Sebastião não era uma pessoa do bem. Longe de ser... Nasceu pobre, tornou-se uma pessoa amarga. Mas como a vida não é um conto de fadas com princesas doces, generosas e educadas de um lado e bruxas feias e más do outro, Sebastião tinha dentro de si o amargor, a tristeza e a genialidade.
Sebastião usou e abusou das drogas ao longo da vida. Sebastião usou e desrespeitou pessoas por toda a vida. Mas Sebastião perdoou, amou, foi muito gente também. Sebastião, embaixo de uma carcaça dura, de sua "pele de rinoceronte", temia perder todos que amava, temia perder seus amigos. E talvez tenha sido esse temor que o fez se entregar às drogas que acabaram o levando a morte tão precocemente. Mas, quem sabe, talvez tenha sido justamente esse temor que tenha sido o motor de sua imensa criatividade e genialidade musical.
Sebastião não era uma pessoa que eu admiraria. Não como gente. Tratava mal os outros, tratava mal seu corpo, era rude, drogado, desonesto, irresponsável. Mas eu não tenho como não admirar o outro lado do Sebastião: sem dúvida, um dos maiores autores e cantores que este país já teve em toda a sua história musical. Pois Sebastião, que era o líder dos The Sputiniks, da banda que tinha Roberto e Erasmo Carlos como parceiros lá nos anos 50, não pode se tornar Tião e acabou virando Tim, Tim Maia. O Tim Maia de Você, aquela música incrível que todo mundo canta na ordem do Paralamas sem perceber que as estrofes foram trocadas de posição pelo Herbet. O Tim Maia de "Chocolate", de "Vale Tudo" e de tantas outras músicas que se tornaram sinônimo da música pop de qualidade brasileira da segunda metade do século vinte e hoje viraram hinos da nossa grande cultura.
Assisti ao filme Tim Maia hoje. E o filme está magnífico. Não tenta mostrar um Tim falso. Mostra o Tim com todas suas dificuldades, suas grosserias, suas loucuras, sua irresponsabilidade e sua arrogância peculiar. Mas também o Tim espirituoso, o Tim direto, franco, duro mas sincero, deliciosamente não politicamente correto. O filme narra uma história que beira o trágico de forma leve, em alguns momentos até bem engraçada, mas sem querer deixar de falar a verdade. É um filme imperdível para quem gosta de boa música e quem gosta da cultura misturada do nosso país. E ainda vale pela história, por conhecer o começo de Roberto, Erasmo e tantos músicos que apareceram em um mesmo local, em uma mesma época.
Tim Maia deixou muitas saudades. E sua história, de alguém sofrido e humilde, que chegou ao topo do sucesso mas nunca achou a felicidade lembra muito a vida de outro grande ícone da música brasileira, muito bem retratado em outro filme imperdível: Luiz Gonzaga.
Outros bons programas:
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha
Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária
Thatcher: uma mulher única
O novo cinema brasileiro (com O homem do futuro) e o Jabor
Roque Santeiro
A "boa" da terça
O Silvio Santos é coisa nossa!
Eu gosto do Faustão!
Senna
O discurso do rei
A rede social
Detona Ralph
Rio
Up
Trapalhões na luta contra a ditadura
A verdade tem que ser dita, sem medo de polêmicas. Tentando discutir as coisas com profundidade, sem me preocupar em ser politicamente correto.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
A um amigo
Acho interessante como, na vida, encontramos algumas pessoas com as quais simpatizamos imediatamente. Meio assim, "vamos com a cara", sei lá.
Eu lhe conheci há mais de uma década, a milhares de km daqui. E você se mostrou, desde o primeiro dia, uma pessoa diferente. Neste mundo onde todos sempre querem demonstrar ter certezas, você abriu seu coração e deixou claro que estava com muitas dúvidas sobre suas decisões. Enquanto a maioria adora dizer que é 100% sucesso, que tudo está as mil maravilhas, você me contou que estava preocupado com seu futuro. Aquela sinceridade com um "quase estranho", aquele olhar de pessoa franca e a confissão de suas dúvidas foram muito importantes para algumas decisões que eu tomei em seguida. Nunca lhe falei, mas aqueles dois ou três dias, aquelas poucas horas quando pela primeira vez convivi com você, me influenciaram muito nas decisões que tomei na época.
Mais para frente soube que você era um dos destaques na sua área de atuação. E fiquei feliz ao saber disso. Em pouco tempo, virou uma referência na área.
Depois, por uma dessas maravilhosas coincidências do destino, convivi com alguém que teve o prazer de ter sido formado por você. Pessoa que me confirmou sua índole de responsabilidade, trabalho e caráter. Que me garantiu ser você uma pessoa boa, humilde, correta e trabalhadora, como poucas há neste nosso mundo hoje em dia.
Fiz questão em tê-lo ao meu lado nos dois momentos mais importantes para mim até hoje na minha carreira de professor e pesquisador. E nos dois você só confirmou o que eu já sabia, atuando com educação, correção e comprometimento impecáveis.
Mas fiquei sabendo, há pouco, que você está enfrentando sua maior batalha até agora. Sei que é uma luta difícil, árdua. Mas saiba que tem MUITA GENTE do seu lado, mesmo longe. Tem muita gente torcendo muito pela sua recuperação rápida e definitiva. Seu jeito competente, esforçado, educado e tímido ganhou o coração de toda a comunidade da nossa área. E todos nós estamos torcendo muito por você. Por mim, o que posso te dizer, é que apesar de termos conversado no máximo umas 10 vezes ao longo da vida e das poucas dezenas de horas em que nos encontramos, você é uma das pessoas que mais admiro no nosso meio. Você foi muito importante, por sua sinceridade e seu companheirismo, para eu tomar certas decisões. E espero poder contá-lo colaborando comigo e com o país novamente em um brevíssimo futuro.
Todo o sucesso do mundo nessa sua batalha: saiba que, mesmo a distância, estou torcendo muito por você, meu amigo!
PS. em 04/04/2017 veio a triste notícia do falecimento do grande amigo, excelente pesquisador, professor e orientador Alexandre Direne. Adeus amigo!
PS2. Explicando alguns momentos acima: o conheci no AIED 1997, no Japão. E o convidei para ser o organizador da CTD no CBIE 2013 e para a banca da minha primeira aluna de pós-graduação, a Roberta Matsunaga.
Eu lhe conheci há mais de uma década, a milhares de km daqui. E você se mostrou, desde o primeiro dia, uma pessoa diferente. Neste mundo onde todos sempre querem demonstrar ter certezas, você abriu seu coração e deixou claro que estava com muitas dúvidas sobre suas decisões. Enquanto a maioria adora dizer que é 100% sucesso, que tudo está as mil maravilhas, você me contou que estava preocupado com seu futuro. Aquela sinceridade com um "quase estranho", aquele olhar de pessoa franca e a confissão de suas dúvidas foram muito importantes para algumas decisões que eu tomei em seguida. Nunca lhe falei, mas aqueles dois ou três dias, aquelas poucas horas quando pela primeira vez convivi com você, me influenciaram muito nas decisões que tomei na época.
Mais para frente soube que você era um dos destaques na sua área de atuação. E fiquei feliz ao saber disso. Em pouco tempo, virou uma referência na área.
Depois, por uma dessas maravilhosas coincidências do destino, convivi com alguém que teve o prazer de ter sido formado por você. Pessoa que me confirmou sua índole de responsabilidade, trabalho e caráter. Que me garantiu ser você uma pessoa boa, humilde, correta e trabalhadora, como poucas há neste nosso mundo hoje em dia.
Fiz questão em tê-lo ao meu lado nos dois momentos mais importantes para mim até hoje na minha carreira de professor e pesquisador. E nos dois você só confirmou o que eu já sabia, atuando com educação, correção e comprometimento impecáveis.
Mas fiquei sabendo, há pouco, que você está enfrentando sua maior batalha até agora. Sei que é uma luta difícil, árdua. Mas saiba que tem MUITA GENTE do seu lado, mesmo longe. Tem muita gente torcendo muito pela sua recuperação rápida e definitiva. Seu jeito competente, esforçado, educado e tímido ganhou o coração de toda a comunidade da nossa área. E todos nós estamos torcendo muito por você. Por mim, o que posso te dizer, é que apesar de termos conversado no máximo umas 10 vezes ao longo da vida e das poucas dezenas de horas em que nos encontramos, você é uma das pessoas que mais admiro no nosso meio. Você foi muito importante, por sua sinceridade e seu companheirismo, para eu tomar certas decisões. E espero poder contá-lo colaborando comigo e com o país novamente em um brevíssimo futuro.
Todo o sucesso do mundo nessa sua batalha: saiba que, mesmo a distância, estou torcendo muito por você, meu amigo!PS. em 04/04/2017 veio a triste notícia do falecimento do grande amigo, excelente pesquisador, professor e orientador Alexandre Direne. Adeus amigo!
PS2. Explicando alguns momentos acima: o conheci no AIED 1997, no Japão. E o convidei para ser o organizador da CTD no CBIE 2013 e para a banca da minha primeira aluna de pós-graduação, a Roberta Matsunaga.
domingo, 11 de maio de 2014
A senhora está aqui!
É mais um segundo domingo de maio que não estou aí,
É mais uma ausência
É mais um presente que eu vou ficar devendo (alguma hora eu pago)...
Mas, o importante, é que a senhora está aqui,
A cada segundo, a cada instante,
Está aqui quando me preocupo com o povo,
Está aqui quando não aceito benefícios próprios que não acho justos,
Está aqui quando tento fazer só o que é certo,
E quando perdoo o outro também.
Está aqui em cada piada que eu faço com os pequenos
E em cada bronca que neles dou por coisas erradas que fazem.
Por muitas e muitas vezes eu faço algo e reflito em seguida
Eu já vi alguém fazer o mesmo há algumas décadas atrás...
A senhora se faz presente no sorriso fácil
Na alegria descompromissada
E até nas vezes que eu tento cozinhar
Mas não no resultado, porque sou um amador com panelas
Está aqui quando me enervo com o sabão por baixo da esponja,
Com uma toalha em cima da cama
Ou com pratos deixados na mesa.
Cuidar do lar aprendi com a melhor dona de casa do mundo.
Está aqui até nos momentos em que não concordo...
Quando vejo uma criança feia
Que a senhora insiste que não existe,
No ódio que tenho por pessoas más e egoístas,
Por mais que tenha ouvido que odiar é errado,
E quando negocio mil vezes antes de gastar um centavo,
Embora a senhora sempre tenha amado pouco o dinheiro.
Por mais que pense diferente,
Sempre que eu faço esse tipo de coisa, lembro da minha mãe...
Porque eu sou o que me fizeram
Porque eu carrego 50% dos genes seus,
E, principalmente, porque você me cuidou
Com todo o amor do mundo
com mais atenção do que seria possível,
Me deu carinho, me deu cuidado
E me deu, principalmente,
Lições e valores.
E tudo isto nunca vai sair daqui de dentro,
De dentro de mim,
Onde moram um amor
E um sentimento de dívidas eternos.
Um viva para minha mãe,
A mãe que já tá velhinha, mas sempre bonitona,
A mulher de sorrisos e broncas fáceis
E com um amor no coração
Insuperável!
Veja também:
À minha mãe e 61 piscadas e Mamãe, mamãe, mamãe
Minha eterna companheira de aventuras
Ud 90 - telegráfico e Ud 90 - Vídeos
Madrinha
9 X 70! Dois números incríveis e um enorme parabéns
Homenagem à um tiozão gente finíssima
Saudades do Vô Renato
Boas memórias de natal
É mais uma ausência
É mais um presente que eu vou ficar devendo (alguma hora eu pago)...
Mas, o importante, é que a senhora está aqui,
A cada segundo, a cada instante,
Está aqui quando me preocupo com o povo,
Está aqui quando não aceito benefícios próprios que não acho justos,
Está aqui quando tento fazer só o que é certo,
E quando perdoo o outro também.
Está aqui em cada piada que eu faço com os pequenos
E em cada bronca que neles dou por coisas erradas que fazem.
Por muitas e muitas vezes eu faço algo e reflito em seguida
Eu já vi alguém fazer o mesmo há algumas décadas atrás...
A senhora se faz presente no sorriso fácil
Na alegria descompromissada
E até nas vezes que eu tento cozinhar
Mas não no resultado, porque sou um amador com panelas
Está aqui quando me enervo com o sabão por baixo da esponja,
Com uma toalha em cima da cama
Ou com pratos deixados na mesa.
Cuidar do lar aprendi com a melhor dona de casa do mundo.
Está aqui até nos momentos em que não concordo...
Quando vejo uma criança feia
Que a senhora insiste que não existe,
No ódio que tenho por pessoas más e egoístas,
Por mais que tenha ouvido que odiar é errado,
E quando negocio mil vezes antes de gastar um centavo,
Embora a senhora sempre tenha amado pouco o dinheiro.
Por mais que pense diferente,
Sempre que eu faço esse tipo de coisa, lembro da minha mãe...
Porque eu sou o que me fizeram
Porque eu carrego 50% dos genes seus,
E, principalmente, porque você me cuidou
Com todo o amor do mundo
com mais atenção do que seria possível,
Me deu carinho, me deu cuidado
E me deu, principalmente,
Lições e valores.
E tudo isto nunca vai sair daqui de dentro,
De dentro de mim,
Onde moram um amor
E um sentimento de dívidas eternos.
Um viva para minha mãe,
A mãe que já tá velhinha, mas sempre bonitona,
A mulher de sorrisos e broncas fáceis
E com um amor no coração
Insuperável!
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segunda-feira, 5 de maio de 2014
Para rir um pouco: avisos paroquiais
|
Abaixo um texto que recebi por e-mais sem fonte original. Só para descontrair...
Estes
avisos paroquiais foram fixados nas portas de igrejas. Todos eles são reais,
e escritos comboa-vontade
e má redação:
|
AVISOS AOS PAROQUIANOS
1-
Para todos os que tenham filhos e não sabem, temos na paróquia uma área
especial para crianças.
2- O torneio de basquete das paróquias vai continuar com o jogo dapróxima quarta-feira. Venham nos aplaudir, vamos tentar derrotar o Cristo Rei!
3- Quinta-feira que vem, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, devem dirigir-se ao escritório do pároco.
4- Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra Hamlet, de Shakespeare, no salão da igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nesta tragédia.
5- Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrar das coisas inúteis que há na sua casa. Tragam seus maridos!
6- Assunto da catequese de hoje: Jesus caminha sobre as águas.
Assunto da catequese de amanhã: Em busca de Jesus.
7- O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia.
7- O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia.
2- O torneio de basquete das paróquias vai continuar com o jogo dapróxima quarta-feira. Venham nos aplaudir, vamos tentar derrotar o Cristo Rei!
3- Quinta-feira que vem, às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, devem dirigir-se ao escritório do pároco.
4- Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra Hamlet, de Shakespeare, no salão da igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nesta tragédia.
5- Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrar das coisas inúteis que há na sua casa. Tragam seus maridos!
6- Assunto da catequese de hoje: Jesus caminha sobre as águas.
Assunto da catequese de amanhã: Em busca de Jesus.
7- O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o verão, com o agradecimento de toda a paróquia.
7- O mês de novembro finalizará com uma missa cantada por todos os defuntos da paróquia.
9- Por favor, coloquem suas esmolas no envelope, junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados.
Veja também outras piadas no blog
Os professores e seus salários
Um papo de dar fome
Viva Campinas!
Não tem como não rir: viva Campinas II
Série Nerd Pride - Piadas nerds:
Nerd pride - piadas nerd - reloaded - computação
Nerd pride - piadas nerd - reloaded - cálculo
Mais piadas infames
A vingança do Nerd - Piada
Piadas nerds
vida universitária - outras infames!
Vida universitária
Matemática
Cálculo - outras infames!
Cálculo
Computação - outras infames!
Computação (2011)
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Feliz dia das crianças
| Abraço apertado com meu amado irmão-gêmeo |
Mas sou muito feliz por continuar amando ser criança lá no fundo. E mostrei isso aqui neste blog muitas vezes:
- quando comentei sobre desenhos e filmes para crianças
Detona Ralph
Up!
Rio
Trapalhões
- quando falo sobre meu ídolo Maurício de Sousa
Maurício de Sousa
circo da Mônica
Turma da Mônica no mundo de Romeu e Julieta
E quando falo sobre coisas típicas de criança como
zoológico
Em resumo, já deixei muito claro por aqui que Eu sou criança! E adoro isso!
E posto ao lado duas fotos de poucos meses atrás com meus ídolos Pinguins (grandes executores de projetos extremamente desafiadores) e meu quase-irmão-gêmeo Shrek, que me deu um abração super-apertado! Foram momentos únicos poder estar com eles, assim, lado a lado.
![]() |
| Aprendendo com grandes gerentes de projeto |
Enfim, o tempo pode passar, tudo pode mudar, mas o Marcos gordinho e loirinho, falador, de riso fácil, vai estar sempre aqui comigo. Nunca quero deixar de ser criança.
E espero que todos que tem filhos hoje não se esqueçam de deixar as crianças serem crianças. Sem milhares de compromissos, sem inúmeras pressões, sem muitos presentes caros, mas com muito carinho, muita brincadeira, muita criatividade e muito amor.
Feliz dia das crianças para todas as crianças de idade ou que ainda mantém uma criança dentro do seu coração!
![]() |
| Feliz dia das Crianças Marcos - 1 aninho! |
domingo, 6 de outubro de 2013
É muito bom ter uma grande família
Tive muitas grandes sortes na minha vida. Uma das maiores é ter uma família muito grande dos lados do meu pai e da minha mãe e poder conviver com praticamente todos ao longo da minha infância e adolescência. Todos moravam em um raio de 10km, entre Santos e São Vicente. E muito do que aprendi e do que sou, devo aquele delicioso convívio tão próximo com meus 4 avós, minhas duas dezenas de tios e várias dezenas de primos :-)
Vou falar um pouco hoje do meu lado Borges. Tenho muito orgulho de ser um Borges. Tenho muito orgulho de ser neto do intelectual José Borges e da sempre batalhadora Ana Maria. E de ter os tios que eu tenho:
- o "contador de histórias Viriato", de fala sempre macia, que veio nos anos 50 para o Brasil, sem nada, foi sapateiro, feirante, empresário e construtor. E sua esposa, a sempre doce tia Conceição. Com seus filhos, mais velhos, não interagi tanto na infância, mas se hoje tenho a carreira que tenho, foi graças ao exemplo do meu primo, que foi meu veterano na UNICAMP e o primeiro familiar que soube que estudou em universidade pública;
- a sempre risonha e carinhosa Tia Júlia, que começou a vida debaixo, chegou a ser doméstica ao chegar no Brasil, mas construiu uma bela (e GRANDE) família junto com meu saudoso tio Fernando, que vez ou outra eu encontrava fiscalizando o ônibus no qual eu dormia nas minhas noites retornando do curso técnico. Carlinhos é o primo que honra a tradição empreendedora dos Borges, grande motivo de orgulho;
- o piadista e visionário empresário Hilário, que se foi tão cedo graças ao odioso cigarro;
- a doce e carinhosa tia Cacilda, minha tia mais próxima na infância, que junto com meu tio Zé, trouxe ao mundo meus amados três primos com os quais brinquei muito enquanto criança. Tios que foram tão cedo embora, mas construíram uma família linda e unida;
- a forte e carinhosa Idália, que sempre tomou as rédeas da vida e é a única que continua seguindo a tradição comerciante da família que quase inteira se aposentou. E que trouxe ao mundo meu outro primo tão próximo e querido.
Só não interagi com um tio Borges, que voltou muito cedo a Portugal e se foi: um dia marcante para mim, quando vi meu pai atender a um telefone e chorar, coisa que nunca tinha visto meu MACHO pai fazer até então. Ali eu percebi que meu pai era gente como eu, e não o super-herói que eu sempre imaginei.Mas fiquei feliz ao poder conhecer minha prima lá em Portugal, a única com a qual não interagi na infância.
Pois é, eu sou uma colcha de retalhos de cada um que me influenciou na vida. No meu jeito de ser, de pensar e de sentir, tem aquela indolência do Vô Zé lendo por horas, a balinha que a vó sempre trazia, os carinhos de todos os tios e tias, a irreverência das "desgarradas", as guloseimas típicas portuguesas, o lado empreendedor e batalhador de toda a família e aquela proximidade da turma de primos, amigos e companheiros de brincadeiras e agitos.
Mas o tempo passa, eu mudei de cidade há décadas e hoje vivo entre correrias de trabalho e o cuidado com os filhos. É tão difícil conseguir ver os Borges com a frequência que deveria...
Mas a quarta geração, os bisnetos do José e da Ana estão se casando. E hoje consegui ir no casamento da minha "priminha", que estava linda de noiva. E foi maravilhoso poder rever tanta gente querida, conversar com as tias Julia, Idália e Conceição, curtir meu pai e o irmão Viriato trocando memórias da "terrinha", rever vários primos, esposas, maridos e filhos. Foi maravilhoso porque amo muito essa gente, porque sinto muito a falta dos bons tempos de todos juntos em Santos e porque é bom de vez em quando voltarmos às nossas origens e lembrarmos de onde viemos e, em resumo, o que somos. Nunca, por mais longe que esteja, deixarei o jeito de ser dos Borges fugir de mim. Valeu família querida que me fez e me faz ser o que sou!
Veja também:
Homenagem à família Borges
Viva Portugal e Lembranças alimentares da terrinha
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Pai Herói
Um simples português
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Vou falar um pouco hoje do meu lado Borges. Tenho muito orgulho de ser um Borges. Tenho muito orgulho de ser neto do intelectual José Borges e da sempre batalhadora Ana Maria. E de ter os tios que eu tenho:
- o "contador de histórias Viriato", de fala sempre macia, que veio nos anos 50 para o Brasil, sem nada, foi sapateiro, feirante, empresário e construtor. E sua esposa, a sempre doce tia Conceição. Com seus filhos, mais velhos, não interagi tanto na infância, mas se hoje tenho a carreira que tenho, foi graças ao exemplo do meu primo, que foi meu veterano na UNICAMP e o primeiro familiar que soube que estudou em universidade pública;
- a sempre risonha e carinhosa Tia Júlia, que começou a vida debaixo, chegou a ser doméstica ao chegar no Brasil, mas construiu uma bela (e GRANDE) família junto com meu saudoso tio Fernando, que vez ou outra eu encontrava fiscalizando o ônibus no qual eu dormia nas minhas noites retornando do curso técnico. Carlinhos é o primo que honra a tradição empreendedora dos Borges, grande motivo de orgulho;
- o piadista e visionário empresário Hilário, que se foi tão cedo graças ao odioso cigarro;
- a doce e carinhosa tia Cacilda, minha tia mais próxima na infância, que junto com meu tio Zé, trouxe ao mundo meus amados três primos com os quais brinquei muito enquanto criança. Tios que foram tão cedo embora, mas construíram uma família linda e unida;
- a forte e carinhosa Idália, que sempre tomou as rédeas da vida e é a única que continua seguindo a tradição comerciante da família que quase inteira se aposentou. E que trouxe ao mundo meu outro primo tão próximo e querido.
Só não interagi com um tio Borges, que voltou muito cedo a Portugal e se foi: um dia marcante para mim, quando vi meu pai atender a um telefone e chorar, coisa que nunca tinha visto meu MACHO pai fazer até então. Ali eu percebi que meu pai era gente como eu, e não o super-herói que eu sempre imaginei.Mas fiquei feliz ao poder conhecer minha prima lá em Portugal, a única com a qual não interagi na infância.
Pois é, eu sou uma colcha de retalhos de cada um que me influenciou na vida. No meu jeito de ser, de pensar e de sentir, tem aquela indolência do Vô Zé lendo por horas, a balinha que a vó sempre trazia, os carinhos de todos os tios e tias, a irreverência das "desgarradas", as guloseimas típicas portuguesas, o lado empreendedor e batalhador de toda a família e aquela proximidade da turma de primos, amigos e companheiros de brincadeiras e agitos.
Mas o tempo passa, eu mudei de cidade há décadas e hoje vivo entre correrias de trabalho e o cuidado com os filhos. É tão difícil conseguir ver os Borges com a frequência que deveria...
Mas a quarta geração, os bisnetos do José e da Ana estão se casando. E hoje consegui ir no casamento da minha "priminha", que estava linda de noiva. E foi maravilhoso poder rever tanta gente querida, conversar com as tias Julia, Idália e Conceição, curtir meu pai e o irmão Viriato trocando memórias da "terrinha", rever vários primos, esposas, maridos e filhos. Foi maravilhoso porque amo muito essa gente, porque sinto muito a falta dos bons tempos de todos juntos em Santos e porque é bom de vez em quando voltarmos às nossas origens e lembrarmos de onde viemos e, em resumo, o que somos. Nunca, por mais longe que esteja, deixarei o jeito de ser dos Borges fugir de mim. Valeu família querida que me fez e me faz ser o que sou!
Veja também:
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Homenagem à um tiozão gente finíssima
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Eu tenho um sonho
O sonho de Martin Luther King
Não há pessoa que seja mais reconhecida com um grande idealista de um mundo melhor que Martin Luther King. Um homem negro em uma era de grande racismo nos EUA, país que até hoje é profundamente racista e dividido. Há 50 anos ele fez um discurso histórico: "eu tenho um sonho". Abaixo um trecho desse discurso.Digo hoje a vocês, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho de que um dia esta nação vai se levantar e viver o verdadeiro significado de sua crença: 'Consideramos essas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais'. Eu tenho um sonho de que um dia, nas montanhas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos donos de escravos serão capazes de sentarem-se juntos à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos um dia viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter (...). Quando permitirmos que a liberdade ecoe, quando permitirmos que ela ecoe em cada vila e cada aldeia, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de avançar rumo ao dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar as mãos e cantar as palavras da velha cantiga negra, 'Enfim livres! Enfim livres! Graças a Deus Todo-Poderoso, enfim estamos livres!'."
Marthin Luther King em seu mais famoso discurso
(Eu Tenho Um Sonho, Washington, 28 de agosto de 1963)
É muito interessante ver que esse novo "Martinho Lutero" tinha uma visão muito diferente dos racistas do movimento negro. Ele não queria a diferença, a discriminação (positiva ou negativa, é tudo igual). O discurso não fala em cotas. Ele não pregava o ódio e o orgulho de uma cor ou credo. Ele sonhava com a igualdade entre pessoas que somos, iguais em defeitos e virtudes.
Eu compartilho com o sonho desse "rei". Que as pessoas entendam, de uma vez por todas, que ser negro, branco, pobre, rico, gordo, magro, não faz ninguém melhor ou pior. E que valorizem a real humanidade.
PS. Em 2015 foi lançado o filme Selma, que mostra como Martin atuava na sua luta, de forma pacífica, mas muito inteligente, sem ser nada inocente ou ingênuo. Ele, sem dúvida, foi um cara muito especial, que merecia ser o grande exemplo de todos os movimentos sociais de hoje!
Veja também:
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- O racismo das cotas
- O racismo e o movimento negro
- Samba do crioulo doido: o racismo dos negros
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