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sábado, 23 de dezembro de 2017

De quem é a Mercedes?

O cara rala, trabalha sem parar por décadas, e enfim consegue o que sempre sonhou: uma Mercedes conversível. Mas na correria do dia a dia, a bela Mercedes fica 90% dos dias parada na garagem da empresa, cuidadosamente coberta com um tecido personalizado para que se conserve.
Para que mesmo ele queria comprar a Mercedes? Para que gastar centenas de milhares de reais para deixar parado em uma garagem a maior parte do tempo?
Bom, o cara pode não se aproveitar da Mercedes que ele sempre sonhou. Mas alguém se aproveita diariamente, quase o dia todo. Alguém dorme quase todo dia em cima da capota. Em dias frios, prefere dormir por baixo, bem protegido. Tem horas que até posa para foto.
É bom sempre entendermos isso: para que queremos uma coisa? É para nós, ou para outro?




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ode ao amor

Hoje é dia 12 de junho: dia dos namorados. Que belo dia!
Ainda outro dia ouvi, estupefato, uma jovem dizer que não se permite apaixonar: que quando começa a ficar muitas vezes com um mesmo menino, dá um tempo, "pega" outros, para que a coisa continue sempre morna. Quanta covardia! Falar isso é o mesmo que dizer que como a vida não é fácil, o melhor mesmo é nem nascer. Mas já falei sobre isso neste post.
Tudo na vida tem dois lados, e faz parte do bom senso humano entender que certamente teremos momentos difíceis, mas que os momentos felizes farão tudo valer a pena.
Deixa eu esclarecer um ponto aqui: estou falando de amor. E amor, lógico, tem a ver com sexo. Mas amor não é sexo, é muito mais e muito melhor que isso. Ficar com alguém em uma festa e na noite seguinte é desejo, não é amor! É pena perceber que os jovens estão a cada dia mais perdendo a noção da - grande - diferença entre os dois (vide este post).
Fui pensar em uma música que significa amor para mim e não tinha como ser outra: a música mais linda que eu aprendi com meu avô, uma música doce, simples, singela. E fui buscar a versão mais marcante que eu tive dela, quando crianças, como eu era na época, a cantavam em uma propoganda: a lembrança de Carinhoso e da Chambourcy está abaixo.




Fui perdidamente apaixonado pela minha primeira namorada, quando tinha 17 anos. Na época não tinha e-mail: e eu mandava duas cartas (aquela com selos, sabe?) por semana, cheias de poesias para ela. Mas, embora romântico, eu era uma besta quadrada e ela não aguentou aquele menino imaturo: doeu muito perceber que a cada dia ela se afastava mais de mim, até o dia em que ela desistiu. Mas o que eu me lembro até hoje é de como eu era inocentemente romântico e como fui feliz escrevendo aquelas cartas.
Minha segunda namorada também foi algo marcante. Era uma grande paixão, era uma menina linda e muito sensível e me ajudou muito em um momento de grande drama pessoal. Quando desmanchei, chorei por exatas 24hs, sem nem mesmo dormir. Mas o que me lembro hoje são os momentos de paixão que curtirmos juntos. E valeu demais! Se eu estivesse novamente lá, há 19 anos atrás, começaria tudo de novo!
Isso também vale com minha terceira namorada: em homenagem a ela enchi sua rua de placas de declaração de amor. Foi lindo, foi idiota, foi inesquecível.
E com minha quarta namorada, bom, aí eu precisaria de uns 50 posts para falar tudo: começarmos em 92 e cá estamos em 2012 juntos, agora com nossas "pequenas obras" nos acompanhando diariamente. Passamos grandes momentos, fizemos loucuras, nos afastamos meses por questões profissionais, mas nos falando diariamente (viva o skype!), tivemos vários entreveros e momentos inesquecíveis: e, lógico, valeu e vale muito a pena. Juntos descobrimos qual o lugar tem o melhor spagueti a carbonara, onde tem o mais saboroso chocolato, onde fica a uva mais doce e o queijo mais cremoso, como conservar queijos sem ter geladeiras, como eu odeio o frio e como ainda somos crianças. Juntos fizemos tours pela Rio-Santos e por tantos outros caminhos ao redor do Brasil e nos apaixonamos por Gramado. Construímos muito juntos e hoje posso afirmar, categoricamente, que não somos mais eu e ela: ela tem uns 25% do meu pragmatismo e eu uns 25% de seu jeito mais ponderado, pensativo.
Amar é entender isso: nenhum amor será simples, nenhum amor será fácil e muitos amores se acabarão. Mas amar sempre vale a pena. É para isso que viemos ao mundo, para amar e ser amados. E se levarmos um pé-no-traseiro, não seremos os únicos, e será delicioso lembrar que realmente achávamos que aquela menina nos amava incondicionalmente e perceber o quanto fomos idiotas. É delicioso perceber que somos e sempre seremos idiotas. E é mais delicioso ainda perceber que podemos ser muito felizes sendo bobos, inocentes e amando, contundentemente. Se acabar, ok, foi bom enquanto durou.
Feliz dia dos namorados para minha namorada de 20 anos e para todos os homens e mulheres que não tem medo de viver! Amem, amem muito, amem sempre! E se der errado, era o amor errado: continuem procurando! Só essa procura valerá sempre muito a pena!

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O amor não pode ser complicado
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Amor e sexo 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Lições para não esquecer - os exemplos dos mais humildes

Quando prestava o vestibular para a UNICAMP me fiz uma promessa: se a vida me desse a chance de satisfazer esse sonho, eu daria às pessoas mais pobres da sociedade um panetone no fim do ano para terem um dia de natal um pouco mais feliz. E fiz isso por dois ou três  anos: sempre no fim do ano, ao voltar para minha querida Santos, eu comprava algumas dúzias de panetones genéricos (afinal, era estagiário) e saía distribuindo os panetones para a população de rua.
Em um primeiro momento achava que eu estaria fazendo o bem para eles. Mas descobri, ao final, que eles é que me faziam muito bem. E se há duas décadas não faço mais isso, quero muito voltar a ajudar quem mais precisa. Só não posso deixar o tempo passar demais...
Lembro como se fosse hoje que eu pegava meu fusquinha, enchia com os panetones e ia para regiões onde os moradores de rua mais se acumulavam, perto do mercadão e do porto. Muitos familiares achavam que aquilo era perigoso, mas jamais sofri qualquer tipo de violência interagindo com aqueles seres humanos em situação tão desfavorável.
Em uma das vezes, vi três homens, muito bêbados, carrinheiros, brigando e xingando um ao outro, com a garrafa em punho. Me aproximei, com três panetones, os chamei e expliquei a minha intenção. A resposta de um deles foi um choque muito grande: "moço, nós somos amigos, não precisa deixar três, nós dividimos um. Dê os outros para quem estiver precisando mais". Caramba, pensei eu, precisando mais que eles, que não tem casa e que carregam carrinhos pela rua como animais para sobreviver? Quanta gente com carro importado acha que merecia mais da vida! Já aqueles pobres bêbados ali me mostraram o que é realmente ser humano. E voltei eu com dois panetones ao meu fusquinha, percebendo que eu jamais seria tão digno quanto os três bêbados...
Em outra oportunidade, vi embaixo de uma grande marquise, dois grupos: três homens e uma família de pai, mãe e criança. Peguei seis panetones, uma para cada, e me dirigi primeiro aos homens. Falei com eles e novamente uma lição: moço, não precisamos mais que um, dê os outros para eles, eles têm um filho e precisam muito mais que nós.
Fala a verdade, não foram lições inesquecíveis? Aqueles panetones me deram o melhor curso que eu já fiz na vida...
E vendo hoje várias notícias de riquinhos idiotas maltratando pessoas de rua, fico imaginando a que ponto chegamos: uma sociedade que acha que dinheiro é mais importante que dignidade, onde ser rico justifica maltratar, atirar, bater ou queimar alguém da base da pirâmide é uma sociedade muito doente! Certamente, esses jovens mimados, são seres desprezíveis que jamais chegaram a um porcento da inteligência e da decência dos Seres Humanos com os quais interagi nas minhas andanças por Santos.

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Tem muita gente boa no mundo

Ontem tive que, mais uma vez, enfrentar as insanas filas das repartições públicas brasileiras. Fui com bastante antecedência, para conseguir pegar o que precisava e depois buscar meus filhos na escola. Mas a demora estava tanta que, após uma hora de fila, fui buscar um filho e voltei e ainda faltava tanto tempo que deu tempo de ir buscar o outro filho e voltar e ainda faltava uma hora pelo menos...
Uma senhora, já com seus 70 anos, me viu com o bebê no colo por tanto tempo e a outra criança ao lado e me ofereceu de trocar a senha com ela, que seria atendida uns 30min antes, mais ou menos. Eu disse que não precisava, que ela já estava ali há duas horas e era mais idosa que eu. Mas ela insistiu tanto, dizendo que uma criança não deveria ficar parada tanto tempo e que não é fácil ficar segurando um bebê no colo por uma hora (minha coluna realmente já me matava), que eu não tive como não aceitar. Fiquei ali pensando em como há boas pessoas boas no mundo, sem a pressa de todos, que pensam no próximo.
E ao conseguir a caixa de produtos que lá retirei, voltei atrapalhado, com um bebê em um braço, a caixa na outra mão e a pequena andando na frente carregando sua mochila. Já no caminho de volta, um motorista da universidade me abordou e me pediu para que lhe deixasse ajudar: ele levaria a caixa e eu ajudaria a minha filha a carregar a mochila. E lá foi ele uns 100m ao meu lado, com um sorriso no rosto, sem ganhar nada em troca, simplesmente ajudando ao próximo.
Sinceramente, eu acho que não teria oferecido a troca das senhas se estivesse no lugar da senhora, já duas horas parado esperando por lá: afinal, teria muitas coisas "urgentes" para fazer. E também tenho dúvidas que seria tão solícito quando o motorista. Isso me faz pensar em quanto melhor eu poderia ser. E também em quanto, muitas vezes, damos excessivo valor ao lado ruim das coisas, à violência, aos maus, e o quanto deixamos de valorizar o que há de mais bonito na vida, a bondade do ser humano.
Muito obrigado, senhora e motorista, pela lição de civilidade e de humanidade que me deram ontem. Isto ficará comigo para sempre.


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Discutindo alimentação saudável:
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sábado, 10 de março de 2012

Na rolança do tempo - um livro para se deleitar

Eu já falei aqui sobre o Mário Lago, uma das pessoas públicas que mais admirei. Um cara que soube como poucos aproveitar a vida, acreditar em seus sonhos e mostrar que cultura, alegria e inteligência podem chegar bem perto dos 100.
Um livro para se deleitar
Pois foi sem querer, em uma rodoviária, que me deparei com o livro "Na rolança do tempo", deste homem único. Acabei comprando e li praticamente inteiro ao longo da viagem.
Primeiro, é um livro de história. Pois mostra de forma clara como foi o nascimento do carnaval na cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, o carnaval da grande maioria do Brasil. E conta não como algo distante, mas como alguém que viveu e participou ativamente da formação do que hoje encaramos como parte do que é o Brasil.
Não nos esqueçamos que Mário é autor de marchinhas ilustres, como Amélia e Aurora, só para citar duas. E morava lá no coração do Rio, convivendo com pessoas como Villa Lobos e outros membros da sociedade boêmia carioca.
Mas Mário Lago foi mais que um grande autor de músicas inesquecíveis. Autor de teatro, depois ator de teatro, ator de rádio-novelas e mais depois ainda ator de TV. Enfim, acompanhou o nascimento de várias frentes artísticas no país. E também foi um comunista que conviveu com a ditadura do GV e depois a ditadura militar: é legal ver também como era o dia a dia político nessa época.
Além de todo o conteúdo histórico e político, o livro é uma lição do que é um bom viver. Mário Lago, mesmo nos seus últimos dias de vida, sempre tinha um sorriso nos lábios e uma sensação de que tudo valeu a pena. E ler o livro dele é interessante para ver como isso é possível. Tudo contado em uma prosa leve, clara, adorável de se ler, quase um papo de bar, tipo de papo que ele muito praticou.
Se você quer saber como era morar no Rio dos anos 30 a 60, entender todo o processo que culminou com as escolas de samba cariocas, e sentir como era a vida de um autêntico culto boêmio carioca, é um livro imperdível. É também um livro de auto-ajuda muito melhor que os que se denominam assim, pois ler Mário Lago é ver um exemplo real de uma vida feliz. Imperdível!

Veja também:
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Samba-enredo em homenagem ao Mário Lago
Projeto  Mário Lago 100 anos
Um exemplo de brasileiro: Maurício de Souza
O melhor presidente (Itamar Franco)
Um grande líder (Paulo Renato)
Um exemplo de pessoa (José Alencar)
Eu gosto do Faustão!
Um talento único e uma grande vítima! (Michael Jackson)
Trapalhões na luta contra a ditadura
Queen
Belo

sábado, 3 de março de 2012

O prazer das coisas simples

Ficamos sempre buscando coisas mais elaboradas, mais caras, mais raras, enfim, buscando algo que nos dê algo de muito especial. Como se precisássemos de algo mais especial do que estar vivo.
Hoje resolvi ser simples: fiz um prato de arroz com feijão e fritei um ovo. Nossa, que delícia estava, aquela gema se misturando no arroz... Fantástico. E muito mais saudável que os pratos elaborados com massas e cremes que engordam e tem muito menos nutrientes. Para fechar, uma laranja, que sempre faz a digestão funcionar bem...
Demais de bom, simples, caseiro e saudável. 

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

A vingança do Nerd - Piada

Eu já conversei sobre termos orgulho de ser nerds em um post no QueNerd (vide aqui). Esta piadinha só deixa mais explícito e de maneira gráfica o que eu quis dizer lá! Afinal, como diz o vídeo do post do QueNerd, "o nerd de hoje é o cara rico de amanhã".

Vai dizer que não é a mais pura verdade?



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Nerd Pride - piadas nerds - vida universitária - outras infames!

Como dorminhoco, eu sempre escolhia o sono suficiente


Isto me lembra os dias de entrega de projetos
(e as noites em claro anteriores)
























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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Não fuja da dor

Foi interagindo com os comentários do post Psicologismo Agudo que tive o insight para este post. Ficou muito claro para mim uma defesa a uma postura de negação da dor, como se sofrer fosse algo condenável e que deve ser evitado. Essa covardia de enfrentar os momentos difíceis, com jovens sedados por "profissionais" com as mais diversas drogas ou, ainda pior, se drogando sozinhos, com remédios, drogas ou mesmo álcool, está construindo uma geração sem força para enfrentar o mundo real.Isso me lembra, em muito, um dos livros mais assustadores que já li, "Admirável Mundo Novo", um livro excelente que descreve um mundo onde a qualquer dificuldade ou frustração, as pessoas recorrem à droga oficial: e assim o governo mantém todos falsamente felizes e tudo sob controle.
O mundo real, gente, não é um conto de fadas. Nem sempre os bons vencem. Nem sempre conseguimos o que achamos justo. O mundo é difícil, uma selva de verdade, e temos que saber enfrentar essa selva de frente. Jamais advogarei a favor de jogar sujo, acredito na civilização e nos valores humanos, mas temos que saber viver em plenitude, e viver não é nada fácil.
Escutem a música abaixo, acho que ela toca no ponto:



Concordo com os Titãs: fugir da dor, é fugir da própria cura! E isso vale tanto para dores físicas quanto dores do coração:
- tomar analgésicos pode camuflar algo grave que merece tratamento ou criar uma dependência crônica à eles. Temos que aprender a conviver ao máximo com dores de cabeça ou qualquer outra;
- ao longo da vida teremos muitas perdas, separações, desilusões: viver é aprender a lidar com elas e seguir em frente, "pero sin perder la ternura jamás" (Che).
Então, se a vida está difícil, entenda que ela é para todos. Se o momento está ruim, insista para si mesmo que tudo pode melhorar. Se sua namorada te deixou, ruim para ela, aproveite a liberdade! Entenda que apesar de todos os pesares a vida é uma dádiva, é curta e frágil, então aproveite o máximo enquanto possível for. Seja feliz, mas se a tristeza bater a porta, não finja que não a viu: deixe-a entrar, converse com ela, aprenda um pouco com ela, e mande-a embora depois, com sua força interior, que é capaz de muito mais do que você acredita. Remédios, só mesmo em última instância!

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O que as escolas não ensinam
- aonde querem chegar?
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sapato velho

Não ligo a mínima para marcas, grifes. Acho mesmo insano alguém pagar centenas de reais por um tênis só para ter uma marca de "certo" do lado: eu preferia ganhar os certos na prova de matemática. E não me venham dizer que é por causa da qualidade do tênis: ainda outro dia o Fantástico fez um teste e os tênis piratas chineses amorteciam tanto o impacto quanto os de grife... Quem compra marca compra status, essa é a única verdade, e paga caro para se sentir alguém "de nível". A qualidade é a desculpa para se sentir menos mal de pagar tão caro por algo que deveria custar muitas vezes menos.
Eu tenho unha encravada e isso me incomoda muito. Sempre digo que um dos momentos mais prazerosos da vida é quando chego em casa e tiro o sapato e posso sentir o chão fresco no meu pé. Nada mais relaxante. E quanto mais duro e fechado é o calçado, mais minhas unhas me incomodam: três dias inteiros com sapato social fechado significam alguns dias com o dedão inchado e muito dolorido.
Ao longo dessas quatro décadas de vida, descobri que quanto mais o sapato é flexível e respirável, muito melhor para o conforto dos meus pés . O único tênis que não me incomoda muito é o tênis padrão "iate" da Rainha. É um tênis simples, sem cadarço, com uma lona que deixa o pé respirar e um solado de latex extremamente flexível. Mas a Alpargatas parou de fabricar o Rainha Iate há alguns anos. E como eu amo meus pés e meu conforto, continuei usando o iate que tinha por uma década. Ouvi muitas críticas por andar de sapato velho, desbotado e furado, mas,sabe, não dou a mínima: o que interessa é meu conforto. Se alguém me avalia pelo meu sapato, então realmente não sabe nada de mim... Além do mais, aprendi com o Roupa Nova que Sapato velho não é algo ruim!

Um rainha iate - igualzinho ao que comprei
Mas até que este fim de ano trouxe uma bela velha novidade: o Rainha Iate voltou! O tênis resistente (10 anos com um usando pelo menos 3 vezes por semana), barato e super-confortável estava lá a venda na sapataria. Entrei em êxtase e consegui apenas um par do meu número, que trouxe para casa muito feliz. Agora, enfim, deixo de usar o tênis furado, mas continuo usando um tênis barato que me acompanha desde que eu tinha 14 anos de idade. Um tênis que é a minha cara: simples, popular, confortável e clássico. Sem muitas cores, sem muito marketing, mas que faz direitinho o que ele deve fazer.
Até que enfim a Alpargatas fez uma boa escolha. Depois de tirar o iate de linha e de importar uns tênis horríveis da China colocando a marca Rainha (um deles que comprei descolou inteiro em três usos e a Alpargatas nunca respondeu minha queixa), eles voltaram a fazer o que sempre fizeram bem. Enquanto isso, a marca da moda, croc, lançou um quase igual (mas com solado de plástico, menos flexível) e está cobrando o dobro do preço. Certamente, muitos vão comprar essa novidade "de grife": eu fico com o meu velho e bom Rainha.

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