domingo, 26 de maio de 2013

Adeus a Neymar: de um santista

Não sou um torcedor fanático. Só fui uma vez em um jogo de futebol, um jogo de Santos X XV de Jaú, nos anos 70, lá na Vila. Mas amo meu time e amo o futebol arte.
Se meu time não é o maior do Brasil em torcida, nem em títulos nos últimos anos, ninguém pode negar que é o time que mais se alinha com o conceito de futebol arte que tanto já deu orgulho ao nosso país. O futebol da seleção entre 58 e 70, e do melhor time de futebol da história: o time do Santos desse período. O futebol que a seleção de 82 reviveu (já falei sobre isso aqui).
E fico muito feliz ao saber que neste século, foi o Santos o time que mais lembrou a tradição brasileira de categoria, dribles, futebol bonito de se ver. E mais feliz ainda porque os grandes nomes desses times que tão bem jogaram foram crias do próprio Santos. Primeiro, com o time de Robinho, Diego e cia e nos últimos anos com o Neymar.
Não vou negar que derramei muitas lágrimas ao ouvir a despedida do Neymar hoje na Globo. Além de jogar futebol profissionalmente, e em um nível muito acima da média, Neymar mostrou que ama o Santos de verdade, e ter um jogador que veste a camisa desse jeito não tem preço. Chorei porque não será fácil criar um outro jogador desse patamar e não será fácil criar um time que jogue tão bonito tão cedo. E porque sempre deu muito orgulho de ver um jogador desse nível jogar tanto, e por tanto tempo, no meu Santos.
É triste ver alguns torcedores de outros times querendo diminuir o que é óbvio. Falar contra o Neymar não é falar contra o Santos, é falar contra o futebol arte. Neymar vai muito além do Santos e só quem vê pequeno pode negar isso. E os números falam por si:
- em 5 anos, no início da carreira, foram 3 paulistas, 1 copa do Brasil e 1 Libertadores;
- foi um dos únicos que conseguiu ainda no Brasil estar na lista da FIFA como um dos melhores do mundo. E ganhou o prêmio de mais belo gol do ano;
- recebeu propostas do Real, do Milan, do Manchester, do Milan e do Barça, para onde vai. Qual outro jogador foi tão assediado saindo do Brasil?
- na sua era o Santos triplicou o valor que recebe de patrocínio e duplicou o público nos seus jogos;
- para aqueles que querem dizer que ele prefere fazer propaganda que jogar para o Santos, deveriam "lembrar" que parte da propaganda vai para o Santos: o time não gastava 1 centavo para manter o Neymar, faturando mais com as propagandas do que pagava de salario.
Enfim, Neymar não foi um cara egoísta. Ele, muito mais que fazer seu nome, ajudou demais o Santos a se projetar.
Sei que meu time não jogou bem na final do mundial em 2011, na Libertadores de 2012 e no paulista neste ano. Mas não foi por causa do Neymar. O Neymar, sempre que assisti, lutou, correu, tentou: mas o esquema do time não ajudava, deixando o Neymar isolado e jogando muito na defesa, bem ao estilo Muricy. Mas, sempre que possível, o Neymar premiava os torcedores com uma bela jogada.
Que agora todos os brasileiros deixem de ver o Neymar como "do Santos" e dêem apoio a este jogador que representa tão bem ao futebol arte que sempre marcou nosso país. E que não coloquem a responsabilidade da Copa nesse moleque alegre, mas muito jovem para ter que levar esse peso.
Sucesso, Neymar, nesse seu novo desafio. E obrigado por todo o prazer que você trouxe não só para os santistas, mas para todos aqueles que amam futebol. De um fã incondicional seu. 

Veja também:

Vídeo do Santos em homenagem ao Neymar
Valeu, Santos!
Momento de GRANDE felicidade
A maior injustiça da história do futebol
 
Corinthianos: desculpas para todos e decepção com alguns
Por que agora torço para o Boca?
O futebol é uma caixinha de surpresas
Crime organizado com o apoio do governo e dos times de futebol
Pêsames e parabéns aos Corinthianos
Futebol não vale tudo isso
Por que estou tão feliz
A copa que envergonha o Brasil
E a olimpíada? Mais absurdos..



sábado, 18 de maio de 2013

Turma da Mônica no mundo de Romeu e Julieta: imperdível!

Nos anos 70 o Maurício de Sousa criou uma peça de teatro com o nome acima. Muitas pessoas da minha geração compraram o disquinho de vinil, outras tantas viram um especial na TV e os paulistanos tiveram a oportunidade de ver a peça ao vivo.
Agora, mais de 30 anos depois, o Mauricio de Sousa relançou a peça, como parte das comemorações de 50 anos da personagem mais amada do Brasil.O texto foi revisto, a produção é nova, mas as músicas foram mantidas quase sem mudança.
Uma produção imperdível!
A produção está fantástica. Figurinos muito lindos, feitos por um nome famoso da moda. Um cenário muito bem feito: vitrais na hora da igreja, balcão para a Julieta Mônica falar com seu Romeu Cebolinha, e um sem fim de detalhes. Ao fundo, um céu animado, com nuvens passando, estrelas brilhando, sol nascendo, uma animação com uma qualidade que nunca havia visto antes no teatro. Dá orgulho saber que parte dessa animação foi obra de um grande amigo, primeiro a conhecer na UNICAMP na graduação!
Eles estão perfeitos!
São vinte atores intercalando no palco, realmente uma produção de primeiríssimo mundo. Dançando, brincando e interagindo com os personagens que tanto amamos.
Amo a turma da Mônica porque é a turma do Brasil. São personagens com nossa cara, com nossa cultura, que cresceram conosco. E sou fã do Mauricio, um brasileiro incrível! (já falei bastante dele neste post).
E no final, não deixe de dar uma passadinha no MUBE,
ali pertinho, e ver a exposição dos 50 anos:
interessante e de graça!

E acho que todos os brasleiros que tenham possibilidade, não podem perder essa oportunidade única de recuperar a fantasia de sua infância, de valorizar nossa cultura, de assistir a uma produção incrível totalmente nacional e de deixar nossas crianças com olhos brilhando e imaginação reforçada.  Então, meus leitores, não deixem para depois: entrem neste link aqui e façam já sua reserva para alguma seção. Depois da seção, não percam a oportunidade de ir tirar uma foto com os personagens. E, quem sabe, se você tiver sorte, você consegue encontrar o Maurício de Sousa em carne e osso, como eu tive a oportunidade hoje: ele foi de uma simpatia, uma humildade, inacreditáveis. Foram uma dezena de fotos com minha turma, alguma conversa e vários autógrafos: um dia para não esquecer!

Veja também:
Site do Teatro Geo: compre seu ingresso aqui
Um exemplo de brasileiro: Maurício de Sousa
Bom programa infantil - circo da Mônica
Eu sou criança: e você? 

sábado, 11 de maio de 2013

As mentiras da minha mãe

Minha mãe sempre falava coisas que me espantavam. E ela me dizia que quando virasse pai eu iria entender... Virei pai, e já tenho muitos km rodados nessa "função". A conclusão que tiro é que minha mãe mentia para mim.
Lembro quando eu perguntava para ela se ela não tinha nojo em mexer no cocô da gente, seus bebês. E olha, que naquela época, era fralda de pano: tinha que lavar, torcer, esfregar a caca toda... Me embrulha o estômago só de pensar. A resposta dela é que não tinha nojo das "coisas" dos filhos. Pois bem, depois de um milhar de fraldas trocadas (ou mais), outro dia eu estava na creche e vi uma mãe tendo que colocar a "mão na massa" da fralda da filha. E olhei para meu pequeno e pensei: "graças a Deus você aprendeu a usar o vaso e nunca mais vou ter que mexer em cocô novamente..." Muitos anos se passaram e para mim cocô continua sendo cocô, algo nojento, asqueroso, algo que não deve ser visto e, principalmente, manipulado. MESMO DOS MEUS FILHOS... Cocô é cocô, nojento, não importa a origem.
Minha mãe sempre me falou também que sempre nos achou os bebês mais lindos do mundo. E que toda mãe acha seus filhos perfeitos. Pois é: eu amo de paixão meus filhos, acho eles super demais e não me canso de agradecer a vida por ter me dado essas pérolas tão incríveis. Mas seria cínico falar que eles são os mais bonitos do mundo: não são. Nem são os mais inteligentes, nem os mais habilidosos em tudo. São seres humanos incríveis, e os amo por serem isso. Mas não consigo vê-los como símbolos da perfeição. 
Quando ela falava que eu não a deixava dormir, eu perguntava como ela aguentava e a resposta era sempre que bastava um sorriso de seus filhos e todo o cansaço ia embora. Ou eu era um santo, que tinha um sorriso milagroso, ou foi uma nova mentira da minha mãe. Pois depois de uma ou duas noites dormindo pouco graças a uma febre de um pequeno, não há sorriso deles que me tire o cansaço. Adoro vê-los sorrir, disso não tenho a menor dúvida, mas adorar um sorriso não tira meu cansaço.
Minha mãe cuidava de tudo e de todos em minha casa. Sempre roupa bem lavada, a mão (pois a máquina estragava a roupa), tudo neuroticamente limpo, comida fresca e variada (saudável e deliciosa), os filhos sempre impecavelmente arrumados... E ela fazia tudo isso cantando. Não é possível que ela não sentia cansaço, desânimo. Aquele cantar de tantas músicas que sei de cor até hoje, só podia ser um fingimento: como alguém trabalhando tanto conseguia ainda manter a felicidade no coração? Se eu tiver que fazer uma comida simples e lavar uma pia de louça, já preciso de umas 4h para recuperar a boa vontade!
Enfim, pensando nos exemplos acima e em um milhão de outros exemplos, o que me vêm a cabeça é que minha mãe sempre foi uma grande mentirosa. Mentia pois jamais quis cobrar ou reclamar de nada que fazia para seus filhos. Mentia porque sempre quis ser uma mãe mais que perfeita (pois seria perfeita mesmo se demonstrasse seu cansaço). Ou então, minha mãe pertence a uma outra classe de pais, com um amor tão superior e tão incondicional, que faz o coração se impor ao racional, ao nojo, ao cansaço. Seja como for, eu sei que devo muito a essa moça que me fez ser o que sou.
Feliz dia das mães, para a mãe mais mentirosa e amada do mundo!

Veja também:
À minha mãe e 61 piscadas  e Mamãe, mamãe, mamãe
Madrinha
Ud 90 - telegráficoUd 90 - Vídeos
Boas memórias de natal
Minha eterna companheira de aventuras
9 X 70! Dois números incríveis e um enorme parabéns
Homenagem à um tiozão gente finíssima
Saudades do Vô Renato 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Meu filho, você não merece nada!




"A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada "


Repasso abaixo um texto fantástico de Eliane Brum, disponível neste link.

"Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba."

Veja também:
Não fuja da dor
Psicologismo agudo
As escolhas da vida
Você pode chegar lá
Quem te faz feliz?
Um mundo insano
Prá que esperar o meteoro? (QueNerd)

Juventude atual:
O que as escolas não ensinam
- aonde querem chegar?
- amor e sexo 
- Adeus a Amy,
- inspiração boa e ruim,
- cérebro de pipoca
- valor da vida
Não gaste muito dinheiro para prejudicar crianças

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um desenho imperdível para gamers: Detona Ralph

Quando eu era criança, apareceram os primeiros vídeo-games: os tele-jogos. Sempre quis jogar um, mas era uma coisa que só os mais ricos tinham. Lembro que o vizinho do meu primo, lá em S.Vicente, tinha um. E sonhava em ser convidado um dia para ir lá: não fui...
Um filme imperdível
para todos que amam vídeo-game
 
Alguns anos depois chega ao mercado o Atari. E finalmente eu ganhei um. E foi paixão e vício a primeira vista. Investi milhares de horas da minha vida em alguns joguinhos: o principal, Space Invaders. Mas também joguei muito Pimball, Decathlon (haja LER) e Enduro. E em alguns momentos joguei também asteroides, pitfall e alguns outros... Foi uma fase inesquecível da minha vida e eu era bom naquilo: peguei todas as manhas e conseguia fazer a pontuação ir ao máximo e zerar na maioria dos jogos.
Entrei na UNICAMP e lá conheci os jogos de computador. Um dos que mais me recordo era o interessante "LLL - Land of Larry Lizard". Mas tinham jogos baseados em caracteres que eram a paixão dos meus veteranos. E no final da graduação, nos horários de almoço do estágio, eu e meus parceiros da "FMF" jogávamos Prince, em uma era que não dava para salvar: se morresse, fazíamos tudo de novo...
Após formado, ainda tive alguns momentos de gamer: em especial com jogos de simulação, como Simcity, Simutrans (simulador de transporte) e jogos de guerra como Age of Empires, Duke Nuken e Outcast. Mas, hoje, realmente estou bem longe deste mundo: não que ele não me atraia, mas tenho outras prioridades, como curtir meus filhos ou preparar as dezenas de aulas semanais.
Há pouco fui ver o filme infantil Detona Ralph. A ideia por trás do filme é interessante: um vilão que se cansa de fazer sempre o mesmo papel no seu game e que resolve "passear" em outros jogos. E é nesse passeio que está o grande charme do filme: o Ralph interage com personagens desde o vídeo-jogo, até os mais elaborados jogos de guerra modernos. Sem deixar de citar os clássicos de várias gerações: Space Invaders (o meu predileto), pacman, sonic e outros modernos que não sei o nome.
Enfim, assistir Detona Ralph é fazer uma deliciosa viagem pelos últimos 40 anos, a era do vídeo-game desde sua criação. Mais que o enredo, o grande charme do filme é ficar procurando as citações de tantos personagens que nos acompanham ao longo da vida. Foi realmente uma experiência deliciosa acompanhar meus babies nesse filme. Recomendo a todos aqueles que, como eu, tem os games como parte da vida.

Outros bons programas:
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha
Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária
Thatcher: uma mulher única
O novo cinema brasileiro (com O homem do futuro) e o Jabor
Roque Santeiro
A "boa" da terça
O Silvio Santos é coisa nossa!
Eu gosto do Faustão!
Senna
O discurso do rei
A rede social
Rio
Up
Trapalhões na luta contra a ditadura




Não se vive uma vida plena no virtual: desconecte-se

Eu já discuti no post Juventude atual: cérebro de pipoca? o quanto a excessiva conexão dos dias atuais está nos deixando a cada dia mais tristes e mais vazios. Mas o TED que disponibilizo abaixo é muito mais completo, profundo e convincente que meu texto. Assistam e tentem não concordar.
Está na hora de rompermos essa escravidão eletrônica e entender que é bom, saudável e salutar nos afastarmos do mundo virtual de vez em quando para viver a vida real. Não podemos nos enganar com uma falsa sensação de pertencimento e de companhia que as redes sociais não trazem: precisamos saber lidar com a solidão e a dor (vide o post Não fuja da dor).



Juventude atual:
- inspiração boa e ruim,
- cérebro de pipoca
- valor da vida
O que as escolas não ensinam
- aonde querem chegar?
- amor e sexo 
- Adeus a Amy,

Veja também:
Não fuja da dor
Psicologismo agudo
As escolhas da vida
Você pode chegar lá
Quem te faz feliz?
Um mundo insano
Prá que esperar o meteoro? (QueNerd)


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Um ícone do Brasil que nos deixou: Niemayer

Há certos personagens que ajudam a construir a imagem, a cultura e os valores de um povo. Os estadosunidenses sabem isso muito bem e chegaram a esculpir o rosto de alguns desses nomes em uma montanha, nomes que são sempre cultivados como pais da pátria.
Morreu um ícone do Brail:
mais de cem anos, lúcido e com muita energia
O Brasil tem alguns nomes que construíram nossa identidade. Como nossos políticos são muito ruins desde o início, eu não colocaria muitos políticos nessa lista. Talvez o GV e o JK mereçam essa honraria: o primeiro começou a dar a cara de um país moderno, com governo mais conectado com o povão; e o segundo por mudar a moral do nosso país e realmente ter feito 50 anos em 5: com ele o país virou um país urbano e industrial. Com relação à políticos da nossa era, nenhum mereceria estar nesse seleto grupo.
Mas há outros nomes que ajudaram a fazer a imagem do nosso país. Dois para mim são os nomes do século XX que não são políticos: Pelé e Niemayer. Ambos gênios em suas especialidades. Ambos brasileiros que nunca renegaram seu povo e suas origens. Ambos artistas criativos e únicos.
No final do ano passado perdemos Niemayer. Niemayer foi muito mais que um grande arquiteto. Niemayer projetou o nome do nosso país no exterior. E Niemayer ajudou JK a fazer nosso povo acreditar que somos mais que um paiseco pobre dos trópicos, que conseguimos fazer coisas grandes e fantásticas. Em uma era onde um governo prá lá de incompetente não consegue fazer um estádio de futebol sem superfaturar várias vezes, sem atrasar e fazendo algo com qualidade duvidosa, é quase inacreditável acreditar que JK construiu Brasília em 5 anos.
Mas Brasília não seria patrimônio mundial se não fosse a genialidade de Niemayer. Virão os detratores dizer que a arquitetura dele não é funcional, não aproveita a iluminação natural e todo aquele blá de gente invejosa que jamais chegaria perto dele. Sim, as propostas deles tem inúmeros defeitos, como o prédio com sala redonda: alguém aí sabe onde comprar um sofá redondo? Mas sua genialidade está nas formas externas, nas curvas, na simetria e na beleza limpa do concreto. Brasília é linda, o congresso é um prédio incrível, a esplanada é uma visão de uma criação fantástica. Eu já conheci quase todas as grandes cidades do mundo desenvolvido e posso dizer que nenhuma me chamou tanto a atenção pela beleza da arquitetura que a nossa Brasília. Pena que os políticos que moram lá não façam jus a essa capital maravilhosa.
Uma das obras mais geniais de Niemayer é nosso congresso
Niemayer foi comunista desde jovem. E embora eu seja terminantemente contra o comunismo (vide Por que o socialismo não dá certo?), acho muito legal alguém que acredita em algo seguir lutando até morrer, com mais de 100 anos. Como acho Niemayer um exemplo, por nunca ter deixado de amar a vida e de trabalhar, sempre tendo orgulho do trabalho que fazia. Um mês antes de partir, Niemayer foi assistir a um show musical. Um dia antes de morrer, Niemayer pediu para o médico liberá-lo logo, pois tinha um projeto para terminar: eu espero morrer com mais de 100 anos com essa lucidez e essa energia!
É alguém realmente que ficará para sempre marcado no roll dos maiores brasileiros da história. Tenho muito orgulho de ter nascido no mesmo país que Niemayer. E tenho muito orgulho do povo que concebeu e construiu uma cidade tão fantástica como Brasília.

Veja também outros que deixaram saudades:
Tristeza pela morte do Chorão
Amy Winehouse - Já era esperado, não há outra saída.
Saudades sertanejas
Os três malandros - saudades
Um país com menos sorrisos (Chico Anisio)
Mário Lago: Um homem extraordinário!
Homenagem aos finados dormindo...
O melhor presidente (Itamar Franco)
Um grande líder (Paulo Renato)
Um exemplo de pessoa (José Alencar)
Um talento único e uma grande vítima! (Michael Jackson)
Trapalhões na luta contra a ditadura
Queen

E mais mitos do passado:
Um nordestino, um favelado e uma história de amor: Luiz Gonzaga e Gonzaguinha
Gandhi: um filme incrível sobre uma pessoa extraordinária