sexta-feira, 16 de março de 2012

Não gaste muito dinheiro para prejudicar crianças

O nível de consumismo já passou da insanidade. Pessoas gastarem centenas de reais para darem presentes que só irão prejudicar seus filhos é algo inacreditável. Mas que tá virando algo comum...
Quero falar das atualmente na moda, caríssimas e péssimas "motos" elétricas.
Como é que pode um pai, em sã consciência, dar uma moto elétrica para seu filho pequeno? Ele nunca ouviu falar do problema crônico de obesidade infantil? A troco de quê alguém gasta centenas de reais para comprar algo que é muito pior que uma bicicleta: com uma bicicleta a criança se diverte mais, faz exercícios, aprende coordenação motora integrando mãos, pés e equilíbrio, enfim, é um exercicio completo. E é tão divertido. Com uma porcaria de uma moto elétrica a criança aprende a ser preguiçosa e tenderá a virar mais um adulto obeso que pegará o carro para ir comprar pão na esquina...
Fico pensando porque um pai faz uma maldade dessas com seus filho. Duas respostas me vêm a cabeça:
- ou ele quer mostrar para os outros que tem grana, quer aparecer,
- ou ele achou o brinquedinho legal para ele, foi algo que a criança dentro dele adorou a possibilidade de ter em casa.
Ambas as opções são horríveis: a compra não foi pensando na criança.
Então, gente, antes de dar algo para uma criança, pense bem. Muitas vezes, na verdade a maioria, singelos e simples brinquedos clássicos são muito melhores para as crianças que coisas cheias de eletrônicos, telas, motores, pilhas e tomadas. 
Quero muito que meus filhos aprendam a andar de bicicleta, jogar bola, rodar pião, pular corda. Isto sim é infância divertida. O resto é consumismo deslavado. Ou vontade de aparecer.

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- Adeus a Amy,
- inspiração boa e ruim,
- cérebro de pipoca
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Lições para não esquecer - os exemplos dos mais humildes

Quando prestava o vestibular para a UNICAMP me fiz uma promessa: se a vida me desse a chance de satisfazer esse sonho, eu daria às pessoas mais pobres da sociedade um panetone no fim do ano para terem um dia de natal um pouco mais feliz. E fiz isso por dois ou três  anos: sempre no fim do ano, ao voltar para minha querida Santos, eu comprava algumas dúzias de panetones genéricos (afinal, era estagiário) e saía distribuindo os panetones para a população de rua.
Em um primeiro momento achava que eu estaria fazendo o bem para eles. Mas descobri, ao final, que eles é que me faziam muito bem. E se há duas décadas não faço mais isso, quero muito voltar a ajudar quem mais precisa. Só não posso deixar o tempo passar demais...
Lembro como se fosse hoje que eu pegava meu fusquinha, enchia com os panetones e ia para regiões onde os moradores de rua mais se acumulavam, perto do mercadão e do porto. Muitos familiares achavam que aquilo era perigoso, mas jamais sofri qualquer tipo de violência interagindo com aqueles seres humanos em situação tão desfavorável.
Em uma das vezes, vi três homens, muito bêbados, carrinheiros, brigando e xingando um ao outro, com a garrafa em punho. Me aproximei, com três panetones, os chamei e expliquei a minha intenção. A resposta de um deles foi um choque muito grande: "moço, nós somos amigos, não precisa deixar três, nós dividimos um. Dê os outros para quem estiver precisando mais". Caramba, pensei eu, precisando mais que eles, que não tem casa e que carregam carrinhos pela rua como animais para sobreviver? Quanta gente com carro importado acha que merecia mais da vida! Já aqueles pobres bêbados ali me mostraram o que é realmente ser humano. E voltei eu com dois panetones ao meu fusquinha, percebendo que eu jamais seria tão digno quanto os três bêbados...
Em outra oportunidade, vi embaixo de uma grande marquise, dois grupos: três homens e uma família de pai, mãe e criança. Peguei seis panetones, uma para cada, e me dirigi primeiro aos homens. Falei com eles e novamente uma lição: moço, não precisamos mais que um, dê os outros para eles, eles têm um filho e precisam muito mais que nós.
Fala a verdade, não foram lições inesquecíveis? Aqueles panetones me deram o melhor curso que eu já fiz na vida...
E vendo hoje várias notícias de riquinhos idiotas maltratando pessoas de rua, fico imaginando a que ponto chegamos: uma sociedade que acha que dinheiro é mais importante que dignidade, onde ser rico justifica maltratar, atirar, bater ou queimar alguém da base da pirâmide é uma sociedade muito doente! Certamente, esses jovens mimados, são seres desprezíveis que jamais chegaram a um porcento da inteligência e da decência dos Seres Humanos com os quais interagi nas minhas andanças por Santos.

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Tem muita gente boa no mundo

Ontem tive que, mais uma vez, enfrentar as insanas filas das repartições públicas brasileiras. Fui com bastante antecedência, para conseguir pegar o que precisava e depois buscar meus filhos na escola. Mas a demora estava tanta que, após uma hora de fila, fui buscar um filho e voltei e ainda faltava tanto tempo que deu tempo de ir buscar o outro filho e voltar e ainda faltava uma hora pelo menos...
Uma senhora, já com seus 70 anos, me viu com o bebê no colo por tanto tempo e a outra criança ao lado e me ofereceu de trocar a senha com ela, que seria atendida uns 30min antes, mais ou menos. Eu disse que não precisava, que ela já estava ali há duas horas e era mais idosa que eu. Mas ela insistiu tanto, dizendo que uma criança não deveria ficar parada tanto tempo e que não é fácil ficar segurando um bebê no colo por uma hora (minha coluna realmente já me matava), que eu não tive como não aceitar. Fiquei ali pensando em como há boas pessoas boas no mundo, sem a pressa de todos, que pensam no próximo.
E ao conseguir a caixa de produtos que lá retirei, voltei atrapalhado, com um bebê em um braço, a caixa na outra mão e a pequena andando na frente carregando sua mochila. Já no caminho de volta, um motorista da universidade me abordou e me pediu para que lhe deixasse ajudar: ele levaria a caixa e eu ajudaria a minha filha a carregar a mochila. E lá foi ele uns 100m ao meu lado, com um sorriso no rosto, sem ganhar nada em troca, simplesmente ajudando ao próximo.
Sinceramente, eu acho que não teria oferecido a troca das senhas se estivesse no lugar da senhora, já duas horas parado esperando por lá: afinal, teria muitas coisas "urgentes" para fazer. E também tenho dúvidas que seria tão solícito quando o motorista. Isso me faz pensar em quanto melhor eu poderia ser. E também em quanto, muitas vezes, damos excessivo valor ao lado ruim das coisas, à violência, aos maus, e o quanto deixamos de valorizar o que há de mais bonito na vida, a bondade do ser humano.
Muito obrigado, senhora e motorista, pela lição de civilidade e de humanidade que me deram ontem. Isto ficará comigo para sempre.


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sábado, 10 de março de 2012

Na rolança do tempo - um livro para se deleitar

Eu já falei aqui sobre o Mário Lago, uma das pessoas públicas que mais admirei. Um cara que soube como poucos aproveitar a vida, acreditar em seus sonhos e mostrar que cultura, alegria e inteligência podem chegar bem perto dos 100.
Um livro para se deleitar
Pois foi sem querer, em uma rodoviária, que me deparei com o livro "Na rolança do tempo", deste homem único. Acabei comprando e li praticamente inteiro ao longo da viagem.
Primeiro, é um livro de história. Pois mostra de forma clara como foi o nascimento do carnaval na cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, o carnaval da grande maioria do Brasil. E conta não como algo distante, mas como alguém que viveu e participou ativamente da formação do que hoje encaramos como parte do que é o Brasil.
Não nos esqueçamos que Mário é autor de marchinhas ilustres, como Amélia e Aurora, só para citar duas. E morava lá no coração do Rio, convivendo com pessoas como Villa Lobos e outros membros da sociedade boêmia carioca.
Mas Mário Lago foi mais que um grande autor de músicas inesquecíveis. Autor de teatro, depois ator de teatro, ator de rádio-novelas e mais depois ainda ator de TV. Enfim, acompanhou o nascimento de várias frentes artísticas no país. E também foi um comunista que conviveu com a ditadura do GV e depois a ditadura militar: é legal ver também como era o dia a dia político nessa época.
Além de todo o conteúdo histórico e político, o livro é uma lição do que é um bom viver. Mário Lago, mesmo nos seus últimos dias de vida, sempre tinha um sorriso nos lábios e uma sensação de que tudo valeu a pena. E ler o livro dele é interessante para ver como isso é possível. Tudo contado em uma prosa leve, clara, adorável de se ler, quase um papo de bar, tipo de papo que ele muito praticou.
Se você quer saber como era morar no Rio dos anos 30 a 60, entender todo o processo que culminou com as escolas de samba cariocas, e sentir como era a vida de um autêntico culto boêmio carioca, é um livro imperdível. É também um livro de auto-ajuda muito melhor que os que se denominam assim, pois ler Mário Lago é ver um exemplo real de uma vida feliz. Imperdível!

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Mário Lago: Um homem extraordinário!
Samba-enredo em homenagem ao Mário Lago
Projeto  Mário Lago 100 anos
Um exemplo de brasileiro: Maurício de Souza
O melhor presidente (Itamar Franco)
Um grande líder (Paulo Renato)
Um exemplo de pessoa (José Alencar)
Eu gosto do Faustão!
Um talento único e uma grande vítima! (Michael Jackson)
Trapalhões na luta contra a ditadura
Queen
Belo

quarta-feira, 7 de março de 2012

Homenagem à um tiozão gente finíssima

Ele foi o tio mais presente de toda a minha infância. Sempre alegre, irreverente.
Conta a lenda que de pequeno fugia da aula para jogar bola na praia. E por isso acabou abandonando os estudos mais cedo. Mas depois da maturidade chegar, resolveu seguir em frente e conseguiu seu sonho de ser advogado.
Lembro dele dirigindo com os pés para fora da janela do carro cheio de sobrinhos bem pequenos. Acho que era na Avenida Portuária, chutaria que em época de carnaval, e se não me engano era um carro baixinho (tentei achar na web e talvez fosse um TL). Era uma loucura que quase matou minha mãe do coração, quando contamos, mas que ficou para sempre gravada na memória: basta falar que o acontecido acima foi quando eu tinha uns 7 anos, ou seja, há várias décadas atrás, mas nunca esqueci.
Sempre que o encontrávamos ele dava balinhas, mas quem mordesse não ganhava mais, pois estragava os dentes. Sempre esse balançar entre carinho e responsabilidade...
O armário de solteiro dele era interessantíssimo, em especial para os meninos da família: tinha duas bonequinhas inocentes que beijavam na boca (será que ainda existem? adoraria revê-las), mas também tinha outras fotos, bem menos inocentes, que todos meninos adoravam olhar :-O .
Quando eu era pequeno, lembro de ele colocar meus pés sobre os pés dele e andar, em um malabarismo divertidíssimo.  E também lembro de ele molhar a mão, chegar nas nossas costas e fingir espirrar, abanando a mão molhada e deixando a todos enojados.Eram coisas tão legais que repito hoje com minhas filhas. 
Sempre foi um tio pentelho, sempre com aquelas piadas para perturbar, como a que faziam comigodia após dia por causa de eu não ter um dos sobrenomes do meu pai... Mas aprendi com isso que não se deve levar as coisas tão a sério...
Ele sempre foi o esportista da família. Certamente eu seria muito mais parado e gordo se não fosse ele me criar o gosto por esportes. Ele me fazia andar do Marapé até a Vila Margarida em Santos, deve dar uns 10km, descalço, pois homem não podia ter um pé tão "molinho", tinha que criar aquele cascão "de macho" na sola (na verdade criou uma baita bolha). Em outras oportunidades, me fez subir por todos os morros da cidade, em lugares que eu nunca teria conhecido se não fosse ele. Também me levou ainda mais longe, quando fomos pedalar até Praia Grande (estimo uns 25km de casa), onde moravam outros primos. Em uma dessas viagens, viajando à noite em um local onde hoje fica um shopping mas na época era apenas estrada, mato e nenhuma iluminação, consegui o feito de bater roda com roda com outra bicicleta que vinha na direção oposta: caí na estrada (ainda bem que não vinha carro na hora) e estourou o pneu. Tivemos que vir a pé um grande trecho, muitos km, carregando as bicicletas e depois conseguimos carona na carroceria de um caminhoneiro bondoso. Mas ele nunca perdia o humor e fazia piada até daquela situação.
Também me fez fazer muitos esportes, de pequeno até o último ano em que fiquei em Santos, quando fazia Karatê com ele.Foi esse o momento em que eu tive o melhor preparo físico da vida e muito deveu-se ao incentivo desse tio que sempre adorou esportes.
Ok, ok, o gosto futebolístico dele não é perfeito, pois não torce para o Santos. Acho que talvez tenha resolvido ser diferente justamente por gostar de ser pentelho, provocando aos outros santistas da família. E o gosto político prefiro nem comentar, pois este foi o único ponto que me fez ter algumas "brigas" com meu querido tio, mas que sempre foram discussões pontuais, pois jamais conseguiria ficar bravo com um tio que me deu tanta felicidade quando eu era criança.
A maior parte do que eu sou eu devo à minha família. E meu tio estará sempre comigo, nas minhas boas memórias da infância e em um modelo do que um adulto pode ser para uma criança: não um cara certinho, chato, politicamente correto, mas uma pessoa cheia de alegria, irreverência e que nos mostra que as vezes ousar e ser louco é muito legal. 
Valeu mesmo, tio!


PS. hoje soube de uma notícia muito triste, que se for verdade vai acabar com um local que está muito ligado à momentos de grande felicidade da minha adolescência e ao meu tiozão: será verdade que vão fechar o Playcenter? Tiozão organizou algumas excursões até lá, foram provavelmente alguns dos dias mais felizes de toda minha adolescência...


PS2. Lembrei de uma outra passagem interessante na minha vida, graças ao meu tio: fiz caratê com ele, como disse acima. E tive um momento de muito aperto financeiro, no início do meu curso de graduação. E foi meu tiozão que conseguiu naquela época um bico para eu trabalhar como segurança em um show da Xuxa, na Vila Belmiro, com o argumento que eu lutava caratê. Nunca fui do tipo físico esperado para um segurança de show, mas aquele dinheirinho foi de muita ajuda. Além do mais, foi a única vez que vi a Xuxa ao vivo, e embora não seja fã incondicional da loirinha, indo ao show não há como se negar que ela é absurdamente carismática. Mas, sinceramente, nos poucos momentos que consegui olhar para o palco, pois o foco era segurar o povão no gramado a uma distância segura do palco, o que mais me impressionou mesmo foram as lindíssimas, perfeitas e inesquecíveis coxas das paquitas: eram de tirar o fôlego!



Um momento de irreverência do meu tio gravado lá no final dos anos 70 


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sábado, 3 de março de 2012

O prazer das coisas simples

Ficamos sempre buscando coisas mais elaboradas, mais caras, mais raras, enfim, buscando algo que nos dê algo de muito especial. Como se precisássemos de algo mais especial do que estar vivo.
Hoje resolvi ser simples: fiz um prato de arroz com feijão e fritei um ovo. Nossa, que delícia estava, aquela gema se misturando no arroz... Fantástico. E muito mais saudável que os pratos elaborados com massas e cremes que engordam e tem muito menos nutrientes. Para fechar, uma laranja, que sempre faz a digestão funcionar bem...
Demais de bom, simples, caseiro e saudável. 

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