Abaixo um belo texto sobre educação de filhos que retirei do site da Veja. Se quiser ler o texto completo com toda uma boa formatação, visite o site deles clicando aqui.
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O projeto Educar para Crescer
– iniciativa do Grupo Abril, ao qual está ligada a Editora Abril, que
publica VEJA — promoveu um debate nesta terça-feira, em São Paulo, sobre
o papel dos pais no processo de formação de seus filhos. Para isso,
convidou a psicanalista Magdalena Ramos, responsável pelo núcleo de
família do Instituto Sedes Sapentiae, e a psicopedagoga Vera Barreira,
orientadora pedagógica da Escola da Vila. Do encontro, saiu uma
importante constatação: os pais estão excessivamente preocupados com a
felicidade de seus filhos e, por isso, têm dificuldades para impor
limites e dizer "não" a eles. "É um grande equívoco achar que, dando
tudo o que seu filho pede, você vai evitar que ele sofra ou se frustre. A
falta de limites cria crianças mimadas, mandonas e com problemas de
socialização", disse Magdalena. "Seu filho vai se frustrar e chorar,
querendo você ou não. Por isso, aceite isso e imponha limites." Confira a
seguir orientações das especialistas:
'Aceite um fato: em algum momento, seu filho vai sofrer'
Os pais se preocupam muito com a felicidade de seus filhos. Não há, é
claro, nada de errado nisso. O problema aparece quando a preocupação
excessiva leva os pais a atender todos os desejos das crianças. Isso é
um grande equívoco e pode acarretar sérios problemas à socialização
delas. É preciso impor limites e aceitar que, em algum momento, seu
filho vai chorar e sofrer.
Comentário de Magdalena Ramos: "Atendo no consultório
muitos pais que se sentem culpados por ficar pouco tempo com seus filhos
e que, por isso, têm dificuldades para dizer 'não'. É preciso mostrar
autoridade e impor limites. Isso é diferente de autoritarismo: não é
preciso berrar ou gritar, apenas mostrar quem manda."
'Menos tarefas e mais diversão para as crianças'
Por manter uma rotina atribulada e dispor de pouco tempo para os
filhos, muitos pais consideram que encher o dia das crianças com
atividades extraclasse é a melhor solução, uma forma de compensação. Não
é. As crianças estão cumprindo agenda de executivos, quando, na
verdade, deveriam ter mais tempo livre para utilizar a imaginação e
descobrir como se entreter sozinhas.
Comentário de Magdalena Ramos: "Hoje, as crianças são
hiperestimuladas. Mas, para o próprio desenvolvimento adequado delas,
precisam de tempo para brincar, correr e se divertir."
'Comer e dormir não são castigos: são necessidades'
Comer e dormir são necessidades básicas de todo ser humano — e também
das crianças. Desde cedo, elas devem aprender a comer e dormir nas horas
certas. Isso é fundamental para seu desenvolvimento.
Por isso, essas ações não podem ser usadas como moeda de troca ou
punição. É o que os pais fazem quando dizem, por exemplo: "Se você não
comer tudo, não usará o computador" ou ainda "Você se comportou mal e,
por isso, vai para a cama mais cedo".
Comentário de Magdalena Ramos: "Há crianças que não se
alimentam bem no almoço ou jantar porque os pais deixam que comam
‘besteiras’ sempre que desejam. Então, novamente, vejo pais com medo de
impor limites, deixando-se levar pelo impulso de satisfazer sempre as
crianças."
'Nem toda brincadeira é bullying'
Segundo especialistas, boa parte das crianças não sabe mais lidar com
piadas e provocações dos colegas. O que antes era uma simples
brincadeira, hoje pode ser encarado como bullying. Os pais, obviamente,
têm culpa nisso, ao tentar resolver problemas que os filhos poderiam
solucionar sozinhos.
Comentário de Vera Barreira: "Qualquer brincadeira
sofrida pelos filhos faz com que os pais liguem na escola para pedir
explicações. O correto, quando falamos de crianças com 10 anos de idade
ou mais, é instruí-las a se defender sozinhas: argumentar com o colega,
comunicar professores e coordenador. Se nada der certo, aí sim os pais
devem agir. Ao resolver de imediato qualquer problema apresentado pelos
filhos, os pais tiram deles a chance de aprender a cuidar de si
próprios."
'Pais devem estimular a criança a agir como... criança'
A frase "os pais devem estimular a criança a ser criança" pode parecer
redundante, mas traz um ensinamento importante. Segundo a psicanalista
Magdalena e a psicopedagoga Vera, é comum os pais – ainda que sem a
intenção – estimularem os filhos entre 9 e 12 anos de idade a se
comportar como adultos. É preciso novamente impor limites e guiá-los
para o caminho adequado: o da infância.
Comentário de Vera Barreira: "Lembro de um pai que,
atendendo a pedidos da filha de 10 anos, fez para ela uma 'balada', com
luz baixa etc. As meninas estavam todas arrumadas, vestidas como
'adultinhas', esperando que os garotos as tirassem para dançar, enquanto
os meninos não estavam nem aí: eles só queriam saber de jogar bola.
Isso é exemplo de uma conduta inadequada do pai."
'A escola deve seguir os valores da família'
A escolha da escola dos filhos é uma decisão crucial para a formação
deles. Nesse caso, a orientação é simples: busque uma instituição que
siga os mesmo valores de sua família. Isto é, procure uma unidade que
adote aquilo que você procura: conteúdo mais voltado ao vestibular,
foco na socialização e no desenvolvimento integral da criança, regras
mais ou menos rígidas e assim por diante.
Comentário de Vera Ramos: "Vá conhecer a escola, fique
atento ao discurso que ela vai apresentar e procure conhecer outros
pais com filhos no local. Muitas instituições adotam discursos
parecidos, mas agem completamente diferente na prática."