terça-feira, 11 de junho de 2013

Pai Herói

A capa do disco da novela
É, só quem tem aí por volta de 40 anos tem lembrança do título. Uma novela com uma abertura inesquecível: um quebra-cabeças onde faltava o pai.É uma das primeiras coisas de TV que me lembro, com o casal Tony Ramos e Elizabeth Savala. E a música tema, a linda e tocante Pai do Fábio Jr., é para mim a melhor homenagem que alguém fez à um pai.
Bom, mas não é sobre novela que este post quer falar. Hoje é dia 12 de junho e é aniversário do meu pai. Um cara simples, de origem humilde e que nunca teve pretensão de se colocar como alguém fora do normal. Mas meu pai também teve seu momento de herói.
Ok, ele não veio numa nave espacial de um planeta distante: veio em um navio velho de um país distante. E não se disfarçava atrás de um óculos: vivia sua vida cotidiana atrás de uma barraca de "frutas-verduras-legumes-batatas-e-ovos". Mas ele também teve seus momentos de heroísmo.
Durante boa parte da minha infância eu morei em uma casa que para mim sempre será o sinônimo de "minha casa". Ali aprendi a ser o que sou, ali muito me diverti, muito sofri, ali eu cresci. E tínhamos ao lado uma família que sempre foi, digamos, "não muito amiga". Eu brincava com o menino, mas sempre foi aquele com quem eu menos simpatizei. Já havia uma birra de famílias velha, se não me engano até meu vô já não se dava muito bem com o vô deles algumas décadas antes. E por um desses motivos fúteis, indescritíveis e ridículos, nossas famílias realmente sempre foram pouco amáveis entre si. Convivíamos civilizadamente, convidávamos por educação para as festas, mas nunca foram realmente amigos...Entre nossas casas tinha um muro de 2m de altura. E eles tinham um cachorrão pastor alemão de dar medo.
Um dia o avô deles estava fazendo algo no telhado, usando uma escada. E, de repente, veio o estrondo e a gritaria. O avô tinha caído da escada e estava deitado ao chão com a cabeça ensanguentada. Meu pai:, que nem era assim tão amigo do cara, já com mais de 30, gordinho até, pulou aquele muro de 2m de uma única vez, sem nem pensar no cachorro que poderia estar solto. Não sei como meu pai deu aquele salto, pois eu nunca consegui pular de uma vez nem 50cm... E meu pai pegou o senhor ensanguentado e o trouxe para nosso carro. Todo mundo estava em pânico, ninguém conseguia ligar nosso carro. com o nervoso Eu tinha lá meus 15 anos e sempre fui mais racional do bando: fui, liguei o carro e tirei da garagem. E meu pai levou o senhor para o hospital que, graças a Deus, apesar do baita tombo, não teve sequelas.
Em resumo, para salvar alguém de quem ele nem gostava muito, meu pai pulou um muro de 2m de uma vez, não se preocupou em enfrentar um pastor alemão de 1m de altura, e não se preocupou nem mesmo em sujar seu carro com sangue.
Eu adoro meu pai por ser um homem trabalhador, simples e por sempre ter me ensinado a viver no mundo real. Mas essa passagem mostra que meu pai também tem um alma de herói. Parabéns ao meu pai herói por mais este aniversário.

(abaixo a música Pai, de Fábio Jr.)



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terça-feira, 28 de maio de 2013

Pais devem aceitar um fato: as crianças vão sofrer

Abaixo um belo texto sobre educação de filhos que retirei do site  da Veja. Se quiser ler o texto completo com toda uma boa formatação, visite o site deles clicando aqui.

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O projeto Educar para Crescer – iniciativa do Grupo Abril, ao qual está ligada a Editora Abril, que publica VEJA — promoveu um debate nesta terça-feira, em São Paulo, sobre o papel dos pais no processo de formação de seus filhos. Para isso, convidou a psicanalista Magdalena Ramos, responsável pelo núcleo de família do Instituto Sedes Sapentiae, e a psicopedagoga Vera Barreira, orientadora pedagógica da Escola da Vila. Do encontro, saiu uma importante constatação: os pais estão excessivamente preocupados com a felicidade de seus filhos e, por isso, têm dificuldades para impor limites e dizer "não" a eles. "É um grande equívoco achar que, dando tudo o que seu filho pede, você vai evitar que ele sofra ou se frustre. A falta de limites cria crianças mimadas, mandonas e com problemas de socialização", disse Magdalena. "Seu filho vai se frustrar e chorar, querendo você ou não. Por isso, aceite isso e imponha limites." Confira a seguir orientações das especialistas:

 'Aceite um fato: em algum momento, seu filho vai sofrer'

Os pais se preocupam muito com a felicidade de seus filhos. Não há, é claro, nada de errado nisso. O problema aparece quando a preocupação excessiva leva os pais a atender todos os desejos das crianças. Isso é um grande equívoco e pode acarretar sérios problemas à socialização delas. É preciso impor limites e aceitar que, em algum momento, seu filho vai chorar e sofrer.
Comentário de Magdalena Ramos: "Atendo no consultório muitos pais que se sentem culpados por ficar pouco tempo com seus filhos e que, por isso, têm dificuldades para dizer 'não'. É preciso mostrar autoridade e impor limites. Isso é diferente de autoritarismo: não é preciso berrar ou gritar, apenas mostrar quem manda."

'Menos tarefas e mais diversão para as crianças'

Por manter uma rotina atribulada e dispor de pouco tempo para os filhos, muitos pais consideram que encher o dia das crianças com atividades extraclasse é a melhor solução, uma forma de compensação. Não é. As crianças estão cumprindo agenda de executivos, quando, na verdade, deveriam ter mais tempo livre para utilizar a imaginação e descobrir como se entreter sozinhas.

Comentário de Magdalena Ramos: "Hoje, as crianças são hiperestimuladas. Mas, para o próprio desenvolvimento adequado delas, precisam de tempo para brincar, correr e se divertir."

'Comer e dormir não são castigos: são necessidades'

Comer e dormir são necessidades básicas de todo ser humano — e também das crianças. Desde cedo, elas devem aprender a comer e dormir nas horas certas. Isso é fundamental para seu desenvolvimento.
Por isso, essas ações não podem ser usadas como moeda de troca ou punição. É o que os pais fazem quando dizem, por exemplo: "Se você não comer tudo, não usará o computador" ou ainda "Você se comportou mal e, por isso, vai para a cama mais cedo".
Comentário de Magdalena Ramos: "Há crianças que não se alimentam bem no almoço ou jantar porque os pais deixam que comam ‘besteiras’ sempre que desejam. Então, novamente, vejo pais com medo de impor limites, deixando-se levar pelo impulso de satisfazer sempre as crianças."

'Nem toda brincadeira é bullying'

Segundo especialistas, boa parte das crianças não sabe mais lidar com piadas e provocações dos colegas. O que antes era uma simples brincadeira, hoje pode ser encarado como bullying. Os pais, obviamente, têm culpa nisso, ao tentar resolver problemas que os filhos poderiam solucionar sozinhos.
Comentário de Vera Barreira: "Qualquer brincadeira sofrida pelos filhos faz com que os pais liguem na escola para pedir explicações. O correto, quando falamos de crianças com 10 anos de idade ou mais, é instruí-las a se defender sozinhas: argumentar com o colega, comunicar professores e coordenador. Se nada der certo, aí sim os pais devem agir. Ao resolver de imediato qualquer problema apresentado pelos filhos, os pais tiram deles a chance de aprender a cuidar de si próprios."

'Pais devem estimular a criança a agir como... criança'

A frase "os pais devem estimular a criança a ser criança" pode parecer redundante, mas traz um ensinamento importante. Segundo a psicanalista Magdalena e a psicopedagoga Vera, é comum os pais – ainda que sem a intenção – estimularem os filhos entre 9 e 12 anos de idade a se comportar como adultos. É preciso novamente impor limites e guiá-los para o caminho adequado: o da infância.
Comentário de Vera Barreira: "Lembro de um pai que, atendendo a pedidos da filha de 10 anos, fez para ela uma 'balada', com luz baixa etc. As meninas estavam todas arrumadas, vestidas como 'adultinhas', esperando que os garotos as tirassem para dançar, enquanto os meninos não estavam nem aí: eles só queriam saber de jogar bola. Isso é exemplo de uma conduta inadequada do pai."

'A escola deve seguir os valores da família'

A escolha da escola dos filhos é uma decisão crucial para a formação deles. Nesse caso, a orientação é simples: busque uma instituição que siga os mesmo valores de sua família. Isto é, procure uma unidade que adote aquilo que você procura:  conteúdo mais voltado ao vestibular, foco na socialização e no desenvolvimento integral da criança, regras mais ou menos rígidas e assim por diante.

Comentário de Vera Ramos: "Vá conhecer a escola, fique atento ao discurso que ela vai apresentar e procure conhecer outros pais com filhos no local. Muitas instituições adotam discursos parecidos, mas agem completamente diferente na prática."

Viúvo do Neymar: continuando a despedida com boas memórias

É, sou um viúvo do Neymar, como dizem os torcedores do contra. Mas, sabe, tenho orgulho disso. Pois ele jogou no meu time! E ama o time, não jogou só por dinheiro. Tudo o que li nos últimos dias mostra que ele queria ficar mais por aqui, que ele não mentiu do plano de ficar até a Copa. A boa diretoria do Santos também tentou mantê-lo. Mas o time, há um ano, não corresponde, e o Santos de hoje não está na altura do gênio que é Neymar. O Neymar não pode ficar fora de uma Libertadores, ele não pode ser de um time coadjuvante. E para poder jogar em torneios de primeira expressão, ele resolveu sair.
Incluo aqui duas coisas que adorei: um texto anônimo que rodou no Facebook falando da despedida e um vídeo com uma coletânea de belíssimos momentos que esse cara nos presenteou nos últimos anos.

"Vai ser feliz, moleque.
Vai pra um lugar onde você jogue pra 80 mil pessoas, num tapete, e eles aplaudam cada vez que você passar o pé em cima da bola ou a cada vez que você tentar uma carretilha. Onde os caras vão tentar te marcar, e não tentar quebrar a sua perna. Onde eles deixem você jantar em paz, deixem você sair com sua namorada global sem um milhão de cliques, onde você não precise ficar trancafiado três dias numa concentração. Onde você vai poder fazer quatrocentos mil comerciais, sem ninguém questione se isso afeta ou não o seu desempenho no campo. Onde você vai poder jogar duas vezes por semana, vai poder jogar pela seleção em datas FIFA, sem deixar o teu clube órfão do teu talento.
Onde você não vá jogar com tanto perna de pau, contratados por diretores que não entendem lhufas de futebol.
Lá, você não vai ser o único no meio de um monte de miseráveis. Lá, você vai ser mais um dos acima da média.

E sei que, no futuro, você vai voltar pra fazer exatamente o que o Robinho fez com você: ajudar a explicar pra um outro neguinho de canela fina e folgado pra caramba, que, aqui no Santos, a gente não gosta só de ganhar, a gente gosta do show. Com aquela camisa branca e com a bola no pé, a gente gosta mesmo é de moleques folgados pra caramba…"





Veja também:
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Crime organizado com o apoio do governo e dos times de futebol
Pêsames e parabéns aos Corinthianos
Futebol não vale tudo isso
A copa que envergonha o Brasil
E a olimpíada? Mais absurdos..

domingo, 26 de maio de 2013

Adeus a Neymar: de um santista

Não sou um torcedor fanático. Só fui uma vez em um jogo de futebol, um jogo de Santos X XV de Jaú, nos anos 70, lá na Vila. Mas amo meu time e amo o futebol arte.
Se meu time não é o maior do Brasil em torcida, nem em títulos nos últimos anos, ninguém pode negar que é o time que mais se alinha com o conceito de futebol arte que tanto já deu orgulho ao nosso país. O futebol da seleção entre 58 e 70, e do melhor time de futebol da história: o time do Santos desse período. O futebol que a seleção de 82 reviveu (já falei sobre isso aqui).
E fico muito feliz ao saber que neste século, foi o Santos o time que mais lembrou a tradição brasileira de categoria, dribles, futebol bonito de se ver. E mais feliz ainda porque os grandes nomes desses times que tão bem jogaram foram crias do próprio Santos. Primeiro, com o time de Robinho, Diego e cia e nos últimos anos com o Neymar.
Não vou negar que derramei muitas lágrimas ao ouvir a despedida do Neymar hoje na Globo. Além de jogar futebol profissionalmente, e em um nível muito acima da média, Neymar mostrou que ama o Santos de verdade, e ter um jogador que veste a camisa desse jeito não tem preço. Chorei porque não será fácil criar um outro jogador desse patamar e não será fácil criar um time que jogue tão bonito tão cedo. E porque sempre deu muito orgulho de ver um jogador desse nível jogar tanto, e por tanto tempo, no meu Santos.
É triste ver alguns torcedores de outros times querendo diminuir o que é óbvio. Falar contra o Neymar não é falar contra o Santos, é falar contra o futebol arte. Neymar vai muito além do Santos e só quem vê pequeno pode negar isso. E os números falam por si:
- em 5 anos, no início da carreira, foram 3 paulistas, 1 copa do Brasil e 1 Libertadores;
- foi um dos únicos que conseguiu ainda no Brasil estar na lista da FIFA como um dos melhores do mundo. E ganhou o prêmio de mais belo gol do ano;
- recebeu propostas do Real, do Milan, do Manchester, do Milan e do Barça, para onde vai. Qual outro jogador foi tão assediado saindo do Brasil?
- na sua era o Santos triplicou o valor que recebe de patrocínio e duplicou o público nos seus jogos;
- para aqueles que querem dizer que ele prefere fazer propaganda que jogar para o Santos, deveriam "lembrar" que parte da propaganda vai para o Santos: o time não gastava 1 centavo para manter o Neymar, faturando mais com as propagandas do que pagava de salario.
Enfim, Neymar não foi um cara egoísta. Ele, muito mais que fazer seu nome, ajudou demais o Santos a se projetar.
Sei que meu time não jogou bem na final do mundial em 2011, na Libertadores de 2012 e no paulista neste ano. Mas não foi por causa do Neymar. O Neymar, sempre que assisti, lutou, correu, tentou: mas o esquema do time não ajudava, deixando o Neymar isolado e jogando muito na defesa, bem ao estilo Muricy. Mas, sempre que possível, o Neymar premiava os torcedores com uma bela jogada.
Que agora todos os brasileiros deixem de ver o Neymar como "do Santos" e dêem apoio a este jogador que representa tão bem ao futebol arte que sempre marcou nosso país. E que não coloquem a responsabilidade da Copa nesse moleque alegre, mas muito jovem para ter que levar esse peso.
Sucesso, Neymar, nesse seu novo desafio. E obrigado por todo o prazer que você trouxe não só para os santistas, mas para todos aqueles que amam futebol. De um fã incondicional seu. 

Veja também:

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sábado, 18 de maio de 2013

Turma da Mônica no mundo de Romeu e Julieta: imperdível!

Nos anos 70 o Maurício de Sousa criou uma peça de teatro com o nome acima. Muitas pessoas da minha geração compraram o disquinho de vinil, outras tantas viram um especial na TV e os paulistanos tiveram a oportunidade de ver a peça ao vivo.
Agora, mais de 30 anos depois, o Mauricio de Sousa relançou a peça, como parte das comemorações de 50 anos da personagem mais amada do Brasil.O texto foi revisto, a produção é nova, mas as músicas foram mantidas quase sem mudança.
Uma produção imperdível!
A produção está fantástica. Figurinos muito lindos, feitos por um nome famoso da moda. Um cenário muito bem feito: vitrais na hora da igreja, balcão para a Julieta Mônica falar com seu Romeu Cebolinha, e um sem fim de detalhes. Ao fundo, um céu animado, com nuvens passando, estrelas brilhando, sol nascendo, uma animação com uma qualidade que nunca havia visto antes no teatro. Dá orgulho saber que parte dessa animação foi obra de um grande amigo, primeiro a conhecer na UNICAMP na graduação!
Eles estão perfeitos!
São vinte atores intercalando no palco, realmente uma produção de primeiríssimo mundo. Dançando, brincando e interagindo com os personagens que tanto amamos.
Amo a turma da Mônica porque é a turma do Brasil. São personagens com nossa cara, com nossa cultura, que cresceram conosco. E sou fã do Mauricio, um brasileiro incrível! (já falei bastante dele neste post).
E no final, não deixe de dar uma passadinha no MUBE,
ali pertinho, e ver a exposição dos 50 anos:
interessante e de graça!

E acho que todos os brasleiros que tenham possibilidade, não podem perder essa oportunidade única de recuperar a fantasia de sua infância, de valorizar nossa cultura, de assistir a uma produção incrível totalmente nacional e de deixar nossas crianças com olhos brilhando e imaginação reforçada.  Então, meus leitores, não deixem para depois: entrem neste link aqui e façam já sua reserva para alguma seção. Depois da seção, não percam a oportunidade de ir tirar uma foto com os personagens. E, quem sabe, se você tiver sorte, você consegue encontrar o Maurício de Sousa em carne e osso, como eu tive a oportunidade hoje: ele foi de uma simpatia, uma humildade, inacreditáveis. Foram uma dezena de fotos com minha turma, alguma conversa e vários autógrafos: um dia para não esquecer!

Veja também:
Site do Teatro Geo: compre seu ingresso aqui
Um exemplo de brasileiro: Maurício de Sousa
Bom programa infantil - circo da Mônica
Eu sou criança: e você? 

sábado, 11 de maio de 2013

As mentiras da minha mãe

Minha mãe sempre falava coisas que me espantavam. E ela me dizia que quando virasse pai eu iria entender... Virei pai, e já tenho muitos km rodados nessa "função". A conclusão que tiro é que minha mãe mentia para mim.
Lembro quando eu perguntava para ela se ela não tinha nojo em mexer no cocô da gente, seus bebês. E olha, que naquela época, era fralda de pano: tinha que lavar, torcer, esfregar a caca toda... Me embrulha o estômago só de pensar. A resposta dela é que não tinha nojo das "coisas" dos filhos. Pois bem, depois de um milhar de fraldas trocadas (ou mais), outro dia eu estava na creche e vi uma mãe tendo que colocar a "mão na massa" da fralda da filha. E olhei para meu pequeno e pensei: "graças a Deus você aprendeu a usar o vaso e nunca mais vou ter que mexer em cocô novamente..." Muitos anos se passaram e para mim cocô continua sendo cocô, algo nojento, asqueroso, algo que não deve ser visto e, principalmente, manipulado. MESMO DOS MEUS FILHOS... Cocô é cocô, nojento, não importa a origem.
Minha mãe sempre me falou também que sempre nos achou os bebês mais lindos do mundo. E que toda mãe acha seus filhos perfeitos. Pois é: eu amo de paixão meus filhos, acho eles super demais e não me canso de agradecer a vida por ter me dado essas pérolas tão incríveis. Mas seria cínico falar que eles são os mais bonitos do mundo: não são. Nem são os mais inteligentes, nem os mais habilidosos em tudo. São seres humanos incríveis, e os amo por serem isso. Mas não consigo vê-los como símbolos da perfeição. 
Quando ela falava que eu não a deixava dormir, eu perguntava como ela aguentava e a resposta era sempre que bastava um sorriso de seus filhos e todo o cansaço ia embora. Ou eu era um santo, que tinha um sorriso milagroso, ou foi uma nova mentira da minha mãe. Pois depois de uma ou duas noites dormindo pouco graças a uma febre de um pequeno, não há sorriso deles que me tire o cansaço. Adoro vê-los sorrir, disso não tenho a menor dúvida, mas adorar um sorriso não tira meu cansaço.
Minha mãe cuidava de tudo e de todos em minha casa. Sempre roupa bem lavada, a mão (pois a máquina estragava a roupa), tudo neuroticamente limpo, comida fresca e variada (saudável e deliciosa), os filhos sempre impecavelmente arrumados... E ela fazia tudo isso cantando. Não é possível que ela não sentia cansaço, desânimo. Aquele cantar de tantas músicas que sei de cor até hoje, só podia ser um fingimento: como alguém trabalhando tanto conseguia ainda manter a felicidade no coração? Se eu tiver que fazer uma comida simples e lavar uma pia de louça, já preciso de umas 4h para recuperar a boa vontade!
Enfim, pensando nos exemplos acima e em um milhão de outros exemplos, o que me vêm a cabeça é que minha mãe sempre foi uma grande mentirosa. Mentia pois jamais quis cobrar ou reclamar de nada que fazia para seus filhos. Mentia porque sempre quis ser uma mãe mais que perfeita (pois seria perfeita mesmo se demonstrasse seu cansaço). Ou então, minha mãe pertence a uma outra classe de pais, com um amor tão superior e tão incondicional, que faz o coração se impor ao racional, ao nojo, ao cansaço. Seja como for, eu sei que devo muito a essa moça que me fez ser o que sou.
Feliz dia das mães, para a mãe mais mentirosa e amada do mundo!

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Madrinha
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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Meu filho, você não merece nada!




"A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada "


Repasso abaixo um texto fantástico de Eliane Brum, disponível neste link.

"Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba."

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O que as escolas não ensinam
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- amor e sexo 
- Adeus a Amy,
- inspiração boa e ruim,
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