A história do Faustão é uma história muito mais interessante. Ele estudou no Culto a Ciência, escola histórica aqui de Campinas e tinha como colega de escola nada mais, nada menos, que Regina Duarte.
| Faustão: que acompanho há 30 anos |
O sucesso foi tão grande que ele logo foi levado para a TV, com o programa Perdidos na Noite. Não havia programa mais jovem, rebelde e revolucionário em meados dos anos 80 que o Perdidos. Palavrões, irreverência, muito boa música, quase tudo ao vivo, convidados interessantes, um programa como poucos. Eu tive o prazer de ir assistir ao Perdidos duas vezes ao vivo, uma delas uma edição comemorativa gigante: e aprendi lá a comer sonho de valsa de uma vez, inteiro na boca (a Lacta patrocinava o programa e o Faustão comeu um saco com uns 50 sonhos de valsa como se fosse pipoca).
Na época a Globo convivia com uma eterna restrição: sempre apanhava no IBOPE do programa do Silvio Santos aos domingos. O Silvio Santos que merecerá um post só para ele, pois o considero o melhor comunicador de todos os tempos, mas que mantém o mesmo programa há meio século, quase sem nada mudar. A Globo tentava filmes, tentava humorísticos, tentava de tudo, e sempre perdia feio.
E a Globo ousou. Contratou aquele cara rebelde, irreverente, para liderar as tardes de domingo e lutar contra o "imbatível" Silvio Santos. Foi um choque para a Globo, porque ela estava acostumada a programas gravados, tudo bem controlado, e músicas sempre em play-backs: e o Faustão foi para fazer um programa mais ao seu estilo, ao vivo, com músicos tendo que provar que não são um produto de gravadoras: "quem sabe faz ao vivo". E sempre querendo abrir oportunidades para novos talentos, coisa que fazia desde o Perdidos: até hoje tem o "Garagem" do Faustão (para bandas nascentes) e concursos para humoristas. É uma característica nobre, de abrir oportunidades para novos talentos. Lógico que o Faustão é muito menos "boca suja" e ousado que antes, mas o programa é de tarde, para crianças, e ele já provou para todos que é um "bom moço", respeitador e até tímido. Também é claro que é um cara que não mistura família com sucesso, tendo uma vida bastante reservada, o que é nobre. E é muito fiel aos seus amigos, coisa que fica claro para quem o acompanha, e que é tão difícil de encontrar no meio televisivo.
Assisto ao Faustão no domingo e sei que as vezes é monótono. Mas vendo com olhos de quem o conhece há três décadas, é diferente. E, certamente, o Faustão é de outro nível, não se rebaixa a mulheres semi-nuas e outras estratégias sujas e apelativas que a maioria dos seus concorrentes usa até hoje.
Resolvi fazer este post hoje, porque o programa hoje mostrou o quanto me reconheço nesse senhor ex-gordo, irreverente, aqui de Campinas:
- hoje ele deu o prêmio "Mário Lago": tinha que ser o Faustão a usar o inesquecível Mário Lago como título do maior prêmio dado pela maior TV do país. Eu que sempre fui fã do Mário Lago (vide este post) fico muito feliz com isso;
- o prêmio foi para sua amiga, mas nem por isso menos merecedora, Regina Duarte. Eu também já mostrei o quanto admiro a Regina neste post;
- e para deixar o cenário ainda mais bonito, estava lá a Paola Oliveira, de quem já falei neste post.
Enfim, minha história de juventude foi muito marcada pelo Faustão. E se o programa dele não é perfeito, é a melhor opção, a menos baixa e apelativa, de todos os programas de auditório de domingo. E a única que tenho coragem de deixar meus filhos assistir.
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