quarta-feira, 27 de março de 2013

Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária

Um filme que precisa ser visto
Eu ainda era criança quando esse filme foi lançado no cinema. Um filme que fez muito sucesso e foi muito premiado. Foram 8 Oscar, entre eles melhor filme, diretor e ator. E agora, com 30 anos de atraso, eu consegui, enfim, ver esse filme: comprei por um preço irrisório em uma banca daquelas com centenas de títulos misturados de uma loja de departamentos.
Assistindo ao filme, não dá para não concordar com todas as premiações: o filme realmente é fantástico. Bem feito, bem dirigido, profundo e correto.
Mas  não é o filme em si que merece maior destaque. É a história que ele apresenta. Gandhi foi um ser humano único, ímpar. Ele nasceu rico, vindo da casta mais nobre entre um povo onde, até hoje, castas são vistas como algo natural. Eu mesmo já conversei com um jovem indiano que achava plenamente justificável que as pessoas tenham que trabalhar nas funções para as quais a casta delas são direcionadas. Explicando melhor: se você nasceu da casta "ralé", você pode ter funções bem subalternas e ganhar salário mínimo. Se você nasceu na casta "elite +", você pode ser médico. Não é concebível um "ralé" querer ser médico, porque, segundo o jovem que comigo conversou, "é assim, sempre foi assim, não tem porque mudar isso". Ele era da casta "elite+", era médico e estava na Inglaterra para participar de um congresso.
Gandhi nasceu um hindu da classe mais alta, lá no final do século XIX. E viveu essa vida sem questionar, tendo inclusive estudado na Inglaterra, algo que certamente é para uma minúscula minoria dos indianos. Depois, Gandhi foi para a África do Sul e lá se percebeu discriminado: lá ele era mais um "não branco", justo em um país que tinha racismo explícitado nas leis até os anos 80. Foi quando deixou de ser elite e passou a ser discriminado que "caiu a ficha": ele entendeu que não dá para discriminarmos as pessoas por sua cor, sua origem. Depois de revolucionar na África do Sul, Gandhi foi para a Índia. E lá começou um movimento pela libertação, contra a dominação inglesa. O filme mostra direitinho porque ele, que antes tinha orgulho em se dizer cidadão inglês, resolve tomar essa posição e não vou aqui estragar o filme contando tudo.
Mas Gandhi não foi mais um revolucionário. Gandhi jamais pregou a violência. Ele conseguiu convencer a todos que eles conseguiriam o que queriam sem luta, sem guerra. E, embora o filme mostre o quanto foi difícil permanecer nesta posição, Gandhi nunca mudou sua postura. Ele conseguiu libertar a Índia pregando a paz e algo similar a isso acho que nenhum outro ser humano tenha conseguido. É dele a frase fantástica "olho por olho e acabaremos todos cegos". Gandhi foi um Ser Humano de verdade, um ser iluminado, único.
O filme é muito interessante porque mostra todos os meandros políticos, as disputas entre os partidários da liberdade, o quanto é difícil pregar o amor e a paz entre humanos egoístas e gananciosos. E o quanto é complicado pregar o respeito entre populações que acham que diferenças religiosas são sinônimos de ódio. O filme não é Holliwoodiano, com aquele tom de que, no final, tudo se resolverá e o bem triunfará. O filme é realista, tristemente realista, nos fazendo pensar em quanto o ser humano consegue ser baixo, mesquinho, cruel.
Enfim, um filme sensível, complexo, profundo, inesquecível. Vale pela arte. Vale ainda mais pela história real que conta algo que aconteceu há tão pouco tempo. Mas vale, acima de tudo, para mostrar a vida de alguém que merece ser sempre louvado como uma das pessoas mais fantásticas que já viveu neste mundo.

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