terça-feira, 8 de novembro de 2011

Juventude atual: Losers são os americanos...

Foi um comentário de um aluno meu que me fez escrever este post. Ele é o melhor aluno da turma de informática da Unicamp, o que já seria um orgulho para qualquer um. Além disso, não é um daqueles nerds sem "interface com usuário": é um cara que fala bem, bastante carismático e que faz sucesso com as meninas. Não é a toa que tem uma bela e inteligente namorada ao lado (e olha que mulher, bela, inteligente e Unicamp não são coisas que combinam ;-) ): ou seja, novamente é um privilegiado! Além disso, o cara está com um ótimo estágio e tem uma carreira inteira de sucesso pela frente. E justamente ESSE cara vem me dizer que se sente fracassado!
O que essa geração quer, hein? A minha geração tinha ditadura no governo, nem o prefeito da minha cidade era eleito (área de segurança nacional). A minha geração ficou desesperada para conseguir um emprego - qualquer um - quando se formou. Nós tínhamos que conviver com inflação de 40% ao mês. Eu nunca fui um bom galanteador. Mas, mesmo assim, jamais me senti derrotado. Em um momento percebi que o importante na vida não é onde chegar, mas sim o caminhar. E sempre lutei, dia após dia, por um caminhar feliz.
É desalentador ver um cara inteligente como esse meu aluno repetindo uma expressão ridícula de uma cultura mais ridícula ainda: a dos EUA. O Brasil não é EUA, jovens! Aqui, nossa preocupação é ser feliz, não o estereotipado "loser". O loser para os estadosunidenses é quem não tem uma casa, outra de praia, uma SUV e uma lancha. Ou seja, quem não movimenta o capitalismo. Esse conceito não se preocupa com o ser humano, mas sim com o consumismo per se. Ok, meu aluno não tem uma SUV: que bom para a natureza, menos um poluindo o mundo sem necessidade! Não tem uma lancha: que bom para ele que não tenha essa preocupação em manter algo inútil por 360 dias do ano ou mais. Não tem uma casa de praia: será mais divertido dividir o aluguel de um kitch em Ubatuba com sua bela turma de amigos! (amigos que o admiram, pois eu conheço a turma) E tem uma namorada inteligente que gosta dele, o que alguém que precisa ganhar dinheiro para tudo o que os estadosunidenses acham importante, não terá (ou se tiver, não terá tempo de desfrutar bons momentos ao lado).
O Brasil é a terra do Didi que capitalizou como ninguém a cultura nacional. Onde o importante não é ter grana, mas conseguir levar a vida de forma divertida, dando balões nas dificuldades. O Brasil é o lugar onde vemos, com mais clareza, a verdade: executivos morando no Morumbi com uma vida atribulada, sem amor em família, sem tempo para o lazer e sempre preocupados com a violência. E pobres nas favelas do Rio, com seus churrascos na laje, pagodinho na mesa do bar da esquina e uma "nega" que o ama de paixão. Lógico que os pobres tem problemas, não tenho a menor dúvida disso, mas na média eles são mais felizes. Eu que tenho a felicidade de poder ter convivido demais com gente dos dois extremos, não tenho dúvidas que o extremo mais pobre é mais feliz.
Então, caro aluno, deixe de besteira. Você é um privilegiado, tem que parar de bobeira e lembrar todo o dia o quanto tem sorte na sua vida. Ao final do dia, independentemente de religião, pare um minuto e lembre-se das coisas boas que tem e agradeça a vida! É bom nós sairmos do dia a dia e agradecermos o privilégio que é estar vivo e poder ter a vida que temos. Você é jovem, saudável, tem estudo de primeira linha, tem emprego, tem namorada, tem amigos que lhe adoram: que mais alguém pode querer? Assuma-se brasileiro, esqueça essa mania gringa de sempre querer mais, e seja feliz. A felicidade está na sua frente, abra os olhos e aproveite, pois momentos como o seu atual, são raros, e muito poucas pessoas conseguem tê-lo!

PS. e o distinto aluno ainda ganhou o prêmio de melhor iniciação científica do ano. Ah se todos fossem fracassados como ele :-)

Veja também:
- aonde querem chegar?
- amor e sexo 
- Adeus a Amy,
- inspiração boa e ruim,
- cérebro de pipoca
- valor da vida

2 comentários:

  1. Professor Marcos

    Fiquei emocionada ao ler seu post ontem, é lógico que para uma mãe ler tantos elogios a respeito do filho é muito gratificante,mas o que mais me comoveu,foi o fato do senhor ter feito exatamente como eu faço com o Renato em casa, elogiar e ao mesmo tempo puxar as orelhas, só agora eu entendi porque o nome Marcos Borges é tão falado aqui em casa. Jovens precisam de mestres assim neste país. Agradeço imensamente pelos seus cuidados com o meu filhão,continue sendo este mestre maravilhoso que o Renato diz e que agora eu acredito ser.

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  2. Prof. Borges!
    Lendo seu texto na hora que fala que o Brasil é a terra do Didi, pensei no seguinte: "Brasil é a terra do Mussum, foi pro butequis, armo uma pendureta, ta tudo certo!" kkkkk

    Agora falando sério, parabéns ao Renato pelo prêmio e a você pela orientação a ele.

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