitória, Trump retomou a pregação do sonho americano.
Ainda estou assustado e triste pela vitória do Trump. Para mim o mundo segue andando para trás, ao eleger pessoas radicais que tão pouco prezam pelo respeito à opinião contrária. O fenômeno populista, que começou na América Latina, com Kirchner, Lula, Chavez, chegou agora nos EUA. Mas vou ficar torcendo para que o Trump mostre que toda aquela postura foi só um show representando um papel para se eleger. Assim seja!

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Uma grande conquista

Sabe aquela coisa fantástica, que você sempre sonhou em fazer, mas sempre achou muito além de sua capacidade? Sabe aquele sonho que vem desde a infância? Sabe aquela conquista que você acha que jamais você irá alcançar? Pois é, eu tinha uma...
Eu sempre admirei, e muito, aqueles que conseguiam. Eu sempre me achei muito aquém daquela capacidade, para mim quase um dom de nascença. Eu sempre entendi que aquilo era para um conjunto pequeno de privilegiados.
Mas, sabe, um dia você acorda com coragem. Um dia você põe o pé - direito - no chão e fala: "é hoje". Hoje eu vou tentar! Hoje eu vou encarar! Hoje eu vou ter coragem! Hoje eu quero provar para todos, para a vida e para o mundo que eu sou capaz!
E com toda a determinação do mundo eu encarei meus medos. Eu me preparei, fiz todos os passos necessários, me concentrei e, mesmo ainda sem ter grande convicção de que teria sucesso, tentei. E, para minha surpresa, eu consegui. Sim, eu consegui, eu superei meus medos e consegui aquela conquista tão sonhada, que me parecia tão inalcançável! Mas quis ter certeza que não havia sido um momento de sorte, sorte de principiante. E tentei de novo. E na quarta vez, quando já tinha convicção de que não era só sorte, de que eu era capaz, chamei meus filhos e disse: vejam o que o pai de vocês é capaz de fazer! E vi neles um olhar brilhando de admiração que me valeu o dia! E todos também resolveram tentar: minha coragem não só me fez ir além do que eu achava que era capaz, mas abriu novos horizontes e novos desafios na cabeça dos meus filhos.
Enfim, foi um momento de superação incrível e um dia inesquecível da minha vida. E tudo porque eu tive coragem de tentar e consegui o feito, o inacreditável feito, de jogar a tapioca que estava na frigideira para cima e pegar de volta com ela virada! Que orgulho de mim mesmo! Eu sou, realmente, capaz de coisas que eu jamais acreditaria que conseguiria. De lá para cá, já se vão quase uma centena de viradas no ar. E cada uma leva, consigo, um momento de profunda satisfação. Eu sou capaz! :-)

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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Homens precisam ser machos mas nunca machistas

Acabei de ler dois textos na Folha que me inspiraram a escrever este post.
O primeiro, capa do jornal, mostra que dois terços dos menores delinquentes entre 12 e 17 não tem um pai em casa. E que quase metade nem tem contato com o pai. Desculpem-me, femi-nazis, mas isso mostra uma grande verdade: que é importante, sim, a referência masculina na criação das crianças. Mas, por outro lado, isso também mostra dois pontos que precisamos cuidar, na criação e formação de nossas crianças:
1. para as meninas, precisamos ser ainda mais claros sobre a necessidade de responsabilidade, de não cair em papo de meninos e de se cuidar, prevenindo SEMPRE uma gravidez indesejada. Precisamos mostrar às jovens que sexo tem consequências e que precisa ser feito com total responsabilidade. E deixar claro às meninas que tem muito menino cafajeste e que elas não podem, JAMAIS, fazer algo que pode impactar para sempre a vida delas, baseadas em "promessas" de meninos. Não faz parte da matéria, mas é claro que não "apenas" os filhos abandonados tiveram seu futuro destruído, mas as mães "solteiras", certamente, vão ter muito menos chances de ter uma vida plena, de estudar, de conseguir um bom emprego, etc., graças à essa situação;
2. para os meninos, precisamos educá-los com a clara noção que filhos são responsabilidade deles também. E que a responsabilidade por prevenção não é só das meninas. Pais de meninos não podem ficar orgulhosos de verem eles "pegando todas" e, muito menos, passar a mão na cabeça daqueles que fazem filhos e não querem depois assumir a consequência de seus atos. Se o menino fez um filho, ele é TÃO RESPONSÁVEL quanto a menina e tem sim que arcar com as consequências desse ato.
Enfim, temos que pregar, desde cedo, que os jovens se responsabilizem pelos seus atos. E que PENSEM MAIS antes de fazer algo!

Em outra matéria, o grande Pondé, que muito admiro, cobra mais macheza dos homens. A boa macheza! Homens são mais fortes, foi a natureza que nos fez assim em milhões de anos de evolução. E se aprendemos, com a boa educação, que jamais deveríamos usar essa força com as mulheres, é óbvio que DEVEMOS usar essa força para defendê-las de agressores. Não podemos ignorar nossa força, nos pasteurizar em discursos politicamente corretos, quando o importante a ser feito, em certos momentos, é DEFENDER as mulheres de agressores. Há alguns meses "homens" alemães fizeram uma passeata vestidos de mulheres contra os estupros que as mulheres da sua cidade estavam sofrendo. Além de totalmente inócuo, esse tipo de protesto vai fazer os agressores seguirem com seus atos monstruosos, pois eles, representantes de uma cultura que acredita que mulheres são inferiores e devem ser submissas, cultura que defende que mulheres sozinhas na rua merecem ser estupradas, não vão dar a mínima para homens que se vestem de mulheres. Homens alemães que querem, de verdade, defender as mulheres, tem que acompanhá-las até em casa e, se necessário for, usar sua força contra os monstros que querem estuprar nossas amigas, mães, esposas e filhas. Ser macho, quando precisa ser, não é um ato de machismo, mas uma forma de mostrar que exigimos o respeito às mulheres e que elas podem contar conosco nisso! E mulheres inteligentes sabem que esse papo de "não precisamos de homens" é preconceituoso e sectário, não merecendo ser levado à sério. Todos precisamos de todos nesse mundo!

PS. me lembrei de meu tempo de graduação... Minha melhor amiga, uma linda japinha baixinha, sempre vinha me pedir companhia quando precisava sair de casa à noite, para ir na farmácia ou qualquer outro lugar. E eu a acompanhava, pois entendo que era minha obrigação como homem defender aquela menininha de monstros que andam pela rua...

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