Sou de Santos. Nasci naquela cidade deliciosa, que juntava coisas de grandes cidades como ter bons shows todo fim de semana no clube que ficava a 100m de casa com a possibilidade de jogar bola na rua em frente à minha casa, com meus amigos Duda, Beto, Papa, Teta, Betinho, etc. Bons tempos. Uma cidade que tem um dos primeiros shoppings do país e tinha mais de uma dezena de cinemas. Por outro lado, uma cidade pequena em área, onde literalmente dá para se ir a pé para qualquer lado. Meu tio Beto me levava para explorar cada canto da cidade só usando os pés: que saudades!
Minha casa, dos 7 as 17 anos ficava a 500m da Vila Belmiro. Meus amigos costumavam ficar tomando conta dos carros que estacionavam na nossa rua para ver os jogos do peixe. Naquela época que Santos contra XV de Jaú dava 20mil torcedores. E meus amigos levantavam uma graninha nesses eventos.
Meu pai e minha mãe, por questão de ser da cidade, torciam para o Santos. Ok, meu pai é português, mas a cidade que ele adotou a partir dos 17 anos era Santos. E, em Santos, o lógico, o comum, é torcer mesmo para o Santos. É o que a maioria faz.
Mas minha paixão realmente foi inspirada pelo maior torcedor que eu já conheci: meu saudoso avô Renato. Que saudades da paixão do meu avô: o jardim desenhado com S F C, a sigla do peixe. E muitos quadros e referências ao time da baixada. Ver meu avô torcendo era sempre algo apaixonante. Ele tinha mais de 80 anos, e torcia com a mesma paixão de criança. E eu sempre ADOREI meu avô.
Bom, nascendo em Santos, morando onde morava e com a família que eu tenho, não teria como ser diferente. Sou santista, roxo. De criança, não perdia um jogo, que ouvia na rádio AM (cacique ou atlântica). Mesmo sem ouvir via rádio, sabia como o jogo estava indo, pois ouvia os gritos da Vila, ali do lado. Não tinha como não me envolver.
A primeira vez que me lembro de me reconhecer como santista, foi com o primeiro grupo de "meninos da vila", no final dos anos 70, time que tenho em botão até hoje, um time fantástico: Vitor no gol, Pita, Ailton Lira, Milton Batata, Juari, João Paulo... Esse time ganhou o paulista e eu me lembro de andar pela casa balançando uma bandeira. Depois comecei a construir minha outra "paixão" no futebol: meu time perdeu muitos jogos de forma injusta, claramente manipulados pelo juiz, do Corinthians. Óbvio, até hoje minha segunda paixão é ver esse time que ganhou tanta coisa de forma injusta perder.
Com tudo isso, é sempre ótimo ser campeão. E melhor ainda ser em cima do Corinthians, time que fez tantas vezes meu avô triste. Pena que meu avô já se foi. Mas nunca vou deixar minha paixão pelo meu time ir embora. E hoje, tento criar essa mesma paixão nos meus filhos, para perpetuar essa história que é a história da minha vida...
Parabéns Santos: valeu Muricy, Neymar, Elano, Leo, Arouca e todos os outros. Parabéns à todos os Santistas. As bandeiras aqui em casa vão tremular na frente e atrás por uma semana. Externando a minha felicidade e homenageando a minha vida. Viva o Santos, Bi-campeão paulista!
Orgulho que nem todos podem ter... SFC
ResponderExcluir