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| Olavo Bilac nos anos 50 |
A década de 50 foi a década da recuperação do mundo após a Segunda Guerra mundial. Foi a era do "baby boom", explosão de nascimentos com a volta dos soldados para casa. Na música, Elvis fazia sucesso no mundo. O Brasil viveu muitas mudanças, com a morte de GV e o governo JK e a construção de Brasília, "a capital da esperança". O Brasil de Pelé foi campeão pela primeira vez na Suécia. Em Santos, logo no início da década, nascia, no Marapé, uma menina, a quinta de um casal simples descendente de portugueses e espanhóis. Nessa década a menina ficou muito doente de pulmão, quase morreu e teve que tomar leite doado pelo governo diariamente. Talvez por isso ficou razoavelmente alta em uma família de baixa estatura e nunca gostou dos apelidos que ganhava de criança por isso. E foi uma das melhores alunas em suas salas até o fim da quarta série primária, no Olavo Bilac. A TV engatinhava no Brasil e para essa menina significava TeleVizinho. As vezes, escondida, desejava o bife que só seu pai tinha para comer. Refrigerante, só às quintas. E maçã, era só uma vez por ano.
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| Jovem Guarda: uma grande paixão |
A década de 60 foi muito atribulada. Auge da guerra fria no mundo, disputas entre Estados Unidos e a União Soviética criou guerras em muitos lugares, em especial a guerra do Vietnã. O Brasil começou com Jânio, teve uma tentativa de tomada de poder pela esquerda e acabamos na ditadura militar, que ficou ainda mais dura no fim da década. No futebol, a seleção de Garrincha foi bicampeã da copa e o Santos de Pelé bicampeão do mundo. No mundo, surgiam Beatles e Rolling Stones e no Brasil a Jovem Guarda foi um movimento muito importante. Embora a menina, inteligente que era, quisesse estudar, não lhe foi permitido ingressar no ginásio. Por outro lado, seu pai a levava para o carnaval e para apresentações na rádio: em uma delas, o sapato voou ela embirrou. Nessa década veio a primeira paixão, o Roberto Carlos, e os primeiros empregos, incluindo na Beneficência Portuguesa, hospital tradicional da cidade. As irmãs se casaram e vieram os primeiros sobrinhos, muitos deles ela ajudou a cuidar quando bebês. E no fim dessa década, ela conheceu seu futuro marido.
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Roberto Carlos romântico nos anos 70:
neste disco, Lady Laura |
A década de 70 começou com o tricampeonato com o Pelé no México. Foi a década do "Milagre Econômico" no Brasil. O casamento veio logo no início, depois os dois filhos e muito trabalho para ser a mãe exemplar que sempre foi. Morou em um chalé, em um apartamento e depois em uma casa confortável, todas sem sair do Marapé. Foi o auge do Roberto Carlos tornando-se um cantor romântico: "Detalhes", "Além do Horizonte", "Amigo", "Lady Laura", "Café da Manhã", "Meu Querido, Meu Velho, Meu amigo" são dessa década. No radinho de pilha que ficava na janela da cozinha, todo dia, as 11hs da manhã, ela escutava no "Roberto Carlos - Especial", na Rádio Cacique, músicas desde a Jovem Guarda, até "Café da Manhã". Na TV, estouravam novelas como "Irmãos Coragem", "Selva de Pedra", "Pecado Capital" e "Dancing Days". O filho quase morreu com 1 ano, e a filha teve um forte sarampo, mas ambos os filhos terminaram a década muito saudáveis. Ambos estudavam no "Ateneu Brasilia", pequena escola do bairro do Marapé. Enquanto sua filha demorava horas para comer, seu filho comia demais. Por outro lado, enquanto o filho ficava a maior parte do tempo parado, sua filha era bem mais agitada. Mas foi seu filho que quebrou o braço nessa década, enquanto sua filha enfiou uma tampa de caneta no nariz. Muita brincadeira de bolinha de gude na mesa redonda da sala, enquanto a filha desenhava roupas em suas "modelos" de papel. O filho iniciou no tênis e, por três anos, tentou e nunca aprendeu. Ambos brincavam quase diariamente na rua, com sua turminha inesquecível: Si, Ro, Pa e cia com a filha, Papa, Duda, Beto, Betinho e Teta com o filho. Entre os sobrinhos, dezenas, há uma linda paixão recíproca com a tia sempre alegre e carinhosa. O bolo de cenoura era a guloseima que ela mais fazia nessa época, mas fazia também pudim de leite, pavê de sonho de valsa, manjar de ameixa e muitas outras coisas. Também eram memoráveis o picadinho de batata com salsicha e os filés de pescadinha com purê às quintas-feiras, além das bacalhoadas na forma fulgor.
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| Julio Iglesias: de niña a mujer |
A década de 80 foi uma década de muitas mudanças. O mundo viu a queda do muro de Berlim e o fim das ditaduras comunistas da Europa. Nos esportes, vimos o Brasil ser destaque no basquete, com Oscar, Paula e Hortênsia, no vôlei e na F1, com o tricampeonato do Piquet e o primeiro título do Senna. Na TV, destacaram-se as novelas "Guerra dos Sexos", "Roque Santeiro" e "Vale Tudo". No Brasil, vivemos o movimento das "Diretas Já", a eleição e morte do Tancredo e terminamos elegendo o Collor. Começou mais nova geração da família Francisco, com os primeiros filhos dos sobrinhos. Em casa, ouvia-se, além de Roberto Carlos, na década em que criou "Emoções", muito Julio Iglesias. Os filhos, chegando a juventude, eram fãs do Menudo e Michael Jackson, além de muito pop e rock nacional. Deixando a menina preocupada, eles iam a shows e bailes no Portuários quase toda semana. A filha foi no show do Menudo em um dia com muita chuva na Vila Belmiro e o filho foi segurança de um show da Xuxa, na mesma Vila famosa. Primeiras paqueras, namoros e festas de 15 anos. Filhos mudando de escola, primeiro para o Olavo Bilac, depois para Primo e Carmo e depois filho indo estudar fora da cidade. Ao final da década, veio a separação. Seu bolo de coco era conhecido por todo mundo da família como algo delicioso. Também eram inesquecíveis as lasanhas com leite e de berinjela e as carnes moídas e bifes enrolados que mandava para o filho na faculdade.
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| Trabalho duro |
A década de 90 começou com o confisco da poupança e depois vieram Itamar, Plano Real e FHC. O mundo viveu um sem-fim de crises financeiras, mas o Brasil saía da crise e da inflação e voltava a crescer. Senna ganhou mais dois títulos e morreu ainda no início da década. O Brasil foi tetra-campeão nos Estados Unidos em 1994, com a horrorosa seleção da "era Dunga". Na TV, "Barriga de Aluguel", "O Rei do Gado", "Renascer" e "Por Amor" fizeram grande sucesso. Roberto Carlos fazia músicas pouco inspiradas homenageando gordinhas, coroas, baixinhas e caminhoneiros. Foi uma época de muito trabalho em empregos que exigiam muito e pagavam muito pouco, em estacionamento e em cursinho. Além disso, ela retomou os estudos que nunca quis parar e formou-se no nível médio. Os filhos começaram a trabalhar, se formaram, namoraram, noivaram e casaram. Ambos sempre foram ótimos alunos, e seguiram sendo bons profissionais e pessoas corretas, graças aos ensinamentos da mãe. Ela assistiu ao desfile das escolas de samba de Santos nessa década, na época o segundo melhor do Brasil. Ela começou a fazer uma maria-mole que até hoje é o maior sucesso entre seus conhecidos.
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| Chegada dos netos |
Os anos 2000 começaram com o ataque de 11 de setembro e a guerra contra o islã. Vivemos o maior crescimento econômico do mundo. O PT chegou ao poder com o Lula. O Brasil foi pentacampeão em 2002 e o time do Santos ganhou inúmeros títulos. Na TV, "Laços de Família", "O Cravo e a Rosa" e "O Clone" faziam sucesso. O Roberto Carlos fazia um sem fim de músicas tristes por causa da perda da Maria Rita. A menina de Santos se aposentou. Foi uma década de chegadas e partidas: chegaram as duas netas, em 2006 e 2008 e a década terminou com a despedida a seu pai.
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| Vista da cidade do Porto pelo Rio Douro |
Os anos de 2010 foram os anos das crises econômicas, com muito desemprego e ainda a década das nada memoráveis olimpíadas e copa do mundo do Brasil, com o traumático 7 X 1. Por outro lado, o Santos voltou a ganhar uma Libertadores e vários outros campeonatos. Na TV, "Amor a vida", "A dona do Pedaço" e "Avenina Brasil" foram destaque. O Roberto Carlos volta às paradas com "Esse cara sou eu". Chegou a mais nova geração da família Francisco: os tataranetos da Vó Ud. Nessa década chegou seu neto no início de 2011 e os três cresceram bastante. E ela se despediu de uma irmã. Além disso, ela conheceu o carnaval do Rio de Janeiro, os Estados Unidos com os sobrinhos e Portugal com os filhos.
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| Pandemia é a pior no último século |
E agora começam os anos 2020, sua oitava década. O início do ano foi realmente muito diferente, um sem fim de situações inesperadas e radicais varrendo o mundo todo. Que seja uma década de muitas aventuras. E que venha muito mais ainda na vida daquela menininha santista bonita, inteligente, espontânea e sorridente.
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