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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Bom programa: Catavento Cultural e Educacional

A linda fachada do Catavento
Em algumas viagens ao exterior tive a oportunidade de visitar museus de ciência: lembro de um muito bom em Kobe-Japão e de um fantástico em Boston-EUA. São museus interativos, cheios de atividades para todas as idades e com demonstrações fantásticas. Acho importante esse tipo de museu, porque desperta nas crianças o interesse pela ciência, pela prática científica, mostrando que física, química, informática, etc. são coisas legais. E mostra para os adultos o quanto ainda temos que aprender. Sempre me perguntei porque não temos um museu desses no Brasil.
Mas no último mês tive uma grata surpresa. Graças a indicações de amigos fomos ao Catavento Cultural e Educacional, no centro de São Paulo. Acho incrível como uma atração como essa tem tão pouca divulgação na mídia do Brasil. E, mesmo assim, é o museu mais visitado do país. O museu fica no belíssimo Palácio das Indústrias, construído para ser residência dos Matarazzo e que foi, por muito tempo, sede da prefeitura de São Paulo. Nas redondezas, pontos interessantíssimos, como a catedral da Sé, o pátio do colégio e o mercadão municipal (aproveite para comer um sanduíche de mortadela na saída).  Muitos ônibus e estações de metrô por perto e estacionamento para carros no próprio terreno do Catavento dão toda a praticidade ao acesso. Ainda no pátio, atrações incríveis, como uma casa feita para dar ilusão de ótica, um comunicador de som à grandes distâncias que só usa conchas metálicas sem fio ou eletricidade, um modelo de uma ancestral dos humanos e várias antiguidades, como carroças de limpeza, locomotivas de várias épocas e até um avião onde as crianças podem embarcar.
A placa na entrada do Catavento
Lá dentro do museu tem muita, mas muita coisa legal. Astronomia, biologia, física, química, ótica, magnetismo, sobre tudo. Não vou falar das atrações, uma a uma, porque são centenas e são super-legais, para todas as idades, desde pequenos até idosos. Mas além das atrações livres, tem ainda atrações que precisam ser agendadas (sem custo, mas com limitação de duas por período): são imperdíveis as simulações de submarino e de nave espacial, o laboratório de química e o estúdio de TV. 
Tudo isso com um ingresso muito barato, que chega a ser gratuito em alguns dias. Não deixe de visitar essa grande atração da cidade de São Paulo, principalmente se você tem crianças para levar. Tente reservar mais que um dia, porque em um dia não é possível conhecer tudo. E dê preferência para um fim de semana de feriado ou dias de semana, porque lá lota mesmo.
consulte o link do Catavento,
E para você que é diretor ou professor de escola, pense em agendar seu próximo passeio no Catavento: é um lugar onde toda criança deveria ir!

PS. Em setembro de 2017 visitei novamente o Catavento e tem mais uma atração incrível: Dinos do Brasil, uma bem produzida viagem ao passado em realidade virtual. E ainda conheci a atividade Desafio Nano, muito boa também. O ingresso "inteiro" custa R$ 6,00 (e tem meia!) e aos sábados é de graça (e bem cheio, claro)

Para mais informações sobre o Catavento, clique aqui


Veja também
Zooparque Itatiba

terça-feira, 28 de abril de 2015

Educação para o futuro do Brasil

Na última eleição fiquei muito decepcionado ao ver um jovem de grande universidade, que se achava politizado, falar a seguinte frase: "é claro que o governante X não vai ter compromisso com a educação, porque o governante X tem compromisso com a indústria". Como é possível alguém, que se diz politizado, falar tamanha asneira??? Como é possível ainda aceitarmos estudantes, políticos e sindicalistas fazendo discursos que estão atrasados mais de um século?
A era do operário inculto, mero seguidor de ordens, acabou há muito! Há mais de 50 anos o mundo conheceu o pensamento enxuto (ou lean), onde o que faz a empresa crescer são trabalhadores inteligentes, criativos, questionadores. O mundo não precisa mais de "mão de obra": os robôs hoje são melhores e mais baratos que mãos. O que as indústrias precisam do ser humano hoje é do cérebro! Só que tem gente que ainda acha que vivemos no século XIX, antes até da revolução de Ford, revolução totalmente revista pelo Lean...
Os países que cresceram nas últimas décadas no mundo o fizeram graças à uma excelente educação. São exemplos gritantes o Japão e a Coreia do Sul, onde uma indústria de alta tecnologia os fizeram sair do terceiro mundo e chegar ao primeiro em algumas décadas. Indústria estabelecida graças à colaboração de operários muito bem preparados, com excelente formação. A educação desses dois países é inquestionavelmente boa. Assim, respondendo ao comentário insano do estudante durante a eleição: "caro, se o governante X tivesse compromisso com a indústria, ele investiria MUITO em educação, porque a indústria no Brasil perde muito hoje por causa da incapacidade de sua mão de obra de viver nesse mundo de produção de alta tecnologia e produtividade". Nossos operários não aumentam produtividade há décadas, isso é praticamente único em todo o mundo. Sem aumento de produtividade, a indústria não consegue aumentar os salários, e por isso seguimos com baixos rendimentos aos operários e com indústrias em crise recorrente. E o futuro será ainda mais negro se não revertermos essa situação trágica da nossa educação hoje.
Mas a tendência, infelizmente, não é boa. Estamos ainda andando para trás. Em matéria da revista Exame de 15/04, podemos ver que o Brasil é o país da América Latina onde mais jovens não terminam o nível médio. Eu disse o PIOR DA AMÉRICA LATINA, pior que países como Nicarágua, Bolívia e El Salvador, só para dar três exemplos. E para ser ainda mais triste a notícia, essa situação PIOROU entre as gerações: a geração nascida nos anos 80 desistia menos do ensino médio que a geração nascida em meados dos anos 90. Em resumo, tudo está péssimo e a tendência aponta para piorar.
Eu acredito, totalmente, que a única solução para o Brasil mudar é educação. Com educação de qualidade teremos uma população esclarecida, que conseguirá cuidar melhor da sua saúde, planejar melhor a sua vida, votar melhor e ser mais produtivo em suas empresas. E isso geraria um ciclo virtuoso na nação. Mas os governantes atuais, infelizmente, não querem boa educação, pois quanto menos competente é o povo, mais depende da esmola do governo e mais facilmente vende seu voto.
Além disso, a linha Marxista que tomou de assalto nossas faculdades de educação e faz uma lavagem cerebral em nossos professores, os fazendo cultuar Paulo Freire, um cara que pensou 5% em educação e 95% em ditadura de esquerda, que na verdade nunca esteve nem aí com as crianças, só as usando para sua "revolução", só faz piorar o ensino no país. Não precisamos de professores que fiquem pregando uma linha ideológica, não precisamos de sindicatos de professores que usem essa massa para manipular a mídia usando professores, e seus alunos, como se fossem meros brinquedos em favor de seus partidos antidemocráticos. Precisamos de educação de qualidade, professores que queiram ensinar conteúdos e não impor visões ultrapassadas do mundo, professores que sejam valorizados por salários decentes, mas que façam jus a estes salários se comprometendo de VERDADE com o aprendizado de nossas crianças, não aceitando ser marionetes de políticos e sindicatos corruptos.
Sem mudarmos essa realidade, sem a sociedade enxergar a importância fundamental da educação para o futuro do Brasil, seguiremos sendo, para sempre, o "país do futuro", futuro que nunca chegará. Precisamos de um pacto nacional pela educação, um pacto de verdade, com governantes que queiram um povo mais preparado e mais culto (não apenas em slogans!), com uma população que entenda que qualidade de ensino é essencial para o futuro de nossas crianças e jovens e com professores que rejeitem seguir sendo usados como marionetes de partidos que representam o passado, o atraso e a falta de democracia

Veja também
Vídeo A educação que o Brasil precisa - TedX UNICAMP
Professores em greve: que decepção!
Os professores, os salários absurdos e a infeliz realidade brasileira
Uso político dos sindicatos e da UNE


Série Bobeiras educativas:
- Que tal trabalhar para ganhar?
- Salário ou responsabilidade?
- Um sorriso de uma criança é tudo...
O que as escolas não ensinam
- Psicologismo agudo
- Um tapinha não dói
- O MEC mente - e a secretaria de educação de São Paulo ajuda
- Idade inicial
- idade inicial - a visão de um professor
- Português correto: alunos  e educadores
- Não ser meritocrático
- Foco em universidades
- Trote: vide aqui
- Bullying: primeiro post aqui, com novo comentário aqui
- Aprovação automática: vide aqui
- Novos conteúdos: vide aqui
- Flexibilidade:  vide aqui
- Livros didáticos

E também:
- Greve nos transportes
- Greve ou férias II: o absurdo dos sindicalistas
- Greve ou férias?

terça-feira, 28 de maio de 2013

Pais devem aceitar um fato: as crianças vão sofrer

Abaixo um belo texto sobre educação de filhos que retirei do site  da Veja. Se quiser ler o texto completo com toda uma boa formatação, visite o site deles clicando aqui.

Veja também 
Meu filho, você não merece nada!
Quem te faz feliz?

Não fuja da dor

Psicologismo agudo
As escolhas da vida
Você pode chegar lá
Um mundo insano
Prá que esperar o meteoro? (QueNerd)

 ****************************************************

O projeto Educar para Crescer – iniciativa do Grupo Abril, ao qual está ligada a Editora Abril, que publica VEJA — promoveu um debate nesta terça-feira, em São Paulo, sobre o papel dos pais no processo de formação de seus filhos. Para isso, convidou a psicanalista Magdalena Ramos, responsável pelo núcleo de família do Instituto Sedes Sapentiae, e a psicopedagoga Vera Barreira, orientadora pedagógica da Escola da Vila. Do encontro, saiu uma importante constatação: os pais estão excessivamente preocupados com a felicidade de seus filhos e, por isso, têm dificuldades para impor limites e dizer "não" a eles. "É um grande equívoco achar que, dando tudo o que seu filho pede, você vai evitar que ele sofra ou se frustre. A falta de limites cria crianças mimadas, mandonas e com problemas de socialização", disse Magdalena. "Seu filho vai se frustrar e chorar, querendo você ou não. Por isso, aceite isso e imponha limites." Confira a seguir orientações das especialistas:

 'Aceite um fato: em algum momento, seu filho vai sofrer'

Os pais se preocupam muito com a felicidade de seus filhos. Não há, é claro, nada de errado nisso. O problema aparece quando a preocupação excessiva leva os pais a atender todos os desejos das crianças. Isso é um grande equívoco e pode acarretar sérios problemas à socialização delas. É preciso impor limites e aceitar que, em algum momento, seu filho vai chorar e sofrer.
Comentário de Magdalena Ramos: "Atendo no consultório muitos pais que se sentem culpados por ficar pouco tempo com seus filhos e que, por isso, têm dificuldades para dizer 'não'. É preciso mostrar autoridade e impor limites. Isso é diferente de autoritarismo: não é preciso berrar ou gritar, apenas mostrar quem manda."

'Menos tarefas e mais diversão para as crianças'

Por manter uma rotina atribulada e dispor de pouco tempo para os filhos, muitos pais consideram que encher o dia das crianças com atividades extraclasse é a melhor solução, uma forma de compensação. Não é. As crianças estão cumprindo agenda de executivos, quando, na verdade, deveriam ter mais tempo livre para utilizar a imaginação e descobrir como se entreter sozinhas.

Comentário de Magdalena Ramos: "Hoje, as crianças são hiperestimuladas. Mas, para o próprio desenvolvimento adequado delas, precisam de tempo para brincar, correr e se divertir."

'Comer e dormir não são castigos: são necessidades'

Comer e dormir são necessidades básicas de todo ser humano — e também das crianças. Desde cedo, elas devem aprender a comer e dormir nas horas certas. Isso é fundamental para seu desenvolvimento.
Por isso, essas ações não podem ser usadas como moeda de troca ou punição. É o que os pais fazem quando dizem, por exemplo: "Se você não comer tudo, não usará o computador" ou ainda "Você se comportou mal e, por isso, vai para a cama mais cedo".
Comentário de Magdalena Ramos: "Há crianças que não se alimentam bem no almoço ou jantar porque os pais deixam que comam ‘besteiras’ sempre que desejam. Então, novamente, vejo pais com medo de impor limites, deixando-se levar pelo impulso de satisfazer sempre as crianças."

'Nem toda brincadeira é bullying'

Segundo especialistas, boa parte das crianças não sabe mais lidar com piadas e provocações dos colegas. O que antes era uma simples brincadeira, hoje pode ser encarado como bullying. Os pais, obviamente, têm culpa nisso, ao tentar resolver problemas que os filhos poderiam solucionar sozinhos.
Comentário de Vera Barreira: "Qualquer brincadeira sofrida pelos filhos faz com que os pais liguem na escola para pedir explicações. O correto, quando falamos de crianças com 10 anos de idade ou mais, é instruí-las a se defender sozinhas: argumentar com o colega, comunicar professores e coordenador. Se nada der certo, aí sim os pais devem agir. Ao resolver de imediato qualquer problema apresentado pelos filhos, os pais tiram deles a chance de aprender a cuidar de si próprios."

'Pais devem estimular a criança a agir como... criança'

A frase "os pais devem estimular a criança a ser criança" pode parecer redundante, mas traz um ensinamento importante. Segundo a psicanalista Magdalena e a psicopedagoga Vera, é comum os pais – ainda que sem a intenção – estimularem os filhos entre 9 e 12 anos de idade a se comportar como adultos. É preciso novamente impor limites e guiá-los para o caminho adequado: o da infância.
Comentário de Vera Barreira: "Lembro de um pai que, atendendo a pedidos da filha de 10 anos, fez para ela uma 'balada', com luz baixa etc. As meninas estavam todas arrumadas, vestidas como 'adultinhas', esperando que os garotos as tirassem para dançar, enquanto os meninos não estavam nem aí: eles só queriam saber de jogar bola. Isso é exemplo de uma conduta inadequada do pai."

'A escola deve seguir os valores da família'

A escolha da escola dos filhos é uma decisão crucial para a formação deles. Nesse caso, a orientação é simples: busque uma instituição que siga os mesmo valores de sua família. Isto é, procure uma unidade que adote aquilo que você procura:  conteúdo mais voltado ao vestibular, foco na socialização e no desenvolvimento integral da criança, regras mais ou menos rígidas e assim por diante.

Comentário de Vera Ramos: "Vá conhecer a escola, fique atento ao discurso que ela vai apresentar e procure conhecer outros pais com filhos no local. Muitas instituições adotam discursos parecidos, mas agem completamente diferente na prática."

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Meu filho, você não merece nada!




"A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada "


Repasso abaixo um texto fantástico de Eliane Brum, disponível neste link.

"Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba."

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Não gaste muito dinheiro para prejudicar crianças

sexta-feira, 16 de março de 2012

Não gaste muito dinheiro para prejudicar crianças

O nível de consumismo já passou da insanidade. Pessoas gastarem centenas de reais para darem presentes que só irão prejudicar seus filhos é algo inacreditável. Mas que tá virando algo comum...
Quero falar das atualmente na moda, caríssimas e péssimas "motos" elétricas.
Como é que pode um pai, em sã consciência, dar uma moto elétrica para seu filho pequeno? Ele nunca ouviu falar do problema crônico de obesidade infantil? A troco de quê alguém gasta centenas de reais para comprar algo que é muito pior que uma bicicleta: com uma bicicleta a criança se diverte mais, faz exercícios, aprende coordenação motora integrando mãos, pés e equilíbrio, enfim, é um exercicio completo. E é tão divertido. Com uma porcaria de uma moto elétrica a criança aprende a ser preguiçosa e tenderá a virar mais um adulto obeso que pegará o carro para ir comprar pão na esquina...
Fico pensando porque um pai faz uma maldade dessas com seus filho. Duas respostas me vêm a cabeça:
- ou ele quer mostrar para os outros que tem grana, quer aparecer,
- ou ele achou o brinquedinho legal para ele, foi algo que a criança dentro dele adorou a possibilidade de ter em casa.
Ambas as opções são horríveis: a compra não foi pensando na criança.
Então, gente, antes de dar algo para uma criança, pense bem. Muitas vezes, na verdade a maioria, singelos e simples brinquedos clássicos são muito melhores para as crianças que coisas cheias de eletrônicos, telas, motores, pilhas e tomadas. 
Quero muito que meus filhos aprendam a andar de bicicleta, jogar bola, rodar pião, pular corda. Isto sim é infância divertida. O resto é consumismo deslavado. Ou vontade de aparecer.

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

O que as escolas não ensinam

Abaixo regras que Bill Gates, dono da Microsoft, discursou para alunos em uma formatura. Concordo com a visão dele de que escolas extremamente protecionistas, onde a preocupação não é ensinar, mas "motivar" (vide aqui), onde não se pode reprovar (vide aqui) e onde o maior temor é o bullying (vide aqui e aqui), estão fugindo do seu objetivo maior.

Bill sabe o que fala!
'- Vocês estão se formando e deixando os bancos escolares, para enfrentarem a vida lá fora. Não a vida que você querem, não a vida que vocês sonharam ter, a vida como ela é. Você estão saindo de um mundo educacional que está pervertendo o conceito da educação, adotando um esquema que visa proporcionar uma vida fácil para a nova geração. Essa política educacional leva as pessoas a falharem em suas vidas pessoais e profissionais mais tarde. Vou compartilhar com vocês onze regras que não se aprendem nas escolas:

Regra 1: A vida não é fácil. Acostume-se com isso.

Regra 2: O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa de útil por ele (o mundo) antes de aceitá-lo.

Regra 3: Você não vai ganhar vinte mil dólares por mês assim que sair da faculdade. Você não será vice-presidente de uma grande empresa, com um carrão e um telefone à sua disposição, antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e ter seu próprio telefone.

Regra 4: Se você acha que seu pai ou seu professor são rudes, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.

Regra 5: Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seu avós tinham uma palavra diferente para isso. Eles chamavam isso de 'oportunidade'

Regra 6: Se você fracassar não ache que a culpa é de seus pais. Não lamente seus erros, aprenda com eles.

Regra 7: Antes de você nascer seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por terem de pagar suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são 'ridículos'. Então, antes de tentar salvar o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente arrumar o seu próprio quarto.

Regra 8: Sua escola pode ter criado trabalhos em grupo, para melhorar suas notas e eliminar a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar para ficar de DP até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola está despedido... RUA! Faça certo da primeira vez.

Regra 9: A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre férias de verão e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

Regra 10: Televisão não é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

Regra 11: Seja legal com os CDF´s - aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas. Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar para um deles.'

Juventude atual:
- aonde querem chegar?
- amor e sexo 
- Adeus a Amy,
- inspiração boa e ruim,
- cérebro de pipoca
- valor da vida

Bobeiras educativas:
- Um tapinha não dói
- Que tal trabalhar para ganhar?
- Salário ou responsabilidade?
- Idade inicial
- Português correto: alunos  e educadores
- Não ser meritocrático
- Foco em universidades
- Trote: vide aqui
- Bullying: primeiro post aqui, com novo comentário aqui
- Aprovação automática: vide aqui
- Novos conteúdos: vide aqui
- Flexibilidade:  vide aqui
- Livros didáticos