Uma vez, valia pela curiosidade. Duas vezes, ok. Três vezes, já estava acima de qualquer nível de paciência. Agora, me diga você, meu leitor, como a Globo, a maior TV do Brasil, consegue ter a coragem de nos castigar, doze anos consecutivos, com o Big Brother?
Esse, sem dúvida, é o programa mais idiota da Globo, TV que já fez tanta coisa boa. E é uma injustiça enorme com George Orwell, que escreveu o clássico 1984, um dos melhores livros que já li em toda a minha vida. Foi nesse livro que o Big Brother foi criado, um computador que controla a vida de todos através da televisão. Mas se o livro é muito inteligente e faz pensar como poucos, o programa é exatamente o contrário.
Eu já falei sobre esse programinha horroroso em outro post (
vide aqui). Mas merecia um texto mais completo para comemorar essa data macabra de volta do que deveria ter ido para sempre embora!
Vamos e venhamos, a Globo só coloca esse programa no ar porque é o que ela pode fazer de mais barato: colocar 12 pessoas em uma casa, pessoas que estão lá sem ganhar nada, e colocar uma dúzia de câmeras espalhadas pela casa, é praticamente custo zero, comparando com possíveis programas alternativos. Um milhão de reais por um programa diário em horário nobre é dinheiro de pinga para a Globo. E o mais ridículo, o Bial, querendo se dizer intelectual e falando textos pretensamente bonitos sobre aquele lixo...
O que mais me surpreende e saber que tantos expectadores perdem minutos e até horas da vida, tempo precioso, para ver 12 pessoas nada brilhantes mostrando peitos, bundas e músculos: não era melhor baixar um filme erótico não? Ah, não é pelos peitos? É pelo "enredo" então? É inacreditável como tudo é falso, claramente combinado, um fazendo o papel de bonzinho, outro de bravo, outro de intrigueiro... E os casais que se formam do dia para noite, como se a Globo contratasse o cupido para trabalhar full time na casa? Ou seja, é uma novela com um enredo pobre, pior que Malhação, com atores horríveis e praticamente sem direção ou produção. Por que não alugar ou baixar um filme com um mínimo de inteligência e ver nessa hora? Ou, melhor, usar esse tempo para ler um livro (que tal 1984)? Ou, ainda melhor, conversar com a esposa ou brincar com os filhos? Mas milhões ficam olhando para aquilo, achando razoável ficar discutindo a vida e a opinião dos outros, em uma fofoca nacional institucionalizada. Decepcionante!
E a imprensa cobre o programa como se fosse a eleição de um presidente do Brasil: cadernos especiais, manchetes, notícias em programas teoricamente jornalísticos... Já estou enjoado, antes mesmo do programa começar.
Pior é saber que o programa vende um valor distorcido para a população, um valor que está se cristalizando. Muitos acabam achando que se tornar celebridade é o motivo da vida e o início de um sonho. Mesmo vendo que após 12 anos e uns 150 participantes, os únicos que se tornaram algo foram a Grazi (que já fazia pontas na Globo antes) e a japa "burra" (que já tinha sido até dançarina do Faustão): ou seja, aquilo lá não mudou a vida de ninguém, como é óbvio, né?
Pais, discutam com seus filhos sobre isso, mostrem que o único caminho certo para mudar de vida é o estudo e o trabalho e que se tornar celebridade não deveria ser o sonho de ninguém. Não é legal que os outros fiquem falando sobre nós por sermos o que somos no privado, devíamos buscar sempre o destaque pelo que fazemos e deixamos para o mundo... E, leitores, por favor, vamos começar um boicote a esse programinha ridículo, pois só com baixo ibope é que a Globo irá tomar vergonha na cara e tirar essa coisa do ar!
Veja também:
A era da fofoca...
Roque Santeiro (algo bom que a Globo já fez)
A "boa" da terça (algo bom que a Globo fez este ano)
Bons filmes para ver ou rever na hora do BBB:
Senna
O discurso do rei
A rede social
Rio
Up
Trapalhões na luta contra a ditadura