quarta-feira, 1 de março de 2017

Carta a um ex-amigo que agora prefere seu partido ao povo



Abaixo repasso o conteúdo de uma carta que repassei com pesar a um ex-amigo. Só mudei alguns trechos porque não quero identificá-lo.

Caro ex-amigo,

     Há semanas venho pensando em escrever esta mensagem. Eu precisava mandar este texto. Porque há anos eu tive um amigo que dizia estar do lado do povo, do lado dos mais humildes, que jurava ter compromisso social. E eu acreditava nele. Mas hoje ele se tornou uma pessoa violenta, elitista e egoísta. Como posso ter me enganado tanto?  

     Ele é violento porque defende pessoas que usam a força para impor sua vontade à maioria que não concorda com suas teses.  Manipula jovens para que batam em professores idosos para apoiar seu lado. Se diz “indignado” quando a maioria pacífica da universidade vaia uma professora que defende em uma carta a violência e o FASCISMO. Sim, porque defender que os “direitos coletivos se sobrepõe aos direitos individuais” é um discurso típico do Mussolini. Imagine que “interessante” seria se o seu direito à vida fosse subordinado ao “interesse coletivo”, interesse esse “definido” pelo governo: há algo mais absurdo e ditatorial que isso? 

   Ele é elitista porque usa tudo o que pode para defender o partido mais elitista que já houve na história desse país. O partido que no último governo:
- foi o que mais privatizou na história, além de ter quebrado todas as empresas públicas que eram dos brasileiros (correios, caixa, Petrobrás, Eletrobrás) e hoje se resumem a dívidas;
- a violência contra a mulher aumentou;
- quebrou os fundos de pensão de todos os trabalhadores públicos, que vão acabar sem aposentadoria no futuro graças a esse governo;
- foi o governo que menos assentou sem terra na nova república;
- só no último governo, depois dos militares, a desigualdade social piorou;
- o desemprego bateu recorde histórico e atinge principalmente os mais humildes;
- mesmo quem está empregado, mas que ganha pouco, não consegue mais nem comprar comida, graças a inflação e ao nível de impostos que só subiram (há algo mais elitista que não reajustar a tabela do IR?);
- só se deu bem neste governo os funcionários públicos estáveis, que ganham salários de 5 dígitos. Quem defende esse governo, defende essa pequena elite e dá uma banana para o povo pobre que está sofrendo com a pior crise nos 517 anos de história do Brasil;
- e nem vamos falar da corrupção desenfreada... 

   Ele é egoísta porque:
- não liga para o povo pobre que sofre graças ao seu partido, incluindo 12 milhões de desempregados; 
- não liga para os jovens, que estão ficando aos montes desempregados graças a política econômica nefasta que seu partido implantou;
- não liga para o conjunto imenso de jovens e trabalhadores que estão deixando o país que amam por absoluta falta de oportunidades;
- não liga nem para os seus ex-colegas, aos montes desempregados, lutando para tentar sustentar suas famílias (ele nem deve saber deles, mas eu conheço vários nessa situação e estou tentando ajudá-los como possível). 
  Ele não liga para esse povo porque ele está preocupado demais com os riquinhos estáveis com salários de 5 dígitos, com os sindicalistas de Hilux, para se preocupar com desempregados...  Ele prefere elogiar políticos desonestos com salários estratosféricos a olhar para o povo morrendo de fome na rua... 
   E seu egoísmo não é apenas por não ligar para quem está sofrendo, mas também por usar de má fé ao explorar entidades sindicais que deveriam ser dos trabalhadores para defender seu partido, sem a mínima ética e sem nenhum preceito democrático e de representatividade, usando chavões batidos e mentiras repetidas à exaustão, para justificar que uma entidade não defenda a quem deveria representar. Como sei que ele é muito inteligente, não dá para acreditar que ele defenda o partido elitista por inocência. Ele o faz para se dar bem, para conseguir fama e prestígio, não se importando se, para isso, for necessário bater em colegas, prejudicar trabalhadores íntegros, estudantes ou mesmo quebrar o país. O importante é ele se dar bem... 

   SE eu pudesse falar com ele, eu daria parabéns por ter sido tão bom ator e ter me feito acreditar que ele era uma pessoa boa. E o aconselharia a seguir os passos que está seguindo. Quem sabe assim ele não acaba em algum cargo comissionado em algum governo do seu partido, que adora “premiar” com cargos e altos salários quem faz qualquer coisa para apoiá-los. Ou quem sabe ele consegue até uma participação em algum petrólão futuro, com uma conta polpuda no exterior: esse deve ser o real interesse dele, concorda?
   Bom, era isso que eu queria dizer. Eu que vim debaixo, filho de feirante... A grande maioria das pessoas que conheço vive com não mais que três ou quatro salários. Tento sempre agradecer ao país que me deu essa oportunidade trabalhando muito, em pesquisas para melhorar a educação de jovens do ensino público, em projetos que buscam dar mais oportunidades para quem vem debaixo. Eu lutei contra os militares, lutei contra a concentração de renda, lutei contra a corrupção do Maluf e de tantos outros e sigo sem mudar minha visão de mundo, sempre lutando pelo povo mais humilde, pelo certo, pelo justo e por governos que ofereçam futuro e oportunidade para todos.  Eu queria muito que meus filhos tivessem um país melhor que o meu, mas os 13 anos do governo anterior acabaram com esse sonho... Enfim, o governo caiu, por seus próprios e infinitos erros, e nem mesmo um STF aparelhado e totalmente submisso ao partido em questão conseguiu impedir tal fato, STF que é o guardião da constituição: mas mesmo assim ainda temos que ouvir falarem em “golpe” em uma pregação tão sem sentido e tão mentirosa que dá asco. 
   Eu tenho grande vergonha de ter tido aulas com pelo menos dois professores que sei que hoje jogam o jogo sujo de defender o seu partido por interesses mesquinhos e egoístas, sempre usando a falácia de ser “a favor do povo”, de ser de “esquerda”: eu sigo admirando a esquerda de verdade, a esquerda democrática (Cristovam Buarque, Eduardo Jorge, Roberto Freire, Gabeira, Hélio Bicudo, etc.), esquerda que não defende o partido em questão. Só segue defendendo quem quer compartilhar as “vantagens do poder”. Mas preciso confessar que tenho profunda vergonha de ter sido amigo de alguém que hoje é um articulador de um jogo sujo, de mentiras e de intrigas, nesse joguinho partidário vergonhoso sem limites, que tenta justificar até violência física... Alguém que transparece ódio pelos olhos ao ver que a maioria que ele deveria representar não vai se submeter aos seus interesses.  Como pude me enganar tanto com alguém? E, fico pensando, como ele tem coragem de acordar de manhã e olhar no espelho? Será que ser “importante” no seu partido o faz esquecer que está manipulando jovens, está pregando violência física, está defendendo o partido que quebrou o país e está fazendo dezenas de milhões sofrer de fome e desesperança?  O “sucesso” partidário o faz ignorar todo o mal que está fazendo ao povo? Ser do partido o faz esquecer que a função de um representante é REPRESENTAR a maioria, e não usar a maioria? 
    Enfim, fecho assim esta nota de pesar. Aqui se encerra uma admiração que eu tive por uma pessoa por mais de uma década. Aqui se encerra a esperança que minha geração tivesse real compromisso com a verdade, com a ética e, principalmente, com o povo mais humilde. Aqui se encerram as ilusões. Há Malufs na minha geração, entre pessoas que foram meus amigos, pessoas com interesse político que só querem se dar bem, mesmo que seja preciso usar a violência contra a oposição...  

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A vitória do Trump nos EUA

É assustador ver o discurso populista de Trump
Muito tem se discutido sobre a vitória do Trump nos EUA. E alguns oportunistas adoram distorcer a verdade para tentar promover o seu lado. Escrevo este texto para tentar dar a minha visão dessa eleição.Primeiro, é importante deixar claro que as regras do jogo sempre foram essas e que ninguém reclamou quando a bola foi colocada no centro do campo. Depois que o juiz apitou, as regras não mudam mais: isso aprendemos desde o futebolzinho de rua. Regra aceita é regra justa e regra não se muda depois que o jogo está em andamento, muito menos depois que se perde a partida. Quem está protestando hoje contra a vitória do Trump mostra um profundo desprezo pela justiça e pelo jogo democrático, mostra que não aceita nada que não seja suas próprias convicções. Eu, pessoalmente, acho errado essa eleição por delegados, mas se a regra era essa e todo mundo concordou antes da eleição, não é aceitável depois que se perde querer virar a mesa!
Depois, vamos parar com essa coisa de colocar o Trump em um paralelo ao impeachment no Brasil. Por favor, parem de tentar ver coisas onde não tem. O Trump não tem nada, mas absolutamente nada, a ver com o Temer. O Trump em sua fala grosseira e arrogante, em seu populismo barato, em sua total desconexão com a lógica e com a factibilidade das suas propostas, em sua tendência ao isolacionismo, em ir contra acordos comerciais, em seu desrespeito à opinião contrária e, principalmente seu desprezo pela democracia, é muito mais próximo da Dilma e do PT que do Temer. O Trump foi apoiado pelo ex-KGB Putin, só para lembrar! O Temer, nascido no berço do velho PSDB, é um cara de centro, conciliador, um político negociador, pouco afeito a ações radicais e a discursos inflamados e populistas. Temer tem uma postura muito mais próxima da Hillary que qualquer PTista. E, por favor, o Trump nada tem a ver com o Bolsonaro: o Bolsonaro tem sua plataforma baseada na religião e em uma rígida conduta militar; o Trump é um empresário que, nem de longe, se notabilizou por questões morais, muito pelo contrário: sempre fez questão de se mostrar com um espertão sem vergonha com muita grana.
O Trump também não é um candidato liberal, da "direita" tradicional. Não é a toa que boa parte dos republicanos de peso se recusaram a apoiá-lo. Os liberais querem um mundo com menos barreiras, mais liberdade de trânsito de pessoas e mercadorias. O Trump diz ser contra imigrantes e diz que vai fechar o mercado americano aos produtos importados. Isolacionismo é anti-liberal, é uma plataforma típica dos partidos de "esquerda".
Eu nunca fui a favor do Trump. Sempre torci pela Hillary, mesmo nas prévias dos democratas, porque sou um cara democrático e sei que tanto um marxista como o Sanders quanto um Trump são um ataque frontal a democracia e ao respeito aos diferentes. Mas o fato é que o Trump foi eleito de forma justa. E o mundo vai ter que conviver com uma incógnita como ele na liderança da maior potência mundial. A vantagem é que o estado americano é muito estruturado e maduro, e controla o governo: nenhum presidente lá conseguiria fazer coisas muito absurdas, porque a estrutura do estado não permitiria.
Tentando entender a vitória do Trump, há várias explicações. Eu dou a minha visão:


1. toda ação tem uma reação: a esquerda não-democrática anda crescendo em todo mundo, inclusive lá (Sanders quase ganhou da Hillary). A reação natural de todos aqueles que não querem ver seu país controlado por ditadores marxistas é radicalizar no lado contrário (só existe Bolsonaro porque existe Jean Wyllys);
Sanders: para mim o radicalismo dele foi um dos maiores
responsáveis pelo crescimento da candidatura Trump

2. já encheu, muito, o saco, essa ditadura do politicamente correto e criminalização do homem heterossexual. Eu defendo o respeito à qualquer opção sexual, mas nesse qualquer também entra homens heteros! Como um cara de mídia, ele fazia cenas, fazia tipos, inclusive do rico cafajeste cercado de modelos de biquinis. É machista? Pode ser. Mas é um apelo populista para os homens heteros, não mais explícito que um sem fim de discursos e cenas feministas e homossexuais que a mídia adora divulgar diariamente. É a cena dele, um ator que representa um papel. Para os militontos de diversidade é inaceitável que um homem demonstre interesse por mulheres lindas que se oferecem para eles porque eles tem muito dinheiro. Mas apesar do chato discurso politicamente correto, para boa parte dos homens esse desejo é algo que faz sentido e é muito bom para eles ver que, enfim, um homem tem coragem de assumir que é homem na TV;

3. é um discurso bonito, e muito fácil, mas pouco realista, dizer que é preconceito barrar imigrantes. Eu sou filho de imigrantes, sou totalmente a favor de abertura à imigração, mas entendo que há limites e que a total liberdade é impraticável. Não tem como receber milhões de imigrantes sem ter como oferecer para eles um início de vida, empregos e dignidade social. Além disso, é lógico que deve-se avaliar se os imigrantes que chegam irão respeitar as leis e tradições do país para onde estão indo e, principalmente, se não são terroristas. Se o discurso racista e contra estrangeiros de Trump chega a dar asco e assustar (eu também abomino), o discurso de portas abertas também é muito hipócrita e impraticável;

4. muito contaminada pelo Sanders, a Hillary vinha usando muito um discurso de coitadismo, de vitimismo, típico de Marxistas. A cultura americana é uma cultura de conquista pelo próprio esforço. O sonho americano (American Dream) é o sonho de se tornar grande com base no seu próprio trabalho. Confesso que fiquei menos assustado quando vi que no discurso de vitória, Trump retomou a pregação do sonho americano.
Ainda estou assustado e triste pela vitória do Trump. Para mim o mundo segue andando para trás, ao eleger pessoas radicais que tão pouco prezam pelo respeito à opinião contrária. O fenômeno populista, que começou na América Latina, com Kirchner, Lula, Chavez, chegou agora nos EUA. Mas vou ficar torcendo para que o Trump mostre que toda aquela postura foi só um show representando um papel para se eleger. Assim seja!

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Uma grande conquista

Sabe aquela coisa fantástica, que você sempre sonhou em fazer, mas sempre achou muito além de sua capacidade? Sabe aquele sonho que vem desde a infância? Sabe aquela conquista que você acha que jamais você irá alcançar? Pois é, eu tinha uma...
Eu sempre admirei, e muito, aqueles que conseguiam. Eu sempre me achei muito aquém daquela capacidade, para mim quase um dom de nascença. Eu sempre entendi que aquilo era para um conjunto pequeno de privilegiados.
Mas, sabe, um dia você acorda com coragem. Um dia você põe o pé - direito - no chão e fala: "é hoje". Hoje eu vou tentar! Hoje eu vou encarar! Hoje eu vou ter coragem! Hoje eu quero provar para todos, para a vida e para o mundo que eu sou capaz!
E com toda a determinação do mundo eu encarei meus medos. Eu me preparei, fiz todos os passos necessários, me concentrei e, mesmo ainda sem ter grande convicção de que teria sucesso, tentei. E, para minha surpresa, eu consegui. Sim, eu consegui, eu superei meus medos e consegui aquela conquista tão sonhada, que me parecia tão inalcançável! Mas quis ter certeza que não havia sido um momento de sorte, sorte de principiante. E tentei de novo. E na quarta vez, quando já tinha convicção de que não era só sorte, de que eu era capaz, chamei meus filhos e disse: vejam o que o pai de vocês é capaz de fazer! E vi neles um olhar brilhando de admiração que me valeu o dia! E todos também resolveram tentar: minha coragem não só me fez ir além do que eu achava que era capaz, mas abriu novos horizontes e novos desafios na cabeça dos meus filhos.
Enfim, foi um momento de superação incrível e um dia inesquecível da minha vida. E tudo porque eu tive coragem de tentar e consegui o feito, o inacreditável feito, de jogar a tapioca que estava na frigideira para cima e pegar de volta com ela virada! Que orgulho de mim mesmo! Eu sou, realmente, capaz de coisas que eu jamais acreditaria que conseguiria. De lá para cá, já se vão quase uma centena de viradas no ar. E cada uma leva, consigo, um momento de profunda satisfação. Eu sou capaz! :-)

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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Homens precisam ser machos mas nunca machistas

Acabei de ler dois textos na Folha que me inspiraram a escrever este post.
O primeiro, capa do jornal, mostra que dois terços dos menores delinquentes entre 12 e 17 não tem um pai em casa. E que quase metade nem tem contato com o pai. Desculpem-me, femi-nazis, mas isso mostra uma grande verdade: que é importante, sim, a referência masculina na criação das crianças. Mas, por outro lado, isso também mostra dois pontos que precisamos cuidar, na criação e formação de nossas crianças:
1. para as meninas, precisamos ser ainda mais claros sobre a necessidade de responsabilidade, de não cair em papo de meninos e de se cuidar, prevenindo SEMPRE uma gravidez indesejada. Precisamos mostrar às jovens que sexo tem consequências e que precisa ser feito com total responsabilidade. E deixar claro às meninas que tem muito menino cafajeste e que elas não podem, JAMAIS, fazer algo que pode impactar para sempre a vida delas, baseadas em "promessas" de meninos. Não faz parte da matéria, mas é claro que não "apenas" os filhos abandonados tiveram seu futuro destruído, mas as mães "solteiras", certamente, vão ter muito menos chances de ter uma vida plena, de estudar, de conseguir um bom emprego, etc., graças à essa situação;
2. para os meninos, precisamos educá-los com a clara noção que filhos são responsabilidade deles também. E que a responsabilidade por prevenção não é só das meninas. Pais de meninos não podem ficar orgulhosos de verem eles "pegando todas" e, muito menos, passar a mão na cabeça daqueles que fazem filhos e não querem depois assumir a consequência de seus atos. Se o menino fez um filho, ele é TÃO RESPONSÁVEL quanto a menina e tem sim que arcar com as consequências desse ato.
Enfim, temos que pregar, desde cedo, que os jovens se responsabilizem pelos seus atos. E que PENSEM MAIS antes de fazer algo!

Em outra matéria, o grande Pondé, que muito admiro, cobra mais macheza dos homens. A boa macheza! Homens são mais fortes, foi a natureza que nos fez assim em milhões de anos de evolução. E se aprendemos, com a boa educação, que jamais deveríamos usar essa força com as mulheres, é óbvio que DEVEMOS usar essa força para defendê-las de agressores. Não podemos ignorar nossa força, nos pasteurizar em discursos politicamente corretos, quando o importante a ser feito, em certos momentos, é DEFENDER as mulheres de agressores. Há alguns meses "homens" alemães fizeram uma passeata vestidos de mulheres contra os estupros que as mulheres da sua cidade estavam sofrendo. Além de totalmente inócuo, esse tipo de protesto vai fazer os agressores seguirem com seus atos monstruosos, pois eles, representantes de uma cultura que acredita que mulheres são inferiores e devem ser submissas, cultura que defende que mulheres sozinhas na rua merecem ser estupradas, não vão dar a mínima para homens que se vestem de mulheres. Homens alemães que querem, de verdade, defender as mulheres, tem que acompanhá-las até em casa e, se necessário for, usar sua força contra os monstros que querem estuprar nossas amigas, mães, esposas e filhas. Ser macho, quando precisa ser, não é um ato de machismo, mas uma forma de mostrar que exigimos o respeito às mulheres e que elas podem contar conosco nisso! E mulheres inteligentes sabem que esse papo de "não precisamos de homens" é preconceituoso e sectário, não merecendo ser levado à sério. Todos precisamos de todos nesse mundo!

PS. me lembrei de meu tempo de graduação... Minha melhor amiga, uma linda japinha baixinha, sempre vinha me pedir companhia quando precisava sair de casa à noite, para ir na farmácia ou qualquer outro lugar. E eu a acompanhava, pois entendo que era minha obrigação como homem defender aquela menininha de monstros que andam pela rua...

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domingo, 12 de junho de 2016

70 anos, careca e barrigudo

Há 70 anos atrás, em 12 de junho de 1946, lá nos altos do Douro, em Trás-os-Montes, nasceu um moleque. Ele era bravo, arteiro, namorador. Desde criança, ajudava na roça, chegou a literalmente quebrar pedra com pé-de-cabra para plantar parreiras. Cuidava de animais, plantava diversas coisas e até trabalhou na Adega da cidade, fabricando o incomparável vinho do Porto.
Em 1964 venho para o Brasil, com pouco estudo, nenhum tostão no bolso, mas muita vontade. Trabalhou em padaria, trabalhou como empregado na feira até que conseguiu, alguns anos depois, ter sua própria barraca. E seguiu na labuta pesada, carregando centenas de caixas de 20 ou mais kg, acordando de madrugada e só chegando do trabalho umas 14hs por mais de 40 anos. E foi nesse trabalho árduo, embaixo de frio, de chuva, ou de sol escaldante, que fez sua vida, construiu seu patrimônio e criou seus três filhos com o conforto que ele não teve na infância. E nunca vi, nesses 45 anos em que com ele convivo, ele lamentar ter trabalhado tanto. Pelo contrário, se eu aprendi alguma coisa com meu pai, foi de ter orgulho de conseguir as coisas com seu próprio esforço!
Com meu pai aprendi como as pessoas são preconceituosas, racistas. Como ele ficava triste quando percebia pessoas que criticavam "esse português" que vem para cá e fica "rico", tirando dos "brasileiros". Povo invejoso, povo injusto. O tal português é um ser humano como eles, que não teve nenhum privilégio na infância, que trabalhou desde muito cedo e que tinha uma rotina de esforço que nenhum daqueles que o invejavam encarariam: tudo o que meu pai conseguiu, qualquer pessoa de qualquer nacionalidade e qualquer raça, conseguiria, se trabalhasse pesado como ele por 40 anos. Mas tem muita gente nesse mundo, e hoje ainda mais, que prefere apontar o dedo e pedir privilégios, usando as desculpas as mais variadas e criticando quem conseguiu as coisas com seu próprio suor.
Com meu pai aprendi a lutar pelo sonho: eu vi ele, literalmente, perdendo os cabelos para conseguir levantar aquela linda casa que construiu para a família. Ele não só pagou, ele literalmente, depois de 12 ou mais horas na feira, ia lá na obra para ajudar a fazer seu sonho real.  E, no meio tempo, jogar um tijolo sem querer na cabeça do filho boboca :-D
Com meu pai aprendi muitas lições do mundo real. Não coisas bonitas, românticas, de um mundo cor de rosa. Mas a verdade da vida. As maldades das pessoas. Como devemos ser para sobreviver na selva que é o mundo. E como uso, e repasso, até hoje, seus ensinamentos nada politicamente corretos, somente corretos: "respeite quem te respeita", "quanto mais se abaixa, mais aparece o ...", e por aí vai...
Na minha infância havia a propaganda inesquecível: "não basta ser pai, tem que participar". E meu pai não era só pai, naquela visão antiga de provedor. Depois do trabalho pesado na feira, ele ainda achava energia para jogar bola, brincar de autorama ou de pingue-pongue comigo. Ele sempre arrumou nossas bicicletas, enchia os pneus, limpava o quadro, regulava as marchas. Meu pai, participava.
Com meu pai aprendi que se você quer ter algo, tem que economizar ao máximo e de toda a forma. E que temos que ter as coisas para nós, para nosso futuro, não para mostrar para os outros. Meu pai, jamais, foi um esbanjador: aprendi com ele que sempre temos que dizer que temos muito menos, para não despertar cobiça ou inveja. E sigo, direitinho esses ensinamentos financeiros.
Com meu pai aprendi que um pai prepara e confia em seu filho. Sempre que podia, eu ia com ele para a feira, porque aprendia muito. Ele me ensinou a fazer contas mais rapidamente, de cabeça. Ele  me ensinava, sempre, como pensava nos preços que ia cobrar e quais estratégias usava. Ele me explicava porque tinha comprado cada coisa. Ele me ensinava estratégias de vendas e marketing que hoje vejo consultores que cobram fortunas de multinacionais falando como se fossem grandes novidades. E, desde os 10 anos, ele confiava em mim para contar toda a féria (o faturamento), somar as compras e ver o resultado: quase virei contador por causa dessa experiência deliciosa que ele me proporcionou.
Com meu pai eu só não aprendi a derrubar corações. Seu sucesso com a mulherada, mesmo sendo humilde, mesmo estando sujo da feira, mesmo careca e barrigudo (mas com músculos que eu nunca cheguei perto), realmente sempre foi um mistério para mim. O que eu via de sorrisos de freguesas, olhos brilhando, etc., realmente era inacreditável. Ele não precisava fazer esforço: uma fala, um olhar, sei lá, já deixava a mulherada bamba :-D Sei que o frustrei por não ter sido seu sucessor nesse sentido, mas tudo indica que seu neto irá honrar o avô :-)
Bom, pai, o que eu posso dizer? Obrigado por tudo. Que bom que o senhor hoje pode comemorar seus 70 anos aí na sua terrinha, matando as saudades de Alijó, de Presandães, e daqueles nomes engraçados que os Borges adoravam ficar falando nos encontros da família no chalé dos avôs. Aproveite muito, porque o senhor fez por merecer cada prazer que hoje tem. E muitas felicidades nos próximos 70 anos que vem por aí :-)

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À minha mãe e 61 piscadas  e Mamãe, mamãe, mamãe
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Ud 90 - telegráficoUd 90 - Vídeos
Saudades do Vô Renato 
9 X 70! Dois números incríveis e um enorme parabéns
Homenagem à um tiozão gente finíssima

sexta-feira, 20 de maio de 2016

A verdade sobre esquerda e direita

Vivemos sempre a nos posicionar politicamente como sendo de direita ou esquerda. Mas, hoje, essa divisão dicotômica só serve para quem usa a confusão para se promover. Não, não existe uma definição minimamente lógica entre direita e esquerda.
Se você quer se posicionar politicamente, precisa escolher entre as questões abaixo:
1. ser democrático radical, sempre com governos eleitos pelo povo de forma constante, liberdade de imprensa e de expressão, ou aceitar ditaduras;
2. priorizar liberdade, com um estado pequeno que deixa as pessoas correrem atrás, ou priorizar um estado forte e centralizador, que define o que é melhor para cada um;
3. priorizar a responsabilidade financeira do estado, que não deve gastar mais do que ganha, ou priorizar gastos do estado.
Além disso, há as questões morais, que são importantes e muito particulares de cada um. É a favor do aborto, da pena de morte? Luta contra preconceitos? É contra desonestidade, corrupção? Etc., etc.
Cada um de nós tem que fazer suas respostas e escolher o partido/representante que mais se alinha com essas escolhas. 
Ao aceitarmos que existe direita e esquerda, caímos na armadilha marxista, que já "aparelhou" essa discussão com um monte de mentiras, que de tão repetidas, hoje nem mais são questionadas:

1. Não é verdade que a direita é conservadora e a esquerda progressista:
1.a. se olharmos do ponto de vista econômico, a esquerda se baseia em uma ideologia absolutamente teórica escrita há dois séculos, em um mundo absolutamente diferente do de hoje em dia. O liberalismo econômico tem excelentes pesquisadores da atualidade com pesquisas muito bem embasadas;
1.b. se olharmos do ponto de vista de preconceito, a liberdade feminina, a luta contra a escravidão e dos direitos dos gays nasceu e floresceu nas grandes potências econômicas capitalistas. O capitalismo não se preocupa com questões morais... Na China o machismo é enorme, Cuba é uma ditadura de brancos que submete um povo negro e que colocava no paredão os homossexuais;
1.c. associar questões religiosas à direita é uma grande mentira: o PT, por exemplo, tem forte ligação com a base da igreja católica. E o que não faltam são liberais econômicos ateus;
1.d. se olharmos do ponto de vista da democracia, nunca houve um governo marxista democrático. E as maiores democracias do mundo são, também, mais liberais.

2. Também não é verdade que a esquerda cuida do povo e a direita dos ricos: onde o povo pobre tem melhor qualidade de vida: nos EUA ou em Cuba? Onde se explora mais o trabalhador: na Inglaterra ou na China? O liberalismo não prega riqueza para poucos, mas sim que um governo que não atrapalha a economia, dá mais oportunidades de crescimento para todos. Liberais se preocupam tanto com o povo pobre quanto aqueles que acreditam em um estado grande. São apenas visões econômicas diferentes. O inteligente seria avaliar o que cada lado tem de bom, mas os que se dizem de esquerda tentam demonizar tudo o que não é eles mesmos, para se colocar como os "salvadores", o que é tudo, menos democrático.

Enfim, é importante que cada um tenha suas opções políticas, construídas com base em seus princípios e valores. Sem se deixar levar por essa falsa dicotomia direita X esquerda, que só interessa àqueles que ganham prestígio com essa mentira.  Sê você acredita que um partido representa exatamente tudo que você pensa, ou você criou o seu partido ou você está se deixando ser influenciado. Faça suas escolhas pessoais, não se deixe levar pelos profetas políticos!

PS. apresento aqui minhas escolhas, só para me posicionar.
1. sou democrático radical: sou contra até reeleição. O governo tem que ser eleito por voto universal, democraticamente, há cada X anos (4, 5, 6). Qualquer um que defenda qualquer ditadura, não terá meu voto;
2. não acredito em estado mínimo, em especial em um país com tantos pobres como o nosso. Mas também não vejo nenhum progresso social em ter um estado gigante como o nosso, que tira com impostos dinheiro dos trabalhadores mais humildes e paga salários e direitos totalmente diferenciados para um grupo privilegiado no poder. Defendo saúde e educação públicas gratuitas de qualidade.  Mas não quero um estado na área produtiva, porque só atrapalha, é ineficiente e ineficaz. Acredito que o estado precisa ajudar os mais humildes, mas não criando dependência, e sim gerando oportunidades
3. sou totalmente contra irresponsabilidade financeira. O governo não pode gastar mais do que ganha. E se deve, tem que pagar.
4. E quanto a questões morais, minhas escolhas mostram o quanto esquerda e direita são apenas para confundir. Sou contra o aborto (direita?), mas contra a pena de morte (esquerda?). Sou pela liberdade de opção sexual e respeito ao diferente (esquerda?), mas contra a ideologia de gênero (direita?). Sou contra qualquer tipo de racismo (esquerda?), mas contra as cotas (direita?). Sou a favor de um estado laico (esquerda?), mas defendo o respeito às opções religiosas individuais (direita?) E, lógico, sou contra a corrupção! (temos exemplo no Brasil de pessoas ditas de direita - Rouba mas faz - e de esquerda - hoje é óbvio - que acham que corrupção é aceitável).

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O golpe das elites

Tenho origem humilde. Venho de família trabalhadora, que não "herdou" nada. Tudo o que conseguimos, o que comemos, o que vivemos, veio do suor do trabalho dos meus avós, dos meus pais e agora, da minha geração. E por saber o quanto é difícil "ser do povo", por saber que "aqui embaixo as leis são diferentes", sempre me preocupei em defender os mais humildes.
O Brasil, até a redemocratização, não tinha nenhuma preocupação social. O Delfim adorava pregar que primeiro vamos crescer o bolo, para depois dividir. Mas com as diretas já a pauta "povo" veio para a boca dos políticos. A constituição de 88, o crescimento dos partidos mais sociais, o fim da inflação e o crescimento da economia e das oportunidades profissionais, tudo caminhava nesse sentido.
Mas aí veio o golpe. O golpe das elites. As elites não se contentam com pouco. Elas querem mais e mais. E, para isso, fazem qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, mesmo coisas que prejudiquem os mais humildes. E para isso comprou o congresso com mensalões, petrolões, corrupções em nível nunca antes visto.
Hoje vivemos em um país no qual o emprego é raro, no qual 12 milhões não tem trabalho. Para quem ainda tem trabalho, uma inflação galopante corroí os salários como não acontecia desde Collor. A saúde está em crise, como nunca antes na história deste país: já se fecharam mais de vinte mil leitos. A educação segue em franca decadência, com verbas escassas e planos que tentam tirar ainda mais conteúdo da escola das crianças. A segurança piora a olhos vistos, a violência virou a rotina em qualquer ponto deste país. E é o mais pobre que depende de saúde e educação públicos, e que não tem como se proteger da violência. Não bastasse isso, os salários perdem valor real a cada dia e a desigualdade social cresce como não acontecia há décadas. A elite segue, como faziam no interior no nordeste os piores coronéis, mantendo o povo inculto e pobre, pois assim é mais fácil controlá-lo e enganá-lo, comprando seus votos com esmolas. A elite jamais quis dar emprego decente para todos, pois pessoas bem empregadas, com boa saúde, educação e alimentação de qualidade, tendem a pensar por conta própria, a não aceitar submissão aos poderosos.
Para se manter no poder, a elite aplicou um grande golpe na última eleição: mentiu como nunca antes na história do Brasil. A elite se elegeu usando dinheiro roubado das empresas públicas, empresas que agora estão a beira da falência. A elite se elegeu usando de forma desonesta os Correios, os bancos públicos. A elite se reelegeu fazendo um pacto com a área mais conservadora do país, com os políticos mais corruptos e desonestos, sem o apoio dos quais não teria jamais ganhado a eleição.  A elite disse que os outros iam fazer o que ela mesmo fez no dia seguinte ao fim da votação, ações que só prejudicaram ainda mais a vida dos humildes, para os quais essa elite jamais olhou com carinho.
A elite que segue fingindo não ver o caos em que o país mergulhou, que segue vivendo bem, comendo bem, sem sentir os efeitos da crise que seu governo criou é:
- a elite de funcionários públicos, que não teme o desemprego, que não depende da economia crescer, que não aceita aumentos menores que a inflação, que pode fazer greves sem nenhum tipo de punição e que ganha, em sua maior parte, excelentes salários, muito acima do mercado;
- a elite de artistas que ganha milhões para produzir uma arte que só ricos tem acesso, porque apesar de subsidiada pelo governo, ainda cobra ingresso muito alto;
- a elite universitária, de universidades públicas, que sempre quer mais direitos, mais verbas, mais investimento em seu mundinho, mesmo que, para isso, não sobre dinheiro para investir na educação básica, onde o pobre de verdade está;
- a elite sindicalista, que vive às custas dos trabalhadores, mas segue apoiando o governo que mais desemprego criou na história do país;
- a elite de mega-empresários corruptos, sustentados pelo BNDES. 
E depois de ter sido eleita com um golpe e de ter sido destituída honestamente, seguindo todas as determinações legais, a elite não aceita a determinação da justiça e das instituições democráticas. E segue pregando o golpe. Agora tenta usar a violência e ameaças para tirar do poder um governo que busca pagar as dívidas que as elites criaram. A elite não aceita perder as benesses, os subsídios, o luxo que o estado sempre bancou para eles. 
Que o povo brasileiro não aceite mais um governo que só queira atender os interesses das elites. Precisamos de um governo que olhe para o povo pobre, que gere empregos decentes, que apoie uma economia que distribua riqueza e que não se submeta à elite que sempre quer mais do estado para si.

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