sábado, 18 de fevereiro de 2012

Viva o Carnaval, viva o Brasil!

Tenho muito orgulho de ser brasileiro. E tenho muito orgulho de ser do país que inventou o samba e recriou o carnaval como uma festa espontânea, dos humildes, fundada na alegria. O carnaval é mais uma das manifestações multi-culturais desse país miscigenado, múltiplo e fantástico.


O carnaval dos anos 50 e 60 - alegria, inocência, marchinhas e o grande Grande Otelo

As marchinhas de carnaval são e sempre serão parte da cultura do nosso país. Chiquita Bacana, coitado do jacaré, será que o Zezé é? As águas vão rolar, mas cachaça não é água, Aurora! Maria sapatão, dá a chupeta pro bebê não chorar... Quem é que não consegue cantar a música inteira, só com as poucas palavras que citei à pouco? Esta é a maravilha das marchinhas, simples, fáceis, alegres e inesquecíveis. E todos os brasileiros, sempre terão uma história ligada às marchinhas: a jardineira, do vídeo acima, sempre irá me lembrar quem me ensinou esta e muitas outras, meu saudoso avô Renato, um senhor muito trabalhador e com moral irretocável que a-ma-va o carnaval!
Joãozinho no histórico desfile com o Cristo coberto
O carnaval que inicialmente era uma festa popular, uma bagunça, começou a se institucionalizar com a liga de escolas do Rio. E eu tive a sorte de conviver, na minha adolescência, com o apogeu dos desfiles cariocas, graças ao enorme crescimento das escolas, da paixão dos seus membros e da genialidade de pessoas como o revolucionário Joãozinho Trinta, que nos deixou a pouco, mas que me fez me apaixonar pela Beija Flor. Ele, criativo como poucos, e que teve a coragem de falar a histórica frase: "quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta é de luxo" quando questionaram a riqueza do seu desfile. Sinceridade de poucos, percepção de um gênio único. Se tem um sonho que ainda vou cumprir será desfilar no Rio e, de preferência, na "minha escola", a Beija-Flor.
 Quem, ainda hoje, não lembra de sambas-enredo com frases como"BUM BUM PATICUMBUM PRUGURUNDUM" (1982), "Mangueira é" (1983) e tantos outros dos anos 80? Era uma época que mesmo as rádios jovens, em época de carnaval, tocavam os melhores samba-enredo. Não é papo de velho querendo dizer "que no meu tempo tudo era melhor", mas é fato que há muito tempo os sambas-enredos deixaram de ser tão marcantes. Na verdade, o carnaval está deixando de ser tão marcante. E muito por causa do excesso de profissionalismo das escolas de samba, com dinheiro demais, que deixaram de lado a paixão da comunidade e passaram a visar a vitória e os dólares dos turistas, que participam do desfile sem sambar nem cantar... O carnaval está virando uma coisa "para inglês ver".
Vejo com muita tristeza que entre os jovens com os quais convivo, a imensa maioria "não gosta de carnaval". Eu, que era um menino quadrado e tímido, brincava de bisnagas na rua desde pequeno, "pulei" matinês ao longo da minha infância  (em clubes como Atlético Santista, Portuguesa e Portuários) e sambei a noite inteira no ano em que entrei na faculdade, celebrando minha primeira noite de carnaval e a chegada à UNICAMP, onde dei meu primeiro beijo no "amor de carnaval" Catia RC" (sim, lembro o nome completo da menina até hoje, com a qual dancei horas e troquei aquele beijo único e inesquecível). Desde então não tive oportunidade de voltar a um salão e sambar, e sei que o carnaval de salão está até se extinguindo, o que é uma pena, pois era uma coisa tipicamente paulista...
Me assusta ver iniciativas como "carnaval sertanejo", "carna-funk", entre outros, que distorcem o carnaval e suas tradições. Também não entendo comentários como "eu gosto é de rock", como se fosse impossível alguém gostar de dois ritmos igualmente marcantes e com base em raízes negras. Amar o carnaval é amar o Brasil e isso não é ruim, apesar daqueles nossos pseudo-intelectuais terem uma visão diferente (vide aqui).
Não há nada mais característico da cultura nacional que o samba e o carnaval e todos deveriam se deixar levar por esse ritmo único e essa arte só nossa. Ok, o carnaval das escolas de samba perdeu a graça, se pasteurizou, profissionalizado em excesso, mas o verdadeiro espírito de carnaval ainda vive nos blocos de rua que voltam a animar a todos, depois de um período em que quase sumiram. E para quem gosta de agitos "maiores", também temos os carnavais de Axé da Bahia e de frevo em Pernambuco, outros genuínos espetáculos brasileiros.
Brasileiros, orgulhem-se pelos nossos carnavais, pela nossa cultura única, pelo nosso ritmo maior. E divirtam-se neste carnaval, com pelo menos um pouco de samba e de brasilidade. Se você tirar o preconceito de lado e se deixar levar, não há como não ficar feliz ouvindo um samba-enredo de primeira ou marchinhas de carnaval.
Bom carnaval, muita alegria e muito samba para todos!

E para os santistas, uma doce memória, dos bons tempos do nosso carnaval

União Imperial - Enredo 1986:"assim Diz o Poeta"

Hoje vou entrar nessa avenida
De verde e rosa ninguém vai me segurar
E nesse embalo quero esquecer da vida
Vou colocar poesia no ar

(vide o resto neste link)


Veja também:
A verdadeira democracia racial
Santos - uma linda cidade e uma grande história
O Brasil é lindo
Uma elite intelectual idiota
Um homem extraordinário (Mário Lago) - autor da marchinha Aurora e de muitos outros clássicos
Juventude atual: amor e sexo

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Vinte mil visitas!

O Sem Medo de Polêmicas acabou de chegar a um número histórico: vinte mil visitas em seus 1,5 anos de existência. Muito obrigado a todos que "perdem" seu tempo lendo e ajudando a divulgar essas polêmicas, comentando, concordando ou criticando, mas discutindo, que é algo muito bom e que deveria ser sempre praticado por todos.
Valeu a todos!

Veja também, as dez maiores polêmicas do blog em seu primeiro ano:
10. Momento Retrô: de volta ao 3.60
09. Bullying: crime
08. TV Viva e Roque Santeiro
07. Queen com Zíper na Boca
06. Trote sim
05. Juventude atual: aonde querem chegar?
04. Bobeiras educativas: aprovação automática
03. A beleza da mulher
02. A corrupção agora é descarada: viva o PT!
01. Santander - o pior banco do mundo!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Chora coração!

Wando: o rei da música brega
Chora coração, meu iá iá, meu iô iô, pois o rei do brega não está mais entre nós. Wando era sem dúvida o maior ícone do brega romântico. Quando criança, ainda sem entender a letra, cantava e decantava o mega-sucesso Moça ("sei que já não és pura, seu passado é tão forte, pode até machucar").
Wando foi caminhoneiro e feirante e entendia a fundo o coração do povo mais simples. E sabia como ninguém usar isso para conseguir mídia, como quando começou a "colecionar calcinhas" de suas fãs, que as jogavam às dezenas no palco.
E nas minhas deliciosas caminhadas entre a moradia e a Unicamp, sobre as quais falei aqui, ele sempre foi presença marcante e figurinha carimbada.
Sim, a música dele é simplória e absolutamente brega. Mas simples, leve, e muito fácil de decorar e cantar. Ele nunca quis posar de intelectual e como cantor pop, fez isso muito bem. Suas músicas entraram para sempre no cancioneiro do país.

Outras pessoas que deixaram saudades:
- O poeta do futebol - Armando Nogueira
- Divulgue e apoie o projeto Mário Lago 100 anos
- O melhor presidente
- Um grande líder
- Um exemplo de pessoa

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Não fuja da dor

Foi interagindo com os comentários do post Psicologismo Agudo que tive o insight para este post. Ficou muito claro para mim uma defesa a uma postura de negação da dor, como se sofrer fosse algo condenável e que deve ser evitado. Essa covardia de enfrentar os momentos difíceis, com jovens sedados por "profissionais" com as mais diversas drogas ou, ainda pior, se drogando sozinhos, com remédios, drogas ou mesmo álcool, está construindo uma geração sem força para enfrentar o mundo real.Isso me lembra, em muito, um dos livros mais assustadores que já li, "Admirável Mundo Novo", um livro excelente que descreve um mundo onde a qualquer dificuldade ou frustração, as pessoas recorrem à droga oficial: e assim o governo mantém todos falsamente felizes e tudo sob controle.
O mundo real, gente, não é um conto de fadas. Nem sempre os bons vencem. Nem sempre conseguimos o que achamos justo. O mundo é difícil, uma selva de verdade, e temos que saber enfrentar essa selva de frente. Jamais advogarei a favor de jogar sujo, acredito na civilização e nos valores humanos, mas temos que saber viver em plenitude, e viver não é nada fácil.
Escutem a música abaixo, acho que ela toca no ponto:



Concordo com os Titãs: fugir da dor, é fugir da própria cura! E isso vale tanto para dores físicas quanto dores do coração:
- tomar analgésicos pode camuflar algo grave que merece tratamento ou criar uma dependência crônica à eles. Temos que aprender a conviver ao máximo com dores de cabeça ou qualquer outra;
- ao longo da vida teremos muitas perdas, separações, desilusões: viver é aprender a lidar com elas e seguir em frente, "pero sin perder la ternura jamás" (Che).
Então, se a vida está difícil, entenda que ela é para todos. Se o momento está ruim, insista para si mesmo que tudo pode melhorar. Se sua namorada te deixou, ruim para ela, aproveite a liberdade! Entenda que apesar de todos os pesares a vida é uma dádiva, é curta e frágil, então aproveite o máximo enquanto possível for. Seja feliz, mas se a tristeza bater a porta, não finja que não a viu: deixe-a entrar, converse com ela, aprenda um pouco com ela, e mande-a embora depois, com sua força interior, que é capaz de muito mais do que você acredita. Remédios, só mesmo em última instância!

Veja também:
Psicologismo agudo
As escolhas da vida
Você pode chegar lá
Quem te faz feliz?
Um mundo insano
Prá que esperar o meteoro? (QueNerd)

Juventude atual:
O que as escolas não ensinam
- aonde querem chegar?
- amor e sexo 
- Adeus a Amy,
- inspiração boa e ruim,
- cérebro de pipoca
- valor da vida

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A tragédia dos prédios do RJ: a prefeitura - parte II

No post anterior eu havia discutido sobre as responsabilidades da prefeitura do RJ na tragédia do desabamento dos prédios.A mesma prefeitura que agora fica buscando culpados e que planeja novas "ações" para evitar que isso se repita: como se acontecer uma tragédia como essa "apenas uma vez" fosse aceitável!
Mas hoje uma notícia deixou tudo mais claro. O prédio foi projetado para ter 15 andares e anos depois de construído, há décadas atrás, a prefeitura "autorizou" o acréscimo de mais cinco pavimentos. Ou seja, uma estrutura feita para suportar 15 andares, acabou suportando 20 por décadas. Até que aguentou demais! A coisa estava tão instável que alguma hora ia cair, e pode ter sido por causa da trepidação da obra em andamento que tudo enfim ruiu, mas não provavelmente desabou por causa da obra!
A pergunta que não quer calar é como a prefeitura "autorizou" aumentar em um terço a altura de um edifício já construído? Eu fico até imaginando como, mas prefiro não falar aqui no blog: conhecendo nossas "repartições", todo mundo que me lê consegue imaginar como deve ter acontecido isso, não? Agora, não é hora de buscar culpados, até porque a tal autorização tem uns cinquenta anos e quem autorizou deve estar morto ou muito idoso, mas que a prefeitura tem grande culpa na tragédia, não resta a menor dúvida!

Veja também:
Os prédios do RJ desabaram: a prefeitura também é culpada.
A burocracia e o desrespeito à privacidade do governo de SP
Política é importante: a visão de um quarentão
 A milionária mentira dos sacos plásticos e a ecologia
Funcionários públicos: direitos e deveres
Um país com estados equilibrados
Um Brasil onde todos tem o mesmo peso político
O grande golpe político dos micro-estados!
Ponto para o Alckmin! Cubatão
Ponto para o Alckmin! Trânsito
Verdade seja dita: I, II, III e IV
A fábula do país rico
A esquerda mentiu
Pés no chão
Política é importante
O legal e o ético
Antes errado, agora amigos
A Vale é uma empresa privada
O egoísmo de falsos esquerdistas
Uma péssima mãe

sábado, 28 de janeiro de 2012

Os prédios do RJ desabaram: a prefeitura também é culpada!

Três prédios enormes no chão e duas dezenas de mortos. E isso foi uma grande sorte. Não estou festejando a morte dos 20, mas se o desabamento tivesse sido de dia, como eram prédios comerciais, provavelmente seriam centenas demortos! Algumas horas salvaram centenas de seres humanos.
E agora começa a caça pelos culpados. É sempre assim aqui no Brasil, infelizmente: depois das catástrofes acontecerem, é que começam os estudos para evitar que ela aconteça...
O CREA vai lá e fala que a obra não tinha responsável técnico, mas fica bem claro que o CREA não está realmente lutando pela vida dos outros, mas sim para defender os seus próprios interesses de reserva de mercado.
Mas o pior, para mim, é a reação do poder público. A ideia por trás do governo acompanhar as obras sempre foi o governo cuidar da segurança da cidade, pois um prédio desabar, como desabou, é catastrófico para o prédio e para toda a redondeza, e o poder público deve cuidar da segurança da população. Mas parece que o poder público se "esqueceu" disso.
Acabei de ouvir uma reportagem onde um representante da prefeitura afirmou que se a obra não mudar a área útil do prédio, não é preciso aprovação prévia. Vocês entenderam bem o que eu disse? Para a prefeitura do RJ, não importa se você vai retirar todas as pilastras do primeiro andar do Empire State, desde que não mude a área útil. Ou seja, a prefeitura só se preocupa com a obra se, E SOMENTE SE, isso puder impactar no valor do imposto que o cidadão paga. Assim, a aprovação na prefeitura deixou de ter qualquer preocupação com a segurança da população, o motivo real de se criar esse tipo de burocracia, e passou a ter como único objetivo arrecadar. Ou seja, o governo cobra por um serviço que não dá em troca!
E isso  não é apenas a prefeitura do Rio que faz: quando fui aprovar a construção da minha casa aqui em Campinas também fiquei surpreso ao descobrir que eles não pediram nenhuma planta estrutural, apenas uma planta simplificada com as áreas do imóvel.
Além das prefeituras não cuidarem para que os prédios das cidades sejam seguros, elas também não fiscalizam o estado de conservação dos imóveis: há várias denúncias que o prédio estava em péssimo estado de conservação.
Até quando o povo brasileiro vai aceitar governos a cada dia mais gastões e menos preocupados com a população? Está na hora de darmos um basta nisto!

Veja também:
A burocracia e o desrespeito à privacidade do governo de SP
Política é importante: a visão de um quarentão
 A milionária mentira dos sacos plásticos e a ecologia
Funcionários públicos: direitos e deveres
Um país com estados equilibrados
Um Brasil onde todos tem o mesmo peso político
O grande golpe político dos micro-estados!
Ponto para o Alckmin! Cubatão
Ponto para o Alckmin! Trânsito
Verdade seja dita: I, II, III e IV
A fábula do país rico
A esquerda mentiu
Pés no chão
Política é importante
O legal e o ético
Antes errado, agora amigos
A Vale é uma empresa privada
O egoísmo de falsos esquerdistas
Uma péssima mãe

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Santos - uma linda cidade e uma grande história

Sou santista. Não apenas de time, que de vez em quando decanto por este blog. Sou da cidade de Santos. E muito me orgulho disso. Lá vivi até fazer 17 anos, quando mudei para estudar.
Algumas fotos da linda Santos
(fonte: wikipedia)
 

Santos é uma cidade histórica, não apenas por hoje, dia 26, fazer 466 anos. Divide a ilha de São Vicente com a celula-matter, a cidade de São Vicente, primeira cidade do Brasil. Santos começou sendo um porto. Depois veio a Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos, um dos primeiros hospitais do país, ainda em 1543, que segundo os historiadores deu nome à cidade.
Santos foi o porto que trouxe a riqueza para São Paulo, primeiro com a cana, depois com o café. E ainda hoje é o maior porto do Brasil e um dos maiores do mundo, por onde passa grande parte da riqueza do nosso país.
De Santos eram os irmãos Andradas, figuras muito importantes do império, os patriarcas da independência. De Santos era Mário Covas, o melhor político que eu já conheci. Em Santos nasceram várias bandas musicais de todos os tipos, incluindo sambistas, pagodeiros e os roqueiros do Charlie Brown Junior. Mas também nasceu lá o cantor de belas músicas interioranas Renato Teixeira. Isso mostra a cara da cidade, multicultural.
Até o início do século passado Santos era uma cidade não muito interessante, pelas doenças que um local cheio de mangues e mosquitos tinha. Com a construção dos canais, Santos passou a ser uma cidade muito mais habitável. E se antes a cidade se concentrava no centro velho, perto do porto, vieram os barões dos cafés e construíram seus palácios em frente ao mar. E aí vieram os bondes, transporte coletivo até o final dos anos 60, a abertura de avenidas que ligavam o centro às praias por onde os bondes passavam (Ana Costa e Conselheiro Nébias, em especial), e os palácios foram dando lugar a prédios altos em frente ao mar. E Santos seguia pujante, crescendo e se tornando uma cidade politizada e culta. Mas chegou a ditadura e os militares resolveram punir aquela cidade que insistentemente se colocava contra. Primeiro cassaram o prefeito e passaram a nomear de forma indireta os líderes, com a desculpa que Santos era "área de segurança nacional". Depois esvaziaram a cidade de desenvolvimento: foram duas décadas com o governo central prejudicando o município. E, assim, quando minha geração chegou a juventude, Santos tinha um porto sucateado, indústrias em Cubatão com muitos problemas, nenhuma universidade pública e oportunidades profissionais apenas na área comercial. Não é a toa que de 12 primos homens da minha geração com os quais convivia na infância, apenas 5 continuaram em Santos: todos os outros mudaram-se para outras cidades em busca de emprego. Com essa evasão em massa, Santos envelheceu. E se era uma cidade jovial e rebelde nos anos 60, passou a ser uma cidade idosa e conservadora hoje. Se o primeiro prefeito eleito depois da ditadura foi do PMDB, oposição na época, e a segunda do PT, na era em que o PT era mesmo comprometido com causas sociais, Santos elegeu nos últimos quatro pleitos representantes de uma elite conservadora, que destruiram várias tradições da nossa cultura, como o desfile das escolas de samba no carnaval, que no início dos anos 90 era o segundo maior do Brasil, maior inclusive que o de São Paulo, só perdendo para o Rio e o saudoso desfile da Dona Dorotéia.
Mas a natureza, enfim, trouxe boas notícias para a cidade. Foi descoberto o pré-sal e muito dele está na bacia de Santos. E para lá está migrando a Petrobrás, com um grande centro de pesquisas e muitas outras empresas satélites. Enfim, estão revitalizando o centro velho de Santos, tão belo e histórico quanto abandonado. Quem gosta de história, não tem como não dar uma volta no bonde do centro e tomar um café na antiga bolsa  do café, prédio lindíssimo onde antes circulava grande parte do poder do país. E, depois de um abandono de décadas, estão chegando boas universidades públicas até a bela terra, incluindo FATEC, USP e uma federal, com engenharias. Agora, quem quer estudar em universidades top de linha, não vai mais precisar sair da cidade, como eu precisei. E o retorno dos jovens está fazendo a construção civil voltar a crescer, com dezenas de obras gigantes por todo a ilha. Me preocupo com o futuro da cidade, com seus prefeitos conservadores, ligados aos contrutores, liberando prédios a cada dia mais altos em uma cidade já densamente povoada e sem espaço para abrir novas avenidas. Espero que o governo e a população invistam a cada dia mais em bicicletas, ótimas para uma cidade plana como Santos, e transporte coletivo de qualidade e com preço acessível,  pois não cabem mais automóveis nas ruas.
Mas, enfim, vejo com felicidade um novo tempo de desenvolvimento na antes esquecida Santos. E aqui vai o convite para quem não conhece nossas praias, com ondas pequenas e tranquilas e os maravilhososo jardins que as margeiam totalmente: são 7km de jardins bem conservados, o maior jardim do mundo. Conheça Santos, e não só pelas praias, aproveite para passear a pé na Ana Costa, muito melhor que ficar em shoppings fechados como temos aqui no interior, não deixe de andar no bonde, visite o porto, suba no bondinho do Monte Serrat e veja a deslumbrante paisagem de lá de cima, no antigo prédio do Cassino, visite o Museu da Pesca, o Aquário e o Orquidário, enfim: Santos é muito mais que uma cidade praiana, é uma cidade para se curtir em toda sua essência. E, lógico, se você for santista também no futebol, não deixe de visitar nosso templo sagrado, a Vila Belmiro.

Veja também um pouco mais da minha história:
- Eu sou + eu
- watashi wa nihonjin desu
E um pouco mais do meu time:
- Valeu, Santos!
- Por que estou tão feliz
- Momento de GRANDE felicidade