Pois é, já se passaram 61 anos. E quem tem 61 anos sabe que a vida passa muito rápido.
Você pisca os olhos, e não é mais criança: e dá saudades do carrinho de rolemã, de jogar "vem galo galo box" com bolinhas de gude, de ficar olhando escondido o bife a cavalo que seu pai comia tarde da noite e parecia delicioso... Mas tem a jovem guarda, em compensação, e é muito bom ficar olhando para o Roberto Carlos.
Você pisca os olhos de novo e está casada. E mais uma piscada e bebês aparecem. E lá se vão anos sem conseguir dormir direito, preocupações com doenças, sujeiras em várias dimensões, fraldas, cobertores. Mas dá saudades do tempo que os pequenos eram apenas isso, pequenos. E para tudo dependiam da mãe. Mas por outro lado foi bom ver que cresceram como pessoas íntegras, corretas e com uma vida digna, graças aos valores que você fez questão de passar.
Você pisca os olhos mais uma vez e seus bebês mudam de casa, até de cidade. E passam a viver suas vidas. Mas é bom saber que você conseguiu o que sempre almejou: "preparo vocês para o mundo, não para mim". Seus filhos ganharam o mundo e sobrevivem nessa selva que se chama vida.
Você pisca os olhos uma vez mais e aparecem netos. E a roda da vida recomeça, como que por milagre, agora em uma segunda geração.
E, de piscada em piscada, a vida vai passando. Muito rápido. Pois a vida nada mais é que isso, uma simples piscadela... A cada piscada perdemos algo, que nos dará saudades. Mas vamos ganhar alguma coisa importante para a vida a partir de então.
Que a vida, então, seja cheia de piscadas de brincadeiras com crianças. Ou de piscada de amor. Que seja um conjunto de rápidas piscadas felizes!
Mãe, que me ensinou a piscar com os dois olhos: muito obrigado por tudo. E por me dar a chance de dar minhas piscadas nesse mundinho também :-) Feliz 61!
A verdade tem que ser dita, sem medo de polêmicas. Tentando discutir as coisas com profundidade, sem me preocupar em ser politicamente correto.
terça-feira, 12 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A violência do criminoso e do não criminoso
A violência tem uma base comum, a arma. E a arma, pode estar nas mãos de um criminoso ou de um desorientado, ou mesmo de alguém são e bom, só serve para matar. A arma é algo do mal. Eu nunca quero ter uma arma em casa, auto-defesa não é justificativa para ter algo que mata.
Hoje morreram 12 crianças e um desiquilibrado. Um rapaz simples e pobre, que conseguiu comprar duas armas como se compra tomates na quitanda. Todos estariam conosco se não fosse tão fácil comprar armas. Eles estariam aqui se nosso povo não tivesse votado contra o estatuto do desarmamento.
Como alguém que votou a favor das armas vai conseguir dormir hoje? 12 crianças inocentes, cruelmente assassinadas, graças às armas.
Sou pela vida, serei sempre totalmente contra as armas!
Hoje morreram 12 crianças e um desiquilibrado. Um rapaz simples e pobre, que conseguiu comprar duas armas como se compra tomates na quitanda. Todos estariam conosco se não fosse tão fácil comprar armas. Eles estariam aqui se nosso povo não tivesse votado contra o estatuto do desarmamento.
Como alguém que votou a favor das armas vai conseguir dormir hoje? 12 crianças inocentes, cruelmente assassinadas, graças às armas.
Sou pela vida, serei sempre totalmente contra as armas!
Grande novidade: trem bala ligando SP à Campinas!
Em entrevista para repórter, ministro da Aeronáutica garante que já está resolvido o caos aéreo: será construído um trem de alta velocidade ligando São Paulo ao aeroporto de Viracopos, em Campinas.
Aí meus dois leitores vão me perguntar: e o que tem de novidade na notícia acima? Novidade, realmente não há nenhuma. Pelo contrário, a notícia acima é da década de 70! Isso mesmo, a entrevista do Ministro da Aeronáutica indicando que o trem seria construído tem mais de 30 anos! E até agora, o trem não saiu do papel.
E, no meu ponto de vista, não deveria mesmo mais sair do papel. Com custo astronômico e passagens de, no mínimo, R$ 200 (vide reportagem) ele não faz o menor sentido. Por muito menos que isso eu vou hoje de Campinas ao RJ de avião, muito mais rápido do que qualquer trem bala. E há necessidades muito mais urgentes em transporte ferroviário: metrôs para grandes cidades, trens ligando cidades médias,trens de carga para tirar tantos caminhões das rodovias e diminuir o custo Brasil...
Trem ainda é a melhor solução para transportes coletivos. Tá na hora dos brasileiros entenderem isso. Eu sempre ouvi santistas reclamando que o trem que passa na cidade atrapalha o trânsito: visão egoísta e distorcida. Na verdade é o carro individual que atrapalha o trem, a cidade e a natureza... E percebo a mesma pressão no interior de SP, com prefeitos reclamando de linha que corta a cidade pelo centro, deixando de ver que esta linha pode ser a única boa solução para transporte de passageiros. Metrô em metrópoles com SP, RJ, BH por exemplo, então, é essencial. Mas esse trem bala não faz sentido! Pelo menos não faz sentido social, mas talvez ajude bastante os famosos, e já quase normais, caixas dois de campanhas...
Aí meus dois leitores vão me perguntar: e o que tem de novidade na notícia acima? Novidade, realmente não há nenhuma. Pelo contrário, a notícia acima é da década de 70! Isso mesmo, a entrevista do Ministro da Aeronáutica indicando que o trem seria construído tem mais de 30 anos! E até agora, o trem não saiu do papel.
E, no meu ponto de vista, não deveria mesmo mais sair do papel. Com custo astronômico e passagens de, no mínimo, R$ 200 (vide reportagem) ele não faz o menor sentido. Por muito menos que isso eu vou hoje de Campinas ao RJ de avião, muito mais rápido do que qualquer trem bala. E há necessidades muito mais urgentes em transporte ferroviário: metrôs para grandes cidades, trens ligando cidades médias,trens de carga para tirar tantos caminhões das rodovias e diminuir o custo Brasil...
Trem ainda é a melhor solução para transportes coletivos. Tá na hora dos brasileiros entenderem isso. Eu sempre ouvi santistas reclamando que o trem que passa na cidade atrapalha o trânsito: visão egoísta e distorcida. Na verdade é o carro individual que atrapalha o trem, a cidade e a natureza... E percebo a mesma pressão no interior de SP, com prefeitos reclamando de linha que corta a cidade pelo centro, deixando de ver que esta linha pode ser a única boa solução para transporte de passageiros. Metrô em metrópoles com SP, RJ, BH por exemplo, então, é essencial. Mas esse trem bala não faz sentido! Pelo menos não faz sentido social, mas talvez ajude bastante os famosos, e já quase normais, caixas dois de campanhas...
sábado, 2 de abril de 2011
Nada mudou: infelizmente
Os EUA atuaram no mundo de forma muito negativa desde o fim da segunda guerra. Foram eles que apoiaram e ajudaram a estruturar as ditaduras militares em toda a América Latina, inclusive aqui no Brasil, nos anos 60 e 70. Em alguns países onde não conseguiram colocar ditaduras no poder, apoiaram sangrentas guerras civis, que mataram centenas de milhares e destruíram diversos países, em especial na América Central e na África, até os anos 80.
No Oriente Médio, apoiavam um ditador no Irã na década de 70 (xá Reza Pahlevi). Quando os xiitas derrubaram a ditadura do xá, os EUA ajudaram a criar um forte ditador no Iraque, e o armaram fortemente, para guerrear contra o Irã que não aceitou o controle americano. 20 anos depois, de forma bastante cínica, os EUA transformaram o antigo aliado Saddam Hussein em "inimigo da democracia". Democracia que os EUA só defendem em discurso, pois adoravam fomentar ditaduras e guerras civis.
Quase todos esses ditadores de países árabes que ameaçam cair agora, se mantiveram no poder porque era o interesse dos EUA. Os americanos preferem ter alguém comprometido com os EUA do que alguém que represente democraticamente seu povo.
Mas o Obama veio dar uma esperança de um mundo melhor. Alguém que ganhou um Nobel da paz, alguém inteligente e culto como ele, que tem no sangue a África e na família muçulmanos, teria que ser diferente. Teria!
Mas a grande decepção começou com o cinismo com que o Obama ignorou as rebeliões nos países árabes contra ditadores amigos dos EUA. Os americanos só resolveram agir na Líbia, não por coincidência o único ditador que não é aliado americano. Mas ouvir que a CIA está fazendo ações "secretas" para passar armas para os rebeldes foi demais. O Obama está lançando mão do que há de mais sujo que os EUA já fizeram na política externa. Só falta agora uma nova guerra civil criada pelos americanos. Tristemente, me vêm a cabeça a velha música do Léo Jaime: nada mudou.
No Oriente Médio, apoiavam um ditador no Irã na década de 70 (xá Reza Pahlevi). Quando os xiitas derrubaram a ditadura do xá, os EUA ajudaram a criar um forte ditador no Iraque, e o armaram fortemente, para guerrear contra o Irã que não aceitou o controle americano. 20 anos depois, de forma bastante cínica, os EUA transformaram o antigo aliado Saddam Hussein em "inimigo da democracia". Democracia que os EUA só defendem em discurso, pois adoravam fomentar ditaduras e guerras civis.
Quase todos esses ditadores de países árabes que ameaçam cair agora, se mantiveram no poder porque era o interesse dos EUA. Os americanos preferem ter alguém comprometido com os EUA do que alguém que represente democraticamente seu povo.
Mas o Obama veio dar uma esperança de um mundo melhor. Alguém que ganhou um Nobel da paz, alguém inteligente e culto como ele, que tem no sangue a África e na família muçulmanos, teria que ser diferente. Teria!
Mas a grande decepção começou com o cinismo com que o Obama ignorou as rebeliões nos países árabes contra ditadores amigos dos EUA. Os americanos só resolveram agir na Líbia, não por coincidência o único ditador que não é aliado americano. Mas ouvir que a CIA está fazendo ações "secretas" para passar armas para os rebeldes foi demais. O Obama está lançando mão do que há de mais sujo que os EUA já fizeram na política externa. Só falta agora uma nova guerra civil criada pelos americanos. Tristemente, me vêm a cabeça a velha música do Léo Jaime: nada mudou.
terça-feira, 15 de março de 2011
Bom cinema: Up!
Olá, meus caros dois leitores. Hoje quero falar sobre um novo assunto, inédito neste blog. Vamos falar sobre cinema.
Eu sou um cinéfilo. Lembro sempre, com um sorriso no rosto, de dois dias em que eu e minha namorada (atual esposa) fomos em 4 ou 5 filmes . Bons tempos! Mas depois da chegada das crianças, ir no cinema é um evento que demanda grande organização e planejamento, e virou um raridade. Sinto muita falta das salas escuras, mas é algo do qual precisei me afastar por um tempo por algo mais importante: a vida é cheia dessas escolhas, né?
Não sou um estudioso do cinema. Vejo o cinema não como uma arte, mas como diversão. É lógico que tem arte, mas o foco para mim é o prazer de assistir. Não concordo com aqueles críticos que ficam dizendo que tal filme é ótimo porque tem uma fotografia não sei como, ou uma narração diferenciada: acredito que se um filme é ótimo, a parte técnica é o menos importante. E também não quero parecer intelectualóide, só gostando de chatos filmes cabeças, para me sentir melhor que os outros: eu vim do povo, sou filho de feirante, sei que o que é realmente bom normalmente também é algo bem simples.
Gosto de quase tudo, tirando coisas violentas, pois tenho uma natureza bastante pacífica: não gosto de filmes de lutas ou com muito sangue. Mas adoro suspense, daqueles que não precisam de sangue nem efeitos especiais, mas de um grande diretor. E gosto também de comédias, inclusive românticas, dramas, aventuras e, porque não, desenhos.
E hoje quero falar de um desenho animado. Vi pela primeira vez em um avião e me surpreendi muito. A ponto de ganhar de presente de aniversário o filme, um presente que adorei. A princípio é um filme de criança. Mas no fundo, é um filme profundo, com uma mensagem linda. Seus primeiros cinco minutos são absolutamente perfeitos: muito ágeis e surpreendentes. Eu, que nem sou assim tão emotivo, fico sempre com lágrimas quase saindo dos olhos (mas seguro porque homem não chora, certo?). Mostram uma vida em ritmo alucinante, o garoto, a namorada, o casamento, as promessas, as tristezas e alegrias até um desfecho melancólico. Uma vida comum como várias que acompanhamos. Só esses 5 minutos já valem o filme. Mas depois ainda tem a descoberta do que é realmente importante em uma vida por um velhinho ranzinza, velhinho que cada um de nós tem dentro de si. E tudo isso em meio a uma historinha engraçadinha para crianças também.
Up! é um clássico daqueles de nunca se esquecer. Eu já tenho meu DVD em casa para ver de vez em quando. Se você ainda não viu, não sabe o que está perdendo!
PS. Up virou mania em citações sobre a vida nas redes sociais, agora nos últimos meses de 2011. Eu já tinha descoberto esse filme antes ;-)
Veja também
- Senna
- O dicurso do rei
- A rede social
- TV Viva e Roque Santeiro
- Rio
| Um amor romântico que anda fora de moda |
Não sou um estudioso do cinema. Vejo o cinema não como uma arte, mas como diversão. É lógico que tem arte, mas o foco para mim é o prazer de assistir. Não concordo com aqueles críticos que ficam dizendo que tal filme é ótimo porque tem uma fotografia não sei como, ou uma narração diferenciada: acredito que se um filme é ótimo, a parte técnica é o menos importante. E também não quero parecer intelectualóide, só gostando de chatos filmes cabeças, para me sentir melhor que os outros: eu vim do povo, sou filho de feirante, sei que o que é realmente bom normalmente também é algo bem simples.
Gosto de quase tudo, tirando coisas violentas, pois tenho uma natureza bastante pacífica: não gosto de filmes de lutas ou com muito sangue. Mas adoro suspense, daqueles que não precisam de sangue nem efeitos especiais, mas de um grande diretor. E gosto também de comédias, inclusive românticas, dramas, aventuras e, porque não, desenhos.
| O velhinho curtino sua aventura |
Up! é um clássico daqueles de nunca se esquecer. Eu já tenho meu DVD em casa para ver de vez em quando. Se você ainda não viu, não sabe o que está perdendo!
PS. Up virou mania em citações sobre a vida nas redes sociais, agora nos últimos meses de 2011. Eu já tinha descoberto esse filme antes ;-)
Veja também
- Senna
- O dicurso do rei
- A rede social
- TV Viva e Roque Santeiro
- Rio
quarta-feira, 9 de março de 2011
Viva o carnaval!
O carnaval acabou, pelo menos mais aqui para o sul. Foi um carnaval com um clima horrendo, inacreditavelmente chuva e FRIO em pleno verão! Estou escrevendo entre uma tosse e um espirro, presentes desse clima horroroso! Ainda bem que esse tipo de virus não passa via internet :-)
Falando das escolas de samba, primeiro não posso deixar de lamentar o que os prefeitos das últimas duas décadas, um pior que o outro, fizeram com o carnaval da minha terra, Santos. Era o segundo carnaval do Brasil, só atrás do RJ. Escolas de samba com 5 mil componentes desfilavam em uma festa popular e turística. Só para se ter uma idéia, a X9 Paulistana tem esse nome porque se inspirou em uma grande escola chamada X9, de Santos.
Mas falando em alguns dos homenageados: no RJ, a homenagem ao Roberto Carlos foi prá lá de merecida. Quem tem 20 ou 30 anos talvez não tenha a dimensão desse senhor: o que ele fez a partir dos anos 80 realmente não é algo memorável. Mas a revolução que ele liderou com a Jovem Guarda na década de 60 e seu auge criativo da década de 70 são coisas para se conhecer. Os intelectuais adoram dizer que a bossa nova é MPB, mas a bossa nova sempre foi uma coisa de uma pequena elite, que fez muito mais sucesso no exterior que aqui: o que o povão ouvia na década de 60 era Jovem Guarda.
Em São Paulo, duas homenagens para se louvar. A primeira é do Renato Aragão. Novamente, quem tem até uns 25 anos talvez não tenha noção do que foram os trapalhões. Para mim, o quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias foi o que houve de melhor no humor brasileiro de todos os tempos. Didi é a cultura brasileira em estado bruto, o nordestino pobre, mas esperto, sem aquela coisa ridícula de losers e winners dos estado-unidenses. Os outros três completavam bem a turma, cada um representando um perfil brasileiro: o paulista do circo, o carioca sambista e o mineirinho inocente. Para quem não sabe, Dedé foi realmente de circo e Mussum era um sambista de primeira (grupo Originais do Samba) antes de se juntar aos Trapalhões. O humor deles era simples, fácil, sem pretensões educativas e sem ranso preconceituoso ou politicamente correto. Quatro amigos, brasileiríssimos, que conviviam, brigavam e faziam as crianças sorrir, todo domingo das 19 as 20hs (hora sagrada para qualquer criança nas décadas de 70 e 80) e todas as férias com o melhor filme infantil brasileiro no cinema.
Por fim, o vencedor de São Paulo, o maestro João Carlos Martins na Vai-Vai. Já é muito bom ver uma das escolas mais tradicionais de SP vencer. Mas ainda melhor ao homenagear em vida um exemplo de pessoa. Quantas pessoas eu conheço que tem quase tudo, mas justificam sua inação ou tristeza da vida por uma dor no dedo minguinho do pé esquerdo ou por não ter tido oportunidades de fazer datilografia na infância. O maestro teria todas as desculpas do mundo para ser alguém recluso, deprimido: um pianista de primeira perder os movimentos dos dedos nas mãos é algo trágico. Mas ele entendeu que a vida é única e não dá para desperdiçá-la. Mudou os planos, mudou os sonhos, e fez algo ainda melhor para ele e para o mundo. Teve a capacidade de se reinventar várias vezes e continua sendo alguém claramente feliz. É como eu sempre digo: "quem quer faz, quem não quer arranja desculpas". Ele preferiu não arranjar desculpas. E está de parabéns por isso! E a Vai-Vai por ter divulgado esse exemplo de vida.
Falando das escolas de samba, primeiro não posso deixar de lamentar o que os prefeitos das últimas duas décadas, um pior que o outro, fizeram com o carnaval da minha terra, Santos. Era o segundo carnaval do Brasil, só atrás do RJ. Escolas de samba com 5 mil componentes desfilavam em uma festa popular e turística. Só para se ter uma idéia, a X9 Paulistana tem esse nome porque se inspirou em uma grande escola chamada X9, de Santos.
Mas falando em alguns dos homenageados: no RJ, a homenagem ao Roberto Carlos foi prá lá de merecida. Quem tem 20 ou 30 anos talvez não tenha a dimensão desse senhor: o que ele fez a partir dos anos 80 realmente não é algo memorável. Mas a revolução que ele liderou com a Jovem Guarda na década de 60 e seu auge criativo da década de 70 são coisas para se conhecer. Os intelectuais adoram dizer que a bossa nova é MPB, mas a bossa nova sempre foi uma coisa de uma pequena elite, que fez muito mais sucesso no exterior que aqui: o que o povão ouvia na década de 60 era Jovem Guarda.
Em São Paulo, duas homenagens para se louvar. A primeira é do Renato Aragão. Novamente, quem tem até uns 25 anos talvez não tenha noção do que foram os trapalhões. Para mim, o quarteto Didi, Dedé, Mussum e Zacarias foi o que houve de melhor no humor brasileiro de todos os tempos. Didi é a cultura brasileira em estado bruto, o nordestino pobre, mas esperto, sem aquela coisa ridícula de losers e winners dos estado-unidenses. Os outros três completavam bem a turma, cada um representando um perfil brasileiro: o paulista do circo, o carioca sambista e o mineirinho inocente. Para quem não sabe, Dedé foi realmente de circo e Mussum era um sambista de primeira (grupo Originais do Samba) antes de se juntar aos Trapalhões. O humor deles era simples, fácil, sem pretensões educativas e sem ranso preconceituoso ou politicamente correto. Quatro amigos, brasileiríssimos, que conviviam, brigavam e faziam as crianças sorrir, todo domingo das 19 as 20hs (hora sagrada para qualquer criança nas décadas de 70 e 80) e todas as férias com o melhor filme infantil brasileiro no cinema.
Por fim, o vencedor de São Paulo, o maestro João Carlos Martins na Vai-Vai. Já é muito bom ver uma das escolas mais tradicionais de SP vencer. Mas ainda melhor ao homenagear em vida um exemplo de pessoa. Quantas pessoas eu conheço que tem quase tudo, mas justificam sua inação ou tristeza da vida por uma dor no dedo minguinho do pé esquerdo ou por não ter tido oportunidades de fazer datilografia na infância. O maestro teria todas as desculpas do mundo para ser alguém recluso, deprimido: um pianista de primeira perder os movimentos dos dedos nas mãos é algo trágico. Mas ele entendeu que a vida é única e não dá para desperdiçá-la. Mudou os planos, mudou os sonhos, e fez algo ainda melhor para ele e para o mundo. Teve a capacidade de se reinventar várias vezes e continua sendo alguém claramente feliz. É como eu sempre digo: "quem quer faz, quem não quer arranja desculpas". Ele preferiu não arranjar desculpas. E está de parabéns por isso! E a Vai-Vai por ter divulgado esse exemplo de vida.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Aprender é divertido!
Visitem o blog QueNerd para visitar meu mais novo post, onde discuto sobre como o aprendizado pode ser algo divertido.
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