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domingo, 14 de maio de 2017

Exagerada mãe

Minha mãe é um exagero só, em tudo que faz.
Sempre foi exagerada em sentimentos. Carinhosa além da conta, ficava muito muito brava por muito pouco, um ciúme, muitas vezes despropositado, fora do comum. Chorava muito sem motivo ou ficava feliz, inexplicavelmente, cantando a manhã inteira. Para algumas palavras, até certo ponto comuns, reage como se estivesse ouvindo uma ameaça de morte. Para alguns comentários muitas vezes inocentes e sem nenhum outro significado, sempre imagina motivações maquiavélicas. Quando embirra com alguém, fica o tempo todo tentando achar maldades em qualquer ação. Mas para o Roberto Carlos, o rei de belas músicas e muita malícia, sempre devotou um respeito tão exagerado, como se ele fosse um anjo inocente e puro, que diz não ver suas picardias de homem bem sem-vergonha.
O exagero da minha mãe chega ao seu topo com comida. Se ficarmos 1h na casa dela, vamos ter que almoçar (ou jantar, ou café, ou lanche, ou ceia, o que couber no horário). Em 2h, terá uma refeição e algo em seguida. Se ficarmos 10h, serão 10h ininterruptas de comidas, em sequencia: ao sair do café da manhã vem um sem fim de doces e frutas, conectado com uns biscoitos que vem enquanto ela está preparando o almoço, que vai ter 3 carnes diferentes que ela espera que comamos, cada uma, em uma porção que é o dobro do que comemos no total em uma refeição normal, temos que comer o feijão que ela fez especial, o arroz, os 4 tipos de salada e 3 legumes, e por aí vai. Lógico que após o almoço virão as frutas, as 3 sobremesas que ela fez e umas outras 3 que ela comprou. Nem saímos da mesa, já virão os chocolates e doces enquanto ela prepara o lanche da tarde, cheio de pães deliciosos que ela comprou, mas as 18h o jantar já estará a mesa. E se sairmos as 19h, ela ainda vai insistir em levar algo para "se tiver fome" depois dessa maratona gastronômica. E se não provarmos tudo que ela fez ou comprou "com tanto carinho", serei o filho malvado que não dá valor e só fica fazendo charminho para deixá-la triste.
Mas o real grande exagero da minha mãe é seu coração. Cabe tanto amor, tanto afeto, tanta preocupação. Ela se preocupa com todos e tudo, mesmo com aquilo que não precisaria ou com aqueles que não mereceriam. É capaz de perdoar gente que fez coisas que eu jamais perdoaria. É capaz de ser carinhosa com um estranho, com um desconhecido. Com crianças, então, é sempre um total doce, com um tratar tão especial, que não há criança que não se apaixone por ela em seu primeiro contato. Com os filhão aqui, então, nunca deixa de ser a mãe exageradamente zelosa e carinhosa que sempre foi, se preocupando com o que comi, com o que vou fazer, em eu não me meter em confusão e não brigar com gente má, e por aí vai. Quantas vezes não sorrio ao vê-la agindo como se ainda fosse aquele gordinho bobo de 40 anos atrás (ok, ainda sou gordinho e bobo, mas agora já sou velho o suficiente para cuidar das minhas coisas). Ela é uma mãe exagerada até no mundo virtual: muitas vezes, mesmo sem entender nada, curte tudo o que eu escrevo e ainda comenta.
Obrigado, meu Deus, por ter exagerado tanto na escolha daquela que me pôs no mundo e que me acompanha com esse exagerado carinho. Um exagero de obrigado por tudo para minha mãe. E um exageradamente feliz dia das mães para a velhinha da praia. Te adoro, mama, exageradamente.

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domingo, 11 de maio de 2014

A senhora está aqui!

É mais um segundo domingo de maio que não estou aí,
É mais uma ausência
É mais um presente que eu vou ficar devendo (alguma hora eu pago)...

Mas, o importante, é que a senhora está aqui,
A cada segundo, a cada instante,
Está aqui quando me preocupo com o povo,
Está aqui quando não aceito benefícios próprios que não acho justos,
Está aqui quando tento fazer só o que é certo,
E quando perdoo o outro também.
Está aqui em cada piada que eu faço com os pequenos
E em cada bronca que neles dou por coisas erradas que fazem.

Por muitas e muitas vezes eu faço algo e reflito em seguida
Eu já vi alguém fazer o mesmo há algumas décadas atrás...

A senhora se faz presente no sorriso fácil
Na alegria descompromissada
E até nas vezes que eu tento cozinhar
Mas não no resultado, porque sou um amador com panelas

Está aqui quando me enervo com o sabão por baixo da esponja,
Com uma toalha em cima da cama
Ou com pratos deixados na mesa.
Cuidar do lar aprendi com a melhor dona de casa do mundo.

Está aqui até nos momentos em que não concordo...
Quando vejo uma criança feia
Que a senhora insiste que não existe,
No ódio que tenho por pessoas más e egoístas,
Por mais que tenha ouvido que odiar é errado,
E quando negocio mil vezes antes de gastar um centavo,
Embora a senhora sempre tenha amado pouco o dinheiro.
Por mais que pense diferente,
Sempre que eu faço esse tipo de coisa, lembro da minha mãe...

Porque eu sou o que me fizeram
Porque eu carrego 50% dos genes seus,
E, principalmente, porque você me cuidou
Com todo o amor do mundo
com mais atenção do que seria possível,
Me deu carinho, me deu cuidado
E me deu, principalmente,
Lições e valores.
E tudo isto nunca vai sair daqui de dentro,
De dentro de mim,
Onde moram um amor
E um sentimento de dívidas eternos.

Um viva para minha mãe,
A mãe que já tá velhinha, mas sempre bonitona,
A mulher de sorrisos e broncas fáceis
E com um amor no coração
Insuperável!

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sábado, 11 de maio de 2013

As mentiras da minha mãe

Minha mãe sempre falava coisas que me espantavam. E ela me dizia que quando virasse pai eu iria entender... Virei pai, e já tenho muitos km rodados nessa "função". A conclusão que tiro é que minha mãe mentia para mim.
Lembro quando eu perguntava para ela se ela não tinha nojo em mexer no cocô da gente, seus bebês. E olha, que naquela época, era fralda de pano: tinha que lavar, torcer, esfregar a caca toda... Me embrulha o estômago só de pensar. A resposta dela é que não tinha nojo das "coisas" dos filhos. Pois bem, depois de um milhar de fraldas trocadas (ou mais), outro dia eu estava na creche e vi uma mãe tendo que colocar a "mão na massa" da fralda da filha. E olhei para meu pequeno e pensei: "graças a Deus você aprendeu a usar o vaso e nunca mais vou ter que mexer em cocô novamente..." Muitos anos se passaram e para mim cocô continua sendo cocô, algo nojento, asqueroso, algo que não deve ser visto e, principalmente, manipulado. MESMO DOS MEUS FILHOS... Cocô é cocô, nojento, não importa a origem.
Minha mãe sempre me falou também que sempre nos achou os bebês mais lindos do mundo. E que toda mãe acha seus filhos perfeitos. Pois é: eu amo de paixão meus filhos, acho eles super demais e não me canso de agradecer a vida por ter me dado essas pérolas tão incríveis. Mas seria cínico falar que eles são os mais bonitos do mundo: não são. Nem são os mais inteligentes, nem os mais habilidosos em tudo. São seres humanos incríveis, e os amo por serem isso. Mas não consigo vê-los como símbolos da perfeição. 
Quando ela falava que eu não a deixava dormir, eu perguntava como ela aguentava e a resposta era sempre que bastava um sorriso de seus filhos e todo o cansaço ia embora. Ou eu era um santo, que tinha um sorriso milagroso, ou foi uma nova mentira da minha mãe. Pois depois de uma ou duas noites dormindo pouco graças a uma febre de um pequeno, não há sorriso deles que me tire o cansaço. Adoro vê-los sorrir, disso não tenho a menor dúvida, mas adorar um sorriso não tira meu cansaço.
Minha mãe cuidava de tudo e de todos em minha casa. Sempre roupa bem lavada, a mão (pois a máquina estragava a roupa), tudo neuroticamente limpo, comida fresca e variada (saudável e deliciosa), os filhos sempre impecavelmente arrumados... E ela fazia tudo isso cantando. Não é possível que ela não sentia cansaço, desânimo. Aquele cantar de tantas músicas que sei de cor até hoje, só podia ser um fingimento: como alguém trabalhando tanto conseguia ainda manter a felicidade no coração? Se eu tiver que fazer uma comida simples e lavar uma pia de louça, já preciso de umas 4h para recuperar a boa vontade!
Enfim, pensando nos exemplos acima e em um milhão de outros exemplos, o que me vêm a cabeça é que minha mãe sempre foi uma grande mentirosa. Mentia pois jamais quis cobrar ou reclamar de nada que fazia para seus filhos. Mentia porque sempre quis ser uma mãe mais que perfeita (pois seria perfeita mesmo se demonstrasse seu cansaço). Ou então, minha mãe pertence a uma outra classe de pais, com um amor tão superior e tão incondicional, que faz o coração se impor ao racional, ao nojo, ao cansaço. Seja como for, eu sei que devo muito a essa moça que me fez ser o que sou.
Feliz dia das mães, para a mãe mais mentirosa e amada do mundo!

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domingo, 13 de maio de 2012

Feliz dia das mães 2012

Hoje é um dia super-especial! E várias coicidências se acumulam.
Primeiro, hoje é dia das mães. O dia com mais carinho, mais amor, mais saudades de todos os dias do ano. Hoje eu dedico parabéns à todas as mães, esposa, minha mãe, minha avó, a dezena de tias e a outra dezena de primas que experimentaram essa dádiva. E dedico parabéns também a todas as outras mães que conheço, cada uma do seu jeito, cada uma com sua mania, mas todas mães que merecem todos os parabéns do mundo.
Mas hoje também é treze de maio, dia da libertação dos escravos. Que bom que não existem mais mães no mundo que tem filhos e são obrigadas a dá-los para seus patrões. Que bom que as mães hoje são livres. E aqui um especial agradecimento àquelas mães que além de mães viveram como escravas, 100% dedicadas aos seus filhos, sem pensar em si, sem pensar em mais nada. Aproveitem e se libertem hoje também.
Por fim, se tudo der certo, as mães de Santos terão hoje um tri-campeonato para comemorar. Mais um belo motivo para muitos parabéns.
Então parabéns às mães, parabéns à liberdade e toda a torcida do mundo para o jogo da tarde fazer muitas outras mães - e filhos - felizes.

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mamãe, mamãe, mamãe

Pois é, e lá se vai mais um ano... Há exatos um ano escrevi o post 61 piscadas . E cá estou novamente, para dar mais uma piscadela da vida.
Resolvi dar um tom diferente nest post-homenagem à minha mãe. Será um post musical. Porque minha mãe sempre foi musical. Desde os tempos em que ela era criança e meu avô levava as filhas para dar show na rádio de Santos. Desde os tempos em que ela dançava Rita Pavoni e que ficou brava quando o sapato voou. Enfim, desde muito tempo atrás.
Sempre que me lembro da minha mãe, lembro dela cantando. Ela lavava a roupa cantando, cozinhava cantando, enfim, cantar era a sua rotina. Foi com ela que aprendi muitas músicas, desde as clássicas da MPB até todas as músicas da Jovem Guarda, inclusive aquelas que a maioria das pessoas da minha geração acham que só existem em inglês.
Mas vou aqui destacar três músicas muito marcantes para mim. Pois são as músicas que ela sempre citava quando o tema era mãe.
A primeira é a trágica "Churrasquinho de mãe". O clipe está abaixo. Conta a lenda que foi a história real do autor. Mas, humor negro à parte, não tem como não rir do exagero dramático da música, bem típica daquele tempo onde as músicas eram uma grande história e, usualmente, uma história dramática.



Tem também a música do maior ídolo dela, o Roberto Carlos, o homem que deu o nome da mãe para vários iates. Eu jamais terei a pretensão de ser um poeta popular como o Roberto. Ele sabe tocar os corações do povo... E eu não posso negar que foi muito bom o tempo em que minha mãe me levava prá casa, me contava histórias e me fazia dormir.



Mas, sinceramente, a música sobre mães que mais me marcou é, provavelmente, a música que minha mãe mais cantava em seus shows na pia da cozinha. Um clipe que usa a música está abaixo. Mas a poesia, simples, inocente, é o que mais marca. Até porque, eu também me lembro os chinelos na mão :-) E, certamente, começaria tudo de novo!




Parabéns, minha mãe! Toda a felicidade do mundo para a senhora. Muito amor, muita paz! E muita loucura ainda na sua vida, pois a senhora tem muito o que aproveitar ainda!

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