quarta-feira, 22 de junho de 2011

É responsabilidade dos pais: TV

Este é o primeiro de uma série de posts direcionados à pais ou pessoas que pensam em ser pais no futuro. Quero aqui discutir um pouco sobre o que eu acredito que é ser pai (e mãe). Sei que não sou um pai perfeito, e não quero aqui ensinar nada para ninguém. O que quero é fazer as pessoas pensarem em algo tão importante quanto ter filhos, para mim a coisa mais importante que um humano pode fazer na vida. Peço as mulheres compreensão: ficar o tempo todo falando pai e mãe vai ficar chato. Mas são posts para ambos, ok?
Desde criança ouço mães horrorizadas com a "pouca vergonha" das novelas. Mas essas mães nunca tiravam as crianças da sala. Não é a Globo que tem que educar os filhos, são os pais! Eu acho as novelas horríveis para crianças, não apenas pelo conteúdo sexual, mas principalmente pelas intrigas, brigas, todo aquele mal-tratar entre os personagens. E por isso mesmo, em casa só vemos Cultura e Discovery Kids quando as crianças estão acordadas. Pode ser chato para adultos ver só desenhos, em especial porque eles se repetem semanalmente, mas um pai tem que educar seus filhos e tem que adaptar sua vida ao que é melhor para as crianças...Quando se é pai, o foco maior tem que ser nos filhos!
Também é importante entender que TV não é babá. Colocar uma TV no quarto das crianças para que elas tenham a liberdade de ver algo, enquanto os adultos vêem outra coisa, é perigosíssimo. As crianças não tem senso crítico aguçado, elas vêem as coisas na TV e acreditam que aquilo é o certo. Ao assistir um programa com nossos filhos, comentamos, discutimos, indicamos o que achamos certo e o que não é legal. E eles aprendem com isso. Tenho exemplos claríssimos disso no meu dia a dia: alguns programas marcantes para minhas filhas transmitiram valores importantes graças aos comentários dos adultos. Um exemplo? Um programa que mostrava uma mulher com obesidade mórbida, que só comia coisas não saudáveis: a "moça gorda" é sempre citada como algo que não é legal. Outro exemplo é o belo filme "A fantástica fábrica de chocolate": ao assistir, discuto porque o guloso, a arrogante, etc. se deram mal: é uma bela forma de mostrar que as crianças educadas no final se dão melhor...
E se essa preocupação vale para TV, lógico que ainda mais para internet. Deixar uma criança livre na internet é muito ruim! Há muitas coisas ruins na web. E muitos exemplos de crianças que se deram mal ao interagir com coisas, e pessoas, inadequadas.
Pensem nisso! É nossa responsabilidade criar uma geração que torne o mundo algo melhor para se viver!

sábado, 11 de junho de 2011

Até breve

Pessoal,

    Estou partindo agora para uma curta viagem à duas capitais:
- à Cambridge, capital do conhecimento, onde vou tentar aprender algo em algumas conversas com MIT e Harvard.
- à NY, capital do mundo.
   Espero voltar com mais ideias para gerar muitas polêmicas.
   Até lá, aproveitem para dar uma olhada nos posts antigos: tem mais de cem posts aqui para ler. Leia, comente, critique, repasse. E me digam o que acharam.
    See you later!

best regards

Marcos

Um simples português


Ele é uma pessoa simples. Muito simples. Nunca o vi filosofando sobre a vida ou querendo entender o porquê das coisas. Ele vive e busca ser feliz. E ponto. Tendo dinheiro, comida e mulher, estará feliz!
Teve uma infância muito difícil, com muito trabalho e pouca comida, lá no interior de Portugal. Mas tudo indica que foi, mesmo assim, uma infância feliz. Comendo uva do pé e correndo por aquela região linda. Diz a lenda que até leite de cabra tomou direto da fonte, mas ele nega. Também dizem que um muro caiu em cima quando estava “encostado” nele com uma namoradinha.  Se é verdade, ele nunca vai assumir, mas que ele sempre a-do-rou mulher, é fato.
Com mulher, ele realmente é um caso a parte. Ele não é alto, desde os 30 foi um pouco gordinho e tinha quase nenhum cabelo (embora fosse magérrimo e cabeludo com 20). Mas sempre fez um sucesso incrível com mulheres. Eu queria, mesmo, saber o segredo, mas isso eu não consegui aprender :-( Lá estava ele, sujo e muito suado no trabalho, e sempre surgiam mulheres se derretendo do nada. É fato, ele tem olhos esverdeados e um bom papo, mas não pode ser só isso...
Como bom português, sempre foi muito flexível. Veio ao Brasil com 18 anos, e virou, rapidamente, santista. Torce para o Brasil na copa (menos, é claro, quando é contra Portugal, aí o coração se divide) e para o Santos nos campeonatos.  E conta piadas de Português, porque só é feliz quem sabe rir de si mesmo...
Não ficou reclamando que era pobre, que não tinha estudos, não fez protestos, nem se fez de vítima do mundo: sabia que o caminho de tudo é o trabalho. E trabalhou, trabalhou muito. Foram mais de quarenta anos na feira. Carregando caixas em alta madrugada e ficando mais de 12 horas sem parar gritando, correndo e lutando pela vida. Fez uma história na feira de Santos: o “Zé do tomate”, o 6376, é quase uma lenda. Ele podia reclamar, pois adora dar uma “choradinha”. Mas, de fato, nunca deixou de trabalhar muito. E nunca cobrou de sua família o esforço que fez para lhes dar conforto e fartura, coisas que ele não teve de criança.
Nunca vi alguém separar, com tanta simplicidade, o pessoal do profissional. O feirante ao lado “marretando” o tomate, o fazendo perder muito dinheiro, e carregar aquelas dezenas de caixas de volta, para tentar vender no dia seguinte. Ele xingava o cara enquanto fazia as contas do prejuízo. Mas logo em seguida estava lá em conversa animada com o mesmo. Eu sempre o admirava por conseguir fazer isso com tamanha propriedade. Apesar de achar certo, nunca me imaginei capaz de tamanho desprendimento.
Sua habilidade com comércio é quase inata, só não é melhor que a habilidade com mulheres. Como conseguiu levar seus filhos tão longe vendendo frutas e legumes? Ele conseguiu. Todos os três bem educados e com boa faculdade. E ainda conseguiu chegar aos 65 com uma vida confortável, agora já aposentado. Ele merece aproveitar os próximos 65 muito. Com dinheiro, comida e mulher, que é o que realmente importa.
Parabéns, pai! E obrigado por me mostrar as verdades da vida.
Feliz 65.

Ame e dê vexame

Pois é, amanhã é dia 12, dia dos namorados. Mas como estarei literalmente voando, estou adiantando aqui um post em homenagem a essa data. O próximo post também é sobre o dia 12, pois esse dia não é só dia dos namorados. Mas vamos com um tema de cada vez, para não confundir tudo...
Peguei emprestado o título do famoso livro do Roberto Freire, porque é uma frase que diz tudo:
Ame e dê vexame.
A vida, meus caros, só vale a pena com amor. É o amor que faz com que nossa vida seja mais que uma sequencia insossa de dias.
Não tenha medo de amar, de se apaixonar, com toda a sua vontade e sua estupidez. Sim, porque apaixonados são, sempre, estúpidos. Mas, mais estúpido ainda, é quem tem medo de se apaixonar. Porque, afinal, só existimos para amar.
Ame muito, ame insensatamente. Não ame "porque": a gente não ama alguém porque ela é linda, ou sexy, ou inteligente, ou (pior ainda) rica. O amor de verdade é "apesar": a amo porque a amo, e ela pode ter todos os defeitos do mundo, ainda vou amá-la. Porque o amor não tem motivos, nem explicação. Simplesmente é.
Ao final de um amor, porque muitos amores, infelizmente, acabam, você vai ficar triste. Muito triste. Talvez chorar. Talvez se deprimir. É, o amor faz isso conosco. Mas algum tempo depois, você vai olhar com muito prazer para aquele belo momento louco, onde você fazia tudo e mais um pouco, só para ver seu amor feliz. São memórias de paixões avassaladoras que nos dão, no futuro, a certeza que nossa vida valeu a pena.
Não se preocupe em ser ridículo, em ficar fazendo nhemnhemnhem para sua amada, em dar flores, em fazer poemas bobos: tudo isso vale a pena e mais um pouco. Uma vida é a coleção de momentos felizes, e essas lembranças vão ficar para sempre com você. Muitas vezes é delicioso ser brega...
Não tenha medo, vá lá. Se o cara é um cafajeste, não espere que ele não lhe traia: não será diferente com você. Mas mesmo assim, no pequeno momento em que você estiver com ele, valerá a pena. Se ela é casada, velha, feia ou pobre, isso pouco importa. Se você se interessou por ele ou ela, tanto faz. O que importa é o amor. Ame e dê vexame, meu caro!
E não se esqueça que a paixão que você nunca pode perder é a paixão pela SUA VIDA. Esta moça, única e absoluta, merece, sempre, todo o carinho e atenção de você. Ela é incrível, um verdadeiro milagre. E ninguém, ninguém mesmo, poderá amá-la tanto quando você. Ninguém ama outros de verdade se não amar a si mesmo. Você também merece se dar flores (eu prefiro chocolate), se dar viagens, se dar um tempo sem nada fazer embaixo do cobertor. Se dar um livro, se dar um momento. Se estiver sozinho, desligue essa web, desligue seu celular, desligue a TV e curta você: pense em quanto você é especial! Abra um vinho, ou faça um chocolate quente, e o deguste devagar, curtindo esse pequeno prazer com você mesmo. Porque momentos deliciosos se consegue com coisas muito simples... Se estiver sozinho, aproveite, se ame e se conheça. Mas, depois, vá para a rua e ache alguém para amar e dar vexame, porque, como diria o Erasmo Carlos  "antes mal acompanhado do que só" (vide aqui).

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Futebol não vale tudo isso



Já falei claramente aqui que sou santista: de cidade e de futebol. Amo o Santos, tenho esse time na veia. Também já deixei claro porque odeio o Corinthians (vide aqui).

Mas não tem como não concordar com o Nelson Rodrigues: o futebol é a coisa mais importante entre as coisas não importantes. Sim, isso mesmo. Futebol é legal, é divertido, mas não é, de fato, importante. Tem coisas muito mais importantes na vida e no mundo que o futebol. Lógico que fico triste ao ver o Santos perder e, principalmente, o Brasil perder em uma copa. Mas é uma brincadeira, é esporte. Não se compara a ver uma criança passando fome ou uma guerra. Futebol não é tão importante assim.

Outro dia falei que odeio o "Curintia" e uma corintiana quis brigar comigo, dizendo que é por isso que tem violência no futebol. Não concordei: odeio sim, e odeio MUITO, o Curintia. Ficaria muito feliz em ver esse time falir e nunca mais existir. Mas é um ódio futebolístico, isso não implica, de forma alguma, em violência. Uma trave, um gol e 22 marmanjos não valem mais do que sorrisos ou lágrimas instantâneos e uma brincadeira no dia seguinte. Futebol não justifica violência, de nenhum tipo. Não vou escolher um aluno, um amigo ou um funcionário por causa da preferência do time...

Quem fez isso aqui não é torcedor do Santos: é vândalo, criminoso! Merece a lei! Merecia não apenas ser expulso do Paraguai (vide aqui), merecia ser preso.

Infelizmente, a maioria das torcidas organizadas são um bando de pessoas pouco inteligentes e covardes. Pouco inteligentes porque dão importância demais à algo não tão importante assim. E se juntar para bater em alguém é covardia: homem de verdade não precisa bater em outros para se garantir. Quem precisa ficar no meio de muitos homens para bater em outros homens, está com fixação por homens. Como diria o Roger, do Ultraje, homem de verdade gosta é de mulher (curta aqui ).

Seja para que time torcer, entenda que futebol é uma bela e deliciosa brincadeira. Divirta-se, brinque, e aproveite essa arte maravilhosa. Mas não leve tão a sério, pois temos coisas muito mais importantes para se preocupar na vida. A vida é curta, não a desperdice em bobeiras...

PS. NO dia 23/02/2014, dia de jogo entre SP e Santos, ônibus de gangue que se denomina torcedores santistas atacaram SPaulinos. Mais tarde, SPaulinos atacaram e mataram um santista. Afinal, até quando vamos ter que aceitar ações desses criminosos covardes com QI de abelha que se escondem atrás dos times de futebol?

Veja também
Os covardes em gangues
Crime organizado com o apoio do governo e dos times de futebol 
O falso "macho" armado
A violência do criminoso e do não criminoso

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pés no chão, brasileiros!


O Brasil vai atingir este ano a média de renda per capita do mundo (vide aqui). Parece uma bela notícia, e não deixa de ser um alento, ver que subimos algumas posições do ranking. Mas antes de sair festejando nossa chegada no primeiro mundo, leia a matéria com mais atenção: é verdade que chegamos à média do mundo, mas ainda tem quase 100 países com renda per capita maior que a nossa. Nesses cem cabem toda a europa ocidental, os EUA, Canadá, Japão, Austrália, enfim, todo o mundo rico e ainda vários países não tão ricos assim. Não se iludam, podemos estar melhorando, mas ainda estamos no terceiro mundo! 
Tem também notícias falando de uma possível Disneylândia no Brasil (vide aqui). É, eu ficaria feliz se tivéssemos por aqui parques com a qualidade e tecnologia dos parques de Orlando: já estive lá e são fantásticos! Mas, vamos e venhamos, o melhor parque do Brasil hoje, o Hopi Hari, bem longe do nível dos parques de Orlando, mas mesmo assim muito bom, não consegue crescer e se estabelecer no país, está sempre em situação financeira delicada. Será mesmo que temos fôlego para um parque padrão Orlando ou é mais uma ação de marketing do clima de oba oba que vivemos hoje no Brasil?
Sou brasileiro com muito orgulho, mas devemos sempre ter cabeças nas estrelas, mas pés no chão. Ainda temos muito o que fazer, o Brasil ainda está longe de ser primeiro mundo!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Um exemplo de brasileiro: Maurício de Sousa

Maurício e suas criações

Quando eu era criança, meu pai sempre assinou o Jornal A Tribuna, de Santos. E eu criei o gosto de ler, com esse jornal, por causa dos quadrinhos. E a maioria dos quadrinhos era do Mauricio de Sousa. Para quem não sabe, foi na A Tribuna que o Maurício começou. Li muito “Os Souza”, Penadinho e, principalmente, Bidu. Também adorava as tirinhas da turma da Mônica: crianças normais, com qualidades e defeitos, com pais, mães, e, principalmente, com a cara do Brasil. Muito diferentes dos bichos assexuados (só tem tios) da Disney, com comportamento tipicamente dos EUA.

Não tenho dúvidas que o Maurício é um gênio. Seus personagens ganham o mundo. O Horácio é um grande sucesso no Japão, por exemplo. A Turma da Mônica já tem parques temáticos até em Angola. Está mais do que na hora dos brasileiros valorizarem gente nossa: o longa “Uma aventura do tempo” foi ótimo e merecia ter tido maior sucesso por aqui. De qualquer forma, é bom ver que o Maurício está conseguindo ver seu trabalho frutificar.

Há alguns anos o Maurício começou os gibis da turma da Mônica jovem. Um desafio e tanto transformar aquelas crianças tão amadas em todo o Brasil em um gibi mangá para teens. Mas deu muito certo e está batendo recordes de venda: quinhentos mil gibis só com o início do namoro da Mônica com o Cebolinha. Ainda este ano o Penadinho ganha espaço com uma série no Cartoon e na Globo (vide aqui). Está mais do que na hora do Brasil se tornar exportador de cultura, parando de comprar tanto desenho ruim.


Além do orgulho de ver um brasileiro tão talentoso crescer, tem dois pontos ainda que merecem um grande destaque: o primeiro é que trabalha com o Maurício de Sousa um dos meus melhores amigos da graduação:  o também Maurício.  Sempre o "uso" como uma grande inspiração para meus alunos, que estudam informática como ele estudou, e para minhas filhas. 

O outro ponto é a visão extremamente responsável do Maurício de Sousa com a comunidade: sempre atuando em causas sociais e com uma visão muito inteligente sobre as crianças: nesta reportagem pode-se ver a visão dele sobre a responsabilidade da família, o amadurecimento precoce e o bullying: não dá para não concordar! 

Brasileiros: hora de valorizar muito mais gente boa e nossa!
Bravo, Maurício de Sousa, você merece todo o sucesso do mundo!

PS. Veja minha opinião sobre bullying aqui e aqui