sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Uma grande conquista

Sabe aquela coisa fantástica, que você sempre sonhou em fazer, mas sempre achou muito além de sua capacidade? Sabe aquele sonho que vem desde a infância? Sabe aquela conquista que você acha que jamais você irá alcançar? Pois é, eu tinha uma...
Eu sempre admirei, e muito, aqueles que conseguiam. Eu sempre me achei muito aquém daquela capacidade, para mim quase um dom de nascença. Eu sempre entendi que aquilo era para um conjunto pequeno de privilegiados.
Mas, sabe, um dia você acorda com coragem. Um dia você põe o pé - direito - no chão e fala: "é hoje". Hoje eu vou tentar! Hoje eu vou encarar! Hoje eu vou ter coragem! Hoje eu quero provar para todos, para a vida e para o mundo que eu sou capaz!
E com toda a determinação do mundo eu encarei meus medos. Eu me preparei, fiz todos os passos necessários, me concentrei e, mesmo ainda sem ter grande convicção de que teria sucesso, tentei. E, para minha surpresa, eu consegui. Sim, eu consegui, eu superei meus medos e consegui aquela conquista tão sonhada, que me parecia tão inalcançável! Mas quis ter certeza que não havia sido um momento de sorte, sorte de principiante. E tentei de novo. E na quarta vez, quando já tinha convicção de que não era só sorte, de que eu era capaz, chamei meus filhos e disse: vejam o que o pai de vocês é capaz de fazer! E vi neles um olhar brilhando de admiração que me valeu o dia! E todos também resolveram tentar: minha coragem não só me fez ir além do que eu achava que era capaz, mas abriu novos horizontes e novos desafios na cabeça dos meus filhos.
Enfim, foi um momento de superação incrível e um dia inesquecível da minha vida. E tudo porque eu tive coragem de tentar e consegui o feito, o inacreditável feito, de jogar a tapioca que estava na frigideira para cima e pegar de volta com ela virada! Que orgulho de mim mesmo! Eu sou, realmente, capaz de coisas que eu jamais acreditaria que conseguiria. De lá para cá, já se vão quase uma centena de viradas no ar. E cada uma leva, consigo, um momento de profunda satisfação. Eu sou capaz! :-)

Veja também:
(TED)   Os 8 segredos para o sucesso
 O sucesso e a determinação
Meu filho, você não merece nada!
Não fuja da dor
Psicologismo agudo
As escolhas da vida
Você pode chegar lá
Quem te faz feliz?
Um mundo insano

domingo, 12 de junho de 2016

70 anos, careca e barrigudo

Há 70 anos atrás, em 12 de junho de 1946, lá nos altos do Douro, em Trás-os-Montes, nasceu um moleque. Ele era bravo, arteiro, namorador. Desde criança, ajudava na roça, chegou a literalmente quebrar pedra com pé-de-cabra para plantar parreiras. Cuidava de animais, plantava diversas coisas e até trabalhou na Adega da cidade, fabricando o incomparável vinho do Porto.
Em 1964 venho para o Brasil, com pouco estudo, nenhum tostão no bolso, mas muita vontade. Trabalhou em padaria, trabalhou como empregado na feira até que conseguiu, alguns anos depois, ter sua própria barraca. E seguiu na labuta pesada, carregando centenas de caixas de 20 ou mais kg, acordando de madrugada e só chegando do trabalho umas 14hs por mais de 40 anos. E foi nesse trabalho árduo, embaixo de frio, de chuva, ou de sol escaldante, que fez sua vida, construiu seu patrimônio e criou seus três filhos com o conforto que ele não teve na infância. E nunca vi, nesses 45 anos em que com ele convivo, ele lamentar ter trabalhado tanto. Pelo contrário, se eu aprendi alguma coisa com meu pai, foi de ter orgulho de conseguir as coisas com seu próprio esforço!
Com meu pai aprendi como as pessoas são preconceituosas, racistas. Como ele ficava triste quando percebia pessoas que criticavam "esse português" que vem para cá e fica "rico", tirando dos "brasileiros". Povo invejoso, povo injusto. O tal português é um ser humano como eles, que não teve nenhum privilégio na infância, que trabalhou desde muito cedo e que tinha uma rotina de esforço que nenhum daqueles que o invejavam encarariam: tudo o que meu pai conseguiu, qualquer pessoa de qualquer nacionalidade e qualquer raça, conseguiria, se trabalhasse pesado como ele por 40 anos. Mas tem muita gente nesse mundo, e hoje ainda mais, que prefere apontar o dedo e pedir privilégios, usando as desculpas as mais variadas e criticando quem conseguiu as coisas com seu próprio suor.
Com meu pai aprendi a lutar pelo sonho: eu vi ele, literalmente, perdendo os cabelos para conseguir levantar aquela linda casa que construiu para a família. Ele não só pagou, ele literalmente, depois de 12 ou mais horas na feira, ia lá na obra para ajudar a fazer seu sonho real.  E, no meio tempo, jogar um tijolo sem querer na cabeça do filho boboca :-D
Com meu pai aprendi muitas lições do mundo real. Não coisas bonitas, românticas, de um mundo cor de rosa. Mas a verdade da vida. As maldades das pessoas. Como devemos ser para sobreviver na selva que é o mundo. E como uso, e repasso, até hoje, seus ensinamentos nada politicamente corretos, somente corretos: "respeite quem te respeita", "quanto mais se abaixa, mais aparece o ...", e por aí vai...
Na minha infância havia a propaganda inesquecível: "não basta ser pai, tem que participar". E meu pai não era só pai, naquela visão antiga de provedor. Depois do trabalho pesado na feira, ele ainda achava energia para jogar bola, brincar de autorama ou de pingue-pongue comigo. Ele sempre arrumou nossas bicicletas, enchia os pneus, limpava o quadro, regulava as marchas. Meu pai, participava.
Com meu pai aprendi que se você quer ter algo, tem que economizar ao máximo e de toda a forma. E que temos que ter as coisas para nós, para nosso futuro, não para mostrar para os outros. Meu pai, jamais, foi um esbanjador: aprendi com ele que sempre temos que dizer que temos muito menos, para não despertar cobiça ou inveja. E sigo, direitinho esses ensinamentos financeiros.
Com meu pai aprendi que um pai prepara e confia em seu filho. Sempre que podia, eu ia com ele para a feira, porque aprendia muito. Ele me ensinou a fazer contas mais rapidamente, de cabeça. Ele  me ensinava, sempre, como pensava nos preços que ia cobrar e quais estratégias usava. Ele me explicava porque tinha comprado cada coisa. Ele me ensinava estratégias de vendas e marketing que hoje vejo consultores que cobram fortunas de multinacionais falando como se fossem grandes novidades. E, desde os 10 anos, ele confiava em mim para contar toda a féria (o faturamento), somar as compras e ver o resultado: quase virei contador por causa dessa experiência deliciosa que ele me proporcionou.
Com meu pai eu só não aprendi a derrubar corações. Seu sucesso com a mulherada, mesmo sendo humilde, mesmo estando sujo da feira, mesmo careca e barrigudo (mas com músculos que eu nunca cheguei perto), realmente sempre foi um mistério para mim. O que eu via de sorrisos de freguesas, olhos brilhando, etc., realmente era inacreditável. Ele não precisava fazer esforço: uma fala, um olhar, sei lá, já deixava a mulherada bamba :-D Sei que o frustrei por não ter sido seu sucessor nesse sentido, mas tudo indica que seu neto irá honrar o avô :-)
Bom, pai, o que eu posso dizer? Obrigado por tudo. Que bom que o senhor hoje pode comemorar seus 70 anos aí na sua terrinha, matando as saudades de Alijó, de Presandães, e daqueles nomes engraçados que os Borges adoravam ficar falando nos encontros da família no chalé dos avôs. Aproveite muito, porque o senhor fez por merecer cada prazer que hoje tem. E muitas felicidades nos próximos 70 anos que vem por aí :-)

Veja também:
Pai Herói
Um simples português
Homenagem à família Borges
Viva Portugal e Lembranças alimentares da terrinha
Boas memórias de natal

Uma bela história de amor entre pai e filho: Gonzaga

À minha mãe e 61 piscadas  e Mamãe, mamãe, mamãe
Minha eterna companheira de aventuras
Ud 90 - telegráficoUd 90 - Vídeos
Saudades do Vô Renato 
9 X 70! Dois números incríveis e um enorme parabéns
Homenagem à um tiozão gente finíssima

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Bom programa: Catavento Cultural e Educacional

A linda fachada do Catavento
Em algumas viagens ao exterior tive a oportunidade de visitar museus de ciência: lembro de um muito bom em Kobe-Japão e de um fantástico em Boston-EUA. São museus interativos, cheios de atividades para todas as idades e com demonstrações fantásticas. Acho importante esse tipo de museu, porque desperta nas crianças o interesse pela ciência, pela prática científica, mostrando que física, química, informática, etc. são coisas legais. E mostra para os adultos o quanto ainda temos que aprender. Sempre me perguntei porque não temos um museu desses no Brasil.
Mas no último mês tive uma grata surpresa. Graças a indicações de amigos fomos ao Catavento Cultural e Educacional, no centro de São Paulo. Acho incrível como uma atração como essa tem tão pouca divulgação na mídia do Brasil. E, mesmo assim, é o museu mais visitado do país. O museu fica no belíssimo Palácio das Indústrias, construído para ser residência dos Matarazzo e que foi, por muito tempo, sede da prefeitura de São Paulo. Nas redondezas, pontos interessantíssimos, como a catedral da Sé, o pátio do colégio e o mercadão municipal (aproveite para comer um sanduíche de mortadela na saída).  Muitos ônibus e estações de metrô por perto e estacionamento para carros no próprio terreno do Catavento dão toda a praticidade ao acesso. Ainda no pátio, atrações incríveis, como uma casa feita para dar ilusão de ótica, um comunicador de som à grandes distâncias que só usa conchas metálicas sem fio ou eletricidade, um modelo de uma ancestral dos humanos e várias antiguidades, como carroças de limpeza, locomotivas de várias épocas e até um avião onde as crianças podem embarcar.
A placa na entrada do Catavento
Lá dentro do museu tem muita, mas muita coisa legal. Astronomia, biologia, física, química, ótica, magnetismo, sobre tudo. Não vou falar das atrações, uma a uma, porque são centenas e são super-legais, para todas as idades, desde pequenos até idosos. Mas além das atrações livres, tem ainda atrações que precisam ser agendadas (sem custo, mas com limitação de duas por período): são imperdíveis as simulações de submarino e de nave espacial, o laboratório de química e o estúdio de TV. 
Tudo isso com um ingresso muito barato, que chega a ser gratuito em alguns dias. Não deixe de visitar essa grande atração da cidade de São Paulo, principalmente se você tem crianças para levar. Tente reservar mais que um dia, porque em um dia não é possível conhecer tudo. E dê preferência para um fim de semana de feriado ou dias de semana, porque lá lota mesmo.
consulte o link do Catavento,
E para você que é diretor ou professor de escola, pense em agendar seu próximo passeio no Catavento: é um lugar onde toda criança deveria ir!

PS. Em setembro de 2017 visitei novamente o Catavento e tem mais uma atração incrível: Dinos do Brasil, uma bem produzida viagem ao passado em realidade virtual. E ainda conheci a atividade Desafio Nano, muito boa também. O ingresso "inteiro" custa R$ 6,00 (e tem meia!) e aos sábados é de graça (e bem cheio, claro)

Para mais informações sobre o Catavento, clique aqui


Veja também
Zooparque Itatiba

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Imagine uma cidade...



Imagine uma cidade grande, muito grande, e muito densa. Mas uma cidade que reservou boa parte do seu território, bem ao centro, para um parque, muito arborizado, com uma centena de atrações para todo o tipo de interesse, incluindo museus fantásticos, gramados onde jovens tomam sol e crianças correm, 21 playgrounds para menores, imensas pistas para bicicletas, quadras de esporte, etc., tudo com acesso livre, para onde todos vão aos fins de semana, ao invés de shoppings.
Imagine uma cidade de milhões de habitantes que fornece água mineral para seus habitantes, graças a uma ação conjunta entre governo e fazendeiros da região para preservar todas as fontes de água naturais intactas. 
Imagine uma cidade onde pessoas de todas as origens, cores e línguas convivam em harmonia. Onde se vê em uma única praça, um hindu com seu turbante, muçulmanas de burca, judeus ortodoxos, loirinhas com shorts sumários, indianos, asiáticos, negros e latinos, falando todas as línguas do mundo. Onde um evangélico prega que Jesus está chegando ao lado de uma mulher de top less cobrando para que se tire uma foto ao seu lado. Como é lindo ver os humanos respeitando os outros dessa forma.
Imagine uma cidade que cobra poucos impostos dos seus cidadãos. Onde os pobres não precisam dar muito para o governo. Mas onde muitas coisas são doações dos mais ricos, para o bem comum. Imagine uma cidade onde os playgrounds das crianças, os parques, museus, algumas escolas e mais um sem fim de bens públicos são oferecidos e reformados gratuitamente pelos mais ricos em gratidão à cidade em que vivem.
Imagine uma cidade onde não se precisa usar carro. Onde há ciclovias demarcadas em boa parte das maiores avenidas e há metrô disponível para todos os cantos. Uma cidade onde transporte público é realmente levado a sério. Mas onde quem prefere ter seu próprio carro e arcar com os custos de engarrafamentos e estacionamentos seja respeitado.
Imagine uma cidade para onde qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo, que queira uma vida digna através do trabalho, queira imigrar. Uma cidade onde a primeira pessoa que você encontra é um paquistanês, motorista de táxi de dia, que estuda engenharia elétrica à noite e tem tudo para ter uma vida muito melhor do que toda a família que ficou em seu país. Uma cidade onde faxineiras e qualquer outro profissional, por mais simples que sejam, ganham o suficiente para uma vida digna para eles e sua família.
Imagine uma cidade que oferece comida de graça para os jovens que forem às escolas e bibliotecas durante as férias, para motivá-los a seguir aprendendo.
Imagine uma cidade 24h: onde você pode comprar há poucos metros de sua casa, o que quiser, a qualquer hora do dia ou da noite.
Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único. E o próprio autor da música que eu estou parafraseando, também entendeu isso. E veio morar aqui, nesta cidade fantástica, que está muito além da imaginação: New York.

sábado, 9 de maio de 2015

O sucesso e a determinação

Em quase 20 anos como professor universitário, uma coisa ficou muito clara para mim: acompanhei jovens muito inteligentes que nunca chegaram muito longe, porque, embora inteligentes, faltava à eles a vontade. Por outro lado, muitos jovens com mais dificuldade para aprender, com problemas financeiros, com limitações as mais variadas que poderiam ter servido de desculpas para terem uma vida sem destaque, com força de vontade, com gana, com esforço, chegaram muito longe. Com base nessa experiência cunhei uma frase: "quem quer, faz; quem não quer, acha uma desculpa".
Vivemos um momento no nosso país onde as desculpas andam muito em moda. Onde pessoas justificam sua falta de progresso por questões as mais variadas. Onde se tenta culpar os outros, o preconceito, o mundo, etc., por uma vida medíocre. O governo atual adora fomentar isso, porque é com o "coitadismo" que tenta angariar votos para si, colocando-se como o protetor dos "prejudicados": mas ele precisa que os prejudicados não tenham sucesso para continuar tendo votos....
Mas a vida já me provou que o sucesso não depende de raça, origem ou opção sexual: já vi pessoas de todas as classificações possíveis, com origens humildes ou de alta classe, distribuírem-se entre pessoas com sucesso e pessoas com vidas medíocres. O que diferenciou um grupo do outro? De um lado, pessoas que nunca deixam de lutar, que se esforçam, que trabalham muito, que acreditam em si; do outro pessoas preguiçosas, sem vontade, que preferem culpar os outros e o mundo a tirar a bunda da cadeira e se mexer.
O vídeo dessa oriental no TED é fantástico, porque ela discute muito melhor que eu isso (além de ser mais bonita e simpática). Além disso, nada melhor que uma oriental, mulher, de uma "minoria", mas de uma minoria que tem no sangue a cultura do esforço, da dedicação, para falar sobre esse tema.
E você, jovem? Vai continuar se sentindo o coitado, o desafortunado, e buscando desculpas para não chegar onde quer? Ou vai botar a faca no dente e enfrentar essa selva que é a vida de frente, com toda a vontade que você tem aí no fundo do seu peito?



Veja também:
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Meu filho, você não merece nada!
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Psicologismo agudo
As escolhas da vida
Você pode chegar lá
Quem te faz feliz?
Um mundo insano
Prá que esperar o meteoro? (QueNerd)

Juventude atual:
O que as escolas não ensinam
- aonde querem chegar?
- amor e sexo 
- Adeus a Amy,
- inspiração boa e ruim,
- cérebro de pipoca
- valor da vida
Não gaste muito dinheiro para prejudicar crianças

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Uma vida que valeu a pena!

Ele é um dos meus melhores amigos de toda a vida. Morei com ele por 3 anos em república e sempre nos demos bem. E até hoje tentamos manter o contato, apesar de morarmos longe.
É um cara realmente exemplar: muito inteligente, sincero, trabalhador, responsável, que ama a família e que trata a todos sempre com muito carinho e respeito, um cara que seria a definição de "gente fina". Sempre o admirei por suas virtudes e pela capacidade de sempre transparecer uma leveza e um sorriso.
Hoje tive a infelicidade de acompanhar a despedida do pai desse grande amigo. O pai se foi de forma rápida, inesperada. Mas meu amigo me recebeu com o sempre presente sorriso leve, com a amizade e a simpatia que sempre foram sua marca.O acompanhei apoiando sua mãe e seu irmão nesse momento tão difícil. E sendo simpático com todos que estavam lá para esta última homenagem. E pude dar alguns abraços sinceros em um momento tão difícil...
Ao pai do meu amigo, agradeço por ter colocado alguém com tantas qualidades no mundo. Grande mérito de criar alguém com tantas virtudes em um mundo como o nosso. Ele se foi com a certeza de que cumpriu com louvor sua presença na Terra, deixando para a posteridade um ser humano de grandes qualidades. Descanse em paz, grande senhor!


terça-feira, 28 de abril de 2015

Educação para o futuro do Brasil

Na última eleição fiquei muito decepcionado ao ver um jovem de grande universidade, que se achava politizado, falar a seguinte frase: "é claro que o governante X não vai ter compromisso com a educação, porque o governante X tem compromisso com a indústria". Como é possível alguém, que se diz politizado, falar tamanha asneira??? Como é possível ainda aceitarmos estudantes, políticos e sindicalistas fazendo discursos que estão atrasados mais de um século?
A era do operário inculto, mero seguidor de ordens, acabou há muito! Há mais de 50 anos o mundo conheceu o pensamento enxuto (ou lean), onde o que faz a empresa crescer são trabalhadores inteligentes, criativos, questionadores. O mundo não precisa mais de "mão de obra": os robôs hoje são melhores e mais baratos que mãos. O que as indústrias precisam do ser humano hoje é do cérebro! Só que tem gente que ainda acha que vivemos no século XIX, antes até da revolução de Ford, revolução totalmente revista pelo Lean...
Os países que cresceram nas últimas décadas no mundo o fizeram graças à uma excelente educação. São exemplos gritantes o Japão e a Coreia do Sul, onde uma indústria de alta tecnologia os fizeram sair do terceiro mundo e chegar ao primeiro em algumas décadas. Indústria estabelecida graças à colaboração de operários muito bem preparados, com excelente formação. A educação desses dois países é inquestionavelmente boa. Assim, respondendo ao comentário insano do estudante durante a eleição: "caro, se o governante X tivesse compromisso com a indústria, ele investiria MUITO em educação, porque a indústria no Brasil perde muito hoje por causa da incapacidade de sua mão de obra de viver nesse mundo de produção de alta tecnologia e produtividade". Nossos operários não aumentam produtividade há décadas, isso é praticamente único em todo o mundo. Sem aumento de produtividade, a indústria não consegue aumentar os salários, e por isso seguimos com baixos rendimentos aos operários e com indústrias em crise recorrente. E o futuro será ainda mais negro se não revertermos essa situação trágica da nossa educação hoje.
Mas a tendência, infelizmente, não é boa. Estamos ainda andando para trás. Em matéria da revista Exame de 15/04, podemos ver que o Brasil é o país da América Latina onde mais jovens não terminam o nível médio. Eu disse o PIOR DA AMÉRICA LATINA, pior que países como Nicarágua, Bolívia e El Salvador, só para dar três exemplos. E para ser ainda mais triste a notícia, essa situação PIOROU entre as gerações: a geração nascida nos anos 80 desistia menos do ensino médio que a geração nascida em meados dos anos 90. Em resumo, tudo está péssimo e a tendência aponta para piorar.
Eu acredito, totalmente, que a única solução para o Brasil mudar é educação. Com educação de qualidade teremos uma população esclarecida, que conseguirá cuidar melhor da sua saúde, planejar melhor a sua vida, votar melhor e ser mais produtivo em suas empresas. E isso geraria um ciclo virtuoso na nação. Mas os governantes atuais, infelizmente, não querem boa educação, pois quanto menos competente é o povo, mais depende da esmola do governo e mais facilmente vende seu voto.
Além disso, a linha Marxista que tomou de assalto nossas faculdades de educação e faz uma lavagem cerebral em nossos professores, os fazendo cultuar Paulo Freire, um cara que pensou 5% em educação e 95% em ditadura de esquerda, que na verdade nunca esteve nem aí com as crianças, só as usando para sua "revolução", só faz piorar o ensino no país. Não precisamos de professores que fiquem pregando uma linha ideológica, não precisamos de sindicatos de professores que usem essa massa para manipular a mídia usando professores, e seus alunos, como se fossem meros brinquedos em favor de seus partidos antidemocráticos. Precisamos de educação de qualidade, professores que queiram ensinar conteúdos e não impor visões ultrapassadas do mundo, professores que sejam valorizados por salários decentes, mas que façam jus a estes salários se comprometendo de VERDADE com o aprendizado de nossas crianças, não aceitando ser marionetes de políticos e sindicatos corruptos.
Sem mudarmos essa realidade, sem a sociedade enxergar a importância fundamental da educação para o futuro do Brasil, seguiremos sendo, para sempre, o "país do futuro", futuro que nunca chegará. Precisamos de um pacto nacional pela educação, um pacto de verdade, com governantes que queiram um povo mais preparado e mais culto (não apenas em slogans!), com uma população que entenda que qualidade de ensino é essencial para o futuro de nossas crianças e jovens e com professores que rejeitem seguir sendo usados como marionetes de partidos que representam o passado, o atraso e a falta de democracia

Veja também
Vídeo A educação que o Brasil precisa - TedX UNICAMP
Professores em greve: que decepção!
Os professores, os salários absurdos e a infeliz realidade brasileira
Uso político dos sindicatos e da UNE


Série Bobeiras educativas:
- Que tal trabalhar para ganhar?
- Salário ou responsabilidade?
- Um sorriso de uma criança é tudo...
O que as escolas não ensinam
- Psicologismo agudo
- Um tapinha não dói
- O MEC mente - e a secretaria de educação de São Paulo ajuda
- Idade inicial
- idade inicial - a visão de um professor
- Português correto: alunos  e educadores
- Não ser meritocrático
- Foco em universidades
- Trote: vide aqui
- Bullying: primeiro post aqui, com novo comentário aqui
- Aprovação automática: vide aqui
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- Livros didáticos

E também:
- Greve nos transportes
- Greve ou férias II: o absurdo dos sindicalistas
- Greve ou férias?