domingo, 15 de janeiro de 2012

O poeta do futebol - Armando Nogueira

Tem gente que morre mas nunca deixará de fazer um pouco parte de nós. Exemplos de inteligência, de carreira, de carácter! E um desses exemplos nos deixou há quase dois anos: Armando Nogueira.
"Mestre" Armando Nogueira
A história do Armando Nogueira é a história de um jornalista vitorioso, que chegou a ser o poderoso diretor de jornalismo da Globo. Mas, apesar de ter chegado tão longe, nunca deixou o idealismo e o caráter de lado, e preferiu deixar a Globo a ver sua integridade abalada (para mais detalhes, veja este texto).
Eu, como amante da boa cultura, da arte da poética e do futebol, adorava ouvir o Armando Nogueira fazendo seus comentários, sempre inteligentíssimos, poéticos, criativos, inspiradores. Armando era um craque das palavras, sabendo como ninguém narrar as belezas do esporte bretão, em um português belíssimamemente escrito, em frases que se apresentavam de forma fluida, natural. Armando era mais um daqueles jovens senhores que eu sempre admirei, exemplos de vidas bem vividas e de inteligência e cultura. Mais um da linhagem do saudosíssimo Mário Lago.
Alguns jornalistas hoje lembram um pouco Armando Nogueira, talvez o Juca Kfouri seja o mais no estilo. Mas o Juca, alguém que adoro ouvir, ainda não está no nível do mestre, mestre Armando que deixou o esporte brasileiro mais inculto e triste após sua partida.

Leia também:
- Divulgue e apoie o projeto Mário Lago 100 anos
- O melhor presidente
- Um grande líder
- Um exemplo de pessoa

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Hoje volta a idiotice máxima na TV

Uma vez, valia pela curiosidade. Duas vezes, ok. Três vezes, já estava acima de qualquer nível de paciência. Agora, me diga você, meu leitor, como a Globo, a maior TV do Brasil, consegue ter a coragem de nos castigar, doze anos consecutivos, com o Big Brother?
Esse, sem dúvida, é o programa mais idiota da Globo, TV que já fez tanta coisa boa. E é uma injustiça enorme com George Orwell, que escreveu o clássico 1984, um dos melhores livros que já li em toda a minha vida. Foi nesse livro que o Big Brother foi criado, um computador que controla a vida de todos através da televisão. Mas se o livro é muito inteligente e faz pensar como poucos, o programa é exatamente o contrário.
Eu já falei sobre esse programinha horroroso em outro post (vide aqui). Mas merecia um texto mais completo para comemorar essa data macabra de volta do que deveria ter ido para sempre embora!
Vamos e venhamos, a Globo só coloca esse programa no ar porque é o que ela pode fazer de mais barato: colocar 12 pessoas em uma casa, pessoas que estão lá sem ganhar nada, e colocar uma dúzia de câmeras espalhadas pela casa, é praticamente custo zero, comparando com possíveis programas alternativos. Um milhão de reais por um programa diário em horário nobre é dinheiro de pinga para a Globo. E o mais ridículo, o Bial, querendo se dizer intelectual e falando textos pretensamente bonitos sobre aquele lixo...
O que mais me surpreende e saber que tantos expectadores perdem minutos e até horas da vida, tempo precioso, para ver 12 pessoas nada brilhantes mostrando peitos, bundas e músculos: não era melhor baixar um filme erótico não? Ah, não é pelos peitos? É pelo "enredo" então? É inacreditável como tudo é falso, claramente combinado, um fazendo o papel de bonzinho, outro de bravo, outro de intrigueiro... E os casais que se formam do dia para noite, como se a Globo contratasse o cupido para trabalhar full time na casa? Ou seja, é uma novela com um enredo pobre, pior que Malhação, com atores horríveis e praticamente sem direção ou produção. Por que não alugar ou baixar um filme com um mínimo de inteligência e ver nessa hora? Ou, melhor, usar esse tempo para ler um livro (que tal 1984)? Ou, ainda melhor, conversar com a esposa ou brincar com os filhos? Mas milhões ficam olhando para aquilo, achando razoável ficar discutindo a vida e a opinião dos outros, em uma fofoca nacional institucionalizada. Decepcionante!
E a imprensa cobre o programa como se fosse a eleição de um presidente do Brasil: cadernos especiais, manchetes, notícias em programas teoricamente jornalísticos... Já estou enjoado, antes mesmo do programa começar.
Pior é saber que o programa vende um valor distorcido para a população, um valor que está se cristalizando. Muitos acabam achando que se tornar celebridade é o motivo da vida e o início de um sonho. Mesmo vendo que após 12 anos e uns 150 participantes, os únicos que se tornaram algo foram a Grazi (que já fazia pontas na Globo antes) e a japa "burra" (que já tinha sido até dançarina do Faustão): ou seja, aquilo lá não mudou a vida de ninguém, como é óbvio, né?
Pais, discutam com seus filhos sobre isso, mostrem que o único caminho certo para mudar de vida é o estudo e o trabalho e que se tornar celebridade não deveria ser o sonho de ninguém. Não é legal que os outros fiquem falando sobre nós por sermos o que somos no privado, devíamos buscar sempre o destaque pelo que fazemos e deixamos para o mundo... E, leitores, por favor, vamos começar um boicote a esse programinha ridículo, pois só com baixo ibope é que a Globo irá tomar vergonha na cara e tirar essa coisa do ar!

Veja também:
A era da fofoca...
Roque Santeiro (algo bom que a Globo já fez)
A "boa" da terça (algo bom que a Globo fez este ano)

Bons filmes para ver ou rever na hora do BBB:
Senna
O discurso do rei
A rede social
Rio
Up
Trapalhões na luta contra a ditadura

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

UFC - continuando a polêmica

É incrível como esse UFC desperta paixões. Foram muitos comentários no primeiro post (este aqui), alguns de pessoas sem um mínimo de respeito, mas outros, como o último, educado e inteligente, me questionando do porquê de eu não responder aos argumentos. Então lá vai minha opinião.
Reitero minha opinião, acho que esporte deve ser algo que desenvolva habilidades positivas, e isso não inclui dar murros na cara de ninguém. Isso para mim é baixo, coisa do mais profundo do nosso lado animal, coisa que deveríamos tentar nos distanciar como seres pensantes e racionais. Nunca assisti a uma luta do UFC, como nunca assisti à boxe ou qualquer outro esporte em que a meta seja derrubar, nocautear ou machucar de qualquer outra forma o oponente. Não me atrai. Além do mais, como homem, fico imaginando porque homens acham legal ver dois brutamontes se agarrando e se batendo: me parece algo bem gay, como disse alguém em outro comentário. Se ainda fossem mulheres de biquini na lama...
Pratiquei e admiro karatê, por exemplo, mas aí a distância é quilométrica. O objetivo não é bater em ninguém, é uma luta simulada, o objetivo é mostrar agilidade e técnica e, principalmente, mostrar que sabe se defender.
No post original citei inclusive cronistas esportivos especializados, que concordam comigo e que me motivaram a escrever aquele texto. Não é uma opinião apenas minha, de alguém que não entende de esporte, como muitos comentários indicaram...
E não duvido que as pessoas que lutam sejam homens de bem, como era Muhamad Ali, por exemplo, que vive hoje uma vida dolorosa graças às sequelas de um esporte tão brutal. Como é o Popó, também...
Respeito a opinião de cada um, mas acho estranho comparar-se futebol à UFC. A meta, o foco do futebol é a bola e o gol: se há violência é uma desvirtuação que merece ser punida rigidamente. E o futebol que mais gosto é justamente o estilo arte, as pedaladas do Robinho, os dribles do Neymar, muito longe dos zagueiros do mal que povoam os times por aí...
Bom, gente, é isso aí. Se quiserem, escrevam e compartilhem à vontade as opiniões. Este é um blog que quer fomentar polêmicas mesmo, pois o mais rico é discutir ideias. Mas grosserias de quem só sabe atacar, coisas desrespeitosas, não serão publicadas, deixo já avisado...

PS1. Para quem acha que a minha opinião é de alguém sem conhecimento, o Eder Jofre chamou hoje em entrevista na CBN (15/01/12) UFC de assassinato. Veja aqui outra matéria do Eder Jofre sobre o assunto.
PS2. Na propaganda do UFC o Galvão chamou os lutadores de "gladiadores do terceiro milênio". Se chamar alguém de gladiador é elogio, não remete a crueldade e violência, eu realmente não entendo mais nada...

Veja também:
- O mundo andando para trás: UFC
- Já vai tarde, Orlando
- Futebol não vale tudo isso
- A copa no Brasil
- As olimpíadas no Brasil
- Um santista feliz

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Dinocamp: a festa do tiro

Uma das primeiras repúblicas formadas na moradia foi "Amordidona", a última do bloco A, em frente à indústria e ao lado da sala de estudos. Foi umas das primeiras porque já estava habitada nas férias, pois eu estagiava e mudei assim que possível. Era uma república de nerds: dois nerds de engenharia química e dois nerds de engenharia de computação. Não era uma república bagunçada, como uma república de quatro rapazes pode sugerir: estava sempre limpa e muito bem organizada. Também era bem montada, uma das primeiras a ter uma TV (que funcionava com bombril na antena). E era uma turma nerd mesmo, sempre estudando muito: só comíamos mais que estudávamos! Eu e meu colega mais comilão de EQ fazíamos um pacote de meio quilo de macarrão com molho de tomate natural e enriquecido com sardinha ou salsicha ou outra coisa barata e nós dois dávamos cabo de tudo em uma noite. E naquela época eu pesava 30kg a menos que hoje: inexplicável!
Amordidona tinha algumas tradições. Uma delas eram as "violadas", onde muitos se reuniam na sala para cantar músicas, em especial rocks dos anos 80 e MPBs, acompanhados pelo muito bem tocado violão do Assis... Eram festas super-in, só para os amigos. E maravilhosas. Até hoje penso em voltar a agendar de vez em quando, uma dessas...
Mas as coisas cresceram... Vieram os colegas de turma e era clássico que dois japas sempre bebiam demais e ficavam se equilibrando no murinho do segundo andar das salas de estudos, para meu desespero (tenho terror a altura e só imaginava eles caindo de lá). Em uma das festas mais "animadas" que organizamos, no meio da madrugada uma turma resolveu fazer uma corrida de cuecas no entorno da moradia e um dos comp88 voltou com uma calcinha, roubada de algum varal, na cabeça: inesquecível!
Mas a mais histórica, sem dúvida, ocorreu em um meio de ano: naquele momento resolvemos organizar uma festa grande, uma festa junina. Tinha fogueira na rua, a casa estava decorada com balões e fizemos um caldeirão de vinho quente. A festa rolava solta quando eu - tenho que assumir isso, fui eu - vi que um guardinha da portaria estava ali por perto e ofereci vinho quente. Bom, eu ofereci e fui embora, mas depois vim saber que o distinto, depois do primeiro, não parou mais até ficar trêbado, encostado na janela da cozinha da casa sem soltar o copo um único instante.
E foi trêbado que ele viu "invasores" entrando na moradia, tirou a arma e atirou bem no meio da fogueira, no momento cercada de pessoas da festa. E, instantaneamente, uma centena de pessoas correu em pânico, a maioria para dentro da república, uns 30 dentro do banheiro que tinha uns 4m2 no máximo! Eu era um deles...
Nesse momento, meu colega "batatinha" mostrou que era o real "macho" da turma e mesmo com seus 1,5m saiu da casa, se aproximou do guarda, conversou com ele e em uma ação rápida, o imobilizou e tirou a arma da mão. E a arma acabou lá no banheiro conosco: desmontamos a arma nos menores pedaços possíveis e a escondemos...
Sinceramente, não lembro dos detalhes finais: se a polícia foi chamada, quem levou o guardinha embora e como a arma foi devolvida. Mas lembro que depois dessa famosa festa a Unicamp proibiu que os guardinhas usassem armas por muito tempo!
Sem dúvida, essa foi a passagem mais "histórica" da minha juventude: imaginar que a lendária "festa do tiro" foi organizada por aqueles quatro nerds, um deles eu, é quase-inacreditável... Mas, acreditem, foi! E muitos que lerem este texto estavam lá e podem confirmar!

PS. um colega presente na festa complementou o que eu havia esquecido: "ninguém sabia direito o que fazer com a arma. Eu ajudei a descarregar o revólver e ele foi guardado num lugar, os cartuchos em outro. Logo depois apareceram mais dois seguranças, um dos quais parecia ser um supervisor do que atirou. Foi ele quem levou o atirador e a arma embora." (by Fernando)

Veja também outros textos da série Dinocamp:
Dinocamp: a moradia estudantil
UAP
Marketing
Vestibular
de volta ao 3.60

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Dinocamp: a moradia estudantil

A Unicamp não teve moradia estudantil até o ano de 90. Antes disso, só um bando de politiqueiros, daqueles bancados por partidos para o diretório central dos estudantes (vide aqui um post sobre isso), tinham invadido uma parte do ciclo básico, no que chamavam de Taba.
Em janeiro de 90, o Paulo Renato - tinha que ser ele - inaugurou a moradia. Inicialmente só o primeiro bloco. E eu estava lá na inauguração, eu que fui um dos primeiros moradores daquele lugar único, onde a experiência universitária atinge grau máximo.
A inauguração foi "interessante": reitor e políticos, todos orgulhosos, apresentando a "casa" para uma imprensa interessadíssima. Mas apresentando só a primeira casa do bloco A, que estava, acreditem, toda decorada com móveis, lustres e tudo mais, da Tok & Stok, "super-chiques". Estava linda, é fato. Mas era algo totalmente falso, algo só para a inauguração, algo que não existia em mais nenhuma casa. Irritado, eu mesmo mostrei o absurdo que era aquela casa "fantasia" para a imprensa, que se surpreendeu ao eu dizer, e ao ver ser verdade, que as outras casas estavam totalmente diferentes. Não sei se isso acabou publicado, mas eu fiz questão de denunciar...
Bom, mas as casas, mesmo sem móveis da Tok&Stok são muito boas: um quarto confortável para quatro, uma sala gigante, cozinha com geladeira e fogão conjugados e banheiro. Os móveis - camas e mesa da sala - são simples, mas de ótima qualidade, muito robustos. Não há o que reclamar. E eu adorei poder morar 3 anos lá, ainda mais porque não tinha como continuar bancando, com meu estágio de 20h, um ap no centro e o ônibus diário - na época não havia muitas opções em Barão Geraldo.
As casas eram numeradas aleatoriamente: acho que foram pessoas analfabetas que pregaram as placas, não é possível. Os números eram sem sentido, em ordem inexplicável. Coisas que só acontecem na Unicamp...
A moradia em obras: saudades desse tempo!
Quando a moradia começou, não tinha ônibus da Unicamp até lá - o que acho um luxo até exagerado. Nós fazíamos o trajeto de 3km entre a moradia e a Unicamp a pé, e era ótimo: para a saúde e para as amizades. Era um tempo que aproveitávamos para conversar e colocar todas as fofocas em dia. Eu e meu grande amigo de Limeira, por exemplo, usávamos para um eterno desafio de quem lembrava mais músicas bregas e íamos lá cantarolando "clássicos" do Waldick Soriano, Biafra, etc... Que tempo ótimo!
Junto com as turmas indo e voltando o "Chico", o cachorro estudante: ele saía conosco de manhã da moradia até a Unicamp, assistia as aulas de manhã no básico, "almoçava" no bandejão, dormia, como nós, nas aulas da tarde, "jantava" no bandejão e voltava à noite para a moradia, onde dormia. Sim, ele era um perfeito estudante! Diz a lenda que ele se "formou" e foi fazer intercâmbio no exterior :-)
Já no terceiro ano da moradia, juntando cada trocado do estágio e comendo só no bandejão, consegui comprar um fusca caindo aos pedaços. E fui ameaçado por alguns moradores de ser despejado porque era "rico": é, acho que fui o primeiro "motorizado" da moradia. Pouco depois, carros zero, "presentinhos" de pais, começaram a popular aquilo que deveria ser um reduto dos mais humildes alunos.  
Ainda em 90, os ex-habitantes da Taba, tentaram "emplacar" um critério "político" para a seleção dos moradores. Isso mesmo, critério "político". Segundo eles, quem "lutou" pela moradia, deveria ter preferência. Ou seja, eles achavam que aqueles "estudantes profissionais", que já estavam há uns 10 anos na Unicamp apenas para fazer política partidária, tinham mais direito de ter uma moradia gratuita que um estudante humilde que não teria como se sustentar em Campinas de outra forma. Ainda bem que isso não foi aceito. E, posteriormente, o SAE - orgão de apoio aos estudantes da universidade - acabou assumindo a seleção, o que achei ótimo, pois tirou a possibilidade desses politiquinhos de quinta categoria usarem a moradia para se promover.
A moradia foi inaugurada pouco a pouco: primeiro o bloco A, onde eu estava, e aí os outros. Antes de eu me formar, alguns anos depois, já estava com as mil vagas disponíveis, sem dúvida um contingente de vagas mais que suficiente para atender a todos que realmente precisam. É mais um belo serviço que a universidade faz pela distribuição de renda, aumentando as oportunidades de pessoas humildes conseguirem mudar de vida. E eu convivia, naquele bloco A, com muitas pessoas bem humildes e fantásticas, pessoas das quais tenho muitas saudades.
Da moradia e daquele bloco A inicial ainda há muitas outras histórias interessantíssimas, como a "festa do tiro", o "trote no bixo", a "festa do contrário", o "causo do auto-elétrico", etc. Mas o post iria ficar grande demais, então deixo para um próximo.
O que posso dizer, com certeza, é que foram 3 anos inesquecíveis da minha vida. E, diferentemente da visão dos habitantes de Barão, aquilo lá está bem longe de ser uma depravação geral à la Porky´s. Nunca consegui focar tanto nos estudos como lá, convivendo em um "bairro" só de estudantes. Se haviam casas mais "agitadas", haviam muitas casas como "Amordidona", a minha, habitada por estudantes de engenharia sérios e interessados. Além disso, a experiência única de viver ao lado de tanta gente tão fantástica estará para sempre em minha memória.

Veja também:
- Dinocamp: UAP, Marketing e Vestibular
- Momento retrô: de volta ao 3.60
- O reitor Paulo Renato
- A nova política estudantil
- o vergonhoso movimento estudantil: 1, 2 e 3

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Um feliz 2011! Que 2012 seja ainda melhor

Este blog nasceu em 2010, mas foi em 2011 que eu comecei a investir um pouco mais de tempo nele...
E estou muito feliz com o retorno que ele - ou seja, vocês, meus leitores - estão me dando.
O mês de dezembro foi o segundo mês com maior visitação do blog, só perdendo para o mês de novembro com a polêmica entre alunos sobre a eleição ao centro acadêmico. Como foi um mês atípico, onde todos ficam menos conectados, e como foi um mês com muito menos posts que os anteriores (19 contra 35 em novembro e 38 em outubro), o resultado foi muito animador.
Entre os 5 posts mais lidos do mês, 3 foram da série Dinocamp, série que irei continuar nos próximos meses, pois é muito bom lembrar de um passado feliz. Só essa série concentrou mais de 10% de toda a visitação no mês, sendo que o mais visto, que fala da UAP, teve mais que 100 visitas e já está entre os dez mais vistos da história do blog:
DinoCamp: a UAP  (1)
DinoCamp: o vestibular (3)
DinoCamp: o marketing (5)
O segundo post mais visitado no mês é um post que tem a minha cara: um post que fala sobre comportamento, sobre homens e mulheres e sobre sinceridade. É um post que eu adorei escrever e que, felizmente, vocês gostaram também de ler: Homens sinceros e mulheres inteligentes
E o quarto post mais visto foi um desabafo de um santista, depois da tragédia no Japão: percebe-se que muitos santistas visitam aqui meu blog: Valeu, Santos!
Só me resta agradecer à todos vocês por gastarem um pouquinho do seu tempo lendo minhas linhas... Em 2011 foram mais de 15.000 visitas à estes textos e conto com vocês para chegar ainda mais longe este ano. Sem medo de discutir, sem medo de pensar e sem medo de polêmicas!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A maior injustiça da história do futebol

Não, este post não é sobre o Santos. Perder do Barça foi tudo, menos injusto. Eu sei muito bem o nível do meu time...
Este post é sobre o melhor time que eu já vi jogar. O time que me fez me apaixonar pelo futebol. Futebol de toques bonitos, muita categoria, um show de futebol. E não, não estou falando do Barça também!
Quem tem menos de 40 anos, não lembrará disso. Mas quem tem a minha idade ou mais certamente tem na memória o nome Paolo Rossi. Esse nome, para qualquer brasileiro, causa mais terror que qualquer Jason ou Freddie, megastars do terror na década de 80...
A seleção de 82 era a certeza que o Brasil não tinha acabado no futebol com a saída do Pelé. Nós ainda sabíamos jogar futebol como ninguém. Um jogo bonito, com craques como o Zico, o Sócrates (falei dele aqui) e o Falcão, jogadores de um nível de categoria que não me lembro de ter visto depois deles. Mas também um time com um técnico, mais exatamente um maestro, que fazia aqueles 11 craques jogar em uma sintonia inesquecível: Telê Santana, para mim o melhor técnico que este país já teve.
O Brasil jogava bonito, para frente, sem medo. Se tomava um gol, ia lá e fazia dois ou três, facilmente.  A certeza era tão grande, que aquele jogo contra a fraca Itália, que havia feito uma campanha ridícula até aquele dia, não assustava nada. O Brasil precisava de um empate para ir para a semi da copa, que todos tinham certeza que seria nossa. Mas naquele dia o Paolo Rossi acordou encapetado. E fez 1 X 0, mas nosso time empatou. Mas fez 2 X 1, mas conseguimos novamente empatar. E então, depois de 30 minutos do segundo tempo, fez 3 X 2, e desta vez não conseguimos mais empatar. E a melhor seleção pós-Pelé voltou para casa muito mais cedo, vindo encontrar um país enxarcado em lágrimas pela enorme desilusão.
Telê ainda dirigiu o time de 86, muito bom também, com parte da seleção de 82 e os jovens craques do time do São Paulo, liderados por Muller e Sillas. Mas novamente perdemos cedo. E o resultado dessa dupla desilusão foi o Brasil passar a acreditar que não adianta jogar bonito e não ganhar: em 90 a seleção foi a mais ridícula e retranqueira que nosso país já viu e em 94, uma seleção também jogando atrás, muito feio, com o Parreira na liderança, ganhou a Copa e sepultou definitivamente o futebol arte no Brasil, uma vez que o "futebol de resultados" do Parreira conseguiu o que o Telê não tinha conseguido.
Até hoje lembro com tristeza do resultado de 82: Telê, Zico, Sócrates e Falcão mereciam ter ganhado uma Copa. Mas o futebol não é justo, infelizmente!
Para quem é mais jovem e quer saber como foi aquela seleção ou para os mais "maduros" como eu que querem lembrar dessa passagem marcante de nossas vidas, sugiro os 4 programas especiais do Cartão Verde, da TV Cultura, por volta das 22h de terças-feiras de janeiro.
E para aqueles que adoram falar que o que importa é o título, uso o próprio exemplo da seleção para contradizê-los: tenho muito mais orgulho da seleção de 82 que por uma infelicidade não trouxe a taça, mas deu muito show que da seleção horrível de 94, com seu esquema 8 - 0 - 2 (oito atrás retrancados que, quando pegavam na bola, davam um chutão para frente, que quando caía nos pés do Romário ou no Bebeto, muitas vezes virava gol).
Viva Telê, um homem trabalhador, inteligente e íntegro como poucos do futebol, e viva aqueles jogadores fantásticos que mostraram como futebol e arte podem estar juntos!

Veja também:
Valeu, Santos!
Pêsames e parabéns aos Corinthianos
Futebol não vale tudo isso
Por que estou tão feliz
Momento de GRANDE felicidade
A copa que envergonha o Brasil
E a olimpíada? Mais absurdos...