sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Feliz dia das crianças

Abraço apertado com meu amado irmão-gêmeo
 Eu posso ter quarenta e poucos, e estar com algumas "luzes" no cabelo. Posso não ter mais a energia de algumas décadas atrás. E posso nem ter aquela gargalhada deliciosa que tinha com qualquer cócegas.
  Mas sou muito feliz por continuar amando ser criança lá no fundo. E mostrei isso aqui neste blog muitas vezes:
- quando comentei sobre desenhos e filmes para crianças
Detona Ralph
Up!
Rio
Trapalhões
- quando falo sobre meu ídolo Maurício de Sousa
Maurício de Sousa
circo da Mônica
Turma da Mônica no mundo de Romeu e Julieta
E quando falo sobre coisas típicas de criança como
zoológico
Em resumo, já deixei muito claro por aqui que  Eu sou criança! E adoro isso!

    E posto ao lado duas fotos de poucos meses atrás  com meus ídolos Pinguins (grandes executores de projetos extremamente desafiadores) e meu quase-irmão-gêmeo Shrek, que me deu um abração super-apertado! Foram momentos únicos poder estar com eles, assim, lado a lado.
Aprendendo com grandes gerentes de projeto
  Ainda outro dia eu me lembrei dos bons tempos da infância assistindo a Speedy Racer (consegui cópias de duas temporadas), que foi o primeiro desenho que eu amava (acho que ele foi o culpado pela minha paixão por japinhas, pois a namorada do Speedy era claramente uma) e à Fantástica Fábrica de Chocolate (a versão original, que era muito mais inocente e infantil que a última): eu vi a Fantástica umas 20 vezes na infância e sempre amei, como amei ver de novo com 42. E é bom demais nos lembrar dos belos momentos de nossa deliciosa infância!
   Enfim, o tempo pode passar, tudo pode mudar, mas o Marcos gordinho e loirinho, falador, de riso fácil, vai estar sempre aqui comigo. Nunca quero deixar de ser criança.
   E espero que todos que tem filhos hoje não se esqueçam de deixar as crianças serem crianças. Sem milhares de compromissos, sem inúmeras pressões, sem muitos presentes caros, mas com muito carinho, muita brincadeira, muita criatividade e muito amor.
   Feliz dia das crianças para todas as crianças de idade ou que ainda mantém uma criança dentro do seu coração!
Feliz dia das Crianças
Marcos - 1 aninho!

   

domingo, 6 de outubro de 2013

É muito bom ter uma grande família

Tive muitas grandes sortes na minha vida. Uma das maiores é ter uma família muito grande dos lados do meu pai e da minha mãe e poder conviver com praticamente todos ao longo da minha infância e adolescência. Todos moravam em um raio de 10km, entre Santos e São Vicente. E muito do que aprendi e do que sou, devo aquele delicioso convívio tão próximo com meus 4 avós, minhas duas dezenas de tios e várias dezenas de primos :-)
Vou falar um pouco hoje do meu lado Borges. Tenho muito orgulho de ser um Borges. Tenho muito orgulho de ser neto do intelectual José Borges e da sempre batalhadora Ana Maria. E de ter os tios que eu tenho:
- o "contador de histórias Viriato", de fala sempre macia, que veio nos anos 50 para o Brasil, sem nada, foi sapateiro, feirante, empresário e construtor. E sua esposa, a sempre doce tia Conceição. Com seus filhos, mais velhos, não interagi tanto na infância, mas se hoje tenho a carreira que tenho, foi graças ao exemplo do meu primo, que foi meu veterano na UNICAMP e o primeiro familiar que soube que estudou em universidade pública;
- a sempre risonha e carinhosa Tia Júlia, que começou a vida debaixo, chegou a ser doméstica ao chegar no Brasil, mas construiu uma bela (e GRANDE) família junto com meu saudoso tio Fernando, que vez ou outra eu encontrava fiscalizando o ônibus no qual eu dormia nas minhas noites retornando do curso técnico. Carlinhos é o primo que honra a tradição empreendedora dos Borges, grande motivo de orgulho;
- o piadista e visionário empresário Hilário, que se foi tão cedo graças ao odioso cigarro;
- a doce e carinhosa tia Cacilda, minha tia mais próxima na infância, que junto com meu tio Zé, trouxe ao mundo meus amados três primos com os quais brinquei muito enquanto criança. Tios que foram tão cedo embora, mas construíram uma família linda e unida;
- a forte e carinhosa Idália, que sempre tomou as rédeas da vida e é a única que continua seguindo a tradição comerciante da família que quase inteira se aposentou. E que trouxe ao mundo meu outro primo tão próximo e querido.
Só não interagi com um tio Borges, que voltou muito cedo a Portugal e se foi: um dia marcante para mim, quando vi meu pai atender a um telefone e chorar, coisa que nunca tinha visto meu MACHO pai fazer até então. Ali eu percebi que meu pai era gente como eu, e não o super-herói que eu sempre imaginei.Mas fiquei feliz ao poder conhecer minha prima lá em Portugal, a única com a qual não interagi na infância.
Pois é, eu sou uma colcha de retalhos de cada um que me influenciou na vida. No meu jeito de ser, de pensar e de sentir, tem aquela indolência do Vô Zé lendo por horas, a balinha que a vó sempre trazia, os carinhos de todos os tios e tias, a irreverência das "desgarradas", as guloseimas típicas portuguesas, o lado empreendedor e batalhador de toda a família e aquela proximidade da turma de primos, amigos e companheiros de brincadeiras e agitos.
Mas o tempo passa, eu mudei de cidade há décadas e hoje vivo entre correrias de trabalho e o cuidado com os filhos. É tão difícil conseguir ver os Borges com a frequência que deveria...
Mas a quarta geração, os bisnetos do José e da Ana estão se casando. E hoje consegui ir no casamento da minha "priminha", que estava linda de noiva. E foi maravilhoso poder rever tanta gente querida, conversar com as tias Julia, Idália e Conceição, curtir meu pai e o irmão Viriato trocando memórias da "terrinha", rever vários primos, esposas, maridos e filhos. Foi maravilhoso porque amo muito essa gente, porque sinto muito a falta dos bons tempos de todos juntos em Santos e porque é bom de vez em quando voltarmos às nossas origens e lembrarmos de onde viemos e, em resumo, o que somos. Nunca, por mais longe que esteja, deixarei o jeito de ser dos Borges fugir de mim. Valeu família querida que me fez e me faz ser o que sou!

Veja também:
Homenagem à família Borges
Viva Portugal e Lembranças alimentares da terrinha
Boas memórias de natal

Pai Herói
Um simples português

À minha mãe e 61 piscadas  e Mamãe, mamãe, mamãe
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9 X 70! Dois números incríveis e um enorme parabéns
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Eu tenho um sonho

O sonho de Martin Luther King

Não há pessoa que seja mais reconhecida com um grande idealista de um mundo melhor que Martin Luther King. Um homem negro em uma era de grande racismo nos EUA, país que até hoje é profundamente racista e dividido. Há 50 anos ele fez um discurso histórico: "eu tenho um sonho". Abaixo um trecho desse discurso.


Marthin Luther King em seu mais famoso discurso
Digo hoje a vocês, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho de que um dia esta nação vai se levantar e viver o verdadeiro significado de sua crença: 'Consideramos essas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais'. Eu tenho um sonho de que um dia, nas montanhas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos donos de escravos serão capazes de sentarem-se juntos à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos um dia viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter (...). Quando permitirmos que a liberdade ecoe, quando permitirmos que ela ecoe em cada vila e cada aldeia, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de avançar rumo ao dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar as mãos e cantar as palavras da velha cantiga negra, 'Enfim livres! Enfim livres! Graças a Deus Todo-Poderoso, enfim estamos livres!'."
(Eu Tenho Um Sonho, Washington, 28 de agosto de 1963)

É muito interessante ver que esse novo "Martinho Lutero" tinha uma visão muito diferente dos racistas do movimento negro. Ele não queria a diferença, a discriminação (positiva ou negativa, é tudo igual). O discurso não fala em cotas. Ele não pregava o ódio e o orgulho de uma cor ou credo. Ele sonhava com a igualdade entre pessoas que somos, iguais em defeitos e virtudes.
Eu compartilho com o sonho desse "rei". Que as pessoas entendam, de uma vez por todas, que ser negro, branco, pobre, rico, gordo, magro, não faz ninguém melhor ou pior. E que valorizem a real humanidade.

PS.  Em 2015 foi lançado o filme Selma, que mostra como Martin atuava na sua luta, de forma pacífica, mas muito inteligente, sem ser nada inocente ou ingênuo. Ele, sem dúvida, foi um cara muito especial, que merecia ser o grande exemplo de todos os movimentos sociais de hoje!

Veja também:
- Esquerda usa as "minorias": gays, mulheres, negros
- O racismo das cotas
- O racismo e o movimento negro
- Samba do crioulo doido: o racismo dos negros
- O racismo das cotas - por Helio de la Peña
- Alexandre Pires na luta contra o real racismo
- Progresso: homossexuais
- Bullyng: I e II
- O preconceito em si mesmo (e uma resposta

terça-feira, 11 de junho de 2013

Pai Herói

A capa do disco da novela
É, só quem tem aí por volta de 40 anos tem lembrança do título. Uma novela com uma abertura inesquecível: um quebra-cabeças onde faltava o pai.É uma das primeiras coisas de TV que me lembro, com o casal Tony Ramos e Elizabeth Savala. E a música tema, a linda e tocante Pai do Fábio Jr., é para mim a melhor homenagem que alguém fez à um pai.
Bom, mas não é sobre novela que este post quer falar. Hoje é dia 12 de junho e é aniversário do meu pai. Um cara simples, de origem humilde e que nunca teve pretensão de se colocar como alguém fora do normal. Mas meu pai também teve seu momento de herói.
Ok, ele não veio numa nave espacial de um planeta distante: veio em um navio velho de um país distante. E não se disfarçava atrás de um óculos: vivia sua vida cotidiana atrás de uma barraca de "frutas-verduras-legumes-batatas-e-ovos". Mas ele também teve seus momentos de heroísmo.
Durante boa parte da minha infância eu morei em uma casa que para mim sempre será o sinônimo de "minha casa". Ali aprendi a ser o que sou, ali muito me diverti, muito sofri, ali eu cresci. E tínhamos ao lado uma família que sempre foi, digamos, "não muito amiga". Eu brincava com o menino, mas sempre foi aquele com quem eu menos simpatizei. Já havia uma birra de famílias velha, se não me engano até meu vô já não se dava muito bem com o vô deles algumas décadas antes. E por um desses motivos fúteis, indescritíveis e ridículos, nossas famílias realmente sempre foram pouco amáveis entre si. Convivíamos civilizadamente, convidávamos por educação para as festas, mas nunca foram realmente amigos...Entre nossas casas tinha um muro de 2m de altura. E eles tinham um cachorrão pastor alemão de dar medo.
Um dia o avô deles estava fazendo algo no telhado, usando uma escada. E, de repente, veio o estrondo e a gritaria. O avô tinha caído da escada e estava deitado ao chão com a cabeça ensanguentada. Meu pai:, que nem era assim tão amigo do cara, já com mais de 30, gordinho até, pulou aquele muro de 2m de uma única vez, sem nem pensar no cachorro que poderia estar solto. Não sei como meu pai deu aquele salto, pois eu nunca consegui pular de uma vez nem 50cm... E meu pai pegou o senhor ensanguentado e o trouxe para nosso carro. Todo mundo estava em pânico, ninguém conseguia ligar nosso carro. com o nervoso Eu tinha lá meus 15 anos e sempre fui mais racional do bando: fui, liguei o carro e tirei da garagem. E meu pai levou o senhor para o hospital que, graças a Deus, apesar do baita tombo, não teve sequelas.
Em resumo, para salvar alguém de quem ele nem gostava muito, meu pai pulou um muro de 2m de uma vez, não se preocupou em enfrentar um pastor alemão de 1m de altura, e não se preocupou nem mesmo em sujar seu carro com sangue.
Eu adoro meu pai por ser um homem trabalhador, simples e por sempre ter me ensinado a viver no mundo real. Mas essa passagem mostra que meu pai também tem um alma de herói. Parabéns ao meu pai herói por mais este aniversário.

(abaixo a música Pai, de Fábio Jr.)



Veja também:
Um simples português 
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Uma bela história de amor entre pai e filho: Gonzaga

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terça-feira, 28 de maio de 2013

Pais devem aceitar um fato: as crianças vão sofrer

Abaixo um belo texto sobre educação de filhos que retirei do site  da Veja. Se quiser ler o texto completo com toda uma boa formatação, visite o site deles clicando aqui.

Veja também 
Meu filho, você não merece nada!
Quem te faz feliz?

Não fuja da dor

Psicologismo agudo
As escolhas da vida
Você pode chegar lá
Um mundo insano
Prá que esperar o meteoro? (QueNerd)

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O projeto Educar para Crescer – iniciativa do Grupo Abril, ao qual está ligada a Editora Abril, que publica VEJA — promoveu um debate nesta terça-feira, em São Paulo, sobre o papel dos pais no processo de formação de seus filhos. Para isso, convidou a psicanalista Magdalena Ramos, responsável pelo núcleo de família do Instituto Sedes Sapentiae, e a psicopedagoga Vera Barreira, orientadora pedagógica da Escola da Vila. Do encontro, saiu uma importante constatação: os pais estão excessivamente preocupados com a felicidade de seus filhos e, por isso, têm dificuldades para impor limites e dizer "não" a eles. "É um grande equívoco achar que, dando tudo o que seu filho pede, você vai evitar que ele sofra ou se frustre. A falta de limites cria crianças mimadas, mandonas e com problemas de socialização", disse Magdalena. "Seu filho vai se frustrar e chorar, querendo você ou não. Por isso, aceite isso e imponha limites." Confira a seguir orientações das especialistas:

 'Aceite um fato: em algum momento, seu filho vai sofrer'

Os pais se preocupam muito com a felicidade de seus filhos. Não há, é claro, nada de errado nisso. O problema aparece quando a preocupação excessiva leva os pais a atender todos os desejos das crianças. Isso é um grande equívoco e pode acarretar sérios problemas à socialização delas. É preciso impor limites e aceitar que, em algum momento, seu filho vai chorar e sofrer.
Comentário de Magdalena Ramos: "Atendo no consultório muitos pais que se sentem culpados por ficar pouco tempo com seus filhos e que, por isso, têm dificuldades para dizer 'não'. É preciso mostrar autoridade e impor limites. Isso é diferente de autoritarismo: não é preciso berrar ou gritar, apenas mostrar quem manda."

'Menos tarefas e mais diversão para as crianças'

Por manter uma rotina atribulada e dispor de pouco tempo para os filhos, muitos pais consideram que encher o dia das crianças com atividades extraclasse é a melhor solução, uma forma de compensação. Não é. As crianças estão cumprindo agenda de executivos, quando, na verdade, deveriam ter mais tempo livre para utilizar a imaginação e descobrir como se entreter sozinhas.

Comentário de Magdalena Ramos: "Hoje, as crianças são hiperestimuladas. Mas, para o próprio desenvolvimento adequado delas, precisam de tempo para brincar, correr e se divertir."

'Comer e dormir não são castigos: são necessidades'

Comer e dormir são necessidades básicas de todo ser humano — e também das crianças. Desde cedo, elas devem aprender a comer e dormir nas horas certas. Isso é fundamental para seu desenvolvimento.
Por isso, essas ações não podem ser usadas como moeda de troca ou punição. É o que os pais fazem quando dizem, por exemplo: "Se você não comer tudo, não usará o computador" ou ainda "Você se comportou mal e, por isso, vai para a cama mais cedo".
Comentário de Magdalena Ramos: "Há crianças que não se alimentam bem no almoço ou jantar porque os pais deixam que comam ‘besteiras’ sempre que desejam. Então, novamente, vejo pais com medo de impor limites, deixando-se levar pelo impulso de satisfazer sempre as crianças."

'Nem toda brincadeira é bullying'

Segundo especialistas, boa parte das crianças não sabe mais lidar com piadas e provocações dos colegas. O que antes era uma simples brincadeira, hoje pode ser encarado como bullying. Os pais, obviamente, têm culpa nisso, ao tentar resolver problemas que os filhos poderiam solucionar sozinhos.
Comentário de Vera Barreira: "Qualquer brincadeira sofrida pelos filhos faz com que os pais liguem na escola para pedir explicações. O correto, quando falamos de crianças com 10 anos de idade ou mais, é instruí-las a se defender sozinhas: argumentar com o colega, comunicar professores e coordenador. Se nada der certo, aí sim os pais devem agir. Ao resolver de imediato qualquer problema apresentado pelos filhos, os pais tiram deles a chance de aprender a cuidar de si próprios."

'Pais devem estimular a criança a agir como... criança'

A frase "os pais devem estimular a criança a ser criança" pode parecer redundante, mas traz um ensinamento importante. Segundo a psicanalista Magdalena e a psicopedagoga Vera, é comum os pais – ainda que sem a intenção – estimularem os filhos entre 9 e 12 anos de idade a se comportar como adultos. É preciso novamente impor limites e guiá-los para o caminho adequado: o da infância.
Comentário de Vera Barreira: "Lembro de um pai que, atendendo a pedidos da filha de 10 anos, fez para ela uma 'balada', com luz baixa etc. As meninas estavam todas arrumadas, vestidas como 'adultinhas', esperando que os garotos as tirassem para dançar, enquanto os meninos não estavam nem aí: eles só queriam saber de jogar bola. Isso é exemplo de uma conduta inadequada do pai."

'A escola deve seguir os valores da família'

A escolha da escola dos filhos é uma decisão crucial para a formação deles. Nesse caso, a orientação é simples: busque uma instituição que siga os mesmo valores de sua família. Isto é, procure uma unidade que adote aquilo que você procura:  conteúdo mais voltado ao vestibular, foco na socialização e no desenvolvimento integral da criança, regras mais ou menos rígidas e assim por diante.

Comentário de Vera Ramos: "Vá conhecer a escola, fique atento ao discurso que ela vai apresentar e procure conhecer outros pais com filhos no local. Muitas instituições adotam discursos parecidos, mas agem completamente diferente na prática."

Viúvo do Neymar: continuando a despedida com boas memórias

É, sou um viúvo do Neymar, como dizem os torcedores do contra. Mas, sabe, tenho orgulho disso. Pois ele jogou no meu time! E ama o time, não jogou só por dinheiro. Tudo o que li nos últimos dias mostra que ele queria ficar mais por aqui, que ele não mentiu do plano de ficar até a Copa. A boa diretoria do Santos também tentou mantê-lo. Mas o time, há um ano, não corresponde, e o Santos de hoje não está na altura do gênio que é Neymar. O Neymar não pode ficar fora de uma Libertadores, ele não pode ser de um time coadjuvante. E para poder jogar em torneios de primeira expressão, ele resolveu sair.
Incluo aqui duas coisas que adorei: um texto anônimo que rodou no Facebook falando da despedida e um vídeo com uma coletânea de belíssimos momentos que esse cara nos presenteou nos últimos anos.

"Vai ser feliz, moleque.
Vai pra um lugar onde você jogue pra 80 mil pessoas, num tapete, e eles aplaudam cada vez que você passar o pé em cima da bola ou a cada vez que você tentar uma carretilha. Onde os caras vão tentar te marcar, e não tentar quebrar a sua perna. Onde eles deixem você jantar em paz, deixem você sair com sua namorada global sem um milhão de cliques, onde você não precise ficar trancafiado três dias numa concentração. Onde você vai poder fazer quatrocentos mil comerciais, sem ninguém questione se isso afeta ou não o seu desempenho no campo. Onde você vai poder jogar duas vezes por semana, vai poder jogar pela seleção em datas FIFA, sem deixar o teu clube órfão do teu talento.
Onde você não vá jogar com tanto perna de pau, contratados por diretores que não entendem lhufas de futebol.
Lá, você não vai ser o único no meio de um monte de miseráveis. Lá, você vai ser mais um dos acima da média.

E sei que, no futuro, você vai voltar pra fazer exatamente o que o Robinho fez com você: ajudar a explicar pra um outro neguinho de canela fina e folgado pra caramba, que, aqui no Santos, a gente não gosta só de ganhar, a gente gosta do show. Com aquela camisa branca e com a bola no pé, a gente gosta mesmo é de moleques folgados pra caramba…"





Veja também:
Adeus a Neymar: de um santista
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Pêsames e parabéns aos Corinthianos
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A copa que envergonha o Brasil
E a olimpíada? Mais absurdos..

domingo, 26 de maio de 2013

Adeus a Neymar: de um santista

Não sou um torcedor fanático. Só fui uma vez em um jogo de futebol, um jogo de Santos X XV de Jaú, nos anos 70, lá na Vila. Mas amo meu time e amo o futebol arte.
Se meu time não é o maior do Brasil em torcida, nem em títulos nos últimos anos, ninguém pode negar que é o time que mais se alinha com o conceito de futebol arte que tanto já deu orgulho ao nosso país. O futebol da seleção entre 58 e 70, e do melhor time de futebol da história: o time do Santos desse período. O futebol que a seleção de 82 reviveu (já falei sobre isso aqui).
E fico muito feliz ao saber que neste século, foi o Santos o time que mais lembrou a tradição brasileira de categoria, dribles, futebol bonito de se ver. E mais feliz ainda porque os grandes nomes desses times que tão bem jogaram foram crias do próprio Santos. Primeiro, com o time de Robinho, Diego e cia e nos últimos anos com o Neymar.
Não vou negar que derramei muitas lágrimas ao ouvir a despedida do Neymar hoje na Globo. Além de jogar futebol profissionalmente, e em um nível muito acima da média, Neymar mostrou que ama o Santos de verdade, e ter um jogador que veste a camisa desse jeito não tem preço. Chorei porque não será fácil criar um outro jogador desse patamar e não será fácil criar um time que jogue tão bonito tão cedo. E porque sempre deu muito orgulho de ver um jogador desse nível jogar tanto, e por tanto tempo, no meu Santos.
É triste ver alguns torcedores de outros times querendo diminuir o que é óbvio. Falar contra o Neymar não é falar contra o Santos, é falar contra o futebol arte. Neymar vai muito além do Santos e só quem vê pequeno pode negar isso. E os números falam por si:
- em 5 anos, no início da carreira, foram 3 paulistas, 1 copa do Brasil e 1 Libertadores;
- foi um dos únicos que conseguiu ainda no Brasil estar na lista da FIFA como um dos melhores do mundo. E ganhou o prêmio de mais belo gol do ano;
- recebeu propostas do Real, do Milan, do Manchester, do Milan e do Barça, para onde vai. Qual outro jogador foi tão assediado saindo do Brasil?
- na sua era o Santos triplicou o valor que recebe de patrocínio e duplicou o público nos seus jogos;
- para aqueles que querem dizer que ele prefere fazer propaganda que jogar para o Santos, deveriam "lembrar" que parte da propaganda vai para o Santos: o time não gastava 1 centavo para manter o Neymar, faturando mais com as propagandas do que pagava de salario.
Enfim, Neymar não foi um cara egoísta. Ele, muito mais que fazer seu nome, ajudou demais o Santos a se projetar.
Sei que meu time não jogou bem na final do mundial em 2011, na Libertadores de 2012 e no paulista neste ano. Mas não foi por causa do Neymar. O Neymar, sempre que assisti, lutou, correu, tentou: mas o esquema do time não ajudava, deixando o Neymar isolado e jogando muito na defesa, bem ao estilo Muricy. Mas, sempre que possível, o Neymar premiava os torcedores com uma bela jogada.
Que agora todos os brasileiros deixem de ver o Neymar como "do Santos" e dêem apoio a este jogador que representa tão bem ao futebol arte que sempre marcou nosso país. E que não coloquem a responsabilidade da Copa nesse moleque alegre, mas muito jovem para ter que levar esse peso.
Sucesso, Neymar, nesse seu novo desafio. E obrigado por todo o prazer que você trouxe não só para os santistas, mas para todos aqueles que amam futebol. De um fã incondicional seu. 

Veja também:

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sábado, 18 de maio de 2013

Turma da Mônica no mundo de Romeu e Julieta: imperdível!

Nos anos 70 o Maurício de Sousa criou uma peça de teatro com o nome acima. Muitas pessoas da minha geração compraram o disquinho de vinil, outras tantas viram um especial na TV e os paulistanos tiveram a oportunidade de ver a peça ao vivo.
Agora, mais de 30 anos depois, o Mauricio de Sousa relançou a peça, como parte das comemorações de 50 anos da personagem mais amada do Brasil.O texto foi revisto, a produção é nova, mas as músicas foram mantidas quase sem mudança.
Uma produção imperdível!
A produção está fantástica. Figurinos muito lindos, feitos por um nome famoso da moda. Um cenário muito bem feito: vitrais na hora da igreja, balcão para a Julieta Mônica falar com seu Romeu Cebolinha, e um sem fim de detalhes. Ao fundo, um céu animado, com nuvens passando, estrelas brilhando, sol nascendo, uma animação com uma qualidade que nunca havia visto antes no teatro. Dá orgulho saber que parte dessa animação foi obra de um grande amigo, primeiro a conhecer na UNICAMP na graduação!
Eles estão perfeitos!
São vinte atores intercalando no palco, realmente uma produção de primeiríssimo mundo. Dançando, brincando e interagindo com os personagens que tanto amamos.
Amo a turma da Mônica porque é a turma do Brasil. São personagens com nossa cara, com nossa cultura, que cresceram conosco. E sou fã do Mauricio, um brasileiro incrível! (já falei bastante dele neste post).
E no final, não deixe de dar uma passadinha no MUBE,
ali pertinho, e ver a exposição dos 50 anos:
interessante e de graça!

E acho que todos os brasleiros que tenham possibilidade, não podem perder essa oportunidade única de recuperar a fantasia de sua infância, de valorizar nossa cultura, de assistir a uma produção incrível totalmente nacional e de deixar nossas crianças com olhos brilhando e imaginação reforçada.  Então, meus leitores, não deixem para depois: entrem neste link aqui e façam já sua reserva para alguma seção. Depois da seção, não percam a oportunidade de ir tirar uma foto com os personagens. E, quem sabe, se você tiver sorte, você consegue encontrar o Maurício de Sousa em carne e osso, como eu tive a oportunidade hoje: ele foi de uma simpatia, uma humildade, inacreditáveis. Foram uma dezena de fotos com minha turma, alguma conversa e vários autógrafos: um dia para não esquecer!

Veja também:
Site do Teatro Geo: compre seu ingresso aqui
Um exemplo de brasileiro: Maurício de Sousa
Bom programa infantil - circo da Mônica
Eu sou criança: e você? 

sábado, 11 de maio de 2013

As mentiras da minha mãe

Minha mãe sempre falava coisas que me espantavam. E ela me dizia que quando virasse pai eu iria entender... Virei pai, e já tenho muitos km rodados nessa "função". A conclusão que tiro é que minha mãe mentia para mim.
Lembro quando eu perguntava para ela se ela não tinha nojo em mexer no cocô da gente, seus bebês. E olha, que naquela época, era fralda de pano: tinha que lavar, torcer, esfregar a caca toda... Me embrulha o estômago só de pensar. A resposta dela é que não tinha nojo das "coisas" dos filhos. Pois bem, depois de um milhar de fraldas trocadas (ou mais), outro dia eu estava na creche e vi uma mãe tendo que colocar a "mão na massa" da fralda da filha. E olhei para meu pequeno e pensei: "graças a Deus você aprendeu a usar o vaso e nunca mais vou ter que mexer em cocô novamente..." Muitos anos se passaram e para mim cocô continua sendo cocô, algo nojento, asqueroso, algo que não deve ser visto e, principalmente, manipulado. MESMO DOS MEUS FILHOS... Cocô é cocô, nojento, não importa a origem.
Minha mãe sempre me falou também que sempre nos achou os bebês mais lindos do mundo. E que toda mãe acha seus filhos perfeitos. Pois é: eu amo de paixão meus filhos, acho eles super demais e não me canso de agradecer a vida por ter me dado essas pérolas tão incríveis. Mas seria cínico falar que eles são os mais bonitos do mundo: não são. Nem são os mais inteligentes, nem os mais habilidosos em tudo. São seres humanos incríveis, e os amo por serem isso. Mas não consigo vê-los como símbolos da perfeição. 
Quando ela falava que eu não a deixava dormir, eu perguntava como ela aguentava e a resposta era sempre que bastava um sorriso de seus filhos e todo o cansaço ia embora. Ou eu era um santo, que tinha um sorriso milagroso, ou foi uma nova mentira da minha mãe. Pois depois de uma ou duas noites dormindo pouco graças a uma febre de um pequeno, não há sorriso deles que me tire o cansaço. Adoro vê-los sorrir, disso não tenho a menor dúvida, mas adorar um sorriso não tira meu cansaço.
Minha mãe cuidava de tudo e de todos em minha casa. Sempre roupa bem lavada, a mão (pois a máquina estragava a roupa), tudo neuroticamente limpo, comida fresca e variada (saudável e deliciosa), os filhos sempre impecavelmente arrumados... E ela fazia tudo isso cantando. Não é possível que ela não sentia cansaço, desânimo. Aquele cantar de tantas músicas que sei de cor até hoje, só podia ser um fingimento: como alguém trabalhando tanto conseguia ainda manter a felicidade no coração? Se eu tiver que fazer uma comida simples e lavar uma pia de louça, já preciso de umas 4h para recuperar a boa vontade!
Enfim, pensando nos exemplos acima e em um milhão de outros exemplos, o que me vêm a cabeça é que minha mãe sempre foi uma grande mentirosa. Mentia pois jamais quis cobrar ou reclamar de nada que fazia para seus filhos. Mentia porque sempre quis ser uma mãe mais que perfeita (pois seria perfeita mesmo se demonstrasse seu cansaço). Ou então, minha mãe pertence a uma outra classe de pais, com um amor tão superior e tão incondicional, que faz o coração se impor ao racional, ao nojo, ao cansaço. Seja como for, eu sei que devo muito a essa moça que me fez ser o que sou.
Feliz dia das mães, para a mãe mais mentirosa e amada do mundo!

Veja também:
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Madrinha
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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Meu filho, você não merece nada!




"A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada "


Repasso abaixo um texto fantástico de Eliane Brum, disponível neste link.

"Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba."

Veja também:
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Psicologismo agudo
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Você pode chegar lá
Quem te faz feliz?
Um mundo insano
Prá que esperar o meteoro? (QueNerd)

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O que as escolas não ensinam
- aonde querem chegar?
- amor e sexo 
- Adeus a Amy,
- inspiração boa e ruim,
- cérebro de pipoca
- valor da vida
Não gaste muito dinheiro para prejudicar crianças

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um desenho imperdível para gamers: Detona Ralph

Quando eu era criança, apareceram os primeiros vídeo-games: os tele-jogos. Sempre quis jogar um, mas era uma coisa que só os mais ricos tinham. Lembro que o vizinho do meu primo, lá em S.Vicente, tinha um. E sonhava em ser convidado um dia para ir lá: não fui...
Um filme imperdível
para todos que amam vídeo-game
 
Alguns anos depois chega ao mercado o Atari. E finalmente eu ganhei um. E foi paixão e vício a primeira vista. Investi milhares de horas da minha vida em alguns joguinhos: o principal, Space Invaders. Mas também joguei muito Pimball, Decathlon (haja LER) e Enduro. E em alguns momentos joguei também asteroides, pitfall e alguns outros... Foi uma fase inesquecível da minha vida e eu era bom naquilo: peguei todas as manhas e conseguia fazer a pontuação ir ao máximo e zerar na maioria dos jogos.
Entrei na UNICAMP e lá conheci os jogos de computador. Um dos que mais me recordo era o interessante "LLL - Land of Larry Lizard". Mas tinham jogos baseados em caracteres que eram a paixão dos meus veteranos. E no final da graduação, nos horários de almoço do estágio, eu e meus parceiros da "FMF" jogávamos Prince, em uma era que não dava para salvar: se morresse, fazíamos tudo de novo...
Após formado, ainda tive alguns momentos de gamer: em especial com jogos de simulação, como Simcity, Simutrans (simulador de transporte) e jogos de guerra como Age of Empires, Duke Nuken e Outcast. Mas, hoje, realmente estou bem longe deste mundo: não que ele não me atraia, mas tenho outras prioridades, como curtir meus filhos ou preparar as dezenas de aulas semanais.
Há pouco fui ver o filme infantil Detona Ralph. A ideia por trás do filme é interessante: um vilão que se cansa de fazer sempre o mesmo papel no seu game e que resolve "passear" em outros jogos. E é nesse passeio que está o grande charme do filme: o Ralph interage com personagens desde o vídeo-jogo, até os mais elaborados jogos de guerra modernos. Sem deixar de citar os clássicos de várias gerações: Space Invaders (o meu predileto), pacman, sonic e outros modernos que não sei o nome.
Enfim, assistir Detona Ralph é fazer uma deliciosa viagem pelos últimos 40 anos, a era do vídeo-game desde sua criação. Mais que o enredo, o grande charme do filme é ficar procurando as citações de tantos personagens que nos acompanham ao longo da vida. Foi realmente uma experiência deliciosa acompanhar meus babies nesse filme. Recomendo a todos aqueles que, como eu, tem os games como parte da vida.

Outros bons programas:
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha
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Thatcher: uma mulher única
O novo cinema brasileiro (com O homem do futuro) e o Jabor
Roque Santeiro
A "boa" da terça
O Silvio Santos é coisa nossa!
Eu gosto do Faustão!
Senna
O discurso do rei
A rede social
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Up
Trapalhões na luta contra a ditadura




Não se vive uma vida plena no virtual: desconecte-se

Eu já discuti no post Juventude atual: cérebro de pipoca? o quanto a excessiva conexão dos dias atuais está nos deixando a cada dia mais tristes e mais vazios. Mas o TED que disponibilizo abaixo é muito mais completo, profundo e convincente que meu texto. Assistam e tentem não concordar.
Está na hora de rompermos essa escravidão eletrônica e entender que é bom, saudável e salutar nos afastarmos do mundo virtual de vez em quando para viver a vida real. Não podemos nos enganar com uma falsa sensação de pertencimento e de companhia que as redes sociais não trazem: precisamos saber lidar com a solidão e a dor (vide o post Não fuja da dor).



Juventude atual:
- inspiração boa e ruim,
- cérebro de pipoca
- valor da vida
O que as escolas não ensinam
- aonde querem chegar?
- amor e sexo 
- Adeus a Amy,

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Um ícone do Brasil que nos deixou: Niemayer

Há certos personagens que ajudam a construir a imagem, a cultura e os valores de um povo. Os estadosunidenses sabem isso muito bem e chegaram a esculpir o rosto de alguns desses nomes em uma montanha, nomes que são sempre cultivados como pais da pátria.
Morreu um ícone do Brail:
mais de cem anos, lúcido e com muita energia
O Brasil tem alguns nomes que construíram nossa identidade. Como nossos políticos são muito ruins desde o início, eu não colocaria muitos políticos nessa lista. Talvez o GV e o JK mereçam essa honraria: o primeiro começou a dar a cara de um país moderno, com governo mais conectado com o povão; e o segundo por mudar a moral do nosso país e realmente ter feito 50 anos em 5: com ele o país virou um país urbano e industrial. Com relação à políticos da nossa era, nenhum mereceria estar nesse seleto grupo.
Mas há outros nomes que ajudaram a fazer a imagem do nosso país. Dois para mim são os nomes do século XX que não são políticos: Pelé e Niemayer. Ambos gênios em suas especialidades. Ambos brasileiros que nunca renegaram seu povo e suas origens. Ambos artistas criativos e únicos.
No final do ano passado perdemos Niemayer. Niemayer foi muito mais que um grande arquiteto. Niemayer projetou o nome do nosso país no exterior. E Niemayer ajudou JK a fazer nosso povo acreditar que somos mais que um paiseco pobre dos trópicos, que conseguimos fazer coisas grandes e fantásticas. Em uma era onde um governo prá lá de incompetente não consegue fazer um estádio de futebol sem superfaturar várias vezes, sem atrasar e fazendo algo com qualidade duvidosa, é quase inacreditável acreditar que JK construiu Brasília em 5 anos.
Mas Brasília não seria patrimônio mundial se não fosse a genialidade de Niemayer. Virão os detratores dizer que a arquitetura dele não é funcional, não aproveita a iluminação natural e todo aquele blá de gente invejosa que jamais chegaria perto dele. Sim, as propostas deles tem inúmeros defeitos, como o prédio com sala redonda: alguém aí sabe onde comprar um sofá redondo? Mas sua genialidade está nas formas externas, nas curvas, na simetria e na beleza limpa do concreto. Brasília é linda, o congresso é um prédio incrível, a esplanada é uma visão de uma criação fantástica. Eu já conheci quase todas as grandes cidades do mundo desenvolvido e posso dizer que nenhuma me chamou tanto a atenção pela beleza da arquitetura que a nossa Brasília. Pena que os políticos que moram lá não façam jus a essa capital maravilhosa.
Uma das obras mais geniais de Niemayer é nosso congresso
Niemayer foi comunista desde jovem. E embora eu seja terminantemente contra o comunismo (vide Por que o socialismo não dá certo?), acho muito legal alguém que acredita em algo seguir lutando até morrer, com mais de 100 anos. Como acho Niemayer um exemplo, por nunca ter deixado de amar a vida e de trabalhar, sempre tendo orgulho do trabalho que fazia. Um mês antes de partir, Niemayer foi assistir a um show musical. Um dia antes de morrer, Niemayer pediu para o médico liberá-lo logo, pois tinha um projeto para terminar: eu espero morrer com mais de 100 anos com essa lucidez e essa energia!
É alguém realmente que ficará para sempre marcado no roll dos maiores brasileiros da história. Tenho muito orgulho de ter nascido no mesmo país que Niemayer. E tenho muito orgulho do povo que concebeu e construiu uma cidade tão fantástica como Brasília.

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Tristeza pela morte do Chorão
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Os três malandros - saudades
Um país com menos sorrisos (Chico Anisio)
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Homenagem aos finados dormindo...
O melhor presidente (Itamar Franco)
Um grande líder (Paulo Renato)
Um exemplo de pessoa (José Alencar)
Um talento único e uma grande vítima! (Michael Jackson)
Trapalhões na luta contra a ditadura
Queen

E mais mitos do passado:
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha
Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária

quarta-feira, 27 de março de 2013

Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Gonzaga

O diretor Breno Silveira já fez um filme que eu odiei: "2 filhos de Francisco". Não consigo aceitar um filme que retrata um pai que acha que os filhos pequenos tenham que se expor à riscos (e até à morte), só porque ele quer que eles sejam famosos. Odiei o filme porque é um péssimo exemplo que foi visto por milhões e pode ter vendido uma ideia errada do que é ser um bom pai.
Mas Breno Silveira se redimiu. Dirigiu uma outra história biográfica. Uma história de dois personagens fantásticos da nossa música. Luiz Gonzaga, o rei do baião e Gonzaguinha, seu filho.
Um filme lindo sobre música e amor entre pai e filho
Cada um dos personagens já merecia uma trilogia só para si. Gonzagão, o pai, que nasceu pobre, foi discriminado quando morava lá no sertão do nordeste e, depois de muito ralar, conseguiu sucesso nacional. Gonzagão que teve uma vida cheia de dramas, dificuldades, mas que nunca deixou sua simplicidade e nunca deixou de cantar com prazer. Musicalmente, sou fã do Gonzagão: ele trouxe para o resto do Brasil toda a riqueza da música de raiz do nordeste. E não tem como não amar "Asa Branca" e outros clássicos que ele tão bem entoava com sua sanfona.
Gonzaguinha nasceu e cresceu em uma favela carioca, em meio ao crime e ao samba. Teve uma vida complicada desde criança, pois perdeu a mãe com dois anos e tinha um pai que sempre estava em turnê pelo Brasil. Sofreu, se sentiu rejeitado, chorou. Mas conseguiu transformar essa dor em poesia, poesia de primeiríssimo nível. Eu mesmo posso dizer que uma das músicas que mais gosto, até hoje, é "O que é, o que é":
"viver, e não ter a vergonha de ser feliz;
cantar, e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita"



O filme é de uma beleza incrível. Tem atores excelentes: o que faz o Gonzagão é sanfoneiro de verdade e tem estilo e carisma compatíveis com quem quer retratar; e o que faz o Gonzaguinha é tão parecido em tudo que até assusta, parecendo o próprio ressucitado. É um filme que mostra a vida como ela é, sem querer pintar ninguém como mocinho, nem como vilão. Mostra como a vida pode ser dura para todos, como nós, humanos, conseguimos ser complicados. Acima de tudo, o filme fala da relação entre pai e filho, um pai simples, humilde, que sempre viu como sua maior obrigação "não deixar faltar nada para seu filho" e um filho que sempre esperou um pai Gelol: "não basta ser pai, tem que participar". É um conflito de gerações, uma mudança de visão de mundo, onde não há verdade, não há certo nem errado.
Enfim, é uma obra-prima recente, que passou primeiro como mini-série na Globo e há pouco foi lançada em DVD. Vale pela história, vale pela excelente música que pontua todo o filme e vale pela sensibilidade em mostrar uma relação entre pai e filho onde amor e conflito habitam os mesmos corações.

Dominguinhos: outro músico que vai deixar saudades
PS. Vale ressaltar que o grande sucessor do Gonzagão também está prestes a nos deixar: segundo a própria família, Dominguinhos está em coma irreversível. Será outra perda gigante da música brasileira, tão carente de músicos desse gabarito nos últimos tempos.
PS2. Dominguinhos faleceu em 23/07/2013: mais um brasileiro que vai deixar muitas saudades em quem gosta do país e de música de verdade. 

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Um filme que precisa ser visto
Eu ainda era criança quando esse filme foi lançado no cinema. Um filme que fez muito sucesso e foi muito premiado. Foram 8 Oscar, entre eles melhor filme, diretor e ator. E agora, com 30 anos de atraso, eu consegui, enfim, ver esse filme: comprei por um preço irrisório em uma banca daquelas com centenas de títulos misturados de uma loja de departamentos.
Assistindo ao filme, não dá para não concordar com todas as premiações: o filme realmente é fantástico. Bem feito, bem dirigido, profundo e correto.
Mas  não é o filme em si que merece maior destaque. É a história que ele apresenta. Gandhi foi um ser humano único, ímpar. Ele nasceu rico, vindo da casta mais nobre entre um povo onde, até hoje, castas são vistas como algo natural. Eu mesmo já conversei com um jovem indiano que achava plenamente justificável que as pessoas tenham que trabalhar nas funções para as quais a casta delas são direcionadas. Explicando melhor: se você nasceu da casta "ralé", você pode ter funções bem subalternas e ganhar salário mínimo. Se você nasceu na casta "elite +", você pode ser médico. Não é concebível um "ralé" querer ser médico, porque, segundo o jovem que comigo conversou, "é assim, sempre foi assim, não tem porque mudar isso". Ele era da casta "elite+", era médico e estava na Inglaterra para participar de um congresso.
Gandhi nasceu um hindu da classe mais alta, lá no final do século XIX. E viveu essa vida sem questionar, tendo inclusive estudado na Inglaterra, algo que certamente é para uma minúscula minoria dos indianos. Depois, Gandhi foi para a África do Sul e lá se percebeu discriminado: lá ele era mais um "não branco", justo em um país que tinha racismo explícitado nas leis até os anos 80. Foi quando deixou de ser elite e passou a ser discriminado que "caiu a ficha": ele entendeu que não dá para discriminarmos as pessoas por sua cor, sua origem. Depois de revolucionar na África do Sul, Gandhi foi para a Índia. E lá começou um movimento pela libertação, contra a dominação inglesa. O filme mostra direitinho porque ele, que antes tinha orgulho em se dizer cidadão inglês, resolve tomar essa posição e não vou aqui estragar o filme contando tudo.
Mas Gandhi não foi mais um revolucionário. Gandhi jamais pregou a violência. Ele conseguiu convencer a todos que eles conseguiriam o que queriam sem luta, sem guerra. E, embora o filme mostre o quanto foi difícil permanecer nesta posição, Gandhi nunca mudou sua postura. Ele conseguiu libertar a Índia pregando a paz e algo similar a isso acho que nenhum outro ser humano tenha conseguido. É dele a frase fantástica "olho por olho e acabaremos todos cegos". Gandhi foi um Ser Humano de verdade, um ser iluminado, único.
O filme é muito interessante porque mostra todos os meandros políticos, as disputas entre os partidários da liberdade, o quanto é difícil pregar o amor e a paz entre humanos egoístas e gananciosos. E o quanto é complicado pregar o respeito entre populações que acham que diferenças religiosas são sinônimos de ódio. O filme não é Holliwoodiano, com aquele tom de que, no final, tudo se resolverá e o bem triunfará. O filme é realista, tristemente realista, nos fazendo pensar em quanto o ser humano consegue ser baixo, mesquinho, cruel.
Enfim, um filme sensível, complexo, profundo, inesquecível. Vale pela arte. Vale ainda mais pela história real que conta algo que aconteceu há tão pouco tempo. Mas vale, acima de tudo, para mostrar a vida de alguém que merece ser sempre louvado como uma das pessoas mais fantásticas que já viveu neste mundo.

Outros bons programas:
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Trapalhões na luta contra a ditadura


quarta-feira, 6 de março de 2013

Madrinha

Você nunca foi do tipo tradicional. Nunca compartilhou daquele receituário de mocinha certinha, comportada, tão machista dos anos 60. Sempre procurou se destacar, sempre procurou provocar, sempre quis ser diferente: a menina que dobrava a saia na esquina de casa, para o pai não ver... A instrumentista, que tocava seu acordeon como ninguém (embora nunca tenha visto uma apresentação sua, quem viu sempre falou muito bem).
Lutou por seus sonhos. Lutou por seu prazer. Correu atrás do que queria. Foi sempre uma mulher a frente do seu tempo. Talvez querendo ainda mais impor essa marca de mulher forte e independente, fez forte amizade com seu maior inimigo: o cigarro.
Sempre me lembro de você nervosa, agitada, acelerada, uma mulher 220 volts. E sempre com seu inimigo nos lábios. Bem que tentei, há mais de 30 anos, lhe convencer a largar desse vício. Mas com você aprendi que nem sempre conseguimos mudar a tudo e a todos, seguindo nossas convicções. Quantas vezes tive aquele ímpeto de tentar mudar algo em alguém que amo, mas sei que isso não é possível. Aprendi a conviver com minha madrinha sempre junta de seu inimigo.
Mas uma pessoa nunca é uma coisa fácil de definir. A mulher forte e independente, sempre foi uma madrinha presente e carinhosa. Não houve uma páscoa, nesses meus quarenta e tantos anos, que não tenha visto o ovo de páscoa da minha madrinha chegar. Nunca foi grande demais, porque você nunca foi rica demais, mas isso nunca me importou. O fato é que minha madrinha jamais esqueceu de mim, mesmo hoje eu já sendo um baita coroão e morando há décadas longe da minha terra de origem. Sempre tento ser como padrinho tão presente como você é, pois você sempre foi uma madrinha 100%.  Também sei de outras coisas na família que só a senhora sempre se dispôs a ajudar, de forma voluntária, e isso mostra um amor pelos seus entes fantástico. Obrigado por ser tão disposta a ajudar!
Hoje, madrinha, a vida lhe coloca outro grande desafio. Uma luta grande, difícil, complicada. Mas você nunca escolheu as opções mais fáceis, né? Você nunca quis o caminho simples. Então, madrinha, enfrente o que a vida lhe pôs no caminho com sua eterna força e coragem. E não desista de ser feliz, não desista de correr atrás de seus sonhos, siga em frente. A corrida da vida segue, só que agora é uma corrida com barreiras: mais difícil, um pouco mais lenta, mas não menos interessante. Todos nós estamos torcendo muito por você! Infelizmente, a vida não me permite estar aí do seu lado, lhe acompanhando como você tanto fez com nossos familiares. Mas esteja certa que um pedacinho do meu coração estará sempre do seu lado, a cada batalha dessa guerra que agora se inicia.
Toda a energia para você, madrinha, nesse seu momento tão desafiador. Vá lá e mostre para todos quem é você. Lute, batalhe, e, no meio disso tudo, aproveite cada instante para recarregar as baterias com todo o amor que todos nós temos por você. Estamos todos juntos nessa, minha querida madrinha! (viu, não lhe chamo mais de tia, depois de décadas, aprendi!).
Beijos! E toda a força do mundo para você.

PS. Em 30/03/2016 minha madrinha nos deixou, depois de mais de três anos de uma luta corajosa contra o câncer. Ela foi, até o último momento, uma grande madrinha: em nosso último encontro, na grande despedida, fui com a camisa que ela havia comprado para mim e me entregue poucos dias antes. Mais uma vítima da indústria do fumo...

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Tristeza pela morte do Chorão

Hoje, 6/3/2013, o Brasil perdeu o Chorão. Chorão que era líder do Charlie Brown Jr., uma banda que começou como uma banda de rock de primeira. Chorão que não era santista de nascimento, mas era um santista de coração: sempre que eu o via, lembrava de pessoas como o Ney, que trabalhou com meu pai: aquele povo humilde, rebelde e alegre ao mesmo tempo, malandrão mas boa gente. É uma versão moderna e santista do carioca Bezerra da Silva (vide este post).
Falavam hoje os divertidos comentaristas do quadro "Hora de Expediente", da CBN, que o Charlie Brown é provavelmente a última grande banda de rock do Brasil. E acho que eles estão certos. Tivemos a ascenção do rock/pop com a jovem guarda nos anos 60 e com a tropicália nos anos 70. E a explosão do pop rock brasuca nos anos 80, com todas aquelas bandas inesquecíveis. Nos anos 90 ainda tivemos algumas coisas boas, como Skank, Jota Quest, Pato Fu, e fechamos com os rockeiros do Charlie Brown, Raimundos e a Pitty. Daí em diante, pouca coisa realmente memorável aconteceu.
O Charlie Brown começou com rocks de primeira, mas acabou se deixando pasteurizar e acabou cantando músicas mais pop, com menos identificação com os rockeiros que eles começaram sendo.
Não está ainda divulgada a causa da morte desse quase jovem rebelde (minha idade)! Mas é claro que de alguma forma a droga está ligada a essa tragédia. A droga que alguns insistem em cultuar, mas que eu abomino por nos tirar do convívio pessoas criativas e fantásticas como o Chorão.
Pena, Chorão, que você não tenha mais seu escritório na praia. Vou sentir falta de alguém falando de uma forma tão jovem, irreverente e santista. Escutar você era sempre matar um pouco de saudades da minha cidade. De qualquer forma, você sempre estará presente como um ícone do rock nacional.Já peguei os Cds que tenho do Charlie e vou ouvir hoje: "preço curto.. prazo. longo" e o premiado "tamo aí na atividade".Abaixo dois destaques inesquecíveis

Zóio de Lula - fala tão típica de malandro santista


 Confisco - na minha opinião, uma das melhores deles!

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