sábado, 24 de janeiro de 2015

Um lindo parque de um velho Brasil

Orlando era uma região encharcada inútil no sul dos EUA. Hoje, é uma das maiores fontes de renda e emprego de toda a Flórida. Existem lá dezenas de parques, sendo cinco ou seis da Disney, mas também da Universal, Wet'n Wild, e várias outras grifes, além de parques menores. Entre os parques, centenas de hotéis para todos os gostos e bolsos. E entre os hotéis e os parques, shoppings, restaurantes e todos os tipos de comércio que se pode imaginar. Disney e Universal construíram, em frente aos seus parques, um "bairro" com o que há de mais típico nos EUA de restaurantes, baladas, etc.
Cancun é uma cidade no México que se tornou um dos maiores polos turísticos do mundo, sem perder suas belezas naturais e explorando sua cultura ancestral. O mar de Cancun é de uma beleza estonteante, como o luar. O clima, quase sempre quente (mas sujeito a furacões). E naquela região foram construídas dezenas de hotéis, para todos os tipos de interesse e de dispêndio planejados. Em todo hotel certamente se encontrará pimenta, tacos, guacamole, fajitas, marguerita, tequila e um grupo de mariachis. Em todo hotel se encontra passeios às várias e interessantíssimas ruínas maias e aos parques ecológicos inigualáveis XCaret e Xel-Há. Perto da zona hoteleira, no mercado municipal, há muita coisa típica, inclusive as calaveras de açúcar, tão típicas desse povo que festeja o dia dos mortos. E na região dos hotéis ainda há shopping, restaurantes e baladas.
Ao lado de Fortaleza tem uma região chamada Praia das Dunas. O mar é lindo, a água clara, o clima delicioso, com calor e brisa o ano inteiro. Lá se construiu o maior parque aquático do país. E o parque realmente é fantástico, com brinquedos incríveis. Mas parece-me que os donos do parque não buscam aprender com outras regiões que já deram certo. Ao invés de entender que eles só tem a ganhar com o desenvolvimento da região onde estão, fica claro que a ação típica do parque é aquela coisa mesquinha de querer tudo só para si. Mas essa mesquinhez é burra, porque se vira contra eles mesmos.
Todos que foram voltariam à Orlando: há sempre um parque novo a se conhecer, pode-se ficar em um hotel diferente e consegue-se passar um bom tempo lá com custos muito baixos de hotel e alimentação. Mas, lógico, quem vai à Orlando, mesmo sendo a N-ésima vez, vai acabar dando um pulo em um parque da Disney. Ou seja, a Disney consegue com a "concorrência" tornar mais plausível para todos voltar lá de vez em quando. E quem está em Orlando tem a sua disposição tudo do mais típico EUA.
Ir em Cancun também é uma ótima pedida. Ficar em um dos vários hotéis all-inclusive, com preços convidativos. Ou ficar em um hotel mais simples, se for para ficar visitando parques e ruínas ao longo do dia. Enquanto estamos por lá, temos uma imersão em tradições e cultura mexicana e aprendemos muito sobre a grande civilização Maia. E os parques em volta sempre tem algo diferente para ser desfrutado. Dá para aproveitar, sempre de forma diferente, visitas anuais à Cancun.
Mas o tal parque de Praia das Dunas atua para não deixar ninguém mais na região se desenvolver. É surpreendente ver que só tem asfalto até a chegada do parque. Todo o resto do bairro ou tem ruas de terra, ou com um calçamento de pedra muito irregular. O parque não se dá ao trabalho nem de oferecer uma calçada para quem caminha na rua ao lado. Me assustei ao ver o "transporte público" da cidade: vans que carregam uma quantidade de pessoas em pé de forma totalmente inadequada e sem um mínimo de conforto. É de estranhar como um pequeno município, com um parque daquele tamanho, não consegue cobrar impostos que possam dar uma vida menos ruim para seus moradores.
O ingresso para o parque são absurdos R$ 180 e os preços dentro do parque não são caros, são um assalto: almoço por mais de R$ 80 por quilo, trio de sanduíche por mais de R$ 30, um churros por R$ 8 e um boné por R$ 45: preços fora da realidade não só para nós, brasileiros, mas também para os turistas estrangeiros, que tem opções muito mais baratas para visitar em outros países. O parque fica em frente ao mar, mas não há nenhuma opção de barracas na areia: pelo que soubemos, o parque "deu um jeito" de levar a única barraca para uma distância de 1km: afinal, ele não quer concorrência para seu bar de praia que cobra absurdos R$ 85 por um prato de carne seca para duas pessoas em porção não muito farta (sem incluir bebida e 10% do garçom). Também não há vendedores ambulantes na areia: segundo um vendedor do próprio parque, eles mantém seguranças na praia para evitar que os camelôs entrem na faixa de areia em frente ao parque e aos hotéis do mesmo grupo: não me parece lícito que um parque privado controle quem possa entrar ou não em uma área pública como a praia. Os bugueiros, típicos da região, que não apenas ganham dinheiro com seus passeios, mas também acabam ajudando a sustentar pessoas em várias atividades, como rendeiras, jangadeiros, etc., estão restritos a atuar em uma pequena barraca na entrada para o trecho onde o parque mantém algumas lojas e parece que o parque não aceita que eles deixem as pessoas almoçar em restaurantes fora do parque. E a prefeitura, joga junto com o parque, sempre dificultando as licenças desses profissionais. As  rendeiras do município, com ótimo e tão típico trabalho, não tem um lugar minimamente adequado para trabalhar e oferecer seus produtos: já tiveram mas a prefeitura fez o favor de demolir e prejudicá-las.
Ao invés de valorizar a cultura da região, o parque ignora completamente o estado onde fica, tão rico em cultura que tanto poderia interessar aos turistas. Não há nada de Ceará nos brinquedos ou decorações. Em um cantinho fora do parque há um "Museu da Jangada", constrangedor de tão simplório e nada destacado, museu com menor destaque que um casal de gorilas de metal: ninguém conseguiu me explicar porque um casal de gorilas em um parque aquático em frente à praia no Ceará. E há dois shows no parque: um de piratas e outro de bichos com um hipopótamo: lamentável a falta de valorização da região.
Em resumo, os moradores do município ganham muito pouco com os turistas que nele ingressam. E o parque, tentando trazer todos os ganhos para si, eliminando qualquer tipo de concorrência e não valorizando a cultura da região, não vê que assim elimina também a vontade de voltar de muitos que lá vão. Eu mesmo, embora tenha gostado do parque, da praia e do clima, não pretendo voltar. Pois seria uma experiência muito mais rica ir em um parque aquático, poder escolher o que comer em inúmeras barraquinhas em frente a praia, ter uma feirinha de artesanato em frente com as artesãs mostrando como é feito o seu trabalho, muita oferta de bugues para todas as belíssimas praias ao redor e outras opções de parques e restaurantes nas redondezas. Fica enjoativo, chato mesmo, ir para um lugar que só tem uma única opção de diversão. E, além disso, é absurdamente caro ir ao parque todo dia e comer por lá, muitíssimo mais caro do que em Orlando ou Cancun. E estadia no Brasil também está algumas vezes mais caro que nesses lugares...
Há empresários que entendem que só vão conseguir se desenvolver de verdade se a comunidade em volta se desenvolver junto. Mas há os típicos empresários do nordeste, aqueles que controlam o congresso e fazem o Brasil ir para trás, que acham que para se manter ricos precisam explorar os mais pobres e mantê-los dependentes. E tudo indica que os donos desse parque são desse último tipo. É pena, porque se eles olhassem a coisa de forma mais ampla, entenderiam que eles ganhariam mais se ajudassem a região a se desenvolver também. Essa miopia faz o parque perder dinheiro, a cidade perder dinheiro e seus cidadãos se manterem em um nível de pobreza não aceitável para um lugar com um parque tão rico. E é esse tipo de gente que controla o Brasil até hoje, infelizmente...

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Somos destruidores da natureza

Falésias em Canoa Quebrada:
natureza tão frágil que deveria estar isolada da ação de turistas

Aqui em São Paulo vivemos uma histórica e trágica situação de falta de água. E quais são os culpados? Somos todos nós, brasileiros:
E além do caminhar,
idiotas ainda se acham no direito  de destruir

- cada um de nós quando gasta mais água que precisa, nossos vizinhos que insistem em varrer calçadas com mangueiras, nossos conhecidos que continuam achando essencial um carro lavado semanalmente, etc.
- nosso governo estadual, que fez menos obras do que o necessário para acumular e transportar água e que atuou muito pouco na proteção das nascentes e mananciais. Um estudo que vi a pouco mostrava uma enorme quantidade de nascentes que secaram nos últimos anos neste que se diz ser o estado mais desenvolvido do país;
- nosso governo federal, que deixa e incentiva o desmatamento da Amazônia: para quem ainda não entendeu, as chuvas do sudeste, vem em grande parte da Amazônia: quanto menos Amazônia tivermos, menos chuvas haverão. Quando a Dilma aprovou o novo código florestal, muito menos preocupado com a natureza que com os votos dos agricultores no congresso, ela ajudou a termos menos chuvas. E quando o PT faz assentamentos na Amazônia, em terras que deveriam ser conservadas, tira a água de nossas crianças.
Mas a verdade é muito mais feia do que a mídia transparece, falando apenas do Cantareira. Conheço pessoas do norte de Minas que dizem que, quando crianças, havia rios perenes profundos onde hoje tem um ribeirão que seca por muito tempo. Em uma viagem que fiz por Fortaleza e praias ao redor, a impressão que tive foi de que meus netos não conhecerão muitas das maravilhas que eu pude viver por lá:
- a praia de Canoa Quebrada, que dizem ser uma área de proteção ambiental, famosa por suas falésias avermelhadas, tem vários trechos destas destruídos por barracas de praia e outras coisas. Nos poucos trechos que ainda restaram, o que não falta são inscrições de idiotas em formações históricas frágeis que vão ceder rapidamente graças a esses vândalos. Muitos trechos de falésias já bastante sofridos deveriam ser isolados, mas continuam abertos para caminhadas que vão pouco a pouco descaracterizando esta formação geológica tão frágil;
- em um passeio por região de Dunas próxima à Canoa Quebrada, fomos apresentados a uma grande região que antes era um lago e que há anos secou;
- em outro passeio conhecemos uma lagoa de água doce linda, mas que tem quase metade de sua borda descaracterizada com construções que logo deixarão aquele paraíso parecido com o lago do Ibirapuera;
- em um outro passeio, próximo a uma lagoa que também estava quase seca, um trabalhador local enfiou a mão no barro para mostrar um pequeno caranguejo, achando ser interessante sua ação. Mas de tanto ser caçado, o bichinho já estava sem uma garra. Imaginamos a catástrofe que é para aquela população de minúsculos caranguejos serem retirados do seu habitat centenas de vezes por dia, para cada grupo de turistas que chega.
- na região de Praia das Dunas, o que menos pode se ver agora são dunas, quase todas cobertas por centenas de condomínios de apartamentos de fim de semana para a classe média alta.
Essa Lucelia deveria entender que isso não é uma homenagem
mas a prova que o pretendente é um imbecil
que não pensa no futuro que vai deixar para seus filhos
  Em resumo, se olharmos com olhos conservacionistas, vemos que nós, brasileiros, não estamos atuando de verdade para tentar conservar nossos recursos naturais. Muitos adoram se dizer verdes, culpando os governos de oposição à sua simpatia pelas desgraças que ocorrem. Mas todos os governos tem uma postura similar, de muito pouca atenção à natureza, simplesmente porque conservar a natureza por aqui não dá voto. Enquanto o povo continuar achando normal arrancar uma árvore centenária da calçada para facilitar a garagem, colocar seu nome em uma maravilha da natureza, ou mesmo em árvores da praça da esquina, jogar lixo no rio ou na encosta da montanha, jogar pilhas no lixo, andar em SUVs gigantes sozinhos para ir até a padaria que fica na esquina de casa, deixar o ar condicionado no máximo e dormir com cobertor, etc., não podemos criticar os governantes. Porque cada povo tem o governo que merece e nosso governo é um reflexo do que somos.


Veja também:
Ecologia é só discurso! 
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Pão de Açúcar mente - comprem no Dalben
Desafio aos supermercados: que tal cuidar da ECOLOGIA?
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Sacos plásticos - todos unidos na mentira contra o povo
A milionária mentira dos sacos plásticos e a ecologiaEcologia X Humanismo

Ponto para o Alckmin! Cubatão
A vida merece respeito 

O jogo da imitação com o pai da computação

Ontem fui ver o filme "O jogo da imitação". O filme é muito bom, mesmo para quem não é Nerd, pois mostra bem o clima tenso e as estratégias para lá de complexas da inteligência britânica ao longo da segunda guerra mundial. Quem gosta de drama de guerra, com intrigas e tensão, vai achar bem interessante.
Mas para quem é Nerd de Computação, o filme é OBRIGATÓRIO! Imperdível!
É a história da vida de ninguém menos que Alan Turing e, ao longo do filme, ele constrói "a máquina de Turing" (que eu já ensinei no UniSantos) e discute o "teste de Turing" (que eu já discuti em aulas de Inteligência Artificial). Ver a teoria que vemos na faculdade na sua geração, com seu "pai", me fez soltar vários sorrisos de satisfação nerd ao longo do filme.
O filme também é muito interessante por vários outros pontos:
- ver como não devemos, jamais, julgar alguém, pois muitas vezes a loucura é irmã da genialidade;
- ver que se os computeiros são um bando de nerds loucos, estranhos e que muitas vezes tem dificuldades até em se relacionar com outros seres humanos, isso vem desde os primórdios :-D;
- ver como a computação ajudou o mundo a ser melhor e pode salvar milhões de vidas;
- ver como nosso mundo muitas vezes é ainda reacionário e injusto (não perca os letreiros finais para entender isso, quando eles falam o que a rainha da Inglaterra fez SÓ em 2013!)
Enfim, é um filme que recomendo para todos. Mas que acho imperdível para pessoas da área de computação!

Veja também:

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Belo filme: rude, drogado e genial Sebastião (Tim Maia)
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha
Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária
Thatcher: uma mulher única
O novo cinema brasileiro (com O homem do futuro) e o Jabor
SennaO discurso do rei
A rede social
Detona Ralph
Rio
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Trapalhões na luta contra a ditadura

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O Silvio Santos é coisa nossa!
Eu gosto do Faustão!