No post anterior eu havia discutido sobre as responsabilidades da prefeitura do RJ na tragédia do desabamento dos prédios.A mesma prefeitura que agora fica buscando culpados e que planeja novas "ações" para evitar que isso se repita: como se acontecer uma tragédia como essa "apenas uma vez" fosse aceitável!
Mas hoje uma notícia deixou tudo mais claro. O prédio foi projetado para ter 15 andares e anos depois de construído, há décadas atrás, a prefeitura "autorizou" o acréscimo de mais cinco pavimentos. Ou seja, uma estrutura feita para suportar 15 andares, acabou suportando 20 por décadas. Até que aguentou demais! A coisa estava tão instável que alguma hora ia cair, e pode ter sido por causa da trepidação da obra em andamento que tudo enfim ruiu, mas não provavelmente desabou por causa da obra!
A pergunta que não quer calar é como a prefeitura "autorizou" aumentar em um terço a altura de um edifício já construído? Eu fico até imaginando como, mas prefiro não falar aqui no blog: conhecendo nossas "repartições", todo mundo que me lê consegue imaginar como deve ter acontecido isso, não? Agora, não é hora de buscar culpados, até porque a tal autorização tem uns cinquenta anos e quem autorizou deve estar morto ou muito idoso, mas que a prefeitura tem grande culpa na tragédia, não resta a menor dúvida!
Veja também:
Os prédios do RJ desabaram: a prefeitura também é culpada.
A burocracia e o desrespeito à privacidade do governo de SP
Política é importante: a visão de um quarentão
A milionária mentira dos sacos plásticos e a ecologia
Funcionários públicos: direitos e deveres
Um país com estados equilibrados
Um Brasil onde todos tem o mesmo peso político
O grande golpe político dos micro-estados!
Ponto para o Alckmin! Cubatão
Ponto para o Alckmin! Trânsito
Verdade seja dita: I, II, III e IV
A fábula do país rico
A esquerda mentiu
Pés no chão
Política é importante
O legal e o ético
Antes errado, agora amigos
A Vale é uma empresa privada
O egoísmo de falsos esquerdistas
Uma péssima mãe
A verdade tem que ser dita, sem medo de polêmicas. Tentando discutir as coisas com profundidade, sem me preocupar em ser politicamente correto.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
Os prédios do RJ desabaram: a prefeitura também é culpada!
Três prédios enormes no chão e duas dezenas de mortos. E isso foi uma grande sorte. Não estou festejando a morte dos 20, mas se o desabamento tivesse sido de dia, como eram prédios comerciais, provavelmente seriam centenas demortos! Algumas horas salvaram centenas de seres humanos.
E agora começa a caça pelos culpados. É sempre assim aqui no Brasil, infelizmente: depois das catástrofes acontecerem, é que começam os estudos para evitar que ela aconteça...
O CREA vai lá e fala que a obra não tinha responsável técnico, mas fica bem claro que o CREA não está realmente lutando pela vida dos outros, mas sim para defender os seus próprios interesses de reserva de mercado.
Mas o pior, para mim, é a reação do poder público. A ideia por trás do governo acompanhar as obras sempre foi o governo cuidar da segurança da cidade, pois um prédio desabar, como desabou, é catastrófico para o prédio e para toda a redondeza, e o poder público deve cuidar da segurança da população. Mas parece que o poder público se "esqueceu" disso.
Acabei de ouvir uma reportagem onde um representante da prefeitura afirmou que se a obra não mudar a área útil do prédio, não é preciso aprovação prévia. Vocês entenderam bem o que eu disse? Para a prefeitura do RJ, não importa se você vai retirar todas as pilastras do primeiro andar do Empire State, desde que não mude a área útil. Ou seja, a prefeitura só se preocupa com a obra se, E SOMENTE SE, isso puder impactar no valor do imposto que o cidadão paga. Assim, a aprovação na prefeitura deixou de ter qualquer preocupação com a segurança da população, o motivo real de se criar esse tipo de burocracia, e passou a ter como único objetivo arrecadar. Ou seja, o governo cobra por um serviço que não dá em troca!
E isso não é apenas a prefeitura do Rio que faz: quando fui aprovar a construção da minha casa aqui em Campinas também fiquei surpreso ao descobrir que eles não pediram nenhuma planta estrutural, apenas uma planta simplificada com as áreas do imóvel.
Além das prefeituras não cuidarem para que os prédios das cidades sejam seguros, elas também não fiscalizam o estado de conservação dos imóveis: há várias denúncias que o prédio estava em péssimo estado de conservação.
Até quando o povo brasileiro vai aceitar governos a cada dia mais gastões e menos preocupados com a população? Está na hora de darmos um basta nisto!
Veja também:
A burocracia e o desrespeito à privacidade do governo de SP
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Uma péssima mãe
E agora começa a caça pelos culpados. É sempre assim aqui no Brasil, infelizmente: depois das catástrofes acontecerem, é que começam os estudos para evitar que ela aconteça...
O CREA vai lá e fala que a obra não tinha responsável técnico, mas fica bem claro que o CREA não está realmente lutando pela vida dos outros, mas sim para defender os seus próprios interesses de reserva de mercado.
Mas o pior, para mim, é a reação do poder público. A ideia por trás do governo acompanhar as obras sempre foi o governo cuidar da segurança da cidade, pois um prédio desabar, como desabou, é catastrófico para o prédio e para toda a redondeza, e o poder público deve cuidar da segurança da população. Mas parece que o poder público se "esqueceu" disso.
Acabei de ouvir uma reportagem onde um representante da prefeitura afirmou que se a obra não mudar a área útil do prédio, não é preciso aprovação prévia. Vocês entenderam bem o que eu disse? Para a prefeitura do RJ, não importa se você vai retirar todas as pilastras do primeiro andar do Empire State, desde que não mude a área útil. Ou seja, a prefeitura só se preocupa com a obra se, E SOMENTE SE, isso puder impactar no valor do imposto que o cidadão paga. Assim, a aprovação na prefeitura deixou de ter qualquer preocupação com a segurança da população, o motivo real de se criar esse tipo de burocracia, e passou a ter como único objetivo arrecadar. Ou seja, o governo cobra por um serviço que não dá em troca!
E isso não é apenas a prefeitura do Rio que faz: quando fui aprovar a construção da minha casa aqui em Campinas também fiquei surpreso ao descobrir que eles não pediram nenhuma planta estrutural, apenas uma planta simplificada com as áreas do imóvel.
Além das prefeituras não cuidarem para que os prédios das cidades sejam seguros, elas também não fiscalizam o estado de conservação dos imóveis: há várias denúncias que o prédio estava em péssimo estado de conservação.
Até quando o povo brasileiro vai aceitar governos a cada dia mais gastões e menos preocupados com a população? Está na hora de darmos um basta nisto!
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Verdade seja dita: I, II, III e IV
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A esquerda mentiu
Pés no chão
Política é importante
O legal e o ético
Antes errado, agora amigos
A Vale é uma empresa privada
O egoísmo de falsos esquerdistas
Uma péssima mãe
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Santos - uma linda cidade e uma grande história
Sou santista. Não apenas de time, que de vez em quando decanto por este blog. Sou da cidade de Santos. E muito me orgulho disso. Lá vivi até fazer 17 anos, quando mudei para estudar.
Santos é uma cidade histórica, não apenas por hoje, dia 26, fazer 466 anos. Divide a ilha de São Vicente com a celula-matter, a cidade de São Vicente, primeira cidade do Brasil. Santos começou sendo um porto. Depois veio a Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos, um dos primeiros hospitais do país, ainda em 1543, que segundo os historiadores deu nome à cidade.
Santos foi o porto que trouxe a riqueza para São Paulo, primeiro com a cana, depois com o café. E ainda hoje é o maior porto do Brasil e um dos maiores do mundo, por onde passa grande parte da riqueza do nosso país.
De Santos eram os irmãos Andradas, figuras muito importantes do império, os patriarcas da independência. De Santos era Mário Covas, o melhor político que eu já conheci. Em Santos nasceram várias bandas musicais de todos os tipos, incluindo sambistas, pagodeiros e os roqueiros do Charlie Brown Junior. Mas também nasceu lá o cantor de belas músicas interioranas Renato Teixeira. Isso mostra a cara da cidade, multicultural.
Até o início do século passado Santos era uma cidade não muito interessante, pelas doenças que um local cheio de mangues e mosquitos tinha. Com a construção dos canais, Santos passou a ser uma cidade muito mais habitável. E se antes a cidade se concentrava no centro velho, perto do porto, vieram os barões dos cafés e construíram seus palácios em frente ao mar. E aí vieram os bondes, transporte coletivo até o final dos anos 60, a abertura de avenidas que ligavam o centro às praias por onde os bondes passavam (Ana Costa e Conselheiro Nébias, em especial), e os palácios foram dando lugar a prédios altos em frente ao mar. E Santos seguia pujante, crescendo e se tornando uma cidade politizada e culta. Mas chegou a ditadura e os militares resolveram punir aquela cidade que insistentemente se colocava contra. Primeiro cassaram o prefeito e passaram a nomear de forma indireta os líderes, com a desculpa que Santos era "área de segurança nacional". Depois esvaziaram a cidade de desenvolvimento: foram duas décadas com o governo central prejudicando o município. E, assim, quando minha geração chegou a juventude, Santos tinha um porto sucateado, indústrias em Cubatão com muitos problemas, nenhuma universidade pública e oportunidades profissionais apenas na área comercial. Não é a toa que de 12 primos homens da minha geração com os quais convivia na infância, apenas 5 continuaram em Santos: todos os outros mudaram-se para outras cidades em busca de emprego. Com essa evasão em massa, Santos envelheceu. E se era uma cidade jovial e rebelde nos anos 60, passou a ser uma cidade idosa e conservadora hoje. Se o primeiro prefeito eleito depois da ditadura foi do PMDB, oposição na época, e a segunda do PT, na era em que o PT era mesmo comprometido com causas sociais, Santos elegeu nos últimos quatro pleitos representantes de uma elite conservadora, que destruiram várias tradições da nossa cultura, como o desfile das escolas de samba no carnaval, que no início dos anos 90 era o segundo maior do Brasil, maior inclusive que o de São Paulo, só perdendo para o Rio e o saudoso desfile da Dona Dorotéia.
Mas a natureza, enfim, trouxe boas notícias para a cidade. Foi descoberto o pré-sal e muito dele está na bacia de Santos. E para lá está migrando a Petrobrás, com um grande centro de pesquisas e muitas outras empresas satélites. Enfim, estão revitalizando o centro velho de Santos, tão belo e histórico quanto abandonado. Quem gosta de história, não tem como não dar uma volta no bonde do centro e tomar um café na antiga bolsa do café, prédio lindíssimo onde antes circulava grande parte do poder do país. E, depois de um abandono de décadas, estão chegando boas universidades públicas até a bela terra, incluindo FATEC, USP e uma federal, com engenharias. Agora, quem quer estudar em universidades top de linha, não vai mais precisar sair da cidade, como eu precisei. E o retorno dos jovens está fazendo a construção civil voltar a crescer, com dezenas de obras gigantes por todo a ilha. Me preocupo com o futuro da cidade, com seus prefeitos conservadores, ligados aos contrutores, liberando prédios a cada dia mais altos em uma cidade já densamente povoada e sem espaço para abrir novas avenidas. Espero que o governo e a população invistam a cada dia mais em bicicletas, ótimas para uma cidade plana como Santos, e transporte coletivo de qualidade e com preço acessível, pois não cabem mais automóveis nas ruas.
Mas, enfim, vejo com felicidade um novo tempo de desenvolvimento na antes esquecida Santos. E aqui vai o convite para quem não conhece nossas praias, com ondas pequenas e tranquilas e os maravilhososo jardins que as margeiam totalmente: são 7km de jardins bem conservados, o maior jardim do mundo. Conheça Santos, e não só pelas praias, aproveite para passear a pé na Ana Costa, muito melhor que ficar em shoppings fechados como temos aqui no interior, não deixe de andar no bonde, visite o porto, suba no bondinho do Monte Serrat e veja a deslumbrante paisagem de lá de cima, no antigo prédio do Cassino, visite o Museu da Pesca, o Aquário e o Orquidário, enfim: Santos é muito mais que uma cidade praiana, é uma cidade para se curtir em toda sua essência. E, lógico, se você for santista também no futebol, não deixe de visitar nosso templo sagrado, a Vila Belmiro.
Veja também um pouco mais da minha história:
- Eu sou + eu
- watashi wa nihonjin desu
E um pouco mais do meu time:
- Valeu, Santos!
- Por que estou tão feliz
- Momento de GRANDE felicidade
| Algumas fotos da linda Santos (fonte: wikipedia) |
Santos foi o porto que trouxe a riqueza para São Paulo, primeiro com a cana, depois com o café. E ainda hoje é o maior porto do Brasil e um dos maiores do mundo, por onde passa grande parte da riqueza do nosso país.
De Santos eram os irmãos Andradas, figuras muito importantes do império, os patriarcas da independência. De Santos era Mário Covas, o melhor político que eu já conheci. Em Santos nasceram várias bandas musicais de todos os tipos, incluindo sambistas, pagodeiros e os roqueiros do Charlie Brown Junior. Mas também nasceu lá o cantor de belas músicas interioranas Renato Teixeira. Isso mostra a cara da cidade, multicultural.
Até o início do século passado Santos era uma cidade não muito interessante, pelas doenças que um local cheio de mangues e mosquitos tinha. Com a construção dos canais, Santos passou a ser uma cidade muito mais habitável. E se antes a cidade se concentrava no centro velho, perto do porto, vieram os barões dos cafés e construíram seus palácios em frente ao mar. E aí vieram os bondes, transporte coletivo até o final dos anos 60, a abertura de avenidas que ligavam o centro às praias por onde os bondes passavam (Ana Costa e Conselheiro Nébias, em especial), e os palácios foram dando lugar a prédios altos em frente ao mar. E Santos seguia pujante, crescendo e se tornando uma cidade politizada e culta. Mas chegou a ditadura e os militares resolveram punir aquela cidade que insistentemente se colocava contra. Primeiro cassaram o prefeito e passaram a nomear de forma indireta os líderes, com a desculpa que Santos era "área de segurança nacional". Depois esvaziaram a cidade de desenvolvimento: foram duas décadas com o governo central prejudicando o município. E, assim, quando minha geração chegou a juventude, Santos tinha um porto sucateado, indústrias em Cubatão com muitos problemas, nenhuma universidade pública e oportunidades profissionais apenas na área comercial. Não é a toa que de 12 primos homens da minha geração com os quais convivia na infância, apenas 5 continuaram em Santos: todos os outros mudaram-se para outras cidades em busca de emprego. Com essa evasão em massa, Santos envelheceu. E se era uma cidade jovial e rebelde nos anos 60, passou a ser uma cidade idosa e conservadora hoje. Se o primeiro prefeito eleito depois da ditadura foi do PMDB, oposição na época, e a segunda do PT, na era em que o PT era mesmo comprometido com causas sociais, Santos elegeu nos últimos quatro pleitos representantes de uma elite conservadora, que destruiram várias tradições da nossa cultura, como o desfile das escolas de samba no carnaval, que no início dos anos 90 era o segundo maior do Brasil, maior inclusive que o de São Paulo, só perdendo para o Rio e o saudoso desfile da Dona Dorotéia.
Mas a natureza, enfim, trouxe boas notícias para a cidade. Foi descoberto o pré-sal e muito dele está na bacia de Santos. E para lá está migrando a Petrobrás, com um grande centro de pesquisas e muitas outras empresas satélites. Enfim, estão revitalizando o centro velho de Santos, tão belo e histórico quanto abandonado. Quem gosta de história, não tem como não dar uma volta no bonde do centro e tomar um café na antiga bolsa do café, prédio lindíssimo onde antes circulava grande parte do poder do país. E, depois de um abandono de décadas, estão chegando boas universidades públicas até a bela terra, incluindo FATEC, USP e uma federal, com engenharias. Agora, quem quer estudar em universidades top de linha, não vai mais precisar sair da cidade, como eu precisei. E o retorno dos jovens está fazendo a construção civil voltar a crescer, com dezenas de obras gigantes por todo a ilha. Me preocupo com o futuro da cidade, com seus prefeitos conservadores, ligados aos contrutores, liberando prédios a cada dia mais altos em uma cidade já densamente povoada e sem espaço para abrir novas avenidas. Espero que o governo e a população invistam a cada dia mais em bicicletas, ótimas para uma cidade plana como Santos, e transporte coletivo de qualidade e com preço acessível, pois não cabem mais automóveis nas ruas.
Mas, enfim, vejo com felicidade um novo tempo de desenvolvimento na antes esquecida Santos. E aqui vai o convite para quem não conhece nossas praias, com ondas pequenas e tranquilas e os maravilhososo jardins que as margeiam totalmente: são 7km de jardins bem conservados, o maior jardim do mundo. Conheça Santos, e não só pelas praias, aproveite para passear a pé na Ana Costa, muito melhor que ficar em shoppings fechados como temos aqui no interior, não deixe de andar no bonde, visite o porto, suba no bondinho do Monte Serrat e veja a deslumbrante paisagem de lá de cima, no antigo prédio do Cassino, visite o Museu da Pesca, o Aquário e o Orquidário, enfim: Santos é muito mais que uma cidade praiana, é uma cidade para se curtir em toda sua essência. E, lógico, se você for santista também no futebol, não deixe de visitar nosso templo sagrado, a Vila Belmiro.
Veja também um pouco mais da minha história:
- Eu sou + eu
- watashi wa nihonjin desu
E um pouco mais do meu time:
- Valeu, Santos!
- Por que estou tão feliz
- Momento de GRANDE felicidade
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Um país com estados equilibrados
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| A divisão do Brasil (em vermelho estados subdivididos) |
Nest post apresento como seria o Brasil se ele fosse dividido em estados com populações variando entre 5 e 11 milhões, construindo um país com uma representatividade muito mais justa.Evitei ao máximo alterar as divisas dos estados, buscando respeitar suas origens, cultura e história. Nesta proposta agreguei estados pequenos e dividi estados que merecem ser melhor representados. Como foi dito no outro post, a ideia não é propor uma repactuação federativa para já, mas é pelo menos deixar mais claro para todos o peso que cada estado tem e que deveria ter. E espero contribuir para que todos atuem politicamente, pressionando seus representantes, contra maiores divisões de estados pequenos, pois essas divisões só atendem aos interesses de grupos políticos e coronéis para dominar uma região. Se há alguma necessidade de dividir estados no Brasil, essa divisão precisa começar por São Paulo e Minas Gerais, estados onde a população está subrepresentada.
A figura acima representa graficamente como ficaria o Brasil dividido em estados com população parecida. Entre todos os estados brasileiros, apenas os três estados do Sul (RS, SC, PR), Pernambuco e Ceará tem tamanhos que justificariam ser mantidos como são em um Brasil dividido de forma justa.
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| A Bahia seria subdivida em dois estados |
- Alagoas com Sergipe (AL+SE)
- Paraíba com Rio Grande do Norte (PB + RN)
- Maranhão com Piauí (MA+PI)
- Pará com Amapá (PA + AP)
- Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia (AC + AM + RR + RO)
- Mato Grosso com Mato Grosso do Sul (MT + MS)
- Tocantins, Goiás e Distrito Federal (TO+GO+DF)
Quatro estados do Brasil precisariam ser subdivididos para terem uma representação justa no congresso.
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| Minas e suas meso-regiões |
Minas gerais precisaria ser dividida em três novos estados, sendo que um deles incorporaria o Espírito Santo, muito pequeno para sozinho ser um estado em um Brasil igualitário. O mapa ao lado representa as meso-regiões do estado, que serviram de base para a divisão. Os quatro novos estados seriam:
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| Rio de Janeiro e sua região metropolitana |
- Minas - central: composto pelas meso-regiões 2 e 4, que inclui a capital atual;
- Minas - norte: incorpora as meso-regiões 3, 5, 6, 10, 11 e o Espírito Santo.
O Rio de Janeiro seria dividido, nesta proposta, em dois estados: um seria composto pela grande Rio de Janeiro (ao sul da Guanabara) e outro seria todo o restante do estado do Rio de Janeiro atual. O mapa ao lado representa esta proposta.
Por fim, para ser justo, o estado de São Paulo precisaria ser desmembrado em cinco novos estados. Para esta proposta, também foram usadas as meso-regiões do IBGE. Os cinco novos estados seriam:
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| São Paulo e suas meso-regiões |
- SP - Central: 4,6, 7, 10 e 11
- Cidade de São Paulo (parte da meso-região 15)
- Grande São Paulo: meso-região 12 + parte da meso-região 15 (excluindo a cidade de SP, ABC, Baixada Santista e Mogi das Cruzes)
- Litoral - SP: meso-regiões 13 e 14, e também ABC, Baixada Santista e Mogi das Cruzes (parte da meso-região 15).
As cidades de SP e RJ tem tamanho tão significativo que para esta proposta seriam estados por si só. Mas para evitar um custo dobrado com prefeituras e governos "estaduais", essas cidades poderiam ter uma estrutura parecida com o atual DF, uma "cidade" com representação federativa.
Veja também:
Um Brasil onde todos tem o mesmo peso político
O grande golpe político dos micro-estados!
Política é importante: a visão de um quarentão
Nota. meso-regiões é uma nomenclatura do IBGE. As imagens usadas neste post foram obtidas na wikipidia.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Um Brasil onde todos tem o mesmo peso político
O Brasil está longe de ser um país realmente democrático, quando falamos do parlamento. Se para o executivo, cada brasileiro tem o mesmo peso, para o parlamento os brasileiros realmente são totalmente diferentes. O peso de um paulista para a escolha de um senador é 82 vezes menor que um morador de Roraima, por exemplo. Isto porque qualquer estado tem o mesmo número de senadores, mas Roraima tem 82 vezes menos população. E o desequilíbrio, embora menor, ainda é muito grande na representação para a Câmara dos Deputados. Isso gera um congresso que não está comprometido com a maioria da população, mas sim interessado em defender interesses muitas vezes de pequenas minorias super-representadas.
E assim, governo após governo, São Paulo, Rio e Minas perdem sempre na disputa política com o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com muito mais peso político do que deveriam ter de acordo com a população que lá vive.
Fiz um estudo que vou apresentar neste blog em duas partes. Em um, mostrei como deveria ser dividido o Brasil se todos os estados tivessem o mesmo tamanho que São Paulo, que apresento abaixo. Em um post posterior, mostrarei como seria uma justa divisão do país em 27 estados com peso similar.
O pior é que essa desproporção só piora, ano após ano. A criação dos estados do MS, ainda na ditadura, de Rondônia, Roraima e Amapá no início da nova república e de Tocantins, há poucos anos atrás, só aumentou essa injustiça com estados grandes, dando muito peso para estados com pouca população. E há ainda a tentativa atual de dividir estados com pouca população, como houve há pouco com o Pará (vide este post). E os Sarney estão interassadíssimos em um projeto que tramita no congresso de criar o Maranhão do Sul: assim eles controlariam três estados (hoje já controlam Maranhão e Amapá) e teriam ainda mais peso no congresso nacional.
Se o Brasil tivesse apenas estados do tamanho de SP, seriam apenas cinco estados, divididos conforme apresentado no mapa:
- São Paulo, com 41 milhões de habitantes
- todo o sul e o centro-oeste (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal) seriam outro estado, com os mesmos 41 milhões de habitantes
- Minas, Rio e Espírito Santo comporiam um terceiro estado, com quase 40 milhões de brasileiros
- Seis estados do sul do nordeste fariam o quarto estado, com 35 milhões de pessoas (Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte)
- Ceará, Maranhão e Piaui e todos os estados do norte (Amapá, Roraima, Rondônia, Acre, Tocantins, Pará e Amazonas) formariam o quinto e último estado, com menos que 35 milhões de habitantes.
É lógico que não estou querendo propor que os estados do Brasil sejam reorganizados desta forma, mas acho importante este tipo de exercício para ver o quanto o Brasil está desigualmente dividido. Se for para dividir algum estado neste país, seria justo pensar essa divisão em especial para São Paulo e Minas Gerais, estados muito maiores e com representação no congresso nacional inexpressiva. Dividir estados com pouca população é inaceitável e só vai aumentar a desigualdade que os brasileiros tem hoje no peso de suas representações em Brasília. E também há estados absurdamente pequenos, que deveriam ser repensados, pois não justificam tamanho custo de gestão pública: Amapá, Roraima e Acre não chegam a 1 milhão de habitantes, são menores que a cidade de Campinas, mas tem representação igual ao estado de SP no senado, algo inaceitável!
PS. o post em que esta discussão é continuada é o Um país com estados equilibrados
Veja também:
Um país com 27 estados
O grande golpe político dos micro-estados!
Política é importante: a visão de um quarentão
E assim, governo após governo, São Paulo, Rio e Minas perdem sempre na disputa política com o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com muito mais peso político do que deveriam ter de acordo com a população que lá vive.
Fiz um estudo que vou apresentar neste blog em duas partes. Em um, mostrei como deveria ser dividido o Brasil se todos os estados tivessem o mesmo tamanho que São Paulo, que apresento abaixo. Em um post posterior, mostrarei como seria uma justa divisão do país em 27 estados com peso similar.
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| O Brasil de cinco estados igualmente divididos |
Se o Brasil tivesse apenas estados do tamanho de SP, seriam apenas cinco estados, divididos conforme apresentado no mapa:
- São Paulo, com 41 milhões de habitantes
- todo o sul e o centro-oeste (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal) seriam outro estado, com os mesmos 41 milhões de habitantes
- Minas, Rio e Espírito Santo comporiam um terceiro estado, com quase 40 milhões de brasileiros
- Seis estados do sul do nordeste fariam o quarto estado, com 35 milhões de pessoas (Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte)
- Ceará, Maranhão e Piaui e todos os estados do norte (Amapá, Roraima, Rondônia, Acre, Tocantins, Pará e Amazonas) formariam o quinto e último estado, com menos que 35 milhões de habitantes.
É lógico que não estou querendo propor que os estados do Brasil sejam reorganizados desta forma, mas acho importante este tipo de exercício para ver o quanto o Brasil está desigualmente dividido. Se for para dividir algum estado neste país, seria justo pensar essa divisão em especial para São Paulo e Minas Gerais, estados muito maiores e com representação no congresso nacional inexpressiva. Dividir estados com pouca população é inaceitável e só vai aumentar a desigualdade que os brasileiros tem hoje no peso de suas representações em Brasília. E também há estados absurdamente pequenos, que deveriam ser repensados, pois não justificam tamanho custo de gestão pública: Amapá, Roraima e Acre não chegam a 1 milhão de habitantes, são menores que a cidade de Campinas, mas tem representação igual ao estado de SP no senado, algo inaceitável!
PS. o post em que esta discussão é continuada é o Um país com estados equilibrados
Veja também:
Um país com 27 estados
O grande golpe político dos micro-estados!
Política é importante: a visão de um quarentão
Sapato velho
Não ligo a mínima para marcas, grifes. Acho mesmo insano alguém pagar centenas de reais por um tênis só para ter uma marca de "certo" do lado: eu preferia ganhar os certos na prova de matemática. E não me venham dizer que é por causa da qualidade do tênis: ainda outro dia o Fantástico fez um teste e os tênis piratas chineses amorteciam tanto o impacto quanto os de grife... Quem compra marca compra status, essa é a única verdade, e paga caro para se sentir alguém "de nível". A qualidade é a desculpa para se sentir menos mal de pagar tão caro por algo que deveria custar muitas vezes menos.
Eu tenho unha encravada e isso me incomoda muito. Sempre digo que um dos momentos mais prazerosos da vida é quando chego em casa e tiro o sapato e posso sentir o chão fresco no meu pé. Nada mais relaxante. E quanto mais duro e fechado é o calçado, mais minhas unhas me incomodam: três dias inteiros com sapato social fechado significam alguns dias com o dedão inchado e muito dolorido.
Ao longo dessas quatro décadas de vida, descobri que quanto mais o sapato é flexível e respirável, muito melhor para o conforto dos meus pés . O único tênis que não me incomoda muito é o tênis padrão "iate" da Rainha. É um tênis simples, sem cadarço, com uma lona que deixa o pé respirar e um solado de latex extremamente flexível. Mas a Alpargatas parou de fabricar o Rainha Iate há alguns anos. E como eu amo meus pés e meu conforto, continuei usando o iate que tinha por uma década. Ouvi muitas críticas por andar de sapato velho, desbotado e furado, mas,sabe, não dou a mínima: o que interessa é meu conforto. Se alguém me avalia pelo meu sapato, então realmente não sabe nada de mim... Além do mais, aprendi com o Roupa Nova que Sapato velho não é algo ruim!
Mas até que este fim de ano trouxe uma bela velha novidade: o Rainha Iate voltou! O tênis resistente (10 anos com um usando pelo menos 3 vezes por semana), barato e super-confortável estava lá a venda na sapataria. Entrei em êxtase e consegui apenas um par do meu número, que trouxe para casa muito feliz. Agora, enfim, deixo de usar o tênis furado, mas continuo usando um tênis barato que me acompanha desde que eu tinha 14 anos de idade. Um tênis que é a minha cara: simples, popular, confortável e clássico. Sem muitas cores, sem muito marketing, mas que faz direitinho o que ele deve fazer.
Até que enfim a Alpargatas fez uma boa escolha. Depois de tirar o iate de linha e de importar uns tênis horríveis da China colocando a marca Rainha (um deles que comprei descolou inteiro em três usos e a Alpargatas nunca respondeu minha queixa), eles voltaram a fazer o que sempre fizeram bem. Enquanto isso, a marca da moda, croc, lançou um quase igual (mas com solado de plástico, menos flexível) e está cobrando o dobro do preço. Certamente, muitos vão comprar essa novidade "de grife": eu fico com o meu velho e bom Rainha.
Veja também:
Eu sou + eu
watashi wa nihonjin desu
E também:
Há algo de errado MESMO com a juventude
O que as escolas não ensinam
aonde querem chegar?
amor e sexo
Adeus a Amy,
inspiração boa e ruim,
cérebro de pipoca
valor da vida
Eu tenho unha encravada e isso me incomoda muito. Sempre digo que um dos momentos mais prazerosos da vida é quando chego em casa e tiro o sapato e posso sentir o chão fresco no meu pé. Nada mais relaxante. E quanto mais duro e fechado é o calçado, mais minhas unhas me incomodam: três dias inteiros com sapato social fechado significam alguns dias com o dedão inchado e muito dolorido.
Ao longo dessas quatro décadas de vida, descobri que quanto mais o sapato é flexível e respirável, muito melhor para o conforto dos meus pés . O único tênis que não me incomoda muito é o tênis padrão "iate" da Rainha. É um tênis simples, sem cadarço, com uma lona que deixa o pé respirar e um solado de latex extremamente flexível. Mas a Alpargatas parou de fabricar o Rainha Iate há alguns anos. E como eu amo meus pés e meu conforto, continuei usando o iate que tinha por uma década. Ouvi muitas críticas por andar de sapato velho, desbotado e furado, mas,sabe, não dou a mínima: o que interessa é meu conforto. Se alguém me avalia pelo meu sapato, então realmente não sabe nada de mim... Além do mais, aprendi com o Roupa Nova que Sapato velho não é algo ruim!
| Um rainha iate - igualzinho ao que comprei |
Até que enfim a Alpargatas fez uma boa escolha. Depois de tirar o iate de linha e de importar uns tênis horríveis da China colocando a marca Rainha (um deles que comprei descolou inteiro em três usos e a Alpargatas nunca respondeu minha queixa), eles voltaram a fazer o que sempre fizeram bem. Enquanto isso, a marca da moda, croc, lançou um quase igual (mas com solado de plástico, menos flexível) e está cobrando o dobro do preço. Certamente, muitos vão comprar essa novidade "de grife": eu fico com o meu velho e bom Rainha.
Veja também:
Eu sou + eu
watashi wa nihonjin desu
E também:
Há algo de errado MESMO com a juventude
O que as escolas não ensinam
aonde querem chegar?
amor e sexo
Adeus a Amy,
inspiração boa e ruim,
cérebro de pipoca
valor da vida
domingo, 15 de janeiro de 2012
O poeta do futebol - Armando Nogueira
Tem gente que morre mas nunca deixará de fazer um pouco parte de nós. Exemplos de inteligência, de carreira, de carácter! E um desses exemplos nos deixou há quase dois anos: Armando Nogueira.
A história do Armando Nogueira é a história de um jornalista vitorioso, que chegou a ser o poderoso diretor de jornalismo da Globo. Mas, apesar de ter chegado tão longe, nunca deixou o idealismo e o caráter de lado, e preferiu deixar a Globo a ver sua integridade abalada (para mais detalhes, veja este texto).
Eu, como amante da boa cultura, da arte da poética e do futebol, adorava ouvir o Armando Nogueira fazendo seus comentários, sempre inteligentíssimos, poéticos, criativos, inspiradores. Armando era um craque das palavras, sabendo como ninguém narrar as belezas do esporte bretão, em um português belíssimamemente escrito, em frases que se apresentavam de forma fluida, natural. Armando era mais um daqueles jovens senhores que eu sempre admirei, exemplos de vidas bem vividas e de inteligência e cultura. Mais um da linhagem do saudosíssimo Mário Lago.
Alguns jornalistas hoje lembram um pouco Armando Nogueira, talvez o Juca Kfouri seja o mais no estilo. Mas o Juca, alguém que adoro ouvir, ainda não está no nível do mestre, mestre Armando que deixou o esporte brasileiro mais inculto e triste após sua partida.
Leia também:
- Divulgue e apoie o projeto Mário Lago 100 anos
- O melhor presidente
- Um grande líder
- Um exemplo de pessoa
| "Mestre" Armando Nogueira |
Eu, como amante da boa cultura, da arte da poética e do futebol, adorava ouvir o Armando Nogueira fazendo seus comentários, sempre inteligentíssimos, poéticos, criativos, inspiradores. Armando era um craque das palavras, sabendo como ninguém narrar as belezas do esporte bretão, em um português belíssimamemente escrito, em frases que se apresentavam de forma fluida, natural. Armando era mais um daqueles jovens senhores que eu sempre admirei, exemplos de vidas bem vividas e de inteligência e cultura. Mais um da linhagem do saudosíssimo Mário Lago.
Alguns jornalistas hoje lembram um pouco Armando Nogueira, talvez o Juca Kfouri seja o mais no estilo. Mas o Juca, alguém que adoro ouvir, ainda não está no nível do mestre, mestre Armando que deixou o esporte brasileiro mais inculto e triste após sua partida.
Leia também:
- Divulgue e apoie o projeto Mário Lago 100 anos
- O melhor presidente
- Um grande líder
- Um exemplo de pessoa
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Hoje volta a idiotice máxima na TV
Uma vez, valia pela curiosidade. Duas vezes, ok. Três vezes, já estava acima de qualquer nível de paciência. Agora, me diga você, meu leitor, como a Globo, a maior TV do Brasil, consegue ter a coragem de nos castigar, doze anos consecutivos, com o Big Brother?
Esse, sem dúvida, é o programa mais idiota da Globo, TV que já fez tanta coisa boa. E é uma injustiça enorme com George Orwell, que escreveu o clássico 1984, um dos melhores livros que já li em toda a minha vida. Foi nesse livro que o Big Brother foi criado, um computador que controla a vida de todos através da televisão. Mas se o livro é muito inteligente e faz pensar como poucos, o programa é exatamente o contrário.
Eu já falei sobre esse programinha horroroso em outro post (vide aqui). Mas merecia um texto mais completo para comemorar essa data macabra de volta do que deveria ter ido para sempre embora!
Vamos e venhamos, a Globo só coloca esse programa no ar porque é o que ela pode fazer de mais barato: colocar 12 pessoas em uma casa, pessoas que estão lá sem ganhar nada, e colocar uma dúzia de câmeras espalhadas pela casa, é praticamente custo zero, comparando com possíveis programas alternativos. Um milhão de reais por um programa diário em horário nobre é dinheiro de pinga para a Globo. E o mais ridículo, o Bial, querendo se dizer intelectual e falando textos pretensamente bonitos sobre aquele lixo...
O que mais me surpreende e saber que tantos expectadores perdem minutos e até horas da vida, tempo precioso, para ver 12 pessoas nada brilhantes mostrando peitos, bundas e músculos: não era melhor baixar um filme erótico não? Ah, não é pelos peitos? É pelo "enredo" então? É inacreditável como tudo é falso, claramente combinado, um fazendo o papel de bonzinho, outro de bravo, outro de intrigueiro... E os casais que se formam do dia para noite, como se a Globo contratasse o cupido para trabalhar full time na casa? Ou seja, é uma novela com um enredo pobre, pior que Malhação, com atores horríveis e praticamente sem direção ou produção. Por que não alugar ou baixar um filme com um mínimo de inteligência e ver nessa hora? Ou, melhor, usar esse tempo para ler um livro (que tal 1984)? Ou, ainda melhor, conversar com a esposa ou brincar com os filhos? Mas milhões ficam olhando para aquilo, achando razoável ficar discutindo a vida e a opinião dos outros, em uma fofoca nacional institucionalizada. Decepcionante!
E a imprensa cobre o programa como se fosse a eleição de um presidente do Brasil: cadernos especiais, manchetes, notícias em programas teoricamente jornalísticos... Já estou enjoado, antes mesmo do programa começar.
Pior é saber que o programa vende um valor distorcido para a população, um valor que está se cristalizando. Muitos acabam achando que se tornar celebridade é o motivo da vida e o início de um sonho. Mesmo vendo que após 12 anos e uns 150 participantes, os únicos que se tornaram algo foram a Grazi (que já fazia pontas na Globo antes) e a japa "burra" (que já tinha sido até dançarina do Faustão): ou seja, aquilo lá não mudou a vida de ninguém, como é óbvio, né?
Pais, discutam com seus filhos sobre isso, mostrem que o único caminho certo para mudar de vida é o estudo e o trabalho e que se tornar celebridade não deveria ser o sonho de ninguém. Não é legal que os outros fiquem falando sobre nós por sermos o que somos no privado, devíamos buscar sempre o destaque pelo que fazemos e deixamos para o mundo... E, leitores, por favor, vamos começar um boicote a esse programinha ridículo, pois só com baixo ibope é que a Globo irá tomar vergonha na cara e tirar essa coisa do ar!
Veja também:
A era da fofoca...
Roque Santeiro (algo bom que a Globo já fez)
A "boa" da terça (algo bom que a Globo fez este ano)
Bons filmes para ver ou rever na hora do BBB:
Senna
O discurso do rei
A rede social
Rio
Up
Trapalhões na luta contra a ditadura
Esse, sem dúvida, é o programa mais idiota da Globo, TV que já fez tanta coisa boa. E é uma injustiça enorme com George Orwell, que escreveu o clássico 1984, um dos melhores livros que já li em toda a minha vida. Foi nesse livro que o Big Brother foi criado, um computador que controla a vida de todos através da televisão. Mas se o livro é muito inteligente e faz pensar como poucos, o programa é exatamente o contrário.
Eu já falei sobre esse programinha horroroso em outro post (vide aqui). Mas merecia um texto mais completo para comemorar essa data macabra de volta do que deveria ter ido para sempre embora!
Vamos e venhamos, a Globo só coloca esse programa no ar porque é o que ela pode fazer de mais barato: colocar 12 pessoas em uma casa, pessoas que estão lá sem ganhar nada, e colocar uma dúzia de câmeras espalhadas pela casa, é praticamente custo zero, comparando com possíveis programas alternativos. Um milhão de reais por um programa diário em horário nobre é dinheiro de pinga para a Globo. E o mais ridículo, o Bial, querendo se dizer intelectual e falando textos pretensamente bonitos sobre aquele lixo...
O que mais me surpreende e saber que tantos expectadores perdem minutos e até horas da vida, tempo precioso, para ver 12 pessoas nada brilhantes mostrando peitos, bundas e músculos: não era melhor baixar um filme erótico não? Ah, não é pelos peitos? É pelo "enredo" então? É inacreditável como tudo é falso, claramente combinado, um fazendo o papel de bonzinho, outro de bravo, outro de intrigueiro... E os casais que se formam do dia para noite, como se a Globo contratasse o cupido para trabalhar full time na casa? Ou seja, é uma novela com um enredo pobre, pior que Malhação, com atores horríveis e praticamente sem direção ou produção. Por que não alugar ou baixar um filme com um mínimo de inteligência e ver nessa hora? Ou, melhor, usar esse tempo para ler um livro (que tal 1984)? Ou, ainda melhor, conversar com a esposa ou brincar com os filhos? Mas milhões ficam olhando para aquilo, achando razoável ficar discutindo a vida e a opinião dos outros, em uma fofoca nacional institucionalizada. Decepcionante!
E a imprensa cobre o programa como se fosse a eleição de um presidente do Brasil: cadernos especiais, manchetes, notícias em programas teoricamente jornalísticos... Já estou enjoado, antes mesmo do programa começar.
Pior é saber que o programa vende um valor distorcido para a população, um valor que está se cristalizando. Muitos acabam achando que se tornar celebridade é o motivo da vida e o início de um sonho. Mesmo vendo que após 12 anos e uns 150 participantes, os únicos que se tornaram algo foram a Grazi (que já fazia pontas na Globo antes) e a japa "burra" (que já tinha sido até dançarina do Faustão): ou seja, aquilo lá não mudou a vida de ninguém, como é óbvio, né?
Pais, discutam com seus filhos sobre isso, mostrem que o único caminho certo para mudar de vida é o estudo e o trabalho e que se tornar celebridade não deveria ser o sonho de ninguém. Não é legal que os outros fiquem falando sobre nós por sermos o que somos no privado, devíamos buscar sempre o destaque pelo que fazemos e deixamos para o mundo... E, leitores, por favor, vamos começar um boicote a esse programinha ridículo, pois só com baixo ibope é que a Globo irá tomar vergonha na cara e tirar essa coisa do ar!
Veja também:
A era da fofoca...
Roque Santeiro (algo bom que a Globo já fez)
A "boa" da terça (algo bom que a Globo fez este ano)
Bons filmes para ver ou rever na hora do BBB:
Senna
O discurso do rei
A rede social
Rio
Up
Trapalhões na luta contra a ditadura
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
UFC - continuando a polêmica
É incrível como esse UFC desperta paixões. Foram muitos comentários no primeiro post (este aqui), alguns de pessoas sem um mínimo de respeito, mas outros, como o último, educado e inteligente, me questionando do porquê de eu não responder aos argumentos. Então lá vai minha opinião.
Reitero minha opinião, acho que esporte deve ser algo que desenvolva habilidades positivas, e isso não inclui dar murros na cara de ninguém. Isso para mim é baixo, coisa do mais profundo do nosso lado animal, coisa que deveríamos tentar nos distanciar como seres pensantes e racionais. Nunca assisti a uma luta do UFC, como nunca assisti à boxe ou qualquer outro esporte em que a meta seja derrubar, nocautear ou machucar de qualquer outra forma o oponente. Não me atrai. Além do mais, como homem, fico imaginando porque homens acham legal ver dois brutamontes se agarrando e se batendo: me parece algo bem gay, como disse alguém em outro comentário. Se ainda fossem mulheres de biquini na lama...
Pratiquei e admiro karatê, por exemplo, mas aí a distância é quilométrica. O objetivo não é bater em ninguém, é uma luta simulada, o objetivo é mostrar agilidade e técnica e, principalmente, mostrar que sabe se defender.
No post original citei inclusive cronistas esportivos especializados, que concordam comigo e que me motivaram a escrever aquele texto. Não é uma opinião apenas minha, de alguém que não entende de esporte, como muitos comentários indicaram...
E não duvido que as pessoas que lutam sejam homens de bem, como era Muhamad Ali, por exemplo, que vive hoje uma vida dolorosa graças às sequelas de um esporte tão brutal. Como é o Popó, também...
Respeito a opinião de cada um, mas acho estranho comparar-se futebol à UFC. A meta, o foco do futebol é a bola e o gol: se há violência é uma desvirtuação que merece ser punida rigidamente. E o futebol que mais gosto é justamente o estilo arte, as pedaladas do Robinho, os dribles do Neymar, muito longe dos zagueiros do mal que povoam os times por aí...
Bom, gente, é isso aí. Se quiserem, escrevam e compartilhem à vontade as opiniões. Este é um blog que quer fomentar polêmicas mesmo, pois o mais rico é discutir ideias. Mas grosserias de quem só sabe atacar, coisas desrespeitosas, não serão publicadas, deixo já avisado...
PS1. Para quem acha que a minha opinião é de alguém sem conhecimento, o Eder Jofre chamou hoje em entrevista na CBN (15/01/12) UFC de assassinato. Veja aqui outra matéria do Eder Jofre sobre o assunto.
PS2. Na propaganda do UFC o Galvão chamou os lutadores de "gladiadores do terceiro milênio". Se chamar alguém de gladiador é elogio, não remete a crueldade e violência, eu realmente não entendo mais nada...
Veja também:
- O mundo andando para trás: UFC
- Já vai tarde, Orlando
- Futebol não vale tudo isso
- A copa no Brasil
- As olimpíadas no Brasil
- Um santista feliz
Reitero minha opinião, acho que esporte deve ser algo que desenvolva habilidades positivas, e isso não inclui dar murros na cara de ninguém. Isso para mim é baixo, coisa do mais profundo do nosso lado animal, coisa que deveríamos tentar nos distanciar como seres pensantes e racionais. Nunca assisti a uma luta do UFC, como nunca assisti à boxe ou qualquer outro esporte em que a meta seja derrubar, nocautear ou machucar de qualquer outra forma o oponente. Não me atrai. Além do mais, como homem, fico imaginando porque homens acham legal ver dois brutamontes se agarrando e se batendo: me parece algo bem gay, como disse alguém em outro comentário. Se ainda fossem mulheres de biquini na lama...
Pratiquei e admiro karatê, por exemplo, mas aí a distância é quilométrica. O objetivo não é bater em ninguém, é uma luta simulada, o objetivo é mostrar agilidade e técnica e, principalmente, mostrar que sabe se defender.
No post original citei inclusive cronistas esportivos especializados, que concordam comigo e que me motivaram a escrever aquele texto. Não é uma opinião apenas minha, de alguém que não entende de esporte, como muitos comentários indicaram...
E não duvido que as pessoas que lutam sejam homens de bem, como era Muhamad Ali, por exemplo, que vive hoje uma vida dolorosa graças às sequelas de um esporte tão brutal. Como é o Popó, também...
Respeito a opinião de cada um, mas acho estranho comparar-se futebol à UFC. A meta, o foco do futebol é a bola e o gol: se há violência é uma desvirtuação que merece ser punida rigidamente. E o futebol que mais gosto é justamente o estilo arte, as pedaladas do Robinho, os dribles do Neymar, muito longe dos zagueiros do mal que povoam os times por aí...
Bom, gente, é isso aí. Se quiserem, escrevam e compartilhem à vontade as opiniões. Este é um blog que quer fomentar polêmicas mesmo, pois o mais rico é discutir ideias. Mas grosserias de quem só sabe atacar, coisas desrespeitosas, não serão publicadas, deixo já avisado...
PS1. Para quem acha que a minha opinião é de alguém sem conhecimento, o Eder Jofre chamou hoje em entrevista na CBN (15/01/12) UFC de assassinato. Veja aqui outra matéria do Eder Jofre sobre o assunto.
PS2. Na propaganda do UFC o Galvão chamou os lutadores de "gladiadores do terceiro milênio". Se chamar alguém de gladiador é elogio, não remete a crueldade e violência, eu realmente não entendo mais nada...
Veja também:
- O mundo andando para trás: UFC
- Já vai tarde, Orlando
- Futebol não vale tudo isso
- A copa no Brasil
- As olimpíadas no Brasil
- Um santista feliz
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Dinocamp: a festa do tiro
Uma das primeiras repúblicas formadas na moradia foi "Amordidona", a última do bloco A, em frente à indústria e ao lado da sala de estudos. Foi umas das primeiras porque já estava habitada nas férias, pois eu estagiava e mudei assim que possível. Era uma república de nerds: dois nerds de engenharia química e dois nerds de engenharia de computação. Não era uma república bagunçada, como uma república de quatro rapazes pode sugerir: estava sempre limpa e muito bem organizada. Também era bem montada, uma das primeiras a ter uma TV (que funcionava com bombril na antena). E era uma turma nerd mesmo, sempre estudando muito: só comíamos mais que estudávamos! Eu e meu colega mais comilão de EQ fazíamos um pacote de meio quilo de macarrão com molho de tomate natural e enriquecido com sardinha ou salsicha ou outra coisa barata e nós dois dávamos cabo de tudo em uma noite. E naquela época eu pesava 30kg a menos que hoje: inexplicável!
Amordidona tinha algumas tradições. Uma delas eram as "violadas", onde muitos se reuniam na sala para cantar músicas, em especial rocks dos anos 80 e MPBs, acompanhados pelo muito bem tocado violão do Assis... Eram festas super-in, só para os amigos. E maravilhosas. Até hoje penso em voltar a agendar de vez em quando, uma dessas...
Mas as coisas cresceram... Vieram os colegas de turma e era clássico que dois japas sempre bebiam demais e ficavam se equilibrando no murinho do segundo andar das salas de estudos, para meu desespero (tenho terror a altura e só imaginava eles caindo de lá). Em uma das festas mais "animadas" que organizamos, no meio da madrugada uma turma resolveu fazer uma corrida de cuecas no entorno da moradia e um dos comp88 voltou com uma calcinha, roubada de algum varal, na cabeça: inesquecível!
Mas a mais histórica, sem dúvida, ocorreu em um meio de ano: naquele momento resolvemos organizar uma festa grande, uma festa junina. Tinha fogueira na rua, a casa estava decorada com balões e fizemos um caldeirão de vinho quente. A festa rolava solta quando eu - tenho que assumir isso, fui eu - vi que um guardinha da portaria estava ali por perto e ofereci vinho quente. Bom, eu ofereci e fui embora, mas depois vim saber que o distinto, depois do primeiro, não parou mais até ficar trêbado, encostado na janela da cozinha da casa sem soltar o copo um único instante.
E foi trêbado que ele viu "invasores" entrando na moradia, tirou a arma e atirou bem no meio da fogueira, no momento cercada de pessoas da festa. E, instantaneamente, uma centena de pessoas correu em pânico, a maioria para dentro da república, uns 30 dentro do banheiro que tinha uns 4m2 no máximo! Eu era um deles...
Nesse momento, meu colega "batatinha" mostrou que era o real "macho" da turma e mesmo com seus 1,5m saiu da casa, se aproximou do guarda, conversou com ele e em uma ação rápida, o imobilizou e tirou a arma da mão. E a arma acabou lá no banheiro conosco: desmontamos a arma nos menores pedaços possíveis e a escondemos...
Sinceramente, não lembro dos detalhes finais: se a polícia foi chamada, quem levou o guardinha embora e como a arma foi devolvida. Mas lembro que depois dessa famosa festa a Unicamp proibiu que os guardinhas usassem armas por muito tempo!
Sem dúvida, essa foi a passagem mais "histórica" da minha juventude: imaginar que a lendária "festa do tiro" foi organizada por aqueles quatro nerds, um deles eu, é quase-inacreditável... Mas, acreditem, foi! E muitos que lerem este texto estavam lá e podem confirmar!
PS. um colega presente na festa complementou o que eu havia esquecido: "ninguém sabia direito o que fazer com a arma. Eu ajudei a descarregar o revólver e ele foi guardado num lugar, os cartuchos em outro. Logo depois apareceram mais dois seguranças, um dos quais parecia ser um supervisor do que atirou. Foi ele quem levou o atirador e a arma embora." (by Fernando)
Veja também outros textos da série Dinocamp:
Dinocamp: a moradia estudantil
UAP
Marketing
Vestibular
de volta ao 3.60
Amordidona tinha algumas tradições. Uma delas eram as "violadas", onde muitos se reuniam na sala para cantar músicas, em especial rocks dos anos 80 e MPBs, acompanhados pelo muito bem tocado violão do Assis... Eram festas super-in, só para os amigos. E maravilhosas. Até hoje penso em voltar a agendar de vez em quando, uma dessas...
Mas as coisas cresceram... Vieram os colegas de turma e era clássico que dois japas sempre bebiam demais e ficavam se equilibrando no murinho do segundo andar das salas de estudos, para meu desespero (tenho terror a altura e só imaginava eles caindo de lá). Em uma das festas mais "animadas" que organizamos, no meio da madrugada uma turma resolveu fazer uma corrida de cuecas no entorno da moradia e um dos comp88 voltou com uma calcinha, roubada de algum varal, na cabeça: inesquecível!
Mas a mais histórica, sem dúvida, ocorreu em um meio de ano: naquele momento resolvemos organizar uma festa grande, uma festa junina. Tinha fogueira na rua, a casa estava decorada com balões e fizemos um caldeirão de vinho quente. A festa rolava solta quando eu - tenho que assumir isso, fui eu - vi que um guardinha da portaria estava ali por perto e ofereci vinho quente. Bom, eu ofereci e fui embora, mas depois vim saber que o distinto, depois do primeiro, não parou mais até ficar trêbado, encostado na janela da cozinha da casa sem soltar o copo um único instante.
E foi trêbado que ele viu "invasores" entrando na moradia, tirou a arma e atirou bem no meio da fogueira, no momento cercada de pessoas da festa. E, instantaneamente, uma centena de pessoas correu em pânico, a maioria para dentro da república, uns 30 dentro do banheiro que tinha uns 4m2 no máximo! Eu era um deles...
Nesse momento, meu colega "batatinha" mostrou que era o real "macho" da turma e mesmo com seus 1,5m saiu da casa, se aproximou do guarda, conversou com ele e em uma ação rápida, o imobilizou e tirou a arma da mão. E a arma acabou lá no banheiro conosco: desmontamos a arma nos menores pedaços possíveis e a escondemos...
Sinceramente, não lembro dos detalhes finais: se a polícia foi chamada, quem levou o guardinha embora e como a arma foi devolvida. Mas lembro que depois dessa famosa festa a Unicamp proibiu que os guardinhas usassem armas por muito tempo!
Sem dúvida, essa foi a passagem mais "histórica" da minha juventude: imaginar que a lendária "festa do tiro" foi organizada por aqueles quatro nerds, um deles eu, é quase-inacreditável... Mas, acreditem, foi! E muitos que lerem este texto estavam lá e podem confirmar!
PS. um colega presente na festa complementou o que eu havia esquecido: "ninguém sabia direito o que fazer com a arma. Eu ajudei a descarregar o revólver e ele foi guardado num lugar, os cartuchos em outro. Logo depois apareceram mais dois seguranças, um dos quais parecia ser um supervisor do que atirou. Foi ele quem levou o atirador e a arma embora." (by Fernando)
Veja também outros textos da série Dinocamp:
Dinocamp: a moradia estudantil
UAP
Marketing
Vestibular
de volta ao 3.60
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Dinocamp: a moradia estudantil
A Unicamp não teve moradia estudantil até o ano de 90. Antes disso, só um bando de politiqueiros, daqueles bancados por partidos para o diretório central dos estudantes (vide aqui um post sobre isso), tinham invadido uma parte do ciclo básico, no que chamavam de Taba.
Em janeiro de 90, o Paulo Renato - tinha que ser ele - inaugurou a moradia. Inicialmente só o primeiro bloco. E eu estava lá na inauguração, eu que fui um dos primeiros moradores daquele lugar único, onde a experiência universitária atinge grau máximo.
A inauguração foi "interessante": reitor e políticos, todos orgulhosos, apresentando a "casa" para uma imprensa interessadíssima. Mas apresentando só a primeira casa do bloco A, que estava, acreditem, toda decorada com móveis, lustres e tudo mais, da Tok & Stok, "super-chiques". Estava linda, é fato. Mas era algo totalmente falso, algo só para a inauguração, algo que não existia em mais nenhuma casa. Irritado, eu mesmo mostrei o absurdo que era aquela casa "fantasia" para a imprensa, que se surpreendeu ao eu dizer, e ao ver ser verdade, que as outras casas estavam totalmente diferentes. Não sei se isso acabou publicado, mas eu fiz questão de denunciar...
Bom, mas as casas, mesmo sem móveis da Tok&Stok são muito boas: um quarto confortável para quatro, uma sala gigante, cozinha com geladeira e fogão conjugados e banheiro. Os móveis - camas e mesa da sala - são simples, mas de ótima qualidade, muito robustos. Não há o que reclamar. E eu adorei poder morar 3 anos lá, ainda mais porque não tinha como continuar bancando, com meu estágio de 20h, um ap no centro e o ônibus diário - na época não havia muitas opções em Barão Geraldo.
As casas eram numeradas aleatoriamente: acho que foram pessoas analfabetas que pregaram as placas, não é possível. Os números eram sem sentido, em ordem inexplicável. Coisas que só acontecem na Unicamp...
Quando a moradia começou, não tinha ônibus da Unicamp até lá - o que acho um luxo até exagerado. Nós fazíamos o trajeto de 3km entre a moradia e a Unicamp a pé, e era ótimo: para a saúde e para as amizades. Era um tempo que aproveitávamos para conversar e colocar todas as fofocas em dia. Eu e meu grande amigo de Limeira, por exemplo, usávamos para um eterno desafio de quem lembrava mais músicas bregas e íamos lá cantarolando "clássicos" do Waldick Soriano, Biafra, etc... Que tempo ótimo!
Junto com as turmas indo e voltando o "Chico", o cachorro estudante: ele saía conosco de manhã da moradia até a Unicamp, assistia as aulas de manhã no básico, "almoçava" no bandejão, dormia, como nós, nas aulas da tarde, "jantava" no bandejão e voltava à noite para a moradia, onde dormia. Sim, ele era um perfeito estudante! Diz a lenda que ele se "formou" e foi fazer intercâmbio no exterior :-)
Já no terceiro ano da moradia, juntando cada trocado do estágio e comendo só no bandejão, consegui comprar um fusca caindo aos pedaços. E fui ameaçado por alguns moradores de ser despejado porque era "rico": é, acho que fui o primeiro "motorizado" da moradia. Pouco depois, carros zero, "presentinhos" de pais, começaram a popular aquilo que deveria ser um reduto dos mais humildes alunos.
Ainda em 90, os ex-habitantes da Taba, tentaram "emplacar" um critério "político" para a seleção dos moradores. Isso mesmo, critério "político". Segundo eles, quem "lutou" pela moradia, deveria ter preferência. Ou seja, eles achavam que aqueles "estudantes profissionais", que já estavam há uns 10 anos na Unicamp apenas para fazer política partidária, tinham mais direito de ter uma moradia gratuita que um estudante humilde que não teria como se sustentar em Campinas de outra forma. Ainda bem que isso não foi aceito. E, posteriormente, o SAE - orgão de apoio aos estudantes da universidade - acabou assumindo a seleção, o que achei ótimo, pois tirou a possibilidade desses politiquinhos de quinta categoria usarem a moradia para se promover.
A moradia foi inaugurada pouco a pouco: primeiro o bloco A, onde eu estava, e aí os outros. Antes de eu me formar, alguns anos depois, já estava com as mil vagas disponíveis, sem dúvida um contingente de vagas mais que suficiente para atender a todos que realmente precisam. É mais um belo serviço que a universidade faz pela distribuição de renda, aumentando as oportunidades de pessoas humildes conseguirem mudar de vida. E eu convivia, naquele bloco A, com muitas pessoas bem humildes e fantásticas, pessoas das quais tenho muitas saudades.
Da moradia e daquele bloco A inicial ainda há muitas outras histórias interessantíssimas, como a "festa do tiro", o "trote no bixo", a "festa do contrário", o "causo do auto-elétrico", etc. Mas o post iria ficar grande demais, então deixo para um próximo.
O que posso dizer, com certeza, é que foram 3 anos inesquecíveis da minha vida. E, diferentemente da visão dos habitantes de Barão, aquilo lá está bem longe de ser uma depravação geral à la Porky´s. Nunca consegui focar tanto nos estudos como lá, convivendo em um "bairro" só de estudantes. Se haviam casas mais "agitadas", haviam muitas casas como "Amordidona", a minha, habitada por estudantes de engenharia sérios e interessados. Além disso, a experiência única de viver ao lado de tanta gente tão fantástica estará para sempre em minha memória.
Veja também:
- Dinocamp: UAP, Marketing e Vestibular
- Momento retrô: de volta ao 3.60
- O reitor Paulo Renato
- A nova política estudantil
- o vergonhoso movimento estudantil: 1, 2 e 3
Em janeiro de 90, o Paulo Renato - tinha que ser ele - inaugurou a moradia. Inicialmente só o primeiro bloco. E eu estava lá na inauguração, eu que fui um dos primeiros moradores daquele lugar único, onde a experiência universitária atinge grau máximo.
A inauguração foi "interessante": reitor e políticos, todos orgulhosos, apresentando a "casa" para uma imprensa interessadíssima. Mas apresentando só a primeira casa do bloco A, que estava, acreditem, toda decorada com móveis, lustres e tudo mais, da Tok & Stok, "super-chiques". Estava linda, é fato. Mas era algo totalmente falso, algo só para a inauguração, algo que não existia em mais nenhuma casa. Irritado, eu mesmo mostrei o absurdo que era aquela casa "fantasia" para a imprensa, que se surpreendeu ao eu dizer, e ao ver ser verdade, que as outras casas estavam totalmente diferentes. Não sei se isso acabou publicado, mas eu fiz questão de denunciar...
Bom, mas as casas, mesmo sem móveis da Tok&Stok são muito boas: um quarto confortável para quatro, uma sala gigante, cozinha com geladeira e fogão conjugados e banheiro. Os móveis - camas e mesa da sala - são simples, mas de ótima qualidade, muito robustos. Não há o que reclamar. E eu adorei poder morar 3 anos lá, ainda mais porque não tinha como continuar bancando, com meu estágio de 20h, um ap no centro e o ônibus diário - na época não havia muitas opções em Barão Geraldo.
As casas eram numeradas aleatoriamente: acho que foram pessoas analfabetas que pregaram as placas, não é possível. Os números eram sem sentido, em ordem inexplicável. Coisas que só acontecem na Unicamp...
| A moradia em obras: saudades desse tempo! |
Junto com as turmas indo e voltando o "Chico", o cachorro estudante: ele saía conosco de manhã da moradia até a Unicamp, assistia as aulas de manhã no básico, "almoçava" no bandejão, dormia, como nós, nas aulas da tarde, "jantava" no bandejão e voltava à noite para a moradia, onde dormia. Sim, ele era um perfeito estudante! Diz a lenda que ele se "formou" e foi fazer intercâmbio no exterior :-)
Já no terceiro ano da moradia, juntando cada trocado do estágio e comendo só no bandejão, consegui comprar um fusca caindo aos pedaços. E fui ameaçado por alguns moradores de ser despejado porque era "rico": é, acho que fui o primeiro "motorizado" da moradia. Pouco depois, carros zero, "presentinhos" de pais, começaram a popular aquilo que deveria ser um reduto dos mais humildes alunos.
Ainda em 90, os ex-habitantes da Taba, tentaram "emplacar" um critério "político" para a seleção dos moradores. Isso mesmo, critério "político". Segundo eles, quem "lutou" pela moradia, deveria ter preferência. Ou seja, eles achavam que aqueles "estudantes profissionais", que já estavam há uns 10 anos na Unicamp apenas para fazer política partidária, tinham mais direito de ter uma moradia gratuita que um estudante humilde que não teria como se sustentar em Campinas de outra forma. Ainda bem que isso não foi aceito. E, posteriormente, o SAE - orgão de apoio aos estudantes da universidade - acabou assumindo a seleção, o que achei ótimo, pois tirou a possibilidade desses politiquinhos de quinta categoria usarem a moradia para se promover.
A moradia foi inaugurada pouco a pouco: primeiro o bloco A, onde eu estava, e aí os outros. Antes de eu me formar, alguns anos depois, já estava com as mil vagas disponíveis, sem dúvida um contingente de vagas mais que suficiente para atender a todos que realmente precisam. É mais um belo serviço que a universidade faz pela distribuição de renda, aumentando as oportunidades de pessoas humildes conseguirem mudar de vida. E eu convivia, naquele bloco A, com muitas pessoas bem humildes e fantásticas, pessoas das quais tenho muitas saudades.
Da moradia e daquele bloco A inicial ainda há muitas outras histórias interessantíssimas, como a "festa do tiro", o "trote no bixo", a "festa do contrário", o "causo do auto-elétrico", etc. Mas o post iria ficar grande demais, então deixo para um próximo.
O que posso dizer, com certeza, é que foram 3 anos inesquecíveis da minha vida. E, diferentemente da visão dos habitantes de Barão, aquilo lá está bem longe de ser uma depravação geral à la Porky´s. Nunca consegui focar tanto nos estudos como lá, convivendo em um "bairro" só de estudantes. Se haviam casas mais "agitadas", haviam muitas casas como "Amordidona", a minha, habitada por estudantes de engenharia sérios e interessados. Além disso, a experiência única de viver ao lado de tanta gente tão fantástica estará para sempre em minha memória.
Veja também:
- Dinocamp: UAP, Marketing e Vestibular
- Momento retrô: de volta ao 3.60
- O reitor Paulo Renato
- A nova política estudantil
- o vergonhoso movimento estudantil: 1, 2 e 3
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Um feliz 2011! Que 2012 seja ainda melhor
Este blog nasceu em 2010, mas foi em 2011 que eu comecei a investir um pouco mais de tempo nele...
E estou muito feliz com o retorno que ele - ou seja, vocês, meus leitores - estão me dando.
O mês de dezembro foi o segundo mês com maior visitação do blog, só perdendo para o mês de novembro com a polêmica entre alunos sobre a eleição ao centro acadêmico. Como foi um mês atípico, onde todos ficam menos conectados, e como foi um mês com muito menos posts que os anteriores (19 contra 35 em novembro e 38 em outubro), o resultado foi muito animador.
Entre os 5 posts mais lidos do mês, 3 foram da série Dinocamp, série que irei continuar nos próximos meses, pois é muito bom lembrar de um passado feliz. Só essa série concentrou mais de 10% de toda a visitação no mês, sendo que o mais visto, que fala da UAP, teve mais que 100 visitas e já está entre os dez mais vistos da história do blog:
DinoCamp: a UAP (1)
DinoCamp: o vestibular (3)
DinoCamp: o marketing (5)
O segundo post mais visitado no mês é um post que tem a minha cara: um post que fala sobre comportamento, sobre homens e mulheres e sobre sinceridade. É um post que eu adorei escrever e que, felizmente, vocês gostaram também de ler: Homens sinceros e mulheres inteligentes
E o quarto post mais visto foi um desabafo de um santista, depois da tragédia no Japão: percebe-se que muitos santistas visitam aqui meu blog: Valeu, Santos!
Só me resta agradecer à todos vocês por gastarem um pouquinho do seu tempo lendo minhas linhas... Em 2011 foram mais de 15.000 visitas à estes textos e conto com vocês para chegar ainda mais longe este ano. Sem medo de discutir, sem medo de pensar e sem medo de polêmicas!
E estou muito feliz com o retorno que ele - ou seja, vocês, meus leitores - estão me dando.
O mês de dezembro foi o segundo mês com maior visitação do blog, só perdendo para o mês de novembro com a polêmica entre alunos sobre a eleição ao centro acadêmico. Como foi um mês atípico, onde todos ficam menos conectados, e como foi um mês com muito menos posts que os anteriores (19 contra 35 em novembro e 38 em outubro), o resultado foi muito animador.
Entre os 5 posts mais lidos do mês, 3 foram da série Dinocamp, série que irei continuar nos próximos meses, pois é muito bom lembrar de um passado feliz. Só essa série concentrou mais de 10% de toda a visitação no mês, sendo que o mais visto, que fala da UAP, teve mais que 100 visitas e já está entre os dez mais vistos da história do blog:
DinoCamp: a UAP (1)
DinoCamp: o vestibular (3)
DinoCamp: o marketing (5)
O segundo post mais visitado no mês é um post que tem a minha cara: um post que fala sobre comportamento, sobre homens e mulheres e sobre sinceridade. É um post que eu adorei escrever e que, felizmente, vocês gostaram também de ler: Homens sinceros e mulheres inteligentes
E o quarto post mais visto foi um desabafo de um santista, depois da tragédia no Japão: percebe-se que muitos santistas visitam aqui meu blog: Valeu, Santos!
Só me resta agradecer à todos vocês por gastarem um pouquinho do seu tempo lendo minhas linhas... Em 2011 foram mais de 15.000 visitas à estes textos e conto com vocês para chegar ainda mais longe este ano. Sem medo de discutir, sem medo de pensar e sem medo de polêmicas!
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