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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Adeus a Roberto Leal

Certamente, algumas pessoas que pouco me conhecem, de verdade, vão achar muito estranho eu homenagear Roberto Leal. Não sabem elas que eu, como filho de português, por parte de pai, e bisneto de três portugueses (e uma espanhola) por parte de mãe, sou de uma família com forte cultura e tradições portuguesas, de imigração razoavelmente "recente", dado que toda minha origem veio pobre da península Ibérica já no século XX.
Quem tem menos que 40 anos, não tem ideia de como o Brasil mudou. A imigração portuguesa foi muito forte ao longo de todo o século XX. Não é a toa que boa parte dos comerciantes, em especial de padarias, restaurantes e feiras (o caso do meu pai) eram portugueses (realmente portugueses, nascidos na terrinha, não descendentes). E dada a grande quantidade de portugueses no Brasil, nos anos 70 eram comuns muitos quadros de música portuguesa, havia inclusive programas dirigidos a colônia na grande mídia. E o grande ícone desses imigrantes no Brasil era, exatamente, o Roberto Leal. Há duas décadas atrás, quando os saudosos Mamonas incluíram "Bate o pé" em uma paródia, homenageavam exatamente esse grande sucesso.
Lá nos anos 70, quando tinha menos que 10 anos, uma das coisas que mais ouvia era que eu era parecido com o Roberto Leal. Até meu penteado era parecido. E lógico que a família pedia para eu dançar o "vira", principalmente o grande hit "Bate o pé". E eu, na minha inocência típica de criança, e em meio de uma família tão calorosa e amorosa, como nunca fui exatamente tímido, não tinha como negar o pedido: e dançava, dava os pulinhos, e deixava a família sorrindo.
Quando fui fazer meu pós-doc em Portugal, já em 2009, ouvi dos "professores doutores" de lá que Roberto Leal era ridicularizado porque cantava músicas simplórias, pois era considerado por eles algo como o "brega" daqui. E, sinceramente, ao ouvir isso, tive ainda mais orgulho da minha origem e passei a admirar ainda mais o Roberto Leal. Pois o Roberto não queria posar de cult, fazer músicas elaboradas: ele sabia que a missão dele era matar as saudades dos portugueses pobres que tiveram que imigrar para o Brasil. Roberto Leal não cantava para os ricos de Lisboa; cantava sim para os pobres que imigraram sem nada, vindos do interior, como meus familiares lá de Trás-os-montes, de onde veio também Roberto Leal. E foi por isso que estourou no Brasil de imigrantes simples portugueses.
Bom, infelizmente o Roberto Leal nos deixou no dia 15/09/2019. Quem tem menos de 30, talvez não tenha a dimensão da importância que esse cantor teve nos anos 70. E, principalmente, de quanta felicidade ele trouxe para essa imensa massa de imigrantes portugueses.
Obrigado, Roberto Leal, por tudo que fez para a colônia portuguesa e seus descendentes como eu!

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Tim Maia
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Homenagem aos finados dormindo...
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Um exemplo de pessoa (José Alencar)
Um talento único e uma grande vítima! (Michael Jackson)
Trapalhões na luta contra a ditadura
Queen

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Uma vida que valeu a pena!

Ele é um dos meus melhores amigos de toda a vida. Morei com ele por 3 anos em república e sempre nos demos bem. E até hoje tentamos manter o contato, apesar de morarmos longe.
É um cara realmente exemplar: muito inteligente, sincero, trabalhador, responsável, que ama a família e que trata a todos sempre com muito carinho e respeito, um cara que seria a definição de "gente fina". Sempre o admirei por suas virtudes e pela capacidade de sempre transparecer uma leveza e um sorriso.
Hoje tive a infelicidade de acompanhar a despedida do pai desse grande amigo. O pai se foi de forma rápida, inesperada. Mas meu amigo me recebeu com o sempre presente sorriso leve, com a amizade e a simpatia que sempre foram sua marca.O acompanhei apoiando sua mãe e seu irmão nesse momento tão difícil. E sendo simpático com todos que estavam lá para esta última homenagem. E pude dar alguns abraços sinceros em um momento tão difícil...
Ao pai do meu amigo, agradeço por ter colocado alguém com tantas qualidades no mundo. Grande mérito de criar alguém com tantas virtudes em um mundo como o nosso. Ele se foi com a certeza de que cumpriu com louvor sua presença na Terra, deixando para a posteridade um ser humano de grandes qualidades. Descanse em paz, grande senhor!


terça-feira, 21 de abril de 2015

Tancredo: um choro de 30 anos!

Faz agora quase exatamente trinta anos em que eu chorei pela primeira vez por causa de política. E talvez o meu choro mais intenso, convulsivo. Há 30 anos, em um domingo a noite, enquanto eu assistia sozinho na sala de fundos de casa um programa (acho que era BJ Mackey, um caminhoneiro com seu chimpanzé), ouvi primeiro o baile do clube Portuários de Santos parar a música, algo muito inesperado. Em seguida, tudo se explicou: a TV interrompeu a programação para noticiar a morte de Tancredo Neves. E eu desabei em lágrimas... Foi a primeira vez que vi um sonho político desmoronar por completo.
O Brasil viveu por mais de 20 anos sob os militares. Eu já nasci em meio à ditadura. Era uma vida ruim aquela onde não podíamos falar nada sobre o governo com medo de alguém ouvir e denunciar a família. E aí veio a luta pelas diretas-já, o maior movimento político que este país já viveu, e se não conseguimos votar para presidente, conseguimos pelo menos que ele fosse civil e escolhido pelo congresso. Até o fim da ditadura o Brasil só tinha dois partidos: a Arena, que apoiava os militares e o Movimento democrático brasileiro (MDB) onde estava toda a oposição. Quando ficou claro que a Arena iria perder, parte dela criou uma dissidência, a Frente Liberal, que virou depois o PFL e hoje é o DEM. E em uma composição, o líder das diretas, Tancredo, aceitou como seu vice um membro da Frente Liberal, que sempre tinha apoiado os militares: Sarney. Então, para mim e para a maioria do povo, Tancredo representava a mudança, Sarney representava a Arena, o continuísmo.
Tancredo Neves: o pai da democracia
O fato é que os militares não estavam ainda 100% convictos em entregar o poder. A cada vez que o PT aparecia com suas bandeiras vermelhas, o quartel tremia. E a democracia só chegou porque o Tancredo trabalhou como bom mineiro, muito e pela calada, sentindo os quartéis, conversando com todos e deixando claro que quem governaria era ele, um cara que os militares sabiam ser sensato. Tancredo estava doente e precisava se tratar: mas recebeu informações que os militares estavam atuando para não deixar o Sarney assumir (um cara que os tinha traído) se o Tancredo fosse internado. Então Tancredo segurou sua internação até quando pode, até o dia da posse, quando a transição já tinha se configurado, quando os ministros militares já tinham sido demitidos. Mas atrasou tanto seu tratamento que não conseguiu nem vestir a faixa, já tendo que ser internado às pressas. Tancredo, em resumo, deu sua vida pela democracia no Brasil, foi um herói que morreu simbolicamente no dia do nosso maior herói da pátria, Tiradentes. Na verdade, eu e muitos achamos que ele já tinha morrido antes, mas pelo peso da data, resolveram esperar para divulgar neste dia. Mas isso não muda nada sua atitude heroica: Tancredo foi o grande responsável pela volta da democracia em nosso país.
Tancredo Neves era um político íntegro como poucos, como aquele grupo que tanto faz falta hoje: Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Mário Covas. Foram eles que através da luta justa, da luta política, enfrentaram os militares de frente. Foram eles que lideraram as diretas. Políticos com história, com vontade de ver o país mudar, com convicções. Tancredo ainda tinha seu jeitão mineiro que o ajudava a ser bem aceito em vários meios, desde os militares, a Arena, até os mais radicais da oposição. Tancredo foi um herói que nunca poderemos esquecer.
Aquele era um momento de esperança. De acreditar em um país diferente. De acreditar na força do povo e da democracia. Tancredo encarnava muito bem esse papel. Mas aí veio o Arenista Sarney, depois o Collor e agora vivemos sob a ditadura vermelha: que pena, Tancredo, que pena que seus sonhos e os sonhos de tantos brasileiros da minha geração tenha acabado nessa ditadura atual que destrói e assalta o futuro de nossa nação.
Só nos resta é esperar por outro Tancredo que consiga se impor à estes políticos corruptos de hoje e que coloque nosso país de novo na trilha da democracia e do desenvolvimento. O Brasil merece um futuro melhor, o Brasil merece ter políticos como Tancredo Neves de novo nos liderando rumo ao progresso.

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Um ícone do Brasil que nos deixou: Niemayer

Há certos personagens que ajudam a construir a imagem, a cultura e os valores de um povo. Os estadosunidenses sabem isso muito bem e chegaram a esculpir o rosto de alguns desses nomes em uma montanha, nomes que são sempre cultivados como pais da pátria.
Morreu um ícone do Brail:
mais de cem anos, lúcido e com muita energia
O Brasil tem alguns nomes que construíram nossa identidade. Como nossos políticos são muito ruins desde o início, eu não colocaria muitos políticos nessa lista. Talvez o GV e o JK mereçam essa honraria: o primeiro começou a dar a cara de um país moderno, com governo mais conectado com o povão; e o segundo por mudar a moral do nosso país e realmente ter feito 50 anos em 5: com ele o país virou um país urbano e industrial. Com relação à políticos da nossa era, nenhum mereceria estar nesse seleto grupo.
Mas há outros nomes que ajudaram a fazer a imagem do nosso país. Dois para mim são os nomes do século XX que não são políticos: Pelé e Niemayer. Ambos gênios em suas especialidades. Ambos brasileiros que nunca renegaram seu povo e suas origens. Ambos artistas criativos e únicos.
No final do ano passado perdemos Niemayer. Niemayer foi muito mais que um grande arquiteto. Niemayer projetou o nome do nosso país no exterior. E Niemayer ajudou JK a fazer nosso povo acreditar que somos mais que um paiseco pobre dos trópicos, que conseguimos fazer coisas grandes e fantásticas. Em uma era onde um governo prá lá de incompetente não consegue fazer um estádio de futebol sem superfaturar várias vezes, sem atrasar e fazendo algo com qualidade duvidosa, é quase inacreditável acreditar que JK construiu Brasília em 5 anos.
Mas Brasília não seria patrimônio mundial se não fosse a genialidade de Niemayer. Virão os detratores dizer que a arquitetura dele não é funcional, não aproveita a iluminação natural e todo aquele blá de gente invejosa que jamais chegaria perto dele. Sim, as propostas deles tem inúmeros defeitos, como o prédio com sala redonda: alguém aí sabe onde comprar um sofá redondo? Mas sua genialidade está nas formas externas, nas curvas, na simetria e na beleza limpa do concreto. Brasília é linda, o congresso é um prédio incrível, a esplanada é uma visão de uma criação fantástica. Eu já conheci quase todas as grandes cidades do mundo desenvolvido e posso dizer que nenhuma me chamou tanto a atenção pela beleza da arquitetura que a nossa Brasília. Pena que os políticos que moram lá não façam jus a essa capital maravilhosa.
Uma das obras mais geniais de Niemayer é nosso congresso
Niemayer foi comunista desde jovem. E embora eu seja terminantemente contra o comunismo (vide Por que o socialismo não dá certo?), acho muito legal alguém que acredita em algo seguir lutando até morrer, com mais de 100 anos. Como acho Niemayer um exemplo, por nunca ter deixado de amar a vida e de trabalhar, sempre tendo orgulho do trabalho que fazia. Um mês antes de partir, Niemayer foi assistir a um show musical. Um dia antes de morrer, Niemayer pediu para o médico liberá-lo logo, pois tinha um projeto para terminar: eu espero morrer com mais de 100 anos com essa lucidez e essa energia!
É alguém realmente que ficará para sempre marcado no roll dos maiores brasileiros da história. Tenho muito orgulho de ter nascido no mesmo país que Niemayer. E tenho muito orgulho do povo que concebeu e construiu uma cidade tão fantástica como Brasília.

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E mais mitos do passado:
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quarta-feira, 27 de março de 2013

Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Gonzaga

O diretor Breno Silveira já fez um filme que eu odiei: "2 filhos de Francisco". Não consigo aceitar um filme que retrata um pai que acha que os filhos pequenos tenham que se expor à riscos (e até à morte), só porque ele quer que eles sejam famosos. Odiei o filme porque é um péssimo exemplo que foi visto por milhões e pode ter vendido uma ideia errada do que é ser um bom pai.
Mas Breno Silveira se redimiu. Dirigiu uma outra história biográfica. Uma história de dois personagens fantásticos da nossa música. Luiz Gonzaga, o rei do baião e Gonzaguinha, seu filho.
Um filme lindo sobre música e amor entre pai e filho
Cada um dos personagens já merecia uma trilogia só para si. Gonzagão, o pai, que nasceu pobre, foi discriminado quando morava lá no sertão do nordeste e, depois de muito ralar, conseguiu sucesso nacional. Gonzagão que teve uma vida cheia de dramas, dificuldades, mas que nunca deixou sua simplicidade e nunca deixou de cantar com prazer. Musicalmente, sou fã do Gonzagão: ele trouxe para o resto do Brasil toda a riqueza da música de raiz do nordeste. E não tem como não amar "Asa Branca" e outros clássicos que ele tão bem entoava com sua sanfona.
Gonzaguinha nasceu e cresceu em uma favela carioca, em meio ao crime e ao samba. Teve uma vida complicada desde criança, pois perdeu a mãe com dois anos e tinha um pai que sempre estava em turnê pelo Brasil. Sofreu, se sentiu rejeitado, chorou. Mas conseguiu transformar essa dor em poesia, poesia de primeiríssimo nível. Eu mesmo posso dizer que uma das músicas que mais gosto, até hoje, é "O que é, o que é":
"viver, e não ter a vergonha de ser feliz;
cantar, e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita"



O filme é de uma beleza incrível. Tem atores excelentes: o que faz o Gonzagão é sanfoneiro de verdade e tem estilo e carisma compatíveis com quem quer retratar; e o que faz o Gonzaguinha é tão parecido em tudo que até assusta, parecendo o próprio ressucitado. É um filme que mostra a vida como ela é, sem querer pintar ninguém como mocinho, nem como vilão. Mostra como a vida pode ser dura para todos, como nós, humanos, conseguimos ser complicados. Acima de tudo, o filme fala da relação entre pai e filho, um pai simples, humilde, que sempre viu como sua maior obrigação "não deixar faltar nada para seu filho" e um filho que sempre esperou um pai Gelol: "não basta ser pai, tem que participar". É um conflito de gerações, uma mudança de visão de mundo, onde não há verdade, não há certo nem errado.
Enfim, é uma obra-prima recente, que passou primeiro como mini-série na Globo e há pouco foi lançada em DVD. Vale pela história, vale pela excelente música que pontua todo o filme e vale pela sensibilidade em mostrar uma relação entre pai e filho onde amor e conflito habitam os mesmos corações.

Dominguinhos: outro músico que vai deixar saudades
PS. Vale ressaltar que o grande sucessor do Gonzagão também está prestes a nos deixar: segundo a própria família, Dominguinhos está em coma irreversível. Será outra perda gigante da música brasileira, tão carente de músicos desse gabarito nos últimos tempos.
PS2. Dominguinhos faleceu em 23/07/2013: mais um brasileiro que vai deixar muitas saudades em quem gosta do país e de música de verdade. 

Outros bons programas:
Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária
O novo cinema brasileiro (com O homem do futuro) e o Jabor
Roque Santeiro
A "boa" da terça
O Silvio Santos é coisa nossa!
Eu gosto do Faustão!
Senna
O discurso do rei
A rede social
Rio
Up
Trapalhões na luta contra a ditadura

quarta-feira, 6 de março de 2013

Tristeza pela morte do Chorão

Hoje, 6/3/2013, o Brasil perdeu o Chorão. Chorão que era líder do Charlie Brown Jr., uma banda que começou como uma banda de rock de primeira. Chorão que não era santista de nascimento, mas era um santista de coração: sempre que eu o via, lembrava de pessoas como o Ney, que trabalhou com meu pai: aquele povo humilde, rebelde e alegre ao mesmo tempo, malandrão mas boa gente. É uma versão moderna e santista do carioca Bezerra da Silva (vide este post).
Falavam hoje os divertidos comentaristas do quadro "Hora de Expediente", da CBN, que o Charlie Brown é provavelmente a última grande banda de rock do Brasil. E acho que eles estão certos. Tivemos a ascenção do rock/pop com a jovem guarda nos anos 60 e com a tropicália nos anos 70. E a explosão do pop rock brasuca nos anos 80, com todas aquelas bandas inesquecíveis. Nos anos 90 ainda tivemos algumas coisas boas, como Skank, Jota Quest, Pato Fu, e fechamos com os rockeiros do Charlie Brown, Raimundos e a Pitty. Daí em diante, pouca coisa realmente memorável aconteceu.
O Charlie Brown começou com rocks de primeira, mas acabou se deixando pasteurizar e acabou cantando músicas mais pop, com menos identificação com os rockeiros que eles começaram sendo.
Não está ainda divulgada a causa da morte desse quase jovem rebelde (minha idade)! Mas é claro que de alguma forma a droga está ligada a essa tragédia. A droga que alguns insistem em cultuar, mas que eu abomino por nos tirar do convívio pessoas criativas e fantásticas como o Chorão.
Pena, Chorão, que você não tenha mais seu escritório na praia. Vou sentir falta de alguém falando de uma forma tão jovem, irreverente e santista. Escutar você era sempre matar um pouco de saudades da minha cidade. De qualquer forma, você sempre estará presente como um ícone do rock nacional.Já peguei os Cds que tenho do Charlie e vou ouvir hoje: "preço curto.. prazo. longo" e o premiado "tamo aí na atividade".Abaixo dois destaques inesquecíveis

Zóio de Lula - fala tão típica de malandro santista


 Confisco - na minha opinião, uma das melhores deles!

Veja também:
Santos - uma linda cidade e uma grande história
Uma cidade, linda cidade, a minha cidade: viva Santos

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dinocamp: de volta ao bandejão

Bandejão UNICAMP: pouca coisa mudou nesses 25 anos
A vida passa muito rápido. Não parece, mas há mais ou menos 25 anos atrás eu entrava pela primeira vez no bandejão. Lembro como se fosse ontem, na verdade lembro melhor, porque não lembro o que comi ontem. Lembro que o nosso amigo Tetsu comeu tanto e com tanta vontade que fizemos uma vaquinha para comprar outro bandejão para ele ;-)
Como eu estava feliz naquele dia. Eu estava na UNICAMP, lugar do meu sonho. Sim, eu tinha conseguido entrar em computação na UNICAMP, mesmo com quase 40 candidatos por vaga! Mesmo sem ter feito cursinho. Mesmo vindo de uma família super-humilde. Eu tinha conseguido graças a muito esforço, a um ano de estudo quase ininterrupto, sábados, domingos e feriados. E lá estava eu com tantos amigos que depois viraram meus melhores amigos de toda a vida, comendo no bandejão.
O bandejão da UNICAMP tem um clima de festa. Aquele restaurante gigante, com milhares comendo, e no início das aulas, cheinho de bixos carecas, pintados.... Muitos chatos reclamam do bandejão: eu comi lá praticamente todo dia durante toda a minha graduação, praticamente toda noite nos 4 últimos anos da graduação (pois não existia bandejão noturno em 88) e uma parcela significativa de refeições durante o meu mestrado e doutorado. A comida é simples, básica, mas normalmente boa: sempre tem arroz e feijão bem temperados, sempre tem salada e pão e variam as misturas e sobremesas. Ótimo para quem não é enjoado e não tem dinheiro a perder.
Bixete toda pintada se servindo de salada
Há tantas boas passagens no bandejão. Lembro quando, em algum trote, fizeram os bixos comer só de colher, confiscando garfos e facas (era com a turma de 89?). Lembro que tínhamos sempre que procurar uma bandeja limpa, porque muitas ainda vinham com restos de comida do usuário anterior. Lembro quando pixaram a mesa com o suco de uva, que manchou e não saiu mais. Lembro dos parabéns a você que logo contaminavam a todos. Lembro da tia relapsa que jogava o feijão com tanta força na bandeja que tínhamos que pular para não ficar com pingos na roupa. Lembro do bife 007: "frio, duro, nervos de aço e licença para matar"! Lembro do "frango voador": frito tão duro que quando tentávamos cortar, ele saía voando. Lembro da escolha que podíamos ter nos dias de ovo cozido e salsicha: 2 ovos, 2 salsichas ou um de cada... Lembro do suco sabor amarelo 1, amarelo 2, vermelho 3: o gosto era independente da cor e não era fácil de lembrar a associação com alguma fruta. Lembro que eles davam copos e talheres embalados em um saco plástico e que usávamos esse saco para levar um pão para comer no café da manhã no dia seguinte.  Lembro até de um sábado que eu entrei escondido (porque estava com fome e não permitiram que alunos "normais" entrassem) e comi pizza no bandejão (uma brotinho para cada um). Aff, e isso foi só o que veio assim, sem pensar muito... O bandejão, sem dúvida, faz parte da minha história de vida.
E na última segunda eu tive a oportunidade de ir lá novamente. Foi muito bom reencontrar a fila, a rampa (dei aquela corridinha típica na descida), escolher uma bandeja mais limpinha, pegar o feijão e o arroz. Pouquíssima coisa mudou nesses 25 anos por lá. Tinha até bixos todos pintados. A estrutura é praticamente igual. Agora tem um balcão no centro onde se pegam saladas e pode se repetir arroz e feijão (se o Tetsu estivesse aqui, agora, que desfalque para a UNICAMP!). O que mudou mesmo fui eu, pois não sou mais aquele menino sonhador de 1988. Mas foi excelente voltar lá, comer arroz, feijão carne em cubos e banana e me lembrar dos bons tempos do passado. Que saudades da minha graduação, da minha turma todo dia em conversas ao longo das refeições... Que bom que tive a oportunidade de viver aqueles anos.

Outros textos "Dinocamp":
o trote
UAP
Marketing
Vestibular
A festa do tiro
A moradia estudantil
de volta ao 3.60
O reitor Paulo Renato

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Homenagem póstuma ao dia de finados

Hebe e seu sorriso espontâneo
Acho muito triste quando as pessoas só se lembram de quem amam após eles morrerem. E acho ainda pior quando alguém antes criticado vira santo só porque morreu.
Pois é, o dia de finados já foi desta para melhor, mas ficou na minha cabeça uma homenagem que não queria deixar de fazer. E vou homenagear o dia de finados depois de ele já ter ido embora...
Mas não vou aqui endeuzar pessoas só porque morreram. Em especial, não vou aqui rasgar seda para a Hebe Camargo. Não, eu nunca fui fã dela. Eu jamais vi um programa da Hebe, como jamais vi vários outros programas do SBT, como Chaves, Bozo ou novelas mexicanas. Sempre achei o SBT em geral, e a Hebe em particular, muito bregas. Além do mais, sempre soube que a Hebe usava seu programa para fazer campanha para seu politico predileto, o Maluf. E quem faz campanha para o Maluf certamente não merece minha audiência.
Mas o fato de eu não ser fã dela não me impede de reconhecê-la por seus feitos e suas qualidades. Porque só quem é muito imaturo acha que existem pessoas boas e pessoas más. A verdade do mundo é que todo mundo tem um lado bom e um lado mal e cabe a nós avaliar qual lado é mais importante dentro dos nossos valores. A Hebe nasceu com a TV brasileira, era a história viva da nossa mídia maior. A Hebe tinha carisma, não há como se negar isso. E a Hebe tinha um sorriso, uma alegria que vinha do fundo do peito, que contagiava. Foi com esse sorriso que ela enfrentou o câncer e nos deu um exemplo tão bonito quanto do nosso ex-presidente José Alencar (vide aqui). A Hebe era grande amiga da saudosa Nair Belo, outra mulher de sorriso largo e contagiante. Não é difícil de se imaginar como era divertido um encontro das duas...
O céu certamente agora está mais alegre. A Nair contando piadas para a Hebe... E meu vô, solteiro por lá, certamente vai tentar se juntar ao papo e dar uma beliscada nas pernas da Hebe, pois sempre foi "tarado" por ela.

Outros que deixaram saudades
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- Os três malandros
- Chico Anysio: Um país com menos sorrisos
- Políticos Montoro, Covas e Ulisses: O fim de um sonho - PSDB 
- Michael Jackson: Um talento único e uma grande vítima!
- Mário Lago 100 anos
- Itamar Franco: O melhor presidente
- Paulo Renato: Um grande líder
- José Alencar: Um exemplo de pessoa

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Saudades sertanejas

Odeio breganejo. Essa música cantada por duplas desafinadas, com temática das músicas bregas padrão Amado Batista e marketing que copia descaradamente o country americano: rodeios nunca foram coisas típicas de Brasil, nem pick-ups, nem cinturões. Nosso povo fazia festas juninas e era feliz com danças e brincadeiras, sem precisar demonstrar riqueza nem torturar animais. É decepcionante ver nosso povo se rebaixando a esquecer nossa cultura e ficar copiando os yankees.
Mas apesar de ser um cara 100% urbano, sempre gostei do velho e bom sertanejo de raiz. Aquela música caipira, com temática que ora vai para a história triste e trágica, ora para a piadinha matreira de duplo sentido. Isso sim é tipicamente brasileiro. Quando criança assistia o Som Brasil, todo domingo as 8h, com apresentação do Rolando Boldrin (que hoje apresenta o quase igual Senhor Brasil, na Cultura). Ainda hoje, quando dá, vejo o "Viola minha viola", com a culta e estudiosa Inezita Barroso. E essa música sertaneja de raiz tinha como maiores expoentes, a meu ver, duas duplas que, infelizmente, já se foram:
Tonico e Tinoco
- Tonico e Tinoco: que entre muitos sucessos, gravaram a antológica "Chico Mineiro". Venderam 150 milhões de discos! e Tinoco nos deixou nesta semana;
- Pena Branca e Xavantinho: esses eu tive o prazer de assistir ao vivo e um show histórico no memorial da América Latina, junto com o santista Renato Teixeira. Como era bom ouvi-los tocar!
É, gente, o tempo passa. E muita coisa boa se perde. Espero realmente que a nossa música caipira de raiz não se perca no meio de tanta coisa ruim que hoje se autodenomina sertanejo.

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E coisas ruins:
O "Belo" só faz coisa feia
A manipulação da mídia na música

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Os três malandros - saudades

Disco histórico!
O ano era 1995. Na época fazia muito sucesso o show, disco e dvd: Três Tenores (Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras).  E aí três sambistas com alto humor do RJ resolveram tripudiar: lançaram o histórico disco "Os 3 malandros in concert".
O primeiro malandro que se foi, foi o "pai" de todos, o Moreira da Silva, em 2000, o Kid Moringueira, criador do samba de breque e da malandragem musical tão típica do RJ. Depois, quem deixou saudades foi o Bezerra da Silva, em 2005. Bezerra foi o "malandro" que mais deixou saudades em mim, pois eu o ouvia regularmente na infância: até hoje sei de cor a letra de Domingo de Ramos do Dicró, um clássico que aprendi com ele! Ontem nos deixou o terceiro malandro: o Dicró (vide notícia aqui).
É um trio que vai deixar muitas saudades. Podemos dizer que o fantástico Zeca Pagodinho continua decantando com belos sambas e bom humor a gente humilde do RJ. Mas o Zeca é bem menos irônico, sarcástico, o Zeca faz o estilo bom moço que gosta de cervejinha, um estilo um bocado diferente dos três, bem mais próximos da malandragem...

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terça-feira, 3 de abril de 2012

Um país com menos sorrisos

Tavares: personagem inesquecível
e também meu primeiro automóvel
Semana passada nos deixou menos sorridentes. Foi uma semana muito triste, graças à duas pessoas que sempre trabalharam para nos fazer sorrir.
O Chico Anysio morreu. Não vou ser cínico aqui e falar que eu era fã incondicional dele. Não, não era. Na minha infância e adolescência, sempre preferi o "Viva o Gordo", humorístico do Jô, que os programas do Chico. Mas nunca deixei de assistir o Chico Anisio Show e o Chico City, muito antes de entender o que seria City. O Chico é alguém que sempre esteve presente na minha vida, com seus personagens, seus bordões.
Bento Carneiro: uma crítica
à falta de amor próprio do brasile
O meu primeiro carro era um fusquinha com dois carburadores à álcool, que fazia 4 km/h: isso mesmo, 4! Não a toa seu apelido era Tavares, o eterno bêbado do Chico, que só dividia o amor à bebida com a Bixxcoitu, sua namorada.
Salomé e seus papos com Brasília
E também sempre achei interessantes os personagens Justo Veríssimo, um político corrupto lá da década de 70 onde aparentemente todos os políticos atuais se inspiraram. E tinha o Tim Tones, um "bispo" que lembra muito alguns líderes de igrejas atuais (para os mais jovens, o nome é inspirado em Jim Jones, pastor que convenceu quase mil americanos a se suicidar no fim dos anos 70). E o Bento Carneiro, vampiro brasileiro, bordão que está na boca do povo até hoje.  Nunca vou me esquecer do afff do Painho e nem dos belos pensamentos do Profeta. E tinha a Salomé, personagem tão bem sacado, que ficava lá no telefone falando sobre política, que até o Didi, humorista máximo na minha opinião, foi imitar.

Mas indo contra a corrente, o que eu mais admirei no Chico foi o professor Raimundo. Por ser um humor simples, popular, com a cara do Brasil, mas sem baixarias, algo para a família. O professor Raimundo era aquele programa que sempre víamos, nunca achávamos maravilhoso, mas nunca achávamos insuportável, ano após ano.
Esse professor vai deixar saudades
E lá encontrávamos os velhos humoristas, tão talentosos e tão esquecidos: ajudar quem estava precisando sempre foi uma característica do Chico. Na escolinha de tantos bordões para mim o Chico se encontrou: sem a necessidade de fazer muitos papéis, mas fazendo o seu papel maior: de líder do humorismo nacional.
Chico também sempre será lembrado por mim como alguém de coragem. Quando ele teve coragem de casar com a Zélia Cardoso, a ministra mais poderosa do Collor, que confiscou o dinheiro do povo, criou uma política que foi um fiasco e que estava sendo ridicularizada publicamente por receber torpedos amorosos que exaltavam sua beleza (inexistente) em reuniões ministeriais, Chico mostrou que não fazia as coisas para ficar "bem na fita", o que para mim é uma grande qualidade.

E se perder o Chico já marcaria a semana passada com menos sorrisos, ainda fomos perder Millor. Millor era humorísticamente o oposto do popular e simples Chico: tinha um humor refinado, inteligente. Um humor típico daqueles que resistiram à época da ditadura. Millor era um gênio, um artista completo, culto como só os homens que nasceram na primeira metade do século XX eram, falando francês e inglês, lendo centenas de livros, coisa que a minha geração nunca teve como acompanhar, pois tinha muita TV, games, e outras inutilidades... Millor desenhava, escrevia, pensava e fazia pensar. Millor já está deixando muitas saudades... Em uma passagem lembrada com carinho em um programa, um amigo contou que Millor não era piadista, era sério, até tímido, mas tinha uma inteligência e sacadas únicas. E na era militar, quando um general o abordou e pediu para ele contar uma piada, a resposta dele foi: "eu conto uma piada se o senhor der um tiro de canhão". Queria muito ter estado lá nesse momento para ver a cara de idiota do milico ao ser tripudiado assim por alguém que tinha um cérebro tão mais desenvolvido.
Estar com 40 anos é uma idade complexa. Se a minha geração e a dos meus pais ainda está "curtindo a vida", é muito triste saber que aqueles ídolos que eu acompanhei por tanto tempo, desde a infância, não estão mais por aqui. Não é nada legal pensar que nunca mais me farão rir: Dercy, Costinha, Grande Otelo, Chico, Glauco, Millor, Nair Belo, Rogério Cardoso (Rolando Lero e Epitáfio) e o Brandão Filho (primo pobre e Sandoval Quaresma, que também sempre me lembrou meu avô, outro que deixou saudades). Isso sem falar nos únicos Mussum e Zacarias... É, vai ser difícil sorrir tanto como antes...

PS. Na lista dos humoristas que dão saudades, faltou um humorista único, mítico. O Shrek encarnado, tão igual que foi até quem dublou os primeiros. Um humorista da minha geração, escrachado, debochado, o grande destaque do Casseta&Planeta: Bussunda!


Veja também outros que deixaram saudades:
Mário Lago: Um homem extraordinário!
O melhor presidente (Itamar Franco)
Um grande líder (Paulo Renato)
Um exemplo de pessoa (José Alencar)
Um talento único e uma grande vítima! (Michael Jackson)
Trapalhões na luta contra a ditadura
Queen