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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Polícia Federal - A lei é para todos

O lançamento não poderia ser em data mais simbólica: em um sete de setembro. O filme é muito bem pensado: ao invés de um chato documentário, é um thriller policial muito emocionante. Embora saibamos o que vai acontecer, em muitos dos momentos não conhecemos todos os detalhes e não tem como não ficar "torcendo".
Os atores estão incríveis. E o diretor (Marcelo Antunez) foi muito corajoso. Eu achava que eles fugiriam da polêmica, mas ele vai com tudo bem no ponto mais delicado até o momento: a investigação sobre o ex-presidente. E o diretor também ilustra muito bem os personagens típicos, como os puxa-sacos do ex-presidente, o exército do PT (MST, MTST, CUT) e os jornalistas nada éticos que usam seu espaço para trabalhar para o partido.
É muito interessante entender os momentos, as dúvidas, as pressões e tudo o que esses heróis da lava jato tiveram que enfrentar até agora para fazer a maior investigação do país, a primeira com coragem para prender grandes empresários e políticos muito importantes.
Enfim, é um filme imperdível. Todos precisam ver e incentivar mais e mais brasileiros a assistirem e entenderem o país em que vivemos e a máfia que tomou nosso Estado. Além disso, como cidadãos, é essencial que apoiemos a produtora que teve a coragem de fazer esse filme, embora fique claro que ela não teve todo o apoio que normalmente filmes dessa dimensão tem: não tem o apoio da Ancine, é só dinheiro de investidores. Então, se não enchermos os cinemas, eles não vão conseguir fazer os previstos 2 e 3. Brasileiros: todos ao cinema!





 O trailer é muito legal














E os atores estão fantásticos


Outros bons filmes: 
O jogo da imitação com o pai da computação 
Belo filme: rude, drogado e genial Sebastião
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha 
Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária
Thatcher: uma mulher única
O novo cinema brasileiro (com O homem do futuro) e o Jabor
Roque Santeiro 
A "boa" da terça 
Senna
O discurso do rei
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Trapalhões na luta contra a ditadura

E desenhos
O amor e suas lições em Frozen
Um desenho imperdível para gamers: Detona Ralph
Rio
Up


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O jogo da imitação com o pai da computação

Ontem fui ver o filme "O jogo da imitação". O filme é muito bom, mesmo para quem não é Nerd, pois mostra bem o clima tenso e as estratégias para lá de complexas da inteligência britânica ao longo da segunda guerra mundial. Quem gosta de drama de guerra, com intrigas e tensão, vai achar bem interessante.
Mas para quem é Nerd de Computação, o filme é OBRIGATÓRIO! Imperdível!
É a história da vida de ninguém menos que Alan Turing e, ao longo do filme, ele constrói "a máquina de Turing" (que eu já ensinei no UniSantos) e discute o "teste de Turing" (que eu já discuti em aulas de Inteligência Artificial). Ver a teoria que vemos na faculdade na sua geração, com seu "pai", me fez soltar vários sorrisos de satisfação nerd ao longo do filme.
O filme também é muito interessante por vários outros pontos:
- ver como não devemos, jamais, julgar alguém, pois muitas vezes a loucura é irmã da genialidade;
- ver que se os computeiros são um bando de nerds loucos, estranhos e que muitas vezes tem dificuldades até em se relacionar com outros seres humanos, isso vem desde os primórdios :-D;
- ver como a computação ajudou o mundo a ser melhor e pode salvar milhões de vidas;
- ver como nosso mundo muitas vezes é ainda reacionário e injusto (não perca os letreiros finais para entender isso, quando eles falam o que a rainha da Inglaterra fez SÓ em 2013!)
Enfim, é um filme que recomendo para todos. Mas que acho imperdível para pessoas da área de computação!

Veja também:

Outros bons filmes
Belo filme: rude, drogado e genial Sebastião (Tim Maia)
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha
Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária
Thatcher: uma mulher única
O novo cinema brasileiro (com O homem do futuro) e o Jabor
SennaO discurso do rei
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Detona Ralph
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Trapalhões na luta contra a ditadura

E sobre TV
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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um desenho imperdível para gamers: Detona Ralph

Quando eu era criança, apareceram os primeiros vídeo-games: os tele-jogos. Sempre quis jogar um, mas era uma coisa que só os mais ricos tinham. Lembro que o vizinho do meu primo, lá em S.Vicente, tinha um. E sonhava em ser convidado um dia para ir lá: não fui...
Um filme imperdível
para todos que amam vídeo-game
 
Alguns anos depois chega ao mercado o Atari. E finalmente eu ganhei um. E foi paixão e vício a primeira vista. Investi milhares de horas da minha vida em alguns joguinhos: o principal, Space Invaders. Mas também joguei muito Pimball, Decathlon (haja LER) e Enduro. E em alguns momentos joguei também asteroides, pitfall e alguns outros... Foi uma fase inesquecível da minha vida e eu era bom naquilo: peguei todas as manhas e conseguia fazer a pontuação ir ao máximo e zerar na maioria dos jogos.
Entrei na UNICAMP e lá conheci os jogos de computador. Um dos que mais me recordo era o interessante "LLL - Land of Larry Lizard". Mas tinham jogos baseados em caracteres que eram a paixão dos meus veteranos. E no final da graduação, nos horários de almoço do estágio, eu e meus parceiros da "FMF" jogávamos Prince, em uma era que não dava para salvar: se morresse, fazíamos tudo de novo...
Após formado, ainda tive alguns momentos de gamer: em especial com jogos de simulação, como Simcity, Simutrans (simulador de transporte) e jogos de guerra como Age of Empires, Duke Nuken e Outcast. Mas, hoje, realmente estou bem longe deste mundo: não que ele não me atraia, mas tenho outras prioridades, como curtir meus filhos ou preparar as dezenas de aulas semanais.
Há pouco fui ver o filme infantil Detona Ralph. A ideia por trás do filme é interessante: um vilão que se cansa de fazer sempre o mesmo papel no seu game e que resolve "passear" em outros jogos. E é nesse passeio que está o grande charme do filme: o Ralph interage com personagens desde o vídeo-jogo, até os mais elaborados jogos de guerra modernos. Sem deixar de citar os clássicos de várias gerações: Space Invaders (o meu predileto), pacman, sonic e outros modernos que não sei o nome.
Enfim, assistir Detona Ralph é fazer uma deliciosa viagem pelos últimos 40 anos, a era do vídeo-game desde sua criação. Mais que o enredo, o grande charme do filme é ficar procurando as citações de tantos personagens que nos acompanham ao longo da vida. Foi realmente uma experiência deliciosa acompanhar meus babies nesse filme. Recomendo a todos aqueles que, como eu, tem os games como parte da vida.

Outros bons programas:
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha
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quarta-feira, 27 de março de 2013

Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Gonzaga

O diretor Breno Silveira já fez um filme que eu odiei: "2 filhos de Francisco". Não consigo aceitar um filme que retrata um pai que acha que os filhos pequenos tenham que se expor à riscos (e até à morte), só porque ele quer que eles sejam famosos. Odiei o filme porque é um péssimo exemplo que foi visto por milhões e pode ter vendido uma ideia errada do que é ser um bom pai.
Mas Breno Silveira se redimiu. Dirigiu uma outra história biográfica. Uma história de dois personagens fantásticos da nossa música. Luiz Gonzaga, o rei do baião e Gonzaguinha, seu filho.
Um filme lindo sobre música e amor entre pai e filho
Cada um dos personagens já merecia uma trilogia só para si. Gonzagão, o pai, que nasceu pobre, foi discriminado quando morava lá no sertão do nordeste e, depois de muito ralar, conseguiu sucesso nacional. Gonzagão que teve uma vida cheia de dramas, dificuldades, mas que nunca deixou sua simplicidade e nunca deixou de cantar com prazer. Musicalmente, sou fã do Gonzagão: ele trouxe para o resto do Brasil toda a riqueza da música de raiz do nordeste. E não tem como não amar "Asa Branca" e outros clássicos que ele tão bem entoava com sua sanfona.
Gonzaguinha nasceu e cresceu em uma favela carioca, em meio ao crime e ao samba. Teve uma vida complicada desde criança, pois perdeu a mãe com dois anos e tinha um pai que sempre estava em turnê pelo Brasil. Sofreu, se sentiu rejeitado, chorou. Mas conseguiu transformar essa dor em poesia, poesia de primeiríssimo nível. Eu mesmo posso dizer que uma das músicas que mais gosto, até hoje, é "O que é, o que é":
"viver, e não ter a vergonha de ser feliz;
cantar, e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita"



O filme é de uma beleza incrível. Tem atores excelentes: o que faz o Gonzagão é sanfoneiro de verdade e tem estilo e carisma compatíveis com quem quer retratar; e o que faz o Gonzaguinha é tão parecido em tudo que até assusta, parecendo o próprio ressucitado. É um filme que mostra a vida como ela é, sem querer pintar ninguém como mocinho, nem como vilão. Mostra como a vida pode ser dura para todos, como nós, humanos, conseguimos ser complicados. Acima de tudo, o filme fala da relação entre pai e filho, um pai simples, humilde, que sempre viu como sua maior obrigação "não deixar faltar nada para seu filho" e um filho que sempre esperou um pai Gelol: "não basta ser pai, tem que participar". É um conflito de gerações, uma mudança de visão de mundo, onde não há verdade, não há certo nem errado.
Enfim, é uma obra-prima recente, que passou primeiro como mini-série na Globo e há pouco foi lançada em DVD. Vale pela história, vale pela excelente música que pontua todo o filme e vale pela sensibilidade em mostrar uma relação entre pai e filho onde amor e conflito habitam os mesmos corações.

Dominguinhos: outro músico que vai deixar saudades
PS. Vale ressaltar que o grande sucessor do Gonzagão também está prestes a nos deixar: segundo a própria família, Dominguinhos está em coma irreversível. Será outra perda gigante da música brasileira, tão carente de músicos desse gabarito nos últimos tempos.
PS2. Dominguinhos faleceu em 23/07/2013: mais um brasileiro que vai deixar muitas saudades em quem gosta do país e de música de verdade. 

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Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária

Um filme que precisa ser visto
Eu ainda era criança quando esse filme foi lançado no cinema. Um filme que fez muito sucesso e foi muito premiado. Foram 8 Oscar, entre eles melhor filme, diretor e ator. E agora, com 30 anos de atraso, eu consegui, enfim, ver esse filme: comprei por um preço irrisório em uma banca daquelas com centenas de títulos misturados de uma loja de departamentos.
Assistindo ao filme, não dá para não concordar com todas as premiações: o filme realmente é fantástico. Bem feito, bem dirigido, profundo e correto.
Mas  não é o filme em si que merece maior destaque. É a história que ele apresenta. Gandhi foi um ser humano único, ímpar. Ele nasceu rico, vindo da casta mais nobre entre um povo onde, até hoje, castas são vistas como algo natural. Eu mesmo já conversei com um jovem indiano que achava plenamente justificável que as pessoas tenham que trabalhar nas funções para as quais a casta delas são direcionadas. Explicando melhor: se você nasceu da casta "ralé", você pode ter funções bem subalternas e ganhar salário mínimo. Se você nasceu na casta "elite +", você pode ser médico. Não é concebível um "ralé" querer ser médico, porque, segundo o jovem que comigo conversou, "é assim, sempre foi assim, não tem porque mudar isso". Ele era da casta "elite+", era médico e estava na Inglaterra para participar de um congresso.
Gandhi nasceu um hindu da classe mais alta, lá no final do século XIX. E viveu essa vida sem questionar, tendo inclusive estudado na Inglaterra, algo que certamente é para uma minúscula minoria dos indianos. Depois, Gandhi foi para a África do Sul e lá se percebeu discriminado: lá ele era mais um "não branco", justo em um país que tinha racismo explícitado nas leis até os anos 80. Foi quando deixou de ser elite e passou a ser discriminado que "caiu a ficha": ele entendeu que não dá para discriminarmos as pessoas por sua cor, sua origem. Depois de revolucionar na África do Sul, Gandhi foi para a Índia. E lá começou um movimento pela libertação, contra a dominação inglesa. O filme mostra direitinho porque ele, que antes tinha orgulho em se dizer cidadão inglês, resolve tomar essa posição e não vou aqui estragar o filme contando tudo.
Mas Gandhi não foi mais um revolucionário. Gandhi jamais pregou a violência. Ele conseguiu convencer a todos que eles conseguiriam o que queriam sem luta, sem guerra. E, embora o filme mostre o quanto foi difícil permanecer nesta posição, Gandhi nunca mudou sua postura. Ele conseguiu libertar a Índia pregando a paz e algo similar a isso acho que nenhum outro ser humano tenha conseguido. É dele a frase fantástica "olho por olho e acabaremos todos cegos". Gandhi foi um Ser Humano de verdade, um ser iluminado, único.
O filme é muito interessante porque mostra todos os meandros políticos, as disputas entre os partidários da liberdade, o quanto é difícil pregar o amor e a paz entre humanos egoístas e gananciosos. E o quanto é complicado pregar o respeito entre populações que acham que diferenças religiosas são sinônimos de ódio. O filme não é Holliwoodiano, com aquele tom de que, no final, tudo se resolverá e o bem triunfará. O filme é realista, tristemente realista, nos fazendo pensar em quanto o ser humano consegue ser baixo, mesquinho, cruel.
Enfim, um filme sensível, complexo, profundo, inesquecível. Vale pela arte. Vale ainda mais pela história real que conta algo que aconteceu há tão pouco tempo. Mas vale, acima de tudo, para mostrar a vida de alguém que merece ser sempre louvado como uma das pessoas mais fantásticas que já viveu neste mundo.

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Xingu - uma lição de Brasil

Não consegui ver no cinema, mas fui buscar na locadora o filme Xingu. E é um filme imperdível para quem quer entender um pouco da história recente do Brasil.
Uma aula de história do Brasil
O filme mostra como os irmãos Villas-Boas conseguiram, com muita vontade de se aventurar nos anos 40 e grande habilidade política nos 40 anos seguintes, criar uma grande reserva de índios que conseguiu sobreviver à ditadura do GV, à ditadura militar e chegar até hoje. Na minha opinião são três grandes heróis do nosso país que conseguiram salvar milhares de índios de matadores que caçavam índios como se fossem animais, apenas para conseguir mais terras. Eles conseguiram preservar pelo menos parte da cultura desses povos e dar a eles um espaço seguro para morar. E ainda protegeram uma gigantesca parte da floresta.
Dizem que o filme é romanceado, mas o fato, real, é que a reserva realmente existe. E que uma gigantesca comunidade indígena vive lá. Além disso, o filme mostra os deslizes humanos desses três irmãos, suas brigas, suas fraquezas, não os pinta como super-homens, mas apenas como homens que aceitaram a responsabilidade de serem os criadores da maior reserva indígena de todo o mundo.
Sei que vão haver esquerdopatas que vão querer me crucificar, dizendo que eles não estavam lá por serem bonzinhos, que graças a expedições como as deles muitos índios morreram com doenças de branco, que eles acabaram aculturando índios com o nosso jeito de ser, etc. Mas não dou a mínima para esses seres "de esquerda" que se acham sempre como os únicos bons samaritanos do universo. O fato é que, se não fossem esses três irmãos, tudo teria sido muito pior para os índios daquela região. E acreditar que haveria uma forma de impedir todo o contato de brancos com índios é tão realista quanto acreditar em duendes... O mundo real, esquerdopatas, existe e é bem diferente daquele mundo de ilusão da cabeça de vocês.
Em resumo, para quem quer conhecer um pouco mais sobre nosso país e sobre esse trio de heróis brazucas, é uma pedida imperdível investir 2h nesse filme-documentário do ótimo Cao Hamburger, um cara que consegue ter em seu histórico a criação do fantástico infantil Castelo Rá-tim-bum e de um filme adulto tão profundo quanto este. Imperdível!

Veja também:
E aí, comeu?
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terça-feira, 29 de maio de 2012

Legião Urbana e Wagner Moura - inesquecível

Um tributo incrível e inesquecível
Quem é da minha geração, quem está aí na faixa dos 40 hoje, não tem como não amar Legião Urbana. Legião, o grupo de Brasília, que o meu Paralamas trouxe ao estrelato. Legião, o grupo do Renato Russo, que antes tinha a banda Aborto Elétrico, com os membros do até hoje conhecido Capital Inicial.
Legião virou mito, virou lenda. O porquê disso é muito difícil de explicar. As músicas da Legião não são tão elaboradas, na verdade são bem simples. O próprio Renato Russo dizia que com três acordes de violão se toca tudo. Talvez esse seja o grande segredo: a simplicidade. Talvez o grande segredo seja o fato de qualquer violeiro, mais ou menos, consiga tocar as músicas deles em uma roda de amigos. E há algo melhor do que cantar música em uma roda com violão?
Outra possível explicação são as letras. Renato Russo era um poeta, um pensador incrível. Fazia pensar, fazia sonhar, fazia nossa cabeça funcionar. Desde músicas mais "pesadas", com o tom de "Geração Coca-Cola", à músicas de reflexão e lamento como "Índios" ou músicas de simples amores como "Eduardo e Mônica".
Uma terceira explicação está com o tom político do discurso da Legião, tão em moda na minha geração recém-saída da ditadura em sua tenra juventude.
Não concordo em transformarem o Renato Russo em um Deus. Renato Russo era um cara chato, arrogante, metido, intragável. O que ele falava era lindo, mas o que praticava era muito diferente. Além disso, Renato lidou muito mal com a Aids que o levou: diferentemente do Cazuza, que mostrou para minha geração a dor que a Aids gerava e foi muito educativo, o Renato escondeu o quanto pode isso do público. A personalidade do Renato era toda contraditória e era visível sua eterna inconstância. Mas Renato Russo era um autor de primeiríssima, um dos melhores que já houve, e liderou um grupo que rompeu totalmente todas as barreiras, até mesmo com um sucesso de 11minutos sem refrão, como é Faroeste Caboclo que, enfim este ano, será transformado em filme, com a Isis Valverde fazendo o papel da menina linda (que realmente é). Renato era um chato, mas um gênio que trouxe para nossa música popular dezenas de clássicos eternos.
Por outro lado, não há ator maior da minha geração que Wagner Moura. Wagner é incrível porque consegue ser bom fazendo novela, conseguiu fazer história com o maior personagem da história do nosso cinema, o inesquecível Capitão Nascimento e consegue também fazer, com a mesma competência, comédias leves como "O homem do futuro" (falei sobre esse bom filme aqui) e histórias reais de pessoas com problemas de personalidade, como "Vips" (outro filme que vale a pena ver): nesses dois filmes, Wagner faz o papel de um personagem da minha geração que, como tinha que ser, adora Legião, e acaba cantando justamente Legião Urbana, coisa que todo mundo da minha geração fez de alguma forma.
E a MTV, de outrora de tão boas memórias, e tão questionável hoje, se redime do seu decair com um encontro memorável hoje: um tributo à Legião Urbana, tendo Wagner Moura como vocalista. Algo único, histórico, fantástico. Para todos os fãs da fantástica Legião, algo para lembrar de tantos bons momentos. Para os fãs do Wagner Moura, mais uma faceta desse ator completo. Para os fãs da arte brasileira, um encontro que não tinha como não ter um final muito feliz.E para abrilhantar ainda mais o tributo, acabou de ser chamado o Bi Ribeiro, do Paralamas: dá para ser melhor?

Veja também outros músicos que deixaram saudades:

Queen
Os três malandros - saudades
Chora coração! (Wando)
Mário Lago: Um homem extraordinário!
Um talento único e uma grande vítima! (Michael Jackson)
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Bom programa: zooparque Itatiba
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Viva o Carnaval, viva o Brasil!
Na rolança do tempo - um livro para se deleitar 

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Belo

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O novo cinema brasileiro e o Jabor

Sou um fã e um não-fã do Arnaldo Jabor. Sou fã porque ele faz o que eu, se pudesse, mais amaria fazer: um cronista livre, que fala da vida, da política, das artes. As participações dele são também, sempre, "sem medo de polêmica", mas com um alcance que este blog ainda não tem. Admiro a grande capacidade de articulação dele, a fala clara, concisa, direta. E o prazer que tem em despertar paixões e iras.
E sou não fã porque ele é um típico representante da nossa elite intelectual idiota  dos anos 70. Aquele povo que era esquerdista e virou direitista radical depois de velho. Aquele povo que se acha tão intelectual que com sua pseudo-intelectualidade quase matou o cinema nacional nos anos 70. Que anos tristes, onde ser diretor era "uma ideia na cabeça e uma câmera na mão": quanta porcaria saiu deste "conceito" infeliz... O cinema brasileiro que já tinha sido grande na época dos musicais, do Oscarito, do Grande Otelo, etc., chegou ao fundo do poço, sendo que a única coisa que atraía "público" eram as atrizes famosas peladas. O exemplo mais claro disso é Dona Flor, que só teve o sucesso que teve porque a Sônia Braga era um mulherão de deixar os brasileiros loucos... E, lógico, aparecia pelada no filme...
Uma comédia romântica
clássica, previsível e deliciosa
Neste fim de semana loquei dois filmes recentes nacionais. O primeiro foi "Qualquer gato vira-lata". É dessas comédias românticas típicas, com uma mulher apaixonada por um cafajeste e um bom moço por perto. O final, quem leu a frase acima, já sabe. Mas como diria a Debora Falabela em outro excelente filme nacional, Lisbela e o Prisioneiro, o importante não é o final, é como se chega nele. É aquele filme para se ver abraçado à amada: doce, romântico, encantador. Ok que tem alguns furos, como a visão do que é um trabalho de mestrado bastante "torta", mas são licenças poéticas. O filme não tem pretensão de ganhar Oscar, nem de ser prêmio de roteiro. É um filme que busca apenas divertir casais que se amam e isso ele faz muitísimo bem.
Comédia romântica com um quê
de ficção científica e
ótimas atuações
O segundo filme que vi no fim de semana foi o mais badalado "O homem do futuro". Este é um filme mais rico, com uma boa produção. Inclui a curiosidade de ter como cenário um dos maiores orgulhos da ciência brasileira: o laboratório de luz síncroton. É o único laboratório como este em todo o mundo não desenvolvido. Só que, na verdade, esse laboratório não fica no RJ, mas em Campinas, bem ao lado da UNICAMP. É mais um daquela série de filmes que nasceu depois do inesquecível "De volta para o futuro", onde o personagem volta para o passado para tentar mudar algo... E aí se seguem confusões e mais confusões. Mas diferentemente da série dos anos 80, neste o foco não é aventura, mas sim o romance. E, além de tudo, o filme faz pensar, ainda mais em uma era onde todos acham que o certo é não sofrer.O filme é bom, com boa produção, um roteiro que dá para se divertir bem, o Wagner Moura como sempre está ótimo, enfim, é algo que merece ser visto.
E não é que na sua crônica de segunda o "mala" do Jabor veio criticar "a tendência de comédias românticas copiadas dos EUA no cinema nacional"? Ah, Jabor, não enche! Sim, são comédias românticas despretensiosas, bem inspiradas na fórmula americana que sempre fez sucesso. São filmes que não querem dizer que são "intelectuais" como as suas produções. Mas são filmes que fazem o que se propõe, e muito bem. E trazem para o cinema pessoas que querem simplesmente se divertir, coisa que é a alma do cinema. É o tipo de filme que o brasileiro quer ver, e que bom que hoje podemos escolher entre ver um filme desses nacional ou um importado. Muito melhor do que levar platéias só para ver mulheres peladas, ou filmes cabeça lentos que só filósofos conseguem gostar, como era na época em que você se achava um grande diretor.

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terça-feira, 15 de março de 2011

Bom cinema: Up!

Olá, meus caros dois leitores. Hoje quero falar sobre um novo assunto, inédito neste blog. Vamos falar sobre cinema.
Um amor romântico que anda fora de moda
Eu sou um cinéfilo. Lembro sempre, com um sorriso no rosto, de dois dias em que eu e minha namorada (atual esposa) fomos em 4 ou 5 filmes . Bons tempos! Mas depois da chegada das crianças, ir no cinema é um evento que demanda grande organização e planejamento, e virou um raridade. Sinto muita falta das salas escuras, mas é algo do qual precisei me afastar por um tempo por algo mais importante: a vida é cheia dessas escolhas, né?
Não sou um estudioso do cinema. Vejo o cinema não como uma arte, mas como diversão. É lógico que tem arte, mas o foco para mim é o prazer de assistir. Não concordo com aqueles críticos que ficam dizendo que tal filme é ótimo porque tem uma fotografia não sei como, ou uma narração diferenciada: acredito que se um filme é ótimo, a parte técnica é o menos importante. E também não quero parecer intelectualóide, só gostando de chatos filmes cabeças, para me sentir melhor que os outros: eu vim do povo, sou filho de feirante, sei que o que é realmente bom normalmente também é algo bem simples.
Gosto de quase tudo, tirando coisas violentas, pois tenho uma natureza bastante pacífica: não gosto de filmes de lutas ou com muito sangue. Mas adoro suspense, daqueles que não precisam de sangue nem efeitos especiais, mas de um grande diretor. E gosto também de comédias, inclusive românticas, dramas, aventuras e, porque não, desenhos.
O velhinho curtino sua aventura
E hoje quero falar de um desenho animado. Vi pela primeira vez em um avião e me surpreendi muito. A ponto de ganhar de presente de aniversário o filme, um presente que adorei. A princípio é um filme de criança. Mas no fundo, é um filme profundo, com uma mensagem linda. Seus primeiros cinco minutos são absolutamente perfeitos: muito ágeis e surpreendentes. Eu, que nem sou assim tão emotivo, fico sempre com lágrimas quase saindo dos olhos (mas seguro porque homem não chora, certo?). Mostram uma vida em ritmo alucinante, o garoto, a namorada, o casamento, as promessas, as tristezas e alegrias até um desfecho melancólico. Uma vida comum como várias que acompanhamos. Só esses 5 minutos já valem o filme. Mas depois ainda tem a descoberta do que é realmente importante em uma vida por um velhinho ranzinza, velhinho que cada um de nós tem dentro de si. E tudo isso em meio a uma historinha engraçadinha para crianças também.
Up! é um clássico daqueles de nunca se esquecer. Eu já tenho meu DVD em casa para ver de vez em quando. Se você ainda não viu, não sabe o que está perdendo!

PS. Up virou mania em citações sobre a vida nas redes sociais, agora nos últimos meses de 2011. Eu já tinha descoberto esse filme antes ;-)

Veja também
- Senna
- O dicurso do rei
- A rede social
- TV Viva e Roque Santeiro
- Rio